3.6 Habitat Use and Home Range Size
3.6.1 Foraging Habitat Resource Selection
Com os resultados dos estudos apresentados nos capítulos anteriores, foi possível identificar conceitos que contribuíram para a construção de um modelo teórico e um método semiautomatizado para avaliar a aquisição de HSM.
Foi possível notar que o campo de treinamento é uma das áreas mais exploradas em ambientes virtuais interativos 3D. Além disso, verificou-se a potencialidade de simuladores virtuais (Capítulo 2) aplicados no campo de treinamento envolvendo a aquisição de HSM.
No entanto, diante da abrangência de utilização de ambientes virtuais interativos 3D, nota-se que para estabelecer um método é necessário delimitar um contexto, pois o treinamento de HSM é aplicado desde procedimentos simples (como fixar um parafuso) até procedimentos complexos (como uma cirurgia cardíaca).
Diante disso, os próximos parágrafos apresentam reflexões com o objetivo de justificar as variáveis que foram eleitas ou excluídas da concepção de um modelo teórico de avaliação e os aspectos relacionados à delimitação do escopo da presente investigação, que estará restrita ao campo de treinamento médico.
Para iniciar essa discussão, faz-se necessário observar as contribuições do estudo bibliográfico inicial (Capítulo 1) e do processo de revisão sistemática (Capítulo 2) cujos resultados indicaram dimensões que devem ser consideradas para uma boa prática de instrução durante a realização de uma tarefa: i) a pessoa; ii) o ambiente; e iii) a própria tarefa (SCHMIDT; WRISBERG, 2010).
A avaliação de um indivíduo (pessoa) é analisada por Schmidt e Wrisberg (2010) sob o enfoque de fatores comportamentais, psicofisiológicos e sociais observados durante o desenvolvimento de uma determinada tarefa.
Além disso, quando se considera a avaliação da pessoa ou do indivíduo que realiza uma determinada tarefa, os autores direcionam o foco central da avaliação para a explicação dos aspectos ou das causas que foram responsáveis pelo sucesso ou insucesso de uma determinada estratégia de aprendizagem.
Embora os resultados da avaliação de execução de uma tarefa possam contribuir para o estudo das causas que influenciam no sucesso ou insucesso de uma estratégia de ensino, a variável “pessoa” foi desconsiderada porque, no método
85 proposto, a centralidade do processo de avaliação estará na execução de uma tarefa virtual.
Quanto ao ambiente de realização de uma tarefa, foi possível verificar que o ambiente físico ou do entorno em que se desenvolve determinada prática (estrutura, espaço físico e clima) influencia nos resultados de avaliação de tarefas, confirmando a visão de Schmidt e Wrisberg (2010) sobre o assunto.
Considerando a realização de tarefas em AVIs 3D, a variável “ambiente físico” foi descartada na presente investigação por motivo já mencionado: a centralidade do método está na avaliação de uma tarefa virtual realizada em um AVI 3D.
Com as contribuições de Kraiger, Ford e Salas (1993), observou-se a existência de propósitos de avaliação em uma taxonomia de abordagem multidimensional de aprendizagem. Na concepção desses autores, os propósitos devem ser definidos por especialistas antes da realização de um processo de avaliação. Para efeito da compreensão do escopo do método proposto, esses propósitos estão sumarizados na Tabela 18 e serão discutidos nos próximos parágrafos.
Tabela 18 - Propósitos de avaliação de treinamento
Propósito Descrição
Aprendizagem (habilidade adquirida)
O propósito principal da avaliação nesse momento será verificar se houve ou não a aquisição de determinada habilidade a partir de metas preestabelecidas.
Desempenho A avaliação de desempenho pode ser feita com base em duas dimensões: a) com base em métricas ou indicadores de desempenho. Exemplo: tempo ou número de erros para realizar um procedimento;
b) com base na capacidade adaptativa de quem é avaliado: o trajeto desenvolvido na execução de uma tarefa contempla a melhor solução? Há alternativa que minimize o esforço utilizado?
Eficácia A eficácia de treinamento tenta explicar porque determinada estratégia educacional deixou de alcançar os resultados almejados.
Transferência de
treinamento Preocupa-se em verificar até que ponto determinada habilidade foi adquirida ou desenvolvida com a prática do aprendiz. Fonte: Adaptado de Kraiger, Ford e Salas (1993)
O primeiro propósito de avaliação enunciado na Tabela 18 é o mais conhecido por ser o mais indicado para verificar se certa habilidade foi adquirida ou desenvolvida pelos sujeitos de determinada prática educacional ou de treinamento.
86 Esse propósito tornou-se relevante no contexto desta investigação quando se verificou, nos trabalhos encontrados no Capítulo 2, a necessidade de configurar os parâmetros de avaliação de acordo com as metas preestabelecidas para a realização de tarefas por aprendizes ou avaliadores.
