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O caminhar ou o marchar é definido como a maneira ou o estilo de andar (SMITH, WEISS, LEHMKUHL, 1997). Sob o ponto de vista biomecânico, exige estabilidade para proporcionar apoio antigravitacional para o peso corporal, mobilidade para permitir o movimento suave e controle motor para dar seqüência aos múltiplos segmentos, enquanto, ocorre a transferência de peso de um membro para outro (ROSE, GAMBLE, 1998). Para Gallahue, Ozmun (2003), sob o ponto de vista desenvolvimental, tem sido definida como o processo de perder e de recuperar o equilíbrio continuamente, enquanto nos movimentos para frente, em posição ereta.

Conforme Vaughan, Davis, O’Connor (1992), a maior unidade empregada na descrição da marcha é o ciclo da marcha. Em uma marcha normal o ciclo começa quando o calcanhar do membro de referência contacta a superfície de sustentação, e termina quando o calcanhar do mesmo membro contacta novamente o solo. O ciclo da marcha é dividido em duas fases: apoio e balanço, e dois períodos de dupla sustentação. Em virtude da fase de balanço ser mais curta que a fase de apoio, há um período de tempo em que ambos os pés estão em contato com o chão, chamado dupla sustentação.

Na marcha normal, a fase de apoio, constitui 60% do ciclo, é definida como o intervalo em que o pé do membro de referência está em apoio com o solo. Podendo ser dividida em contato inicial, resposta à carga, apoio médio, contato terminal e pré-balanço. A fase de balanço constitui 40% do ciclo, é aquela porção do ciclo em que o membro de referência não contacta o solo, podendo ser dividida em balanço inicial, médio e terminal (VAUGHAN, DAVIS, O’CONNOR, 1992).

É importante saber que para o desenvolvimento de uma marcha normal, o pé precisa exercer as cinco funções seguintes: servir como base de apoio durante a resposta de carga,

proporcionar uma estrutura macia e adaptável para o contato do calcanhar com o chão, ajudar a atenuar o impacto das forças no início da fase de apoio, proporcionar uma base de sustentação firme e rígida no final da fase de posição em pé, e finalmente, permitir a rotação do membro inferior no plano transverso, estando o pé apoiado sobre a base de sustentação (MANOLE, MCPOIL, NITZ, 2000).

Neste contexto, o conhecimento dos movimentos do pé e do tornozelo durante o caminhar torna-se relevante. Durante os primeiros 15% da fase de apoio o membro inferior gira internamente. Do toque do calcanhar até o pé-plano a articulação subtalar se everte, o pé prona, e a parte dianteira do pé fica flexível para absorver choque e adaptar-se às irregularidades na superfície do solo. A articulação subtalar everte em parte, porque o ponto de contato do calcanhar é lateral ao centro da articulação do tornozelo, produzindo assim um valgo forçado na articulação subtalar. No meio da fase de apoio, onde ocorre após o contato máximo, o primeiro impulso (KAPANDJI, 2000), o membro inferior começa a inverter e girar externamente à mediada que a articulação subtalar se inverte. Com inversão da subtalar e a supinação do pé, o mesmo é transformado em uma estrutura rígida capaz de realizar a propulsão, o segundo impulso motor (KAPANDJI, 2000; NORDIN, FRANKEL, 2003).

Quando se avalia a distribuição de pressão plantar sob os pés, obtêm-se informações da resposta de cargas realizadas durante toda a fase de contato dos pés, seja no movimento Do caminhar ou do correr.

Desta forma, com este intuito o padrão de distribuição de pressão plantar, durante o caminhar, tem sido extensamente estudado em bebês (HENNIG, ROSENBAUM, 1991, BERTSCH et al., 2004), crianças (HENNIG, STAATS, ROSENBAUM, 1994; PISCIOTTA, et al. 1994; BORGES MACHADO, HENNIG, RIEHLE, 2001) e adultos (MORAG, CAVANAGH, 1999). Bertsch et al. (2004) colocam que o desenvolvimento dos pés dos bebês é fortemente influenciado a partir do momento em que os mesmo iniciam a permanência em pé e iniciam o caminhar.

Gallahue, Ozmun (2003) citam que uma vez que o caminhar independente tenha sido atingido, a criança progride rapidamente para o estágio elementar e amadurecido. Pisciotta et al. (1994) encontraram em seu estudo uma média de início do caminhar de 11,7 meses, enquanto Bertsch et al (2004) encontraram 13,5 meses, com variação entre 10 e 17 meses.

