Nos dois questionários, Q1 e Q2, as variáveis são agrupadas em cinco categorias, descritas anteriormente (Tabela 5.16). A operacionalização destas variáveis é efectuada com base nessas categorias.
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A. Variáveis sócio-demográficas
As variáveis sócio-demográficas incluídas nos questionários apresentam-se na Tabela 5.17. Das variáveis seleccionadas, 7 fazem parte dos dois questionários, tendo sido acrescentada mais uma variável, tanto no Q1 (tempo efectivo de exercício profissional – p.22) como no Q2 (tempo de trabalho no serviço – p.17a e tempo de trabalho no hospital – p.17b).
Tabela 5.17. Variáveis sócio-demográficas e perguntas em que estas aparecem (Q1 e Q2).
Variáveis sócio-demográficas Q1 Q2
Género p.25 p.20
Idade p.24 p.19
Profissão p.1 p.1
Categoria profissional p.23 p.18 Hospital (onde trabalha) registo registo Serviço (onde exerce funções) p.21 p.16 Tempo efectivo de exercício profissional p.22 - Tempo de trabalho no serviço/ no hospital - p.17
Tarefas do dia a dia - p.15
Ter assistido a formação sobre RH p.10 p.10
Registo – informação registada pela investigadora.
Género e idade (Q1-p.25 e p.24; Q2-p.20 e p.19). Ao género são atribuídos os códigos 1,
para os indivíduos do sexo feminino, e 2, para os indivíduos do sexo masculino. Na variável idade, a pergunta refere-se ao ano de nascimento, sendo depois calculada a idade. Esta está codificada em 8 categorias correspondentes aos seguintes grupos etários: (1) menor ou igual a 24 anos, (2) de 25 a 29 anos, (3) de 30 a 34 anos, (4) de 35 a 39 anos, (5) de 40 a 44 anos, (6) de 45 a 49 anos, (7) de 50 a 54 anos e (8) com 55 anos ou mais. Para além da análise da estrutura etária, determina-se também a idade média dos profissionais, por grupos de hospitais e por grupos profissionais.
Profissão e categoria profissional (Q1-p.1 e p.23; Q2-p.1 e p.18). A profissão no Q1 é
avaliada em 4 categorias: (1) médico/a, (2) enfermeiro/a, (3) AAM e (4) outro/a, sendo nesta última situação solicitada qual a profissão. Como se observou algum desconforto por parte de certos profissionais em responderem “outro”, optou-se no Q2 por acrescentar às três primeiras categorias profissionais, as outras duas contempladas no estudo: TSS e TDT, tendo sido mantida a categoria outro, para possibilitar um maior leque de escolha.
A categoria profissional, tal como a profissão, surge em ambos os questionários. Consiste numa pergunta aberta posteriormente codificada em 16 categorias relacionadas com a respectiva profissão. Na Tabela 5.18 apresentam-se os códigos atribuídos a esta variável.
Sempre que os inquiridos colocam na pergunta “categoria profissional” a “profissão” (e.g. profissão: enfermeiro, categoria profissional: enfermeiro) esta é codificada com zero para indicar que a pergunta não foi respondida correctamente.
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Tabela 5.18. Categorias profissionais e sua relação com a profissão (Q1 e Q2).
Profissão Categoria profissional 1. Médico 11 Interno hospitalar, Interno complementar
12 Assistente hospitalar
13 Assistente hospitalar graduado 14 Chefe de serviço, Director de serviço 2. Enfermeiro 21