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3. GJENNOMFØRING AV PRAKSIS

3.6. Forberedelse til studentovertagelsen

No intuito de conhecer os desafios colocados pela APS aos psicólogos, indagamos diretamente sobre como a psicologia era reconhecida como profissão dentro desse espaço, a partir da experiência dos participantes. Os diálogos nos ajudaram a esclarecer que o reconhecimento e valorização da prática psicológica nos leva a refletir sobre várias questões importantes do processo de produção das práticas e evidencia um conjunto de desafios e estratégias de luta dos profissionais inseridos na APS.

A psicologia é, como já discutido nos capítulos anteriores, uma profissão reconhecida por ser bastante demandada na ESF, o que repercute em certa visibilidade e notoriedade no campo, bem como sobrecarga de trabalho para o profissional psicólogo.

A psicologia é uma das categorias que acabava se sobressaindo dentre as dez [da RMSF], era muito demandada, muito solicitada pra tudo que se pensasse desde a dengue, passando por puericultura, por tudo a psicologia sempre tava inserida entre as categorias escolhidas pra participar daquela atuação ali.[...]

Então eu percebi que lá a psicologia acabou sendo um referencial de visibilidade também. Então, por exemplo, enquanto que na minha equipe eram dez nas épocas de avaliações né ah o que você acha de fulano de tal? Da categoria tal? Mas, quem é? Quem é a fulana? Tinham categorias que as pessoas nem sabiam que estavam no serviço, que eram da residência, e da psicologia não né.

Pesquisador:A psicologia estava no serviço?

R: “ah! aí a psicologia é assim é assado e tal né” e foi conquistando espaço né e tudo e reconhecimento. Então em todos os três territórios isso foi reconhecido, foi revalidado né. Mas, ao mesmo tempo que isso era validado, virava também a sobrecarga.

Eu fico pensando assim, eu acho que, outra coisa que eu notava que era um diferencial da psicologia e da fisioterapia, falando da residência, assim é que eram profissões que, são profissões que, assim, que a gente chegava e as pessoas já sabiam o que a gente fazia ou pensavam que sabiam o que a gente fazia e já identificavam uma demanda enorme que seria voltada pra gente. Então assim, isso gera uma expectativa, gera uma demanda e gera um reconhecimento nesse sentido de dizer “poxa, que bom que chegou psicólogo, que bom que chegou fisioterapeuta”. [outro participante]

Ave Maria. Quando fala assim: “Tem psicólogo na equipe”, os olhos das coordenadoras e todos: “Tem psicólogo?” Mas muito naquela visão de clínica, sabe? Agora eu acho que já tá mais diferente, devido ver os trabalhos da gente com grupos, de ver que não é só a atendimento de marcar consultas, de ir pra escola.[...]Se existe uma profissão que todos querem no NASF é psicologia.

Além de ser bastante solicitada nos CSF, outro aspecto que os participantes apontam no que diz respeito ao reconhecimento da profissão, é a atribuição de saberes “mágicos” específicos à profissão, inacessíveis aos que não fazem parte da classe profissional.

Eu acho que ele é reconhecido enquanto uma coisa mágica, “o psicólogo, aquela coisa mágica”.

Pesquisador: Um saber místico?

É, um saber místico que ninguém tem acesso, tá entendendo? E aí isso encanta algumas pessoas. Isso chama algumas pessoas que, muitas vezes, tem demandas e querem conversar suas demandas. E isso cria medo nas pessoas, principalmente, nesse ambiente institucional. Eu reparei, quando eu ia conversar com algumas pessoas, as pessoas ficavam assim, tipo assim: “vai me analisar”, “vai dizer isso e aquilo, vai perceber isso e aquilo de mim”.

