experiences around the fact that they will not
just consume them but use them, too.”
(VINH, 2011: 32)A E X PE R IÊ N C IA D E L EI TU R A E O P R O JE C TO D E D ES IG N
Esta questão, segundo Mod, tem duas respostas que nos dirigem a duas interpretações diferentes daquilo que é e poderá ser a publicação digital.
Por um lado, o designer pode explorar o dispositivo digital como se de uma folha de papel se tratasse, marcando o eixo de
simetria, dividindo o ecrã e trabalhando de acordo com as características de uma “folha digital”. Esta pode ser
a definição daquilo que são os actuais e-books. Como referido anterior mente, é uma composição muito próxima daquilo que é o livro impresso e criada a pensar na visualização através de tablets e e-readers.
Esta aproximação com a realidade impressa pode trazer problemas de
visualização e prejudicar a experiência de leitura. Em páginas web dedicadas à prática jornalística, é possível ver situações de utilização de texto em múltiplas colunas, aproximando o aspecto do texto ao jornal tradicional. Neste caso, é uma prá tica desajustada, que resulta em scrolls desnecessários pela página. Também o aspecto dos e-books, força a criação de uma
estrutura muito semelhante ao da publicação impressa, marcando inclu sive o eixo de simetria que corresponde à lombada do livro. A marcação
JPG15 Imagem explicativa do conceito de Grelha Infinita; Retirada de: http://craigmod. com/sputnik/a_ simpler_page/ 75 http://alistapart.com/article/ the-infinite-grid SIS TEMA S D E GR EL HA S E C O M PO SI Ç Ã O N O E C R Ã
deste eixo pode limitar a composição, não representando todo o potencial que o digital oferece.
O designer pode, assim, trabalhar a composição através de uma grelha infinita. Infinite Grid (grelha infinita), é um conceito desenvolvido por Chris Armstrong, onde este propõe a criação de sistemas de grelhas a partir do próprio conteúdo. A criação de grelhas em materiais impressos é baseada nas dimensões e constrangimentos da página e na relação do conteúdo com estes elementos e, por isso, existe uma razão e adequação na sua utilização. Porém, se no digital não temos esse tipo de informação, pode ser contraditório basear a composição num elemento desconhe cido, fazendo mais sentido basear naquilo que conhecemos, o conteúdo.
“Ao criar a composição a partir do suporte, as suas dimen sões são a constante através da qual toda a grelha é anco rada. Tudo é dimensionado e posicionado relativamente ao suporte. Desenvolver a composição independentemente do suporte significa encontrar uma constante no conteúdo seja a medida ideal de um parágrafo ou as dimensões de um bloco de publicidade e construir a grelha a partir daí, trabalhando os espaços disponíveis.”76 (armstrong, 2012).
Chris Armstrong (2012) sugere, assim, alguns princípios para a criação de uma grelha infinita: utilizar medidas proporcionais, começar pelo extremos e só depois trabalhar os conteúdos do meio, mudar a disposição dos conteúdos quando a relação entre eles é perdida e ir para além dos extremos. Seguindo esta metodologia, é possível criar uma estrutura de composição que não se prende a nenhum suporte ou dispositivo.
Relativamente à questão de Craig Mod, este conceito de gre lha infinita corresponde a uma abordagem em que o designer aceita a virtualidade do dispositivo, e onde as suas dimen sões definem apenas o tamanho da janela por onde visualizamos o conteúdo, como se de uma paisagem se tratasse. Na abordagem anterior, o designer opta por trabalhar a fisi calidade do dispositivo, trabalhando através das suas dimensões como se fosse uma publicação impressa.
76 Do original: “When designing from
the canvas in, the canvas dimensions are the constant on which the whole grid is anchored. Everything is sized and positioned relative to them. Designing from the content out means finding a constant in your content—be it the ideal measure of a paragraph or the dimensions of an ad unit—and building your grid out from there to fill the space available.” (armstrong, 2012) 77 http://www.markboulton.co.uk/ journal/a-richer-canvas A E X PE R IÊ N C IA D E L EI TU R A E O P R O JE C TO D E D ES IG N
78 Do original: “The more you strive for the perfect page, the more you limit yourself to just that page” (wachter- broettchr, 2012 citado em silva, 2014: 91) Não é possível indicar que uma abordagem seja mais correcta que a outra, dependendo sempre dos objectivos pretendidos pelo designer
e autor para a comunicação do texto. Apenas é possível indicar que um dos casos, a grelha infinita, é mais adequado e pertinente na situação actual, onde cada vez é mais difícil prever que dis positivo o leitor irá utilizar. Como Sara WachterBroettchr refere “Quanto mais procuras pela página perfeita, mais te limitas ape nas a essa página.”78 (wachterbroettchr, 2012 citado em silva, 2014: 91).
2 . 5 - T I P O G R A F I A
Para que um sistema de grelhas flexível garanta uma leitura confortável em qualquer dispositivo, é fundamental repensar com algum cuidado as manchas de texto. O texto assumese como o elemento primordial de uma publicação, pela importância clara que tem na comunicação e trans missão da mensagem e, por esse facto, necessita da mesma atenção em ambiente digital como a que é encontrada em materiais impressos. Dentro das preocupações da tipografia no ecrã, é possível distinguir entre as questões relacionadas com os tipos de letra e com as manchas de texto. Assim, iremos utilizar esta distinção para explorar ao pormenor as questões que entendemos serem as mais essenciais quando se fala de tipografia no ecrã.