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For terminaler som har tilstrekkelig kapasitet, men ikke optimal driftssituasjon

Nas reflexões dos estudantes sobre suas trajetórias dentro do PEPASF, eles vão elencando suas transformações profundas e seus aprendizados significativos relacionados às experiências vividas com os moradores, possibilitando a percepção de um trabalho voltado para o cuidado com o outro e compreendendo a necessidade de cuidados consigo mesmo. Esse estudante do Curso de Medicina faz uma reflexão desse processo vivido: “Com as “Marias e os Joões”, que conheci nesse curto espaço de tempo, creio que fortaleci meu entendimento do que é efetivamente o processo de humanização”. Ele diz ter aprendido a força da atenção e da compreensão como elementos fundamentais para aliviar o sofrimento e buscar melhores soluções na promoção da saúde das pessoas acompanhadas. “Não deverei esquecer que uma simples atenção, que se dá ao próximo que sofre, tem força de grande alento para a alma prostrada e aflita. Um sorriso sincero e genuíno de agradecimento faz com que nos sintamos gratos e enfrentemos as pesadas tribulações de nosso trabalho”. Para ele, foram aprendizados experimentados que, aparentemente, podem parecer simples, mas que exigem habilidades subjetivas importantes para serem executados (AGRA, 2011, pp. 38-39). Com essa experiência, ele vai refinando seu jeito de ampliar esses elementos voltados para a atenção e a compreensão com o outro, criando novas habilidades, a partir da intuição, de lidar com os problemas complexos que se apresentam.

Ampliando sua reflexão, ele também faz descobertas do olhar para si mesmo, sobre sua condição como ser humano, de um lado, um sujeito cuidador, mas, de outro, de um ser humano também necessitado de cuidados. Ele reflete que, antes de serem profissionais de saúde, são seres humanos, sujeitos também ao sofrimento e à aflição. “Quantas e quantas vezes dividi minhas angústias e pude perceber a força da reciprocidade? Eu, que, com o passar do tempo, fui me acostumando a sempre ‘cuidar, agora me encontro numa posição em que, de fato, percebo que também necessito de cuidados”. Com essa vivência, ele aprendeu a

estar aberto e valorizar os cuidados e os carinhos que recebe em seu trabalho desenvolvido e reconhece a importância de se sentir animado e motivado para dar gosto e sentido à sua profissão. Entre ganhos e aprendizados, termina afirmando: “Evoluí...Evoluí muito! E devo parte dessa conquista ao Projeto” (AGRA, 2011, p. 39).

Esse é um aprendizado experiencial de cuidado consigo mesmo extremamente profundo e espiritual, relacionado à busca por dar vida ao que anima o nosso corpo, pelo conjunto das relações benéficas, positivas e constantes estabelecidas com o seu contexto, pelo reforço de nossa identidade como esse ser de relações que somos nós mesmos, e pela busca de assimilação criativa de nossos compromissos com o outro e de nossos encontros significativos, como também nossas crises existenciais, fracassos, sucessos, saúde e sofrimento (BOFF, 1999). Esses fundamentos do cuidado de si são um horizonte para a transformação dos estudantes. Portanto, a motivação e o ânimo são alcançados por uma via de mão dupla, representada pelo apoio dado ao outro e a percepção da melhoria na vida da pessoa acompanhada, o que já é compensador para o estudante. Depois, retornando para si mesmo, a valorização do reconhecimento e o afeto recebido pelo trabalho feito, assim como a valorização e o reconhecimento pelo apoio encontrado em suas dificuldades, angústias e problemas, proporcionados tanto pelos próprios moradores acompanhados, quanto pelos colegas, professores e profissionais participantes do Projeto.

O cuidado mútuo entre os participantes do Projeto, ao ser incentivado, discutido e problematizado, vai mostrando o valor de se investir nessa dimensão do trabalho em saúde usualmente tão desconsiderada. O convívio com o grupo possibilita o alargamento do olhar de alguns estudantes para perceberem e elaborarem suas transformações para além do convívio e do vínculo com os moradores. Os diversos outros espaços de convivência e relacionamento entre os integrantes do grupo, além dos ambientes vinculados à comunidade, possibilitam um encontro autêntico e um vínculo amoroso muito significativos para o progressivo amadurecimento desses educandos. Em muitas ocasiões, os colegas e os professores os influenciam a refletir sobre as melhores vias de autoconhecimento e autotransformação, no sentido de dar apoio e fortalecimento, principalmente quando percebem situações em que os estudantes precisam ser cuidados.

Foi o caso de outra estudante de Enfermagem, ao perceber o movimento de auxílio dos seus colegas do Projeto, em momentos em que se sentiu fragilizada e sensível devido à perda do namorado, falecido em um acidente automobilístico, anos atrás, mas que lhe causava, ainda, muito sofrimento e angústia. Ela sentia-se fragilizada, entristecida e profundamente frustrada. “Vivia triste pelos cantos, não conseguia controlar as minhas lágrimas e sentia uma

dor incontrolável no peito. Pensei até em desistir de tudo”. Ao perceber o cuidado e a força que recebeu dos colegas e dos professores do Projeto, quando souberam do seu problema, compreendeu como era importante para o grupo: “Até então, eu, que havia saído do interior do Piauí para estudar em João Pessoa, não tinha nenhum familiar próximo de mim. Desde então, passei a sentir que ganhara uma grande família — a família Pepasf” (GUIMARÃES, pp. 147-148). Esse cuidado de uns com os outros fortalece a amizade e a cumplicidade para a realização do trabalho, amplia a identificação entre os participantes do Projeto e proporciona mais segurança, confiança, admiração, responsabilidade e compromisso entre eles. Como dito pela estudante, para muitos participantes, o grupo representa uma família, pautado não somente por interesses profissionais, mas por laços de companheirismo e de afetividade. Esse interesse gera um convívio mais íntimo entre os integrantes do Projeto, para além da visitação às famílias, criando outros espaços de relacionamento informais, como meios significativos para abertura ao diálogo e à amizade entre colegas e professores e como referência para o futuro de sua vida profissional.