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Kapittel 2 - Bakgrunnsstoff

2.3 Ulike tekniske systemer CHP

2.3.3 Forbrenningsmotor

O Iluminismo surgiu no século XVIII, em continuidade ao pensamento iniciado com o

racionalismo francês de Descartes e a influência dos experimentos na física de Isaac Newton

(1642-1727) sobre o empirismo inglês156 de John Locke (1632-1704) e David Hume (1711-

1776). Esse movimento foi precedido pela preocupação (entre o século XVII e o XVIII) em

elevar o nível da educação, combatendo superstições e preconceitos, enfatizando o humano

em vez do sobrenatural.

Jean e Brigitte Massin (1997), descrevendo o ambiente sociomusical de que o cidadão

francês do século XVIII participou, enumeram: o nascimento da crítica musical, com

polêmicas criadas em torno de elementos musicais, como a melodia e a harmonia; as

preferências e apologias do estilo francês e do italiano; o surgimento de uma compreensão

estética da música, a ópera como item da vida cultural; o surgimento dos concertos públicos

155 Ver 2.2.1 – Aspectos gerais da história da notação, figura 21, p. 104.

156 Doutrina ou teoria do conhecimento segundo a qual todo conhecimento humano deriva, direta ou

indiretamente, da experiência sensível externa ou interna, que leva ao encadeamento da razão. (JAPIASSU; MARCONDES, 2006, p. 84)

acessíveis à classe média, ao encontro das elites da burguesia e da nobreza nos concertos e

óperas; o desaparecimento do mecenato aristocrático e a consciência da historicidade da

música. Resumindo, assinalam que "[...] com os filósofos das Luzes, no entanto, ela [a

música] passou a ser concebida cada vez mais como uma arte distinta, em sua autonomia e

especificidade" (MASSIN, 1997, p. 414).

Nesse ambiente de busca pela definição do conhecimento científico desvinculado do

conhecimento artístico, inúmeras enciclopédias não musicais e dicionários de música foram

publicados em diversos países da Europa e Estados Unidos. Entretanto, como foco deste

estudo, destacamos a monumental obra francesa, editada por Diderot e D'Alembert, a

Encyclopédie, ou Dictionaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (1751-65), com

artigos sobre música escritos por Jean-Jacques Rousseau. A esse respeito, Jean e Brigitte

Massin observam que "Embora nenhum dos enciclopedistas fosse músico profissional – com

exceção, até certo ponto, do autodidata Rousseau – a música mereceu um espaço importante

na Encyclopédie" (MASSIN, 1997, p. 415).

Embora não estivesse ligado diretamente aos enciclopedistas, pois declinou do convite

para escrever os verbetes sobre música, segundo Roland de Candé (2001), Jean-Philippe

Rameau (1683-1764), um defensor do estilo musical francês e da harmonia como elemento

primordial da música, da qual era concebida a melodia, se contrapôs aos enciclopedistas,

direcionados esteticamente para os compositores italianos, que primavam pela melodia,

afirmando: "O som musical é um composto que contém uma espécie de canto interior". Candé

prossegue, afirmando que Rameau vê a melodia como "[...] ‘pura obra da natureza’, cujo

primado se fundamenta numa concepção histórica e não científica da natureza, uma

concepção moral também que o faz preferir o sentimento ‘natural’ ao conhecimento racional”

Lydia Goehr (In Grove music online, art. 52965) esclarece sobre este conceito que as

estruturas musicais foram assim moldadas na natureza – não a natureza dos céus, ou da alma,

ou dos objetos eternos da matemática, mas a natureza do som em si mesmo.

Joel Lester (1996), analisando a obra teórica de Rameau, procurou reduzir a música a

uma ciência e derivar os princípios harmônicos universais de causas naturais. Para este, toda a

música era fundada sobre a harmonia, que surgiu dos princípios naturais derivados de bases

matemáticas e físicas dos corpos sonoros, ou corpos vibrantes. Utilizou-se dos princípios

pitagóricos, inicialmente rejeitando Zarlino, mas depois o revisitando. Como produto da

razão, utilizou a metodologia cartesiana na argumentação entre teoria e prática, buscando

comprovação científica. Como Lester (Ibid., id.) observa, Rameau tentou adaptar esses

princípios a serviço da prática instrumental do acompanhamento ao teclado e à composição.

Antes do seu Traité de l'harmonie, de 1722, o estudo da harmonia não merecera nenhuma

abordagem quanto à aplicação pedagógica. A tradução completa do título é: Tratado da

harmonia reduzido aos seus princípios naturais, o que reflete a busca por princípios básicos e sua crença de que a música tem uma base natural. A harmonia era a terceira tradição

teórica herdada desde o século XVI. O contraponto codificava as interações entre as vozes

para instrução do compositor, tanto no estilo antigo quanto no estilo moderno, e o baixo

contínuo ensinou os modelos das sucessões de simultaneidade para os executantes,

necessários à compreensão do baixo figurado e não figurado e para os compositores que

reuniram esses modelos em suas novas composições.

Segundo Lester (Ibid., id.), muitos dos princípios teóricos que Rameau reuniu em suas

teorias, como a inversão de acordes, regras dos graus da escala harmônica, progressões

harmônicas básicas (especialmente cadências), resoluções de dissonâncias e evasão cadencial

já eram conhecidas antes dele, entretanto, abordadas de forma empírica. Rameau trouxe esses

cartesiano de que os fatos não são válidos o suficiente porque deveriam resistir ao teste do

tempo, isto é, não deveriam ser aceitos simplesmente porque existiam, mas deduzidos de

acordo com os princípios primários que deram a eles um lugar no mundo das ideias, e

deveriam, convenientemente, passar pelo teste da razão. O trabalho de Rameau foi o de buscar

os princípios básicos que deveriam colocar o conhecimento musical sobre uma base sonora e

reorganizar a grande massa disforme de fatos e opiniões individuais, além das inumeráveis

regras e exceções do baixo contínuo e do contraponto, advindas da experiência não refletida.

Segundo Graham Sadler (In Grove music on line, art. 22832), Rameau, como um dos

grandes organistas do século XVIII, teria afirmado que somente por meio do

acompanhamento ao teclado pode-se adquirir a sensibilidade à harmonia para resolver as

discrepâncias. Demonstrou, por meio dessa afirmativa, que o processo dedutivo, que exalta a

razão sobre a experiência, não denigre a prática necessariamente, porque é conhecimento vivo

produzido pela experiência.

Contudo, paralelamente aos princípios teóricos de Rameau, a concepção da

prevalência da melodia sobre a harmonia é observada por Alfred Oliver (1947), ao analisar os

autores críticos da Encyclopédie, afirmando que foram mal compreendidos no que diz respeito

à música para os instrumentos. Assim como a música vocal pinta os estados emocionais, a

música instrumental deveria pintar os fenômenos naturais. O editor Jean Le Rond D'Alembert

(1717-1783) firma sua posição em relação à música no Discours préliminaire da

Encyclopédie: "A música que não ‘pinta’ é somente ruído" (Ibid., id.). Segundo Oliver (1947),

essa opinião, impregnada da chamada teoria ou doutrina dos afetos pelos enciclopedistas,

fugia aos preceitos de outro enciclopedista, Denis Diderot (1713-1784), que modificou a tese

clássica da imitação da natureza pela substituição na ênfase que foi estabelecida sobre a

natureza e a verdade para a representação artística; assim, a concepção do artista se torna, no