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Forbudet mot konkurransebegrensende samarbeid i ”godkjenningsfasen”

3 OPPKJØPSPROSESSENS ULIKE FASER

3.2 Nærmere om struktur – og atferdskontroll ved en oppkjøpsprosess

3.2.3 Forbudet mot konkurransebegrensende samarbeid i ”godkjenningsfasen”

A segunda adaptação escrita no país surge no começo da década de 1930, como volume 44 dentro da pioneira coleção (cem volumes) especialmente dedicada ao pequeno leitor,

Biblioteca Infantil, editada inicialmente pelos editores alemães Weiszflog Irmãos. Após a

primeira guerra eles se juntaram à Companhia Melhoramentos, empresa paulista que, segundo estudos feitos por Gabriela Pellegrino Soares (2002: 277), era uma das seis maiores editoras brasileiras durante a Segunda Guerra, ocupando praticamente 40% de sua produção com livros didáticos e infantis. Essa coleção foi dirigida e escrita (parcialmente) até 1926 pelo professor Arnaldo de Oliveira Barreto da Escola Caetano de Campos. Depois de sua morte ele foi substituído pelo professor Lourenço Filho da igualmente prestigiada Escola Normal da Praça da República, que, além de outros contos de fadas, acrescentou autores brasileiros e clássicos infantojuvenis, alguns deles derivados de obras adultas, como o livro de Cervantes. O Quixote foi um dos livros lançados sob sua rigorosa orientação, adaptado, como quase todo os outros números da série, pelo jornalista luso brasileiro Miguel Angelo Barros Ferreira (1906-1997) e ilustrado por Anton Eul, informações bibliográficas que somente aparecem nas edições mais recentes. O livro, como todos os outros editados na mesma seleção, é em formato pequeno (11 x 15 cm) e passou pelas várias mudanças editoriais da série que foi reimpressa por mais de quatro décadas, inaugurando o ciclo das contínuas republicações da obra cervantina. Surpreendentemente, essa pequena adaptação de sete capítulos nunca foi estudada antes, apesar de sua importância histórica – talvez seja a primeira adaptação realmente brasileira – e por sua significativa reimpressão, dado que pode ser calculado indiretamente através de outros números da coleção: calcula-se ao redor de 175 mil exemplares impressos entre 1930 e 1970, e, se consideramos que os livros escolares geralmente são reciclados e podem ser lidos por mais de uma pessoa, podemos multiplicar esse número e considerar que pelo menos meio milhão de leitores deve ter tido acesso a essa adaptação da Melhoramentos, dado expressivo dentro dos estudos sobre a recepção de Cervantes no Brasil.

O próximo Quixote, publicado como volume 25 dentro da coleção Literatura Infantil

da Biblioteca Pedagógica Brasileira da Companhia Editora Nacional em 1936 (1940, segunda

edição) é, sem dúvida, o Quixote mais famoso de todo o catálogo. Assinado pelo renomado e histórico autor, editor e tradutor Monteiro Lobato, Dom Quixote das crianças é também a adaptação mais publicada dentro do longo percurso editorial da obra cervantina no Brasil, até mais que as traduções integrais. Em um bom exemplo de retroalimentação da fama, as aventuras da dupla manchega recontadas por dona Benta são com frequência citadas como sinônimo do livro de Cervantes para o público infantil. O texto lobatiano ainda é inquestionavelmente o

Quixote favorito do Brasil, preferência evidente não somente do público leitor, como pode ser

visto por nossas pesquisas sobre as publicações, mas da academia3, assim como de outros

agentes responsáveis por propagar a fama literária, como editores e outros adaptadores, como será lido no capítulo dois. Ensaiaremos aqui algumas explicações para sua extraordinária e perene notoriedade.

