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Os processos de tradução, adaptação e validação do questionário seguiram normas metodológicas padronizadas internacionalmente(19-22), conforme procedimentos detalhados a seguir.

3.3.1 Tradução

As etapas relacionadas à tradução e adaptação do questionário constaram de: 3.3.1.1 Preparação: etapa inicial que consistiu em solicitar a autorização

formal do autor do questionário (W. H. Utian) para iniciar o processo de tradução e validação, bem como do convite para o mesmo participar desse processo.

3.3.1.2 Tradução inicial (Estágio I): a tradução inicial foi realizada por três tradutores independentes (T1, T2 e T3), cuja língua mãe era o português, com intuito de refletir mais acuradamente sobre as nuances da linguagem. Os tradutores eram de diferentes formações profissionais e estavam cientes da finalidade do questionário. Nessa fase, os participantes elaboraram relato escrito contendo a tradução e comentários adicionais a respeito de possíveis frases ou termos com necessidade de maior atenção e que apresentavam incertezas quanto à interpretação.

3.3.1.3 Síntese da tradução (Estágio II): nesse estagio, os três tradutores com seus registros e traduções e um dos pesquisadores realizaram a comparação, adaptação e síntese do resultado das traduções (T1, T2 e T3), analisando e resolvendo as discrepâncias, através de consenso, o qual culminou com a primeira versão em português (V1).

3.3.1.4 Back-translation (Estágio III): a versão inicial (V1) foi submetida à versão ao idioma original por dois tradutores juramentados, que tinham o inglês como língua mãe, porém fluentes no português. Ambos tradutores não participaram da primeira etapa e trabalharam de forma independente, sem conhecimento da versão original. Eles não possuíam formação médica e nem conheciam os objetivos e finalidades do instrumento. A escolha desse perfil para os participantes foi na tentativa de evitar a formação de pré-julgamentos e diminuir a

possibilidade de expectativas que poderiam culminar em resultados inesperados ou tendenciosos. Esse estágio foi um processo de comparação entre a versão original e a atual, de forma a salientar erros inconscientes e conceituais na tradução, como também visualizar semelhanças e contradições em cada item das novas versões (R1 e R2). As retrotraduções foram enviadas ao autor do instrumento para prévia análise das discrepâncias existentes em relação ao questionário original.

3.3.1.5 Revisão por um comitê (Estágio IV): foi formado um comitê multidisciplinar com a atribuição de comparar todas as versões originadas das etapas anteriores (T1, T2, T3, V1, R1, R2) em relação ao questionário original. Essa etapa buscou alcançar a adaptação cultural e desenvolver a versão final (V2), a ser submetida à fase de pré-teste. O comitê foi constituído por dois médicos ginecologistas, um psicólogo experiente em processo de validação e medidas psicológicas, duas fisioterapeutas (sendo uma delas com experiência na elaboração e validação de um instrumento de avaliação de satisfação de usuários de serviços de fisioterapia), duas mulheres representantes da população alvo (com 55 e 62 anos) e uma adolescente de 13 anos. A inclusão desses últimos componentes teve o propósito de garantir que o questionário estaria realmente claro e de fácil compreensão. Todos os componentes, exceto a adolescente e as mulheres do público-alvo,

eram pessoas bilíngües, com devido conhecimento das medidas e conceitos implicados.

3.3.2 Adaptação

3.3.2.1 Pré-teste (Estágio V): a versão V2 do questionário foi aplicada a uma amostra de 35 mulheres com idade entre 45 e 65 anos, selecionadas aleatoriamente, com o intuito de avaliar o nível de compreensão e equivalência cognitiva dessa nova versão do instrumento a ser validado.

Nessa etapa de pré-teste foi acrescentada à escala do questionário a alternativa “não compreendi a questão”, tendo por objetivo identificar a existência de questões culturalmente incompatíveis e não compreendidas pela amostra considerada da população alvo do questionário. As voluntárias foram estimuladas a expressarem suas dúvidas e opiniões sobre os diversos itens do questionário, apontando sugestões para seu adequado entendimento.

Foi pré-estabelecido que, na eventualidade de determinada questão apresentar taxa de “não compreensão” igual ou superior a 15%, todas as etapas do processo de tradução desse item em particular seriam revistas e repetidas.

Após aplicação da versão V2 a essa amostra piloto, o comitê avaliou o nível de compreensão de cada item do questionário, bem como as sugestões oriundas das etapas anteriores do processo de

tradução e adaptação. Como não foram observadas discordâncias significativas entre as versões geradas nas diversas etapas do processo e a compreensão do pré-teste foi superior a 90% para todos os itens, foi gerada a V3 que passou a ser considerada como definitiva para fase de validação.

3.3.3 Validação

As propriedades de medida utilizadas foram: reprodutibilidade (teste-reteste) e validade fatorial e de constructo.

3.3.3.1 Reprodutibilidade: dessa fase da pesquisa participou uma amostra de 28 mulheres climatéricas, sem tratamento prévio dos sinais e sintomas e que não tiveram parte nas etapas de tradução e adaptação do instrumento. A reprodutibilidade interobservador foi avaliada através de entrevistas realizadas por dois examinadores, no mesmo dia, com intervalo de cerca de 30 minutos entre uma aplicação e outra. Um dos examinadores reavaliou todas as 28 mulheres, após período de 12 dias, com a finalidade de se comparar os resultados obtidos pelo mesmo examinador em tempos diferentes (reprodutibilidade intra- observador).

3.3.3.2 Validade: foram testadas a validade de construto, precisão e a análise fatorial. Para avaliar o grau de precisão das medidas obtidas

com a nova versão do UQOL, foi utilizado o coeficiente alfa de Cronbach e a correlação item-total.

Para testar a validade de construto das medidas obtidas com a nova versão do instrumento, um total de 116 voluntárias respondeu, simultaneamente, à versão brasileira do UQOL e o questionário genérico de qualidade de vida SF-36, validado em nosso meio por Ciconelli et al (17). Os resultados obtidos com os dois questionários foram analisados com vistas à sua correlação.

A análise fatorial exploratória foi realizada com os 23 itens, a fim de conhecer o padrão de variação conjunta dos itens e a variância explicada por cada fator (46,47).