[outro participante]

Eu acho que inicialmente o profissional da psicologia, diferente até de outras categorias, ele é reconhecido e valorizado no sentido de que parece que existe um saber que ele tem que nós não temos, nessa perspectiva de entender o ser humano, de cuidar do que é difícil, de cuidar de quem ta chorando, de cuidar de quem tem transtorno mental né. Então, inicialmente, nos diversos espaços que eu me inseri, parece que é importante que o psicólogo esteja com a gente e não sei nem muito bem dizer porque. Mas tem coisas que eu não sei lidar e que ele vai saber lidar. Então eu acho que diferente de outros profissionais é como se o profissional da psicologia, de cara ele fosse reconhecido como necessário, porque tem coisas que nós não sabemos lidar e que é com subjetividade, que é com o choro, que é com o desabafo.

Um aspecto bastante relevante pra pensar as lutas pela autonomia, o que já aponta para os riscos do reconhecimento, é que nem todas as práticas desenvolvidas são reconhecidas com a mesma valorização. Isso implica na existência de certa seletividade e classificação hierarquizada das práticas através do reconhecimento, onde as práticas clínicas da psicologia são mais bem valorizadas, constituindo um espaço notável de poder.

Eu acho que algumas contribuições não são reconhecidas. Eu acho que a contribuição clínica é muito mais reconhecida do que a dimensão comunitária. E que é tão mais importante pra estratégia saúde da família, pelo menos no meu ponto de vista.

Desse modo é preciso lutar pelo reconhecimento de algumas práticas, como já visto no capítulo anterior onde discutimos as lutas em torno da construção das demandas. O reconhecimento das práticas psicológicas não se dá de modo adequado aos interesses de alguns dos profissionais inseridos nesse contexto. Nesse contexto, é preciso intervir para modificar o olhar para a psicologia, bem como para a ESF. Foram relatados problemas, especialmente, no que diz respeito ao uma focalização em programas e atendimentos clínicos decorrentes da ordenação macropolítica da ESF. Aqui percebemos a importância de pensar a APS ampliada, a partir da noção de território/comunidade. Nesse contexto, ser menos focalizada pode significar estar mais aberta à descentralização política e à participação social.

Dentro de um confronto entre modelos na organização das práticas, a psicologia e as outras profissões do NASF, especialmente em Fortaleza, foram alvo de muitas críticas por não corresponder com as expectativas sociais de atendimento clínico das demandas. Novamente, como já discutido nos capítulos anteriores, a condição de membro do NASF é criticada.

E não são só da nossa profissão né, mas que eu acho que a gente é muito mais reconhecido pela dimensão clínica, é tanto que se você não fizesse clínica, não tem reconhecimento. Por isso que o NASF teve muito problema de entrar, porque ele justamente negou, “não ia atender”, “o NASF daqui não atende”.

Pesquisador:É mesmo?

R:Foi, era o “NASF não” e só fazia dizer não. Pesquisador:”NASF não” é?

R:Hurrum.

P:E no caso dos psicólogos?

R:Não de todos os profissionais e aí virou “Nada Se Faz” né, nada se faz, “Nada Aqui Se Faz”, nada a se fazer é que o povo frescava. [...] depois que a gente entrou na residência, o NASF entrou um mês depois, aí tinha um motorista que, era o mesmo motorista do posto e do outro, o do outro trabalhava em outro posto, que tinha um NASF, e aí ele que chegou com essa coisa do “Nada Aqui Se Faz”, o NASF, a sigla. “Nada Aqui Se Faz”, então, assim foi muito difícil dizer não para aquela demanda que as pessoas estavam esperando do psicólogo, que a demanda dada assim e que todo mundo conhece o que o psicólogo faz, as outras coisas a gente tem que dizer que a gente faz né.

A necessidade de dizer “não” às expectativas dos outros agentes e de buscar a legitimação de práticas desconhecidas ou percebidas como ineficientes faz com que os psicólogos, que compartilham o lugar de equipe de apoio, enfrentem dificuldades na sua inserção nos CSF. Percebemos, na análise do material empírico produzido, que a condição de ser do NASF, já discutida anteriormente, concebida como aquela em que o profissional ocupa um espaço secundário e precarizado no campo, é uma condição de subalternidade a ser superada na busca pela consolidação das práticas psicológicas na APS. Assim, coloca-se em questão, não somente os limites das práticas de apoio na ESF, mas, sobretudo, as condições desiguais em que esses profissionais estão submetidos, no que diz respeito ao alcance possível