Pisciotta et al. (1994) concluíram que o padrão da distribuição de pressão dos pés nas crianças parece progredir através de um padrão de desenvolvimento similar a outras habilidades neuromusculares. Entretanto, o desenvolvimento do padrão de distribuição de

pressão maduro parece ocorrer aproximadamente os 4 anos de idade, antes do início do padrão maduro do marcha.

Haywood, Getchell (2004), colocam que as crianças comumente atingem cedo as mudanças desenvolvimentais no caminhar, aos dois anos, a maioria delas tem os ingredientes essenciais de um caminhar avançado. No estágio inicial do caminhar a criança dá pequenos passos com pequena extensão de joelhos e quadril. Pisa com o pé aplainado e aponta os dedos dos pés para fora. A criança coloca seus pés bem afastados um do outro, quando em pé para melhorar o equilíbrio lateral. Não utiliza nenhuma rotação de tronco, mantém os braços levantados em guarda (mãos para o alto em uma posição flexionada). Essas características proporcionam nessa fase um equilíbrio melhorado. À medida que a criança continua a se desenvolver seus braços caem ao nível da cintura e depois para uma posição estendida nas laterais, mas ainda não balançam. E quando as crianças começam a usar o balanço dos braços, este muitas vezes é desigual e irregular.

Desta forma, os sinais de um amadurecimento progressivo do caminhar vão ocorrendo nesta seqüência: as crianças exibem rotação pélvica com uma idade média de 13 meses e 24 dias, flexão de joelho a meio apoio com 16 meses e 9 dias, contato do pé dentro de uma base de apoio da largura do tronco com 17 meses, balanço sincrônico do braço com 18 meses e pisada calcanhar-ponta do pé com 18 meses e meio (HAYWOOD, GETCHELL, 2004). As crianças aumentam o período de tempo em que um pé sustenta o peso corporal, enquanto, o outro balança para frente, especialmente de 1 a 2 anos e meio (SUTHERLAND, et al. 1980). O comprimento da passada aumenta durante a metade da adolescência, devido à amplitude de movimento mais completa nos quadris, joelhos e tornozelos e ao aumento no comprimento das pernas. A velocidade do caminhar aumenta especialmente entre 1 e 3 anos e meio de idade (SUTHERLAND, et al. 1980). Para Eckert (1993), a freqüência do andar tende a se estabilizar em aproximadamente 170 passos por minuto entre as idades de 18 meses (1,5 anos).

A criança aos 3 anos já desenvolveu uma boa parte de uniformidade de comprimento, altura e largura de passos, com a transferência do peso do calcanhar-dedo estando melhor estabelecida. Em torno dos 4 anos, a criança tem quase adquirido um estilo adulto de andar em passada natural, desembaraçada, rítmica e na transferência do peso mais suaves ao percorrer uma linha reta ou ao contornar um ângulo fechado. Desta maneira, o ritmo e a coordenação do caminhar de uma criança melhoram de forma visível até mais ou menos a idade de 5 anos. Após esta idade, melhoras no padrão são sutis (ECKERT, 1993).

Através da seqüência de desenvolvimento para o caminhar, proposta por Gallahue, Ozmun (2003), observam-se algumas características que possibilitam a classificação deste movimento em estágio inicial, elementar e maduro. No estágio inicial, as crianças apresentam: dificuldade de manter a postura ereta, perda de equilíbrio imprevisível, pernas rígidas e hesitantes, passos curtos, pé inteiro entra em contato com a superfície, os dedos virados para fora, a base de apoio é alargada, o joelho flexionado ao contato, seguindo de rápida extensão da perna.

No estágio elementar do caminhar apresentam: suavização gradual do padrão, aumento da extensão do passo, o contato calcanhar-dedo, os braços soltos nas laterais com oscilação limitada, a base de apoio dentro das dimensões laterais do tronco, tendência de dedos para fora reduzida ou eliminada, balanço pélvico irregular melhorado e elevação vertical aparente.

Enquanto no estágio maduro apresentam: oscilação dos braços automática, base de apoio reduzida, passo relaxado e alongado, elevação vertical mínima, e o contato calcanhar- dedo definido (GALLAHUE, OZMUN, 2003).

Para Eckert (1993), o caminhar amadurecido é atingido entre os 4 e os 7 anos de idade. Conforme Gallahue, Ozmun (2003), esse estágio é alcançado entre os 4 e 5 anos de idade. Corroborando com a colocação de Pisciotta et al. (1994).