Dom Quixote das crianças já nasce de maneira distinta: é a única adaptação a ser criada

dentro de um universo ficcional previamente estabelecido. Os leitores de Lobato já conhecem todas as personagens do Sítio e entram na narrativa estrangeira, acompanhados por essas figuras ficcionais desde a introdução da trama, que explicam termos e temas difíceis e questionam as reviravoltas das aventuras… Enfim, existe uma forte mediação, a qual certamente atrai os leitores e estudiosos por sua engenhosidade. Tampouco podem ser esquecidas as várias adaptações intersemióticas (Jakobson, 2001) para outras mídias: o Sítio do Picapau Amarelo foi primeiro roteirizado como programa de rádio, e foi adaptado mais de uma vez para a TV gratuita, e hoje para a TV paga. Todos esses programas foram e/ou estão sendo exportados para vários países, o que significa que a versão brasileira do Quixote, além de traduzida e adaptada em quadrinhos, foi ou será assistida por crianças de diversos países do mundo4, ultrapassando

3 Entre diversos trabalhos, destacamos a dissertação de Rosa Maria Oliveira Justo (2006), que centra seu trabalho

no diálogo intertextual da adaptação com a obra de Cervantes. A autora coleta vasta informação sobre a alfabetização no Brasil nos séculos XIX e XX e sobre o adaptador. Ver também a tese de doutorado de Eliane Santana Debus (2001), assim como as pesquisas de Marisa Lajolo (2006) sobre a formação de leitores, na qual temos um breve estudo historiográfico da adaptação de Monteiro Lobato, mencionando duas traduções argentinas dessa adaptação. Lobato também mora por um ano em Buenos Aires, portanto lá também encontramos bibliografia sobre nosso autor: Monteiro Lobato – un escritor, un país (2000), da jornalista Haydée M. Jofre Barroso. Sugere-

se a leitura complementar de Bignotto (2007), que oferece um bom panorama das práticas editoriais, e Guollo (2011), que compara a versão em prosa com a adaptação em HQ, Prado (2007 e 2008), que analisa os recursos adaptativos utilizados pelo autor, e Travassos (2013), que analisa a recepção da adaptação de Lobato na atualidade, além dos relevantes ensaios de Vieira (2012) e Milton (2006), referenciados nesta tese. Conferir mais títulos na página dos Estudos Lobatianos. Disponível em:

<http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/outros/estudos_lobatianos_livros. pdf>. Acesso em: 26 set. 2014.

4 O programa diário (2001-2007) é ainda oferecido pela emissora, e segundo Ed Meza (2007) foi vendido para

Macau, Vietnã, Índia, Espanha, Bulgária e Albânia. Segundo o portal da Globo internacional, a série foi renomeada como Pirlimpimpim (liveaction) e vendida para Portugal e outros países não especificados. Em 2011, o canal

fronteiras não só em relação ao texto matriz, mas também com o próprio texto de destino, que se torna um outro texto fonte para várias obras diferentes em distintos meios de comunicação. Isso reforça nossa tese sobre a fama literária de adaptações consideradas clássicas, como também a necessidade de estudarmos estas obras dentro de outra perspectiva, pois aqui temos um exemplo claro de uma adaptação que se comporta como um texto matriz, derivando outras releituras.

A biografia de Monteiro Lobato, em outro movimento circular, retroalimenta o interesse pela obra adaptada. Seu nome é uma valiosa grife literária, para usar um termo caro a Mário Feijó Borges Monteiro (2006)5, algo que certamente deveria deixar o autor de Taubaté muito

contente, pois, ao contrário da professora Leyla Perrone-Moisés (1998), que critica o tratamento da arte e literatura como mercadoria, Lobato aprovava completamente o conceito, escandalizando o Brasil ao anunciar e distribuir livros em mercearias e armazéns como se fossem simples produtos de necessidade básica, como produtos de limpeza e alimentos6. Sua

notoriedade desobriga maiores apresentações: Monteiro Lobato protagoniza a história da literatura infantojuvenil desde o início do século XX no papel de grande autor e editor de livros para crianças. O material bibliográfico é tão extenso que poderíamos fazer vários estudos a partir dos metatextos lobatianos. Mas, como muitos desses trabalhos se sobrepõem, para não incorrer em enfadonhas repetições destacaremos pontos pertinentes à discussão sobre a trajetória conjunta da educação, literatura infantojuvenil e os Quixotes no Brasil, discutidos em trabalhos acadêmicos recentes, mas também incluímos informações de fontes primárias frequentemente preteridas ou citadas de forma indireta.

