Chapter 3. METHOD AND THEORY
3.2 Force analysis and gait cycle
FALA DE ABERTURA
O moderador iniciou a fala apresentando os tópicos a serem debatidos durante as sessões-grupais. Nessas sessões, os debates foram bem interativos, dando mais liberdade para que todos os participantes pudessem interagir ao mesmo tempo, sem se prender a uma única fala. Enfatizei ainda a importância dos encontros de Grupo Focal feitos anteriormente e que as sessões III e IV seriam também de fundamental importância para as considerações finais da pesquisa.
Encontros realizados em 23 de abril e 10 de maio de 2013 – UFC Campus Cariri. Moderador: Recepcionou os integrantes do Grupo Focal e deu início às atividades. Guia de entrevistas trabalhadas durante as reuniões e discussões do Grupo Focal:
• As escolas dispõem de subsídios para a implantação do conteúdo musical?
• O que seria necessário para que esse processo se efetivasse com sucesso?
• As escolas se encontram preparadas para essa implantação?
• Que mudanças à implantação pode trazer para a realidade das escolas e para a vida dos alunos?
• Isso influencia de algum modo no comportamento deles?
• Que pontos positivos podemos elencar?
• Qual o nível de satisfação dos diretores, alunos e professores, e como eles aceitam a implantação do conteúdo de música, se o ignoram ou se há algum interesse da parte deles em absorvê-lo?
• Qual a motivação dos estudantes em participarem do conteúdo de música desenvolvido nas escolas?
DEPOIMENTOS DOS PARTICIPANTES
Aluno participante 3 – Esse processo de implantação da música na escola é uma
coisa muito recente, ainda está amadurecendo a ideia. Hoje a realidade que eu pelo menos vivencio nas escolas, há um ano, dois anos no máximo, é que foi implantado um projeto nas escolasestaduais de passar instrumentos de bandas marciais para as escolas e na verdade esses instrumentos vinham em forma de kits. Esses kits eram formados por alguns instrumentos como: duas caixas, dois surdos, duas timbas, reco-reco, pandeiro, dez flautas, agogô, ou seja, instrumentosbemdiversificadosparaarealizaçãodasatividades musicais, já visando a questão da obrigatoriedade da música nas escolas. Esse projeto de distribuição de instrumentos não foi
um projeto planejado. Não foi feito um trabalho de construção legal para as atividades onde deveriam ter acontecido cursos de capacitação para monitores, ou seja, os próprios alunos virem a ser monitores. Devido a isso, os instrumentos praticamente ficaram ociosos. Hoje eu estou trabalhando no Colégio São Pedro em Caririaçu e como eu tenho experiência com música há alguns anos, então, me colocaram no colégio para que eu montasse uma fanfarra. De início eu pensei em montar uma orquestra, mas devido aos instrumentos que não atendem à formação de uma orquestra tive que montar uma fanfarra mesmo. Finalizando, digo que as pessoas querem fazer, mas não correm atrás do que realmente desejam.
Aluno participante 6 – Eu penso que houve situações que nós passamos no estágio
que praticamente nos davam a entender que a escola não tinha subsídios suficientes para o ensino de música. Então, por exemplo: nós tivemos experiências no estágio em que não havia sala de aula, nem quadro, nem pincel e sequer um local apropriado para nós podermos reunir aquelas crianças e oferecer uma aula de música para elas. Nós nem conseguimos inserir o conteúdo de música dentro das aulas de Arte. Até agora, nós só temos conseguido inserir o conteúdo de música promovendo oficinas no contraturno e nem conseguimos necessariamente utilizar o material que se encontra disponibilizado nas escolas do Estado para o ensino de música, porque é um material que está na maioria das vezes guardado e que também necessita de manutenção; muitas vezes nem funciona. Outro exemplo: a escola tinha um teclado que nós até chegamos a utilizar e ele não tinha uma fonte alimentadora; daí nós é que tivemos que levar esta fonte e quando tínhamos que dar o volume do teclado na aula de coral ele desligava sozinho, por não ter uma boa qualidade; diferente a um equipamento que pelo menos desse um suporte para nós podermos oferecer uma boa aula. Creio que o Estado tenha recursos para comprar bons instrumentos musicais para as escolas. Outras coisas que a gente precisa como caixas de som, microfones, instrumentos musicais, até condições mínimas como um lugar adequado para dar aula, um quadro e um pincel nós não tínhamos. A gente também passou por experiências melhores em algumas escolas, principalmente na questão de material para dar as aulas, ou seja, haviam muito mais recursos que outras escolas, mais mesmo assim não existia um horário apropriado para aplicar as aulas de música, porque todos os horários estavam preenchidospor outras disciplinas. Isso tudo em escolas estaduais onde existem mais recursos. Se for pensar em condições para poder dar aula e o processo de implantação da música nas escolas ser efetivado, em termos, ainda está muito difícil. Acho que para realmente ter esses subsídios para a implantação, é imprescindível ter um diretor ou uma coordenação que realmente vá contra o que se tem feito até aqui, com a implantação um projeto mais amplo para fornecer esse tipo de subsídio.
