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Forankring av handlingsplanen

4.4 N ORDLAND

4.4.1 Forankring av handlingsplanen

A primeira etapa da pesquisa caracterizou-se como uma fase distinta das demais e só depois dela ter sido concluída e os dados terem sido preliminarmente organizados é que partimos para as etapas seguintes.

Esta fase da pesquisa teve uma abordagem quantitativa de caráter exploratório e visou conhecer quem são os jovens que cursam o Ensino Médio Regular na cidade de Ponta Grossa – PR e captar as representações que os mesmos possuem a respeito da violência na, à e da escola, tanto na condição de quem a pratica quanto sofre. Para tal foi elaborado um questionário50 (Apêndice I) – que foi respondido por 462 alunos – com 64 questões abertas e fechadas, que visavam realizar um levantamento de forma objetiva dos seguintes aspectos: perfil socioeconômico (19 perguntas), sua visão da escola (13 perguntas) e percepção sobre a violência na e da escola (42 perguntas).

Para definirmos o tamanho da amostra, solicitamos o suporte de um profissional da área de estatística ainda na fase de planejamento da pesquisa.

Barbetta (2003) alerta que para determinar o tamanho da amostra é preciso especificar o “erro amostral tolerável”, ou seja, o quanto se admite errar na avaliação dos parâmetros de interesse.

Cálculo considerando o total de alunos com um erro tolerável de 5% (0,05):

N0 = 1

E02

N0 = 1 = 1 = 400 alunos

(0,05)2 0,0025 N0 = 400 alunos

Como conhecemos N (total de alunos) temos que: n = N.n0

N+n0

50 O questionário utilizado para a coleta de dados foi uma adaptação, aos propósitos da pesquisa, de

Sendo:

“N” o tamanho (número de elementos) da população; “n” tamanho (número de elementos) da amostra;

“n0” uma primeira aproximação para o tamanho da amostra.

Então:

n = (9.678) . (400) = 3.871.200 = 384 alunos (9.678 + 400) 10.078

O tamanho mínimo da amostra necessária, tal que possamos admitir, com alta confiança, que os erros amostrais não ultrapassem 5%, foi que do universo de 9.678 alunos, ao menos 384 deveriam responder ao questionário.

Em campo, aplicamos 462 questionários, sendo que 34 deles foram invalidados por não terem sido preenchidos de forma completa, logo os dados da pesquisa têm como base 428

questionários válidos.

Os questionários51 foram aplicados nos três turnos de funcionamento das nove escolas que compuseram a amostra da pesquisa, nos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio e os alunos foram escolhidos aleatoriamente através de sorteio, o que caracteriza uma amostragem aleatória simples na qual, segundo Barbetta (2003), cada elemento da população tem a mesma probabilidade de fazer parte da amostra.

Para Triviños (2001, p. 78), “os resultados alcançados através da amostra, estabelecida mediante fórmulas estatísticas, são válidos para toda a população que, da forma indicada, forneceu a amostra”.

Tabela 3 — Total de alunos participantes da pesquisa (por escola)

E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9 TOTAL Manhã — — 9 36 22 29 25 30 79 230 Tarde — — — — — — — 30 30 Noite 25 23 18 13 14 — 17 21 37 168 Nulos 1 0 0 5 3 2 4 3 16 34 Total geral 26 23 27 54 39 31 46 54 162 462 Válidos 25 23 27 49 36 29 42 51 146 428

Fonte: Dados organizados pela autora.

51 Os questionários foram distribuídos a todos os alunos para que respondessem autonomamente e não contou

Antes de responder aos questionários, os alunos foram informados a respeito dos objetivos da pesquisa e alertados de que poderiam se manter no anonimato e as informações fornecidas seriam mantidas em sigilo. Foram informados também que na última página do questionário havia uma questão que deveria ser respondida por quem se disponibilizasse a participar da 2ª etapa da pesquisa (o grupo focal), elaborada da seguinte forma: “Caso você tenha respondido ‘sim’ na questão 54 (Neste ano você e/ou seus(as) amigos(as) agrediram física ou verbalmente alguém?) ou 56 (Que tipo de agressão você já praticou?) e se disponha a participar da segunda etapa desta pesquisa, por favor, deixe seu nome e forma de contato para participar da próxima atividade”. 35% dos alunos responderam positivamente, informando dados para contato posterior, muitos dos quais não atendiam ao critério de participação estabelecido nas questões 54 e 56. Foram convidados a participar da segunda etapa da pesquisa (Grupo Focal), apenas os alunos que cumpriam esses critérios.

No espaço destinado para que os alunos, caso quisessem, deixassem alguma mensagem ou então acrescentassem algo relacionado à pesquisa, muitos jovens resolveram se expressar e os textos apresentaram:

- Elogios à inciativa da pesquisa, como por exemplo: “Muito legal e interessante este trabalho”; “Obrigada pelo questionário, gostei muito e adoraria participar de novo”; “Achei interessante esta pesquisa, pois consegui me expressar um pouco em relação aos meus amigos e à escola”; “Gostei muito de responder e espero poder contribuir novamente, sempre com sinceridade”; “Parabéns pela iniciativa, pessoas como você fazem a diferença”; “Obrigada por se preocupar conosco, estou feliz por ter respondido ao questionário”; “É muito bom saber que vocês estão preocupados com o ensino e com a convivência no colégio”; “Adorei sair da sala para vir aqui responder ao questionário”.

- Denúncias: “Esta escola é péssima, os professores não querem ensinar direito, dão notas de graça, queria que viessem professores que ensinassem algo, ficamos conversando em todas as aulas, porque os professores não ensinam nada”; “Os professores precisam ensinar melhor, eles não explicam a matéria e querem fazer prova”; “A escola para mim perdeu o sentido de instituição formadora, para o Estado nós somos apenas um número”; “O jovem hoje em dia está muito esquecido, com poucas chances de emprego acaba entrando no mundo do crime muito cedo”; “[...] tenho um problema, as pessoas me discriminam porque eu sou gordinho e isso me magoa muito”.

- Apelo: “Queria que vocês me ajudassem a conseguir a fazer um curso grátis para conseguir um emprego”; “A escola precisa de uma quadra de esportes”; “Peço que aconselhem a equipe pedagógica a não julgarem os alunos pelos que eles aparentam”; “Os

professores devem ser mais rigorosos, senão vira bagunça”; “Os professores deveriam ter mais autoridade em sala de aula e não levar tudo no grito”.

- Descrença: “Não quero acrescentar nada. Sei que isso não mudará nada. Há anos que falam sobre isso e tudo continua na mesma. Todo mundo agride todo mundo”; “Acho que o que eu vou dizer dificilmente vai mudar alguma coisa”.

- Protesto: “Pixar é arte, correr faz parte”; “Diretora, se liga, somos ruins, mas somos feras”.

O tempo de preenchimento dos questionários foi de 40 a 60 minutos e considerado longo demais por alguns alunos que também avaliaram o questionário como muito extenso.

A organização dos dados obtidos com a aplicação do questionário aplicado aos alunos demandou um “trabalho hercúleo”, devido ao grande número de perguntas. Para organizar esses dados foi adotada a distribuição de frequências, que consiste em organizar as respostas dadas de acordo com as ocorrências dos diferentes resultados observados, posteriormente, tais resultados foram transformados em gráficos ou tabelas.