O relacionamento com as partes interessadas está se transformando em questão estratégica para as empresas. Mapear os stakeholders mais importantes e seus interesses pode ser uma forma de antecipar tendências e ouvir expectativas.
A tendência para o futuro é transformar o conhecimento sobre desenvolvimento sustentável em um pré-requisito para ser trabalhado nas empresas. Elevar o padrão de excelência em gestão com todos os stakeholders pode se tornar uma fonte de informação, que ajudará a organização a reduzir os impactos da sua atividade.
Algumas práticas, focadas em valores e transparência, vêm sendo adotadas por diversas empresas no Brasil, conforme informa o Guia Exame de Sustentabilidade (2006).
Por exemplo:
• Avaliação completa dos líderes e utilização de pesquisa de clima organizacional; • Disseminação de valores da empresa entre os funcionários e conscientização dos
colaboradores sobre a importância do exercício da ética em todas as situações e relacionamentos;
• Ações de divulgação de princípios éticos, de políticas, normas e procedimentos internos;
• Apresentação de princípios que orientam a política de relacionamento da empresa, assegurando a lealdade, a confiança e a transparência;
• Meio direto de comunicação com o presidente da empresa, para sugestões e críticas; • Conjunto de diretrizes que orientam as atividades dos funcionários e o relacionamento
com todos os públicos interessados;
• Instituição do código de ética como documento propulsor dos relacionamentos internos e externos, pautados por uma conduta transparente, traduzindo de forma clara e objetiva os princípios pelos quais a empresa conduz as relações com seus empregados e parceiros de negócios.
Segundo o Guia Exame de Sustentabilidade (2006), podem-se perceber algumas práticas adotadas nas organizações para a otimização do relacionamento com os stakeholders funcionários:
• Promoção da inclusão social de grupos em minoria na organização e na sociedade; • Conscientização dos empregados e parceiros sobre a segurança no trabalho,
eliminando os riscos, mesmo quando parecem ser de pequena magnitude, para prevenir os maiores;
• Possibilitar o desenvolvimento profissional dos funcionários por meio de cursos de aperfeiçoamento, orientando para o autodesenvolvimento, para a postura profissional, a cidadania e a responsabilidade sócio-ambiental;
• Preparação das pessoas para a aposentadoria, promovendo a mudança de hábitos e comportamentos;
• Habilitação do funcionário para a identificação de oportunidades de trabalho em áreas de seu interesse nas empresas, por meio do desenvolvimento de carreiras;
• Valorização da qualidade de vida do funcionário e estímulo à prevenção de doenças, por meio de ações nas áreas de saúde e segurança, meio ambiente, benefícios, comunicação interna, responsabilidade social, relações de trabalho, marketing e imagem corporativa, alterando o estilo de vida dos funcionários;
• Incentivar a formação de grupos de debates sobre questões que afetam o desempenho e o ambiente de trabalho.
A preocupação com o meio ambiente vem evoluindo e já se tornou um diferencial para diversas empresas no Brasil. Algumas práticas adotadas por empresas que apresentam tal preocupação são citados no Guia Exame de Sustentabilidade (2006) conforme a seguir:
• Reduzir o impacto ambiental da atividade da empresa, por meio de um sistema de preservação e controle ambiental;
• Investigar o ciclo de vida de produtos por meio da análise de seus impactos ambientais, desde a produção até a disposição, obtendo informações estratégicas para a tomada de decisão;
• Desenvolver atividades educativas e culturais com os empregados e com a comunidade, por meio, inclusive, de campanhas, educando e conscientizando interna e externamente;
• Mapear os aspectos ambientais e os perigos à saúde e à segurança em todas as áreas da organização. Com base nessa informação, são implementadas ações de monitoramento e controle.
Ainda segundo o Guia, o foco de práticas nos stakeholders fornecedores visa à construção de relacionamentos de médio e longo prazos, inclusive com planos de negócios compartilhados. Pode-se perceber algumas práticas adotadas para se manter um bom relacionamento com os fornecedores:
• Estímulo aos fornecedores para que se tornem empreendedores, formando empresas fidelizadas;
• Treinamentos e implementação de ações específicas por equipes multifuncionais, formadas por funcionários da empresa e do fornecedor;
• Desenvolvimento de ferramentas que melhorem o relacionamento com os fornecedores;
• Acompanhamento e controle, por meio de fiscalização, de todos os contratos firmados com fornecedores. As ações estão direcionadas para o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias;
• Oferecer aos fornecedores serviços e conhecimentos que os auxiliem na adoção de melhores comportamentos e atitudes em relação ás práticas de saúde e segurança; • Workshops para a ampliação dos conhecimentos dos fornecedores sobre o
posicionamento estratégico da empresa e sua visão de sustentabilidade, alinhando assim os valores.
Para a eficácia do relacionamento com os stakeholders clientes, a comunicação é vital, pois se pode, assim, conhecê-los e retê-los de forma leal. Para isso, são adotadas algumas práticas no Brasil, conforme informa o Guia Exame de Sustentabilidade (2006):
• Monitoramento da satisfação do cliente, identificando oportunidades de melhoria nos processos e serviços;
• Criação de ouvidoria corporativa, buscando soluções efetivas para os clientes, esclarecendo-os sobre direitos e obrigações;
• Busca de um sistema a partir do qual se possa conhecer o cliente com mais profundidade, podendo definir assim o público-alvo, com perfil adequado a cada ação, e integrar as formas de satisfazer tais consumidores.
A comunidade é a maior beneficiária das práticas coerentes adotadas de forma global. Pode-se perceber no Guia Exame de Sustentabilidade (2006) algumas práticas adotadas que permitem satisfazer as necessidades desse stakeholder:
• Contribuição para a melhoria da gestão de organizações não-governamentais que realizam programas de geração de trabalho e renda para o público jovem;
• Colaboração para a formação de educadores e estímulo ao desenvolvimento de competências dos estudantes para leitura e escrita, contribuindo para a melhoria do ensino público no país;
• Funcionários como voluntários, formando redes articuladas para oferecer atividades que promovam um aprendizado contínuo e criativo em escolas da rede pública de ensino;
• Auxílio a creches, oferecendo atividades esportivas, recreativas e de capacitação profissional;
• Criação de um plano de ação, a definição de prioridades e a gestão compartilhada com representantes da sociedade civil, do poder público e da iniciativa privada;
• Oferta de cursos de auxiliar e técnico na área de saúde, além de informações sobre mercado de trabalho e empreendedorismo;
• Estímulo à formação de núcleos de produção artesanal e de ecoprodutos como uma opção sustentável de trabalho e renda para a comunidade mais carente. Realização de oficinas de artesanato, pesquisa de materiais e capacitação em técnicas artesanais, além de vivências de organização e de comercialização da produção.
As práticas focadas nos stakeholders governo e sociedade podem ser percebidas em diversas empresas no Brasil, podem ser destacadas algumas atuações como:
• Estímulo ao exercício de ações éticas, socialmente responsáveis e sustentáveis, nas organizações;
• Fornecimento de produtos e serviços básicos para a população de baixa renda;
• Política de prevenção à lavagem de dinheiro, código de ética e conduta e procedimentos de controle e monitoramento de operações;
• Conjunto de ações desenvolvidas em parceria com instituições públicas e privadas, visando à segurança no trânsito e à obrigatoriedade do uso de cinto de segurança; • Comprometimento com a erradicação do trabalho infantil e escravo, com foco na
extinção da exploração da mão-de-obra infantil e de práticas contrárias à dignidade humana.