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Fordeling av diskurstema

4.1 Innholdsanalyse/diskurstemaanalyse

4.1.1 Fordeling av diskurstema

“Tem gente que acha que o Futebol antigamente era melhor. (…) . A gente tem saudade do Futebol brasileiro dos anos 70, que foi campeão. Se jogar Futebol daquele jeito hoje não se faz nada. Você acha que no Futebol de hoje, o Gerson, por exemplo, podia pegar na bola no meio de campo, matar no peito, dar três passos andando, olhar para todos os cantos e fazer o lançamento para o Pelé. Isso não existe mais. Hoje alguém pega a bola no meio de campo, estão três pessoas marcando. Ou seja, as exigências, as demandas, se tornaram muito mais intensas. E se os atletas, os jogadores, estão respondendo a isso, é sinal de que do ponto de vista da habilidade eles estão melhorando.”

(Go Tani, 2008)

A natureza aleatória e imprevisível do jogo exige a adopção de uma atitude táctica constante. Tal exige, então, que os praticantes possuam uma adequada capacidade de decisão, que decorre duma ajustada leitura do jogo, para poderem materializar a acção através de recursos motores específicos, genericamente designados por técnica (Garganta, 2002). No Futebol, as técnicas constituem acções motoras especializadas que permitem resolver as tarefas do jogo (Garganta, 1997).

Segundo Fonseca (2006), o ensino e treino da técnica assente numa prática descontextualizada, que o autor classifica de tecnificação, tem

constituído um entrave à evolução dos praticantes, nomeadamente no que concerne à construção de um jogar inteligente.

Este conceito de trabalho da técnica do Futebol, esta tecnificação, não é mais do que uma repetição de exercícios que isolam a habilidade técnica até se conseguir uma mecanização, que apesar da eficiência não resulta em eficácia no âmbito do jogo.

Na mesma linha de pensamento Graça (1994) sustenta que a abordagem do jogo assente numa técnica parece ser um erro sistemático, uma vez que no jogo, as habilidades técnicas, quase sempre se realizam em situações de envolvimento imprevisível (sendo portanto habilidades abertas), dependendo a sua execução das configurações particulares de cada momento do jogo, que impõe o tempo e o espaço para a sua aplicação. Para este autor, os alunos/atletas deverão desde muito cedo ser confrontados com situações que solicitem dois tipos de problemas: os problemas da selecção da resposta adequada à situação (o quê, o quando e o porquê) e os problemas relativos à realização da resposta motora (o como).

Reforçando esta ideia Garganta (1994) refere que o ensino e treino da técnica no Futebol, não devem restringir-se aos aspectos biomecânicos, isto é, ao gesto, mas atender sobretudo às imposições da sua adequação às situações de jogo. Ainda segundo o mesmo autor, serão concerteza menos importantes as situações/exercícios através dos quais se preconiza a exercitação descontextualizada e analítica dos gestos técnicos (passe, remate, drible, etc.), dado que a execução assim realizada assume características diferentes daquela que ocorre no contexto do jogo.

No Futebol, o primeiro problema que se coloca ao praticante é, antes de mais, de natureza táctica e de estratégia, pois é preciso saber o que fazer antes de escolher o modo de fazer (Garganta & Pinto, 1994), pois como salienta Garganta (2006), saber o que fazer condiciona significativamente o como fazer, e isto implica uma congruência elevada entre a percepção da informação relevante, a selecção da resposta e a execução propriamente dita.

A verdadeira dimensão da técnica repousa na sua utilidade para servir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos jogadores e das equipas de futebol.

Sendo então o jogo condicionado pela cultura táctica, tal obriga a um recurso da inteligência e do detalhe dos jogadores para resolver situações não previstas, e que é feito através das técnicas. O sucesso de um atleta é então definido como a sua capacidade de adequar os comportamentos técnicos, isto é, de seleccionar as técnicas adequadas para as diferentes formas que o jogo assume durante uma partida.

Para Garganta (1997) os jogadores para resolverem as situações que se lhe deparam no jogo, recorrem a formas de execução cujas características são ditadas pela natureza do confronto, particularmente fértil em situações diversas e descontínuas, portanto, face à cadeia acontecimental experimentada por um jogador nas situações de jogo, justifica-se a definição de modelos tácticos que funcionem como complexos de referências que orientam a construção de situações/exercícios nos processos de ensino e treino.

No processo do treino dos jovens, o lado da inteligência e o da técnica devem ser privilegiados, como refere Mesquita (2004 cit. por Fonseca, 2006) a técnica e a táctica devem estar situadas a só tempo, ou seja, duas faces da mesma moeda.

Estes dois campos de problemas, de natureza táctica e técnica, deverão ser maioritariamente resolvidos nas primeiras fases, e enriquecerão o

background do jogador de Futebol, determinando o seu rendimento futuro, pelo

que quanto mais rica for essa base de sustentação, ou seja, quanto mais rica forem as primeiras etapas de formação no Futebol, maiores serão as probabilidades de se constituir um atleta de alto nível. Contudo, não se esgotam nas idades mais tenras. Inicialmente elas são as privilegiadas e à medida que o seu desenvolvimento se for realizando e as exigências aumentando, progressivamente os exercícios de índole técnica e situacionais serão substituídos por outros de maior complexidade que promovam a regularidade de acções que se pretendem ver observadas no jogo.

Para Tamarit (2007) o treino deve promover uma adaptação da técnica às diferentes e possíveis situações, pelo que devemos privilegiar a incerteza, a aleatoriedade, e a variabilidade na aquisição das habilidades técnicas, assim como a liberdade de eleição de respostas aos aprendizes, em detrimento de treinos abstractos, fixados e dirigidos pelo treinador.

porquê executar determinada técnica, mais do que como a executar, já que a melhoria da qualidade técnica, parece adquirir-se muito mais através de horas de prática através do jogo do que pela repetição mecânica de gestos técnicos.

Ainda segundo Fonseca (2006), para que se adquiram padrões flexíveis de movimento que se adaptem melhor as novas situações ou tarefas motoras, é necessário proporcionar uma certa liberdade na eleição de respostas durante o processo de aprendizagem, motivando os sujeitos para explorar as suas potencialidades de movimento. Eliminando-se essa liberdade e voltando à aprendizagem totalmente dirigida, a ênfase é dada apenas ao aspecto invariável da habilidade, contribuindo para a formação de padrões de movimento mecanizados de baixa adaptabilidade.

Actualmente os jogadores exprimem comportamentos táctico-técnicos que, em termos gerais, se caracterizam pela sua adaptabilidade às situações momentâneas de jogo na procura de soluções heterogéneas e eficientes, pela sua antecipação, ou seja, a capacidade de discernir e prever as modificações das situações de jogo, e por último, pela sua criatividade que consubstancia a capacidade de idealizar e executar novas soluções que sejam imprevisíveis, do ponto de vista defensivo, aumentando-se o factor surpresa (iniciativa) do jogo (Castelo, 1994).