Aluno participante 3 – Eu iria ainda muito mais além que as palavras citadas pelo
colega participante 6. Em minha concepção, a música está sendo vista como se fosse mais um conteúdo. Acho que a música deveria ser uma matéria e não um conteúdo.
Moderador – Em resposta às colocações do participante 3: A música nas escolas não
vai poder ser uma matéria. A Lei n. 11.769/08 determina que o ensino de música aliado à disciplina de Artes seja conteúdo obrigatório, mais não exclusivo dentro da escola e, por isso, a música não se tornará ainda uma disciplina curricular.
Aluno participante 2 – Quando vou me dirigir às escolas para realizar o estágio eu
sinto uma coisa muito negativa que é a resistência por parte das instituições em receber os estagiários. Não sei se é por ser estagiário em observação nas escolas ou pelo fato de sermos estagiários da música, acho que existe um receio com os estagiários da UFC. Já na atual escolaem que realizo o estágio, não senti resistência como em escolas anteriores, pois existem nessas escolas, partindo desde a sua coordenação, pessoas ligadas à música trabalhando com coral e outras atividades musicais. Foi bem inovador a experiência que tive nessa escola, onde não senti uma resistência como em outras que estagiei anteriormente.
Moderador – Sobre a aceitação do estagiário na escola: Tocamos nesse assunto em
sessões anteriores como todos sabem. A aceitação do estagiário em música depende exclusivamente de um planejamento por parte do professor responsável pela disciplina de Estágio Supervisionado. Mesmo as escolas não tendo condições apropriadas para a realização do estágio, pode-se procurar meios para resolver esse problema, que me parece ser uma coisa sem solução. Os problemas são para serem solucionados, na medida em que procuramos resolvê-los.Portanto,é responsabilidade do professor da disciplina de Estágio planejar com muita antecedência tudo que irá ser realizado durante os quatro semestres de Estágios, para que em trabalhos posteriores não venha acontecer novamente episódios parecidos como os que os alunos vem passando atualmente. Claro que tudo o que está acontecendo na educação musical no Cariri e na vida dos acadêmicos é muito novo, mais mesmo assim, o compromisso acima de tudo deve existir e ser sempre real.
Aluno participante 4 – Às vezes o planejamento sobre o estágio é feito durante o
processo e isso é muito mais complicado. Nós sentimos que tudo isso deveria ser visto antes, através da realização de cronogramas de atividades. Estamos todos aprendendo, inclusive o professor responsável pelo estágio, e acredito que em atividades posteriores, com novos estagiários, as coisas serão bem diferentes. Acredito também em um novo ciclo a ser proporcionado por nós mesmos, atuando como professores de música nas escolas. Hoje vejo duas realidades. Um professor de Letras que, muitas vezes, consegue trabalhar a disciplina de
Artes no conteúdo de teatro na escola se sai bem, mas quando chega a trabalhar com música não tem nenhuma afinidade. Isso pode acontecer com os professores licenciados em música, por ministrarem bem o seu conteúdo, de modo que os conteúdos referentes ao teatro ou a dança deixariam muito a desejar. Ainda ocorre grande diferença nesses processos.
Aluno participante 3 – Além de tudo que já foi dito e pensado sobre o trabalho dos
professores esquecemos que existe um problema maior que é a questão da carga horária de trabalho. O professor tem que cumprir obrigatoriamente uma carga horária de treze horas semanais de trabalho em regência de sala de aula. Por exemplo: se um professor de Português tem que ministrar quatro aulas da mesma disciplina em turmas diferentes, ele cumpriu semanalmente doze horas de trabalho. Restam somente uma hora apenas naquela semana para que ele cumpra as suas atividades semanais. O que acontece é que a disciplina de Artes aparece como em último plano para suprir aquela única hora que faltava para o professor cumprir a sua carga total de trabalho semanal. Por isso, a disciplina de Artes fica em último plano e é vista como uma disciplina de recreação por parte dos diretores e gestores de escolas.
Aluno participante 5 – Sobre a música na disciplina de Artes nós poderíamos tentar
relacionar o conteúdo de música a outros conteúdos. Fazer mesmo uma união como música e dança, música e teatro, tentando de alguma forma mostrar através dessa relação a importância de tornar a disciplina de artes como uma disciplina de grande relevância no currículo escolar. Enfatizo que precisamos buscar meios e condições para que isso aconteça na realidade e não fique somente em discussão.