de suas práticas, gerando claro desprestígio da APS dos SUS como campo de práticas. O NASF, em seu momento de inserção inicial na ESF, ocupa espaços no campo em que as práticas são questionadas e enfrentam resistências, talvez decorrente de uma não aceitação da recente política. No caso específico da psicologia, é possível agregar a esse desafio do NASF, todo um conjunto de questões de reconhecimento justapostas à sua posição na hierarquia das profissões na ESF, em que há um potencial enfrentamento da hegemonia do modelo biomédico e sua normatividade na classificação e avaliação das práticas.

P:Existem obstáculos para que a psicologia seja reconhecida na atenção primária? R:Existem, devem existir bastante aí pelo contato que eu tenho com outros profissionais dentro da regional que eu trabalho e tal que é a questão, eu não sei se eu taria agora falando de uma maneira geral pra toda categoria né, mas essa questão, por exemplo, da equipe de saúde da família já formada, já estabelecida, sentir aqueles profissionais não como um apoio, do núcleo de apoio né do saúde da família, mas como intrusos ali do terreiro deles, do galinheiro deles e tal. E ao mesmo tempo como inócuos.

[outro participante]

Quando eu entrei, os que já estavam lá me diziam que, por muito tempo o pessoal brincava, ironizava assim que “NASF era Nunca Atenderemos Família” ou então “Nada a Se Fazer”, que tinha a sua verdade. E no começo, os próprios profissionais que entraram tavam meio assim ainda construindo ali alguma coisa. Mas que, também, eu acredito que veio de uma visão dos outros profissionais, que são mais técnicos e que a psicologia, muito essa crise. Inclusive a maneira como eu fiz o curso. Pô, mas a pessoa vai no médico e ela sai com a receita, ela vai ao fisioterapeuta e ele toca nela, mexe nela e faz aquela técnica e tal, na nutricionista sai de lá com uma dieta e o psicólogo a pessoa sai com o que né? A sensação é de que você não ta fazendo “p.n.” pela pessoa e ela entrou e saiu... E eu ficava impressionado na clínica que as pessoas voltavam. Por que esse cara ta voltando pra cá? Fico impressionado com aquilo ali né. E por algum tempo eu tive essa crise e os profissionais da área médica mesmo né, medicina, enfermagem e tal não tem esse lance assim.

O enfrentamento de uma hierarquia de poder instituída no cotidiano das práticas, que valoriza os saberes biomédicos percebidos como mais legitimados científica e socialmente, é uma realidade a qual o psicólogo parece ter de se adaptar engajando-se nas lutas por espaço e legitimação. Nesse contexto, a experiência dos participantes nos ajuda a entender as relações de força instituídas no campo. Discutimos, nos capítulos anteriores, que o profissional enfrenta o problema de uma demanda crescente, decorrente de vários fatores, como do reconhecimento da importância da psicologia na resolução dos problemas de saúde pertinentes ao escopo das ações da ESF. Vimos que sua condição de trabalho, na percepção dos participantes, não permite a elaboração de uma agenda capaz de lidar satisfatoriamente com tais demandas. Uma das lutas do profissional é, então, buscar legitimar suas práticas e o modo como as desenvolve no campo, para ampliar sua autonomia e poder. Nesse contexto, enfrenta a submissão ao modelo biomédico, a partir de estratégias de dominação diversas.

Nesse enfrentamento, podemos perceber que a psicologia é também envolvida em negociações que envolvem a ocupação de espaços contraditórios de prestígio e submissão.

Participante:Quando eu penso na minha prática, enfim, há vinte anos atrás, Vejo que a gente tem hoje um certo reconhecimento, desse lugar, ou da importância desse trabalho, eu acho que a gente, dentro dessa hierarquia acaba ocupando, não estou dizendo, que eu acho isso legal não. Mas eu acho que tem aí, falando aí dos prestígios, eu acho que tem aí um prestigio que a psicologia ta ganhando nesses últimos anos. No sentido do reconhecimento da sua prática, muito cooptada, eu acho que por valores, que ela precisa se perguntar se vale a pena pra ela estar nesses espaços. Ela ter que abrir mão de tantos pressupostos éticos e teóricos importantes. Nesse sentido, que às vezes eu acho que o psicólogo, muito rapidamente se coloca como parceiro desse especialista. E ele estaria ali como um mero facilitador do trabalho desse especialista.

