5.1 Yssens oppsigelse
5.1.1 Forebyggende apologia
O presente estudo relaciona a adopção e a frequência de utilização do BSC como instrumento de MCS e alguns factores contingenciais.
Através dos resultados obtidos foi possível aferir que as organizações no estádio de maturidade tendem a adoptar mais o BSC em comparação com os outros estádios do ciclo de vida. Este resultado é consistente com a literatura existente, que defende que este é o estádio em que é dada maior importância à eficiência técnica (Smith et al, 1985) e, os MCS utilizados são mais avançados e formalizados (Granlund & Taipaleenmaki, 2005; Sandino, 2007; Kallunki & Silvola, 2008; Miller & Friesen, 1984).
Tal como no estudo de Hoque & James (2000), neste estudo, foi encontrada uma associação positiva e significativa entre a dimensão da organização e a adopção do BSC. Resultado este que complementa concepções de que à medida que o tamanho da organização aumenta, os controlos tornam-se mais sofisticados (Child, 1973; Bruns & Waterhouse, 1975) e, instrumentos de planeamento e controlo mais amplos como o BSC são mais utilizados (Tillema 2005).
Tal como esperado, no que se refere a variável descentralização, os resultados evidenciaram que a adopção do BSC aumenta consoante o grau de descentralização. Uma vez mais, verifica-se congruência com a literatura existente, que refere que, em organizações descentralizadas, os sistemas de controlos financeiros ficam mais complexos (Bruns & Waterhouse, 1975); há uma maior preferência por MAPs que forneçam informações relevantes (Abdel-Kader & Luther, 2008) e, MAS que forneçam informações integradas e agregadas (Chenhall & Morris, 1986). Wiersma (2009) sugeriu ainda que quanto mais controlos de acção a organização utiliza, maior é a
INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO 32 adopção do BSC. Partindo do pressuposto de que, em empresas descentralizadas, a concentração do controlo não está restrita à gestão de topo (Chenhall & Morris, 1986; Mintzberg, 1979; King et al, 2010), é natural que os gestores utilizarão mais controlos de acção e, por conseguinte, adoptam mais MCS como o BSC.
Este estudo contribui para a literatura, na medida em que reforça o argumento de que os factores contingenciais estão associados a escolha dos MCS utilizados. É de salientar ainda a contribuição do estudo para Portugal, uma vez que neste estudo ficou-se a conhecer um pouco mais sobre a adopção e utilização do BSC como ferramenta de controlo de gestão - tanto nas empresas portuguesas de grande dimensão como nas PMEs - uma vez que ainda é muito limitado o número de estudos sobre esta ferramenta de controlo de gestão no país (e.g. Melo & Ribeiro, 2008; Saraiva & Alves, 2013).
Não obstante a relevância dos resultados obtidos, existem algumas limitações que devem ser consideradas. Em primeiro lugar, o facto da adopção do BSC não significar por si só uma utilização elevada (50,47%), o que também se reflecte nas variáveis analisadas. Apenas a dimensão é significativa na adopção e utilização do BSC.
Outra limitação que se coloca é o conjunto limitado de variáveis de controlo, que pode levar a que os resultados estejam sujeitos a problemas de variáveis correlacionadas omitidas (Indjejikian & Mate˘jka, 2012).
O método utilizado para a recolha dos dados é outra das restrições dos resultados obtidos (Dillman, 2000). Apesar da cautela para garantir a fiabilidade dos dados - oferta de incentivos à participação no estudo, pré-teste do questionário, construção e validade do conteúdo - é necessária alguma ponderação na extrapolação para outras populações.
INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO 33 Estudos futuros podem adicionar outras variáveis relevantes para a adopção e utilização do BSC. Por exemplo, foi demonstrado no estudo de Zeng & Luo (2013) que a introdução do BSC como ferramenta de controlo de gestão na China não teve o sucesso que era esperado, principalmente quando comparado com os países de cultura anglo-saxónica. Assim, dada a importância do factor cultural (Hofstede, 1984), estudos futuros poderiam incluir este factor na análise.
Outra sugestão para pesquisas futuras, seria a replicação do estudo (e.g. sectores que não foram contemplados neste estudo, como a administração pública e o sector social), uma vez que a replicação é uma parte essencial no processo de pesquisa, que permite uma estimativa dos seus pontos fortes e pontos fracos e, ainda, aferir a validade e limitação dos conceitos e hipóteses testados (Inkson et al, 1970).
Através da revisão de literatura, é possível aferir que as variáveis descentralização e ciclo de vida estão intimimamente ligadas com a variável dimensão, pelo que, investigações futuras poderiam analisar os efeitos da dimensão nas variáveis referidas.
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ANEXOS
Anexo I – Classificação dos sectores de actividade
SECTORES SECÇÃO DESIGNAÇÃO GERAL
Sector primário
A Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca B Indústrias extractivas
Indústria transformadora C Indústrias transformadoras Utilities
D Electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio
E Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos Construção F Construção
Comércio G Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos Transportes H Transportes e armazenagem
Alojamento e restauração
I Alojamento, restauração e similares I Alojamento, restauração e similares Informação J Actividades de informação e de comunicação Imobiliário L Actividades imobiliárias
Consultoria M Actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares
Apoio
N Actividades administrativas e dos serviços de apoio O Administração Pública e Defesa; Segurança Social Obrigatória P Educação
Q Actividades de saúde humana e apoio social
R Actividades artísticas, de espectáculos, desportivas e recreativas S Outras actividades de serviços