O moroso desenvolvimento da literatura para leitores mais jovens durante as três primeiras décadas do século passado se acelerou com o crescente processo de modernização da sociedade. O país faz sua primeira mudança ortográfica em 1931, incluindo o uso de brasileirismos já consagrados, entre outras ocorrências. O governo populista de Getúlio Vargas

internacional exibiu algumas reprises de temporadas. A animação é oferecida com o título Sítio – The Yellow Woodpecker Ranch ou El Rancho del Pájaro Amarillo, oferecida no canal livre Globo e nos canais pagos, como

Cartoon Network, onde é uma das dez séries mais vistas, segundo Nielsen Souza (2014). Matheus Souza (2014) adiciona os canais Boomerang, Tooncast e CN, nos quais é exibida em espanhol.

5 Mário Feijó Borges Monteiro, que trabalha muito com a ideia de grife literária em sua dissertação, discorda de

Leila Perrone-Moyses (1998), que segundo ele usa “o conceito de valor de grife de maneira a criticar certas técnicas de propaganda e marketing aplicadas pela indústria cultural ao tratar arte e literatura como mercadorias” (Monteiro, 2006: 99). Esse pesquisador, assim como nós, utiliza o termo com o significado desenvolvido por Marisa Lajolo e Regina Zilberman (1988: 63), que, ao estudarem o relacionamento ente escritores e editores, escreveram sobre grifes literárias, exemplificando com o escritor que sonha em “ganhar muito dinheiro e converter-se em grife altamente rentável”.

impôs uma nova estrutura de educação, instituindo o ensino primário obrigatório e estabelecendo cursos de ensino superior; em 1937 criou-se o Instituto Nacional do Livro.

O nacionalismo de Vargas e o Modernismo, que Regina Zilberman e Marisa Lajolo (1986: 63) apontam como promotor da “representação do contemporâneo, em nome do qual todas as liberdades eram permitidas”, impactaram fortemente o cenário cultural brasileiro. O binômio oferecia aos autores temas e posicionamentos que garantiam a entrada de suas obras na rede escolar, a qual continuava a ser ampliada, estimulando a demanda e o interesse dos escritores e outros agentes editoriais. As duas autoras descrevem bem a nova estética em completo acordo com nossos resultados e análise em Dom Quixote das crianças:

A estética do período, desestimulando as preocupações estilísticas de reprodução da norma-padrão e o falar elevado, promoveu, em seu lugar, a expressão oral e “inculta” dos novos grupos urbanos. Com isso, a linguagem modelar foi destronada, cedendo vez (e a voz) ao coloquial, ao popular e ao atual no que se refere à semântica e à sintaxe, e, em alguns casos, como o de Monteiro Lobato, até à ortografia. […] A incorporação deste projeto nacionalista pela literatura infantil foi relativamente fácil (Zilberman e Lajolo, 1986: 62-63, aspas das autoras).

Em 1936, Lobato vinha de uma segunda falência. Seu acervo pertencia à Companhia Editora Nacional, casa que naquele momento era comandada por seu antigo sócio e amigo Octalles Marcondes Ferreira. A década não foi menos turbulenta para o Brasil. Em 1930 nascia a longa era Vargas, iniciada com um governo provisório, uma revolução constitucionalista e a promulgação da Constituição de 1934 que garantia o voto secreto a todos os cidadãos alfabetizados, incluindo as mulheres; considerava obrigatório o ensino primário de quatro anos, promulgando diversas e inéditas leis trabalhistas. Em 1935 o governo federal enfrentava a oposição organizada, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), que reunia comunistas, socialistas, liberais e outras tendências de esquerda, enfim, descontentes como Lobato (que também era separatista) com as correntes oligárquicas e integralistas associadas ao governo. A Aliança é dissolvida por sentença judicial em 1937, alguns meses antes de ser decretado o estado de sítio.

Eliane Santana Dias Debus (2001: 85-96) reserva um segmento inteiro em sua tese para discutir os problemas de Lobato com a censura, já que durante as décadas de 1930 e 1940 o autor chegou a ser banido de bibliotecas e escolas. A Igreja católica o acusava de discurso anticlerical, amoral, e contra os bons costumes e valores estabelecidos; valores estes atrelados ao governo de Vargas, que em 1937, um ano após a publicação de Dom Quixote das crianças, instaura o Estado Novo junto com uma forte censura, exercida pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), cujo cargo de direção foi recusado por Monteiro Lobato. Os livros desse autor antes tão recomendados e apreciados desapareciam das estantes escolares e muitos foram,

como os mais de cem exemplares da biblioteca de dom Quixote, queimados literal e impiedosamente em pátios de colégios, como conta seu biógrafo, Edgard Cavalheiro (1962: 166-167): “‘Reunidos os volumes, depões Raul Lima, a Revma. Irmã e educadora fez uma fogueira com alguns paus de bambu, e queimou-os todos’. Um autêntico ato de fé. Em pleno ano de 1942! Na Capital do Brasil!” 7.