Pesquisador: Esse especialista que você fala?

Participante: Do médico, por exemplo, do psiquiatra. E, às vezes, até do enfermeiro ainda que numa condição de submissão a médicos, mas reproduzindo também esse discurso. Mas é diferente assim do lugar que há vinte anos eu acho que nós estivemos, assim de um certo lugar de quase apagamento, dentro da instituição. E aquele lugar da psicologia era o lugar pior que tinha dentro dos postos, não que a gente não tenha essa realidade hoje.

[...]

Pesquisador: Tu estavas falando desse processo histórico e, na tua opinião, o psicólogo tem conseguido um reconhecimento maior em cima de alguns valores, que precisa questionar. Eu não entendi bem isso, queria que você falasse um pouco mais. Participante: A impressão que eu tenho, às vezes é que...

Pesquisador: Seria de ser aporte da medicina, de ser submisso ao modelo biomédico, de ser um, enfim...

Participante:Isso, de esquecer, enfim, esquecer entre aspas, mas nesse sentido mesmo de poder ser um pouco mais crítico também, uma certa criticidade, que eu não sei e, aí tem a ver com a minha formação talvez[...]

Pesquisador: Essa postura crítica ela é reconhecida nesse campo ou é mais reconhecido a submissão ao modelo.

Participante: Eu acho que é mais reconhecida a submissão. O medo que eu tenho é que ele goze desse prestigio, porque ele tem podido se submeter mais, porque ele tem sido menos crítico. Porque ele tem... está abrindo mão de apontar dentro desses discursos hegemônicos aquilo que não funciona, aquilo que é o lugar do sujeito e que fura um pouco com essa lógica totalitária. Eu tenho medo de que esse prestigio adquirido ele também advenha de uma certa submissão a essa lógica.

A história da psicologia no Brasil, como vimos a partir de alguns autores citados (ANTUNES, 2007; PEREIRA; PEREIRA NETO, 2003), é marcada por uma relação de cooperação e submissão à medicina e à psiquiatria tradicional, o que reverberou em sua baixa participação nos movimentos de reforma psiquiátrica (VASCONCELOS, 2004). É notável nesse processo histórico, a participação da psicologia como ciência implicada com as agencias sociais de controle de corpos e mentes, na perspectiva da Medicina Social Higienista (ANTUNES, 2007; FIGUEIREDO; SANTI, 2010). Nessa perspectiva, nossa pesquisa, aponta para a necessidade de um reposicionamento crítico e questionador da psicologia frente ao modelo biomédico hegemônico. Assim, ao discutir o reconhecimento e valorização da psicologia na APS, nos deparamos com o desafio do enfrentamento do modelo biomédico

como estruturador de relações de força e dominação no campo. Indagamos sobre como ser reconhecido fora dessa lógica de organização e classificação das práticas.

Pesquisador: O que a gente precisa fazer pra obter esse reconhecimento legítimo, vamos dizer assim, o que a profissão, lhe pergunto porque sei que você ta trabalhando nisso, no sentido de que certa forma o papel da formação ela volta assim pra pensar esse caminho da psicologia nesse processo histórico.

Participante: Eu acho que é fundamental assim, eu não sei se eu estou sendo redundante e tautológica. Mas, nesse sentido eu acho que caberá a nós ter cada vez mais claro de que especificidade é essa que se trata. Acho que a demarcação de um campo ela depende disso, que você possa sempre tencionar essas diferenças né e ao mesmo tempo autoengendrar uma especificidade. Não sei, acho que depende também sem dúvida nenhuma, assim quando eu penso nos estagiários que vão pro campo, eles, engraçado isso, é uma marca do estudante de psicologia, acaba que ele ta sempre esperando que um outro diga o que ele deve fazer. Se ele ta no posto de saúde esse posto de saúde não é o lugar dele, é o lugar do outro ainda né e precisa que um outro diga o que ele vai fazer pra que ele possa se emancipar e se sentir autorizado a realizar aí o seu trabalho. Não sei o que é isso, eu não sei te dizer o que é isso, mas eles ficam muito inibidos.