O estabelecimento de metas tornou possível a caracterização de uma execução habilidosa ou não habilidosa e a descrição de um desempenho desejado orientado por regras ou critérios de avaliação. Assim, fatores que qualificam uma execução como habilidosa ou não serão compreendidos no método proposto em função dos propósitos representados por parâmetros discriminatórios de avaliação. No entanto, apenas indicar que uma execução é habilidosa ou não pode ser insuficiente para verificar se determinadas metas para a realização de uma tarefa foram alcançadas. Essa afirmação é justificada pelos resultados obtidos nos estudos de revisão sistemática e o estudo com especialistas envolvendo profissionais da área de treinamento médico, os quais evidenciaram trabalhos ou tarefas que requerem a medição do desempenho quando da observação da execução de uma tarefa virtual.
Diante disso, necessidades relacionadas a medidas de desempenho, foram definidas com base em parâmetros classificatórios cujos valores ou métricas obtidos deverão ser capazes de representar o desempenho de um indivíduo observado durante a execução de uma tarefa.
Além de fatores de desempenho, Schmidt e Wrisberg (2010) consideraram a possibilidade de se avaliar a capacidade adaptativa de um indivíduo em ambientes que podem ser caracterizados como previsíveis ou imprevisíveis.
Se considerada uma sequência aleatória de passos possíveis em determinado cenário de avaliação, a análise da capacidade adaptativa vai exigir a combinação de infinitas possibilidades de ocorrência de movimentos do indivíduo sob avaliação. Assim, a complexidade de construir um AVI 3D que simule tarefas imprevisíveis passa a ser um problema que extrapola a proposta do presente método de avaliação, ficando, no entanto, inviável nesse momento, a resolução desse problema, diante do desafio que se situa antes de tudo no campo do ensino ou em estratégias utilizadas para fomentar a aquisição de HSM.
Em face da dificuldade mencionada, foram excluídas variáveis relacionadas a tarefas imprevisíveis e foi almejada a construção de um método que
87 considere restritamente a avaliação de tarefas previsíveis compostas por uma série de passos bem definidos e configurados por especialistas.
Schmidt e Wrisberg (2010) destacaram não apenas a avaliação que considera os propósitos de aprendizagem e desempenho, mas também a existência de fatores de eficácia e transferência de treinamento.
A eficácia de treinamento tenta explicar porque determinada estratégia de treinamento deixou de alcançar resultados; já a avaliação de transferência de treinamento é muito utilizada nos ambientes laborais, com o objetivo de verificar a eficiência do ensino de HSM tomando como base a avaliação das habilidades aplicadas em contextos reais de treinamento.
Considerando que o processo de avaliação está centrado na execução de tarefas virtuais que acontecem em AVI 3D, os fatores de eficácia de treinamento e transferência de treinamento não farão parte do método proposto.
No campo da avaliação, Haydt (2011) apresenta reflexões sobre funções
de avaliação, a saber: i) diagnóstica; ii) somativa e
iii) processual.
Para efeito da presente proposta, o método de avaliação contempla as funções somativa e diagnóstica. A primeira visa a avaliar os resultados de aprendizagem ou de aquisição de HSM com base em indicadores de avaliação obtidos no final do processo (notas ou conceitos); a segunda tem o objetivo de verificar duas situações: o estágio em que se encontra a aquisição de HSM de um indivíduo em determinado momento e a evolução desse indivíduo em diferentes sessões de treinamento e avaliação.
Na dimensão de avaliação processual, o método proposto se limitará a informar aos especialistas e aos próprios aprendizes os indicadores finais de desempenho ou graus de habilidades adquiridos. No entanto, embora haja indicadores de resultados, o método não contemplará funcionalidades para reorientar o indivíduo durante o percurso de aquisição de HSM, ficando, portanto, as contribuições do método centradas nas funções somativa e diagnóstica.
Considerando as reflexões sobre decomposição de tarefas apresentadas por Kraiger, Ford e Salas, (1993), um método de avaliação deve permitir a análise de tarefas fragmentadas em etapas para diferentes níveis de hierarquia, como tarefas, procedimentos, etapas e movimentos básicos que compõem cada etapa.
88 Esses conceitos podem ser observados nos exemplos encontrados em programas de treinamento de procedimentos cirúrgicos na área de laparoscopia – Tabela 19.
Tabela 19 – Fragmentação entre tarefas e habilidades adquiridas
Etapas Movimentos 1 Adquirir e executar 2 Transferir de local 3 Atravessar 4 Retirar e inserir 5 Aplicar diatermia
6 Manipular e aplicar diatermia
Habilidades 1. [D] (skill) colocar pinos em uma placa usando a mão dominante 1. [N] (skill) colocar pinos em uma placa usando a mão não dominante
Fonte: Adaptado de Madan (2006, p. 210).
As etapas de 1 a 6 da Tabela 19 representam os movimentos que caracterizam as execuções habilidosas em tarefas de colocar pinos em uma placa usando a mão dominante 1 [D] e não dominante 1[N]. Com o exemplo citado pretende-se destacar que, para a execução de uma tarefa, uma ou mais habilidades devem ser adquiridas, compondo na sequência um agrupamento de movimentos em estágios iniciais, básicos e avançados (Tabela 20).