Monteiro Lobato acaba sendo preso por desacato em 1941, um ano após a segunda e derradeira edição da adaptação cervantina feita pela Cia. Editora Nacional, pois o acervo depois de 1944 passará a ser publicado pela Brasiliense, editora que republicou a obra em diferentes formatos e coleções até 20058. O exemplar analisado no terceiro capítulo deste trabalho é

publicado pela Editora Globo, empresa que atualmente republica todos livros do autor.

Na década de 1940 reaparece a velha adaptação de Jansen, reeditada por Terra de Senna e publicada pela desconhecida editora carioca Minerva. Na verdade, o que se promove é uma tradução intralingual da obra escrita em 1886, na qual se mutila o texto, subtraindo o elegante estilo e qualidades como adaptação, o que torna a obra um mero resumo sem maiores atrativos. Esse pastiche é republicado pelo menos cinco vezes até 1968 por essa casa editorial. Depois dessa data ainda encontramos o mesmo texto editado em 1982 pela desconhecida editora MCA, sem indicação de autor, perdendo-se então o crédito das duas autorias, tanto a de Carlos Jansen como a de Terra de Senna.

7 Debus descreve a reação da sociedade cristã aos preceitos laicos e obrigatórios da Escola Nova, com alegações

de que “escola pública obrigatória, gratuita e laica, retirava a educação das mãos da família e destruía assim os princípios de liberdade de ensino” (Ghiraldelli Jr. apud Debus, 2001: 86). A autora transcreve alguns boletins e semanário das associações e ligas católicas, inclusive vários de 1936, alertando que os livros de Lobato eram

péssimos, proibindo a leitura dos perniciosos livros escritos pelo autor. “Além dos defeitos de pedagogia, que

assinalaram os entendidos e que não são propriamente da nossa competência, sobretudo a frequência de palavras e expressões chulas (como: o Raio do governo, etc.), tais livros são eivados do começo ao fim do materialismo mais crasso e, o que é para lastimar, são destinados às criancinhas, incapazes ainda de defender a sua fé” (Pe. Antônio Cecílio/ Pe. José Avelar apud Debus, 2001: 88). A pesquisadora também reproduz trechos do artigo que conclamava o uso do Código de Direito Canônico, publicado no semanário católico A União, do Rio de Janeiro: “São proibidos pelo direito mesmo: 2o. Os livros de quaisquer escritores, defendendo a heresia ou cisma, ou que

de qualquer modo procuram destruir os fundamentos da religião. 3o. Os livros que de propósito atacam a religião

ou os bons costumes”. Também se menciona a censura prévia, assim como a total interdição de circulação e/ou posse de um livro proibido: “1o. A proibição dos livros faz com que um livro (proibido) não possa sem a devida

licença de nenhum modo, nem ser guardado, nem ser publicado, nem ser lido, nem vendido, nem traduzido, nem passado a outros. 2o. Um livro proibido, de qualquer modo que seja, não pode ser reimpresso, a não ser que, feitas

as correções, aquele que o proibir dê licença” (Debus, 2001: 89). Em 1957 publica-se A literatura infantil de

Monteiro Lobato ou Comunismo para crianças, assinada por Pe. Sales Brasil, reeditada pela Paulinas em 1959. O Dom Quixote das Crianças é citado em três ocasiões. Nas páginas 67-68, Lobato é acusado de flertar com o

espiritismo, Pedrinho afirma ter encarnado Roldão como desculpa por ter estragado o milharal. Mais adiante (Brasil, 1959: 130-131), o padre utiliza um trecho da adaptação cervantina para demonstrar que Lobato fazia troça das verdades absolutas, ao comentar a ignorância na medicina pelo uso de sangrias. Ao final do livro (Ibid.: 282), Lobato é censurado por ensinar desrespeito ao mais velhos e menciona que tia Nastácia também é desrespeitada por ser negra, e cita um trecho em que Emília grita com a personagem e a manda ir cuidar de suas panelas.

8Segundo Hallewell (2005: 661), a Brasilense estagnou no final da década de 1960 e sobreviveu principalmente