Aluno participante 6 – Eu penso que a lei acabou gerando certas ações institucionais
que sem a sua existência as ações não existiriam, por exemplo, da implantação do Curso de Música no Cariri, um vez que se não houvesse a lei seria muito difícil justificar um curso de licenciatura em música no interior do Ceará. Primeiro existe necessidade em todas as áreas de ensino, como Português, Matemática e não apenas na área de música. Também existe uma necessidade muito grande de intérpretes de libras nas escolas e até de professores e de cursos para habilitá-los nessa área. Enfim, mesmo sabendo de todas essas carências é importante fomentar a importância do ensino de música nas escolas. Agora que estamos vivendo essa realidade e depois da criação do curso superior em música no Cariri, isso tudo tem gerado e vai gerar muito mais contribuições para a implantação do ensino de música nas escolas, especialmente em toda a região.
Aluno participante 1 – Na verdade, essa questão que nós vivemos na escola, como as
atividades com a disciplina de Artes, eram voltadas apenas para datas comemorativas (dia das mães, dia do índio, dia das crianças), ou seja, eram atividades voltadas para coisas mais
internas para a escola. Ainda acho que as pessoas não estão levando a sério a questão da lei e os próprios gestores das escolas ainda sabem o valor da música, bem como o quanto as Artes podem fazer para melhorar na questão do ambiente escolar e ver o quanto ela é importante como ferramenta de educação e transformação. Como exemplo, podemos citar Villa-Lobos e ver o que ele fez com o canto orfeônico e o que conseguiu trabalhando com o canto. O mesmo tinha consciência do que a música estava fazendo, porque sabia do valor dela na vida das pessoas. As pessoas que estão à frente das escolashoje sabem da existência da lei e de sua obrigatoriedade, mais elas não têm consciência da importância da música e da Arte de forma aprofundada e não uma coisa de faz de conta. Falta consciência e empenho de quem está à frentedasescolase realmente conhecer de fato o que é a música e o seu valor para a educação.
Aluno participante 3 – A questão da lei é clara, porém, as pessoas interpretam da sua
forma a palavra da não exclusividade do ensino de música e acabam deixando margens para tais colocações.
Aluno participante 6 – Eu já acho que não seja a não exclusividade do ensino de
música nas escolas um problema e sim que conteúdo é esse que será aplicado e ministrado? Às vezes ocorrem divergências, até mesmo entre os próprios educadores, em relação a que conteúdo aplicar. Por exemplo: alguns vão achar que tem que ensinar as crianças a lerem uma partitura ou tocar um instrumento, enquanto que outros irão dizer que não, porque eles podem ter uma experiência musical, uma experiência de apreciação musical, isso já é suficiente para argumentar que o conteúdo musical está sendo aplicado. É preciso fazer uma reflexão para resolver todas as divergências existentes.
Moderador – Depois da realização de todas as sessões e reuniões grupais com os
alunos do Curso de Música da UFC Campus Cariri, participantes do Grupo Focal, deixo claro que todos os depoimentos foram fielmente transcritos e, em sua totalidade, ajudaram a formular algumas considerações essenciais e necessárias para um melhor entendimento do que está acontecendo na realidade de algumas escolas da região, na expectativa de poder, de algum modo, minimizar as dificuldades encontradas e assim contribuir para a inclusão do ensino de música nas escolas. É muito importante para um Curso de Música colher os depoimentos e as experiências adquiridas pelos estagiários, no sentido de aperfeiçoar ainda mais a disciplina de Estágio Supervisionado e, desse modo, oferecer maiores contribuições para a consolidação do ensino de música nas escolas.
Como pesquisador e também por ter sido o responsável pelos trabalhos de Grupo Focal, entendo perfeitamente os problemas e angústias enfrentados por parte dos alunos estagiários, que vivem a realidade de atuar como agentes no processo de inclusão da música
nas escolas. Os depoimentos aqui relatados são consideráveis, entretanto, precisamos entender que uma lei ao ser criada demanda algum tempo para que seja inteiramente implementada. Esse processo de concretização requer avaliação e reflexão no que tange à realidade presente nas instituições educacionais, um eficiente planejamento das ações que serão desenvolvidas e muita cautela ao ingressar no ambiente particular dos estudantes.
Aeducaçãoescolarprecisa,acima de tudo, de profissionais reflexivos que não somente apontem problemas, mas que sejam capazes de conviver com as dificuldades, buscando soluções para os desafios propostos e impostos pela própria educação, procurando cada vez mais minimizar as dificuldades expostas e cumprir com o papel de educador.