Tabela 20 – Estágios e hierarquias de desenvolvimento de HSM
Estágio/Hierarquia Descrição do estágio
Estágio Inicial (EI) – Procedimentalização Desenvolvimento de habilidades a partir da movimentação isolada de um ou mais conjuntos de músculos.
Estágio Básico (EB) – Composição de
Tarefas Quando um conjunto de um ou mais movimentos é combinado para se atingir determinados objetivos.
Estágio Avançado – (EA) – Compilação
de Tarefas Capacidade adaptativa.
Fonte: Adaptado de Kraiger, Ford e Salas, (1993)
Consoante as concepções apresentadas por Kraiger, Ford e Salas, (1993), adaptou-se uma hierarquia de fragmentação de tarefas, que será considerada, para efeito de elaboração da metodologia proposta, sob três vertentes: i) tarefas, ii) etapas e iii) movimentos básicos.
Essa sequência também poderá ser interpretada de acordo com a seguinte leitura: uma tarefa é composta de etapas. Uma ou mais etapas estão
89 associadas a movimentos de estágio básico (EB), que são compostos de um ou mais movimentos isolados de estágio inicial (EI).
Quanto à avaliação de estágios de habilidade, que pressupõe a capacidade adaptativa de um sujeito, ela não será contemplada no presente método, uma vez que é uma característica implícita dos indivíduos (pessoa) e não da execução de uma tarefa.
Com as contribuições de Schmidt e Wrisberg (2010), foi possível identificar a importância do estabelecimento de metas nos processos de treinamento de HSM e, consequentemente, das metas almejadas nos resultados obtidos com o uso de estratégias de avaliação definidas por especialistas em cada domínio de treinamento.
Esses aspectos foram discutidos de forma a contemplar dimensões de organização de tarefas na forma discreta, seriada ou contínua, e ainda na perspectiva do desenvolvimento humano envolvendo aspectos cognitivos ou motores.
Considerando a realização de tarefas em ambientes previsíveis e o estabelecimento de uma sequência de passos com base na execução conhecida de trajetórias executadas por aprendizes, o presente método contempla a avaliação de tarefas virtuais discretas, seriadas e previsíveis situadas no campo restrito das habilidades motoras.
Tomando tais concepções como referência, foi sumarizada na Tabela 21 a delimitação do escopo da presente investigação. Na sequência, serão discutidas as etapas conduzidas para se desenvolver o método de avaliação da aquisição de HSM em AVIs 3D para treinamento médico.
Tabela 21 – Variáveis e delimitação do escopo do método (Continua)
Variável/abreviação Delimitação
i. Pessoa: (Pe) O método apresenta resultados restritos à
avaliação de tarefas virtuais, não abrangendo discussões relacionadas a aspectos cognitivos, fisiológicos ou psicossociais dos indivíduos.
ii. Ambiente: físico (Af) ou virtual (Av)
O método foi concebido para avaliação de uma tarefa realizada em um AVI 3D.
iii. Propósitos: (Pr) O método contempla a avaliação na dimensão de desempenho ou de verificação de uma habilidade, determinando se ela foi ou não adquirida com base em critérios e parâmetros predefinidos por especialistas.
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Tabela 21 – Variáveis e delimitação do escopo do método (Conclusão)
Variável/abreviação Delimitação
iv. Tarefa: real (Tr) ou virtual (Tv) O método contempla a avaliação restrita a tarefas realizadas em AVIs 3D.
v. Habilidades adquirida: (H) No contexto amplo da aprendizagem humana, o método está restrito à avaliação de HSMs adquiridas.
vi. Desempenho (De) ou
Capacidade Adaptativa (Ca) O método avalia fatores relacionados ao desempenho ou à habilidade adquirida.
vii. Eficácia: (Ef) Os fatores responsáveis pelo insucesso/sucesso de uma estratégia podem ser estudados, levando em conta os resultados da avaliação de tarefas.
viii. Transferência de treinamento:
(T) Apesar dos resultados da avaliação, o próprio especialista ou professor deverá analisar a eficiência da habilidade desenvolvida no local em que ocorre a sua aplicação.
ix. Funções de avaliação:
Processual (Fap), diagnóstica (Fad) e somativa (Fas)
O método está centrado nas funções diagnóstica e somativa.
x. Granularidade/etapas do
processo de avaliação: (G) O método contempla a análise de tarefas, adotada para a decomposição em procedimentos, etapas e movimentos básicos.
xi. Forma de organização da habilidade: discreta (Fhd), seriada (Fhs), contínua (Fhc), cognitiva (Fhcg), motora (Fhm).
A avaliação é contemplada sob o aspecto da organização de tarefas seriadas e de forma restrita aos resultados do campo de comportamento motor.
xii. Contexto: (C) Treinamento médico em AVIs 3D.
Fonte: Autor