A busca por um reconhecimento, que favoreça aos interesses de ampliação da autonomia da profissão, é um motivador de várias lutas em torno da legitimação das práticas profissionais dos psicólogos. Existem várias estratégias que são apontadas, pelos participantes da pesquisa, que podem ser adotadas para superar os obstáculos colocados no cotidiano da APS. Uma estratégia de destaque, já apontada nos capítulos anteriores, diz respeito ao processo de acolhimento de demandas que já construídas em torno das visões que se tem da psicologia. Aqui, passa a ser relevante o processo de leitura, tradução e transformação das demandas, que deve se constituir da delimitação de um espaço distinto de práticas.

Pesquisador: Se tu fosse recomendar um profissional psicólogo que está entrando na atenção primária, uma forma dele conseguir reconhecimento seria o que?

Participante: Seria...

Pesquisador: Ser reconhecido e valorizado no Centro de Saúde da Família.

Participante: Seria ele acolher o que as pessoas trazem, ele tem que acolher e não pode dizer simplesmente “não” e ficar lá todo tempo dizendo o que ele não faz. Ele tem que acolher até porque aquela pessoa não tem obrigação nenhuma de saber o que ele faz e o que ele não faz. Então ele tem que acolher isso e também ler o que ta por trás dos pedidos.

Ser reconhecido, para alguns entrevistados, significa ser competente no uso de seus saberes específicos, voltados para os processos subjetivos já abordados acima, constituindo-se como um articulador e mediador das ações nas equipes multiprofissionais. A partir desse ponto de vista, destaca-se o reconhecimento dentro de uma atuação já identificada socialmente como própria do âmbito de práticas da psicologia. Agindo dentro de seu núcleo específico de práticas, o profissional pode obter a valorização de suas práticas atuando

especialmente no espaço de visibilidade e poder, que o papel de mediador nas práticas da APS, permite.

Pra que ele tenha uma valorização, no sentido pleno, vamos chamar assim, que não é só essa valorização social da profissão, mas uma valorização daquele psicólogo, naquela equipe, eu acho que o que precisa é esse papel de grande articulador[...] Então, acho que a medida que o profissional da psicologia vai fazendo isso nessas diversas situações, na gestante que não é cuidada ou que não quer se cuidar, no estudante na escola, na facilitação da Roda [de gestão do CSF] e tal, o profissional da psicologia vai sendo importante e, muitas vezes, fundamental como um grande articulador, como alguém que entende da subjetividade, valoriza, respeita e sabe trabalhar com alguns recursos, que viu na formação e que vai aprendendo ao longo da caminhada. Então, isso eu acho que, ao longo do tempo, ele vai mostrando porque ele é importante na equipe. Às vezes é o confidente, é onde alguém que não aguenta mais estar naquele lugar, naquele CSF e quer conversar com alguém, é o confidente dos próprios profissionais, então, essa visão social de que aquela pessoa está ali pra ouvir e que é algo extremamente colado à profissão facilita a chegada das pessoas e que aí você tem a possibilidade de ajudar construir outros caminhos assim. [...] Na minha experiência profissional eu provavelmente tive muitos erros e não dei conta de muitas coisas. Mas sou lembrado assim “ah tempo bom aquele né”, eu percebo e tinha uma fala que era recorrente e que isso sempre me incomodou que era assim: “Você não é daqui não né? - não, sou de Fortaleza. - é por isso que você escuta a gente assim”. Então, tinha uma coisa

P:Tu acha que isso é da categoria profissional?

R:Eu acho que naquele momento se confunde um pouco, mas eu sei que o profissional da psicologia tem a possibilidade de ouvir melhor e falar melhor nessa perspectiva da articulação, dentro da formação a gente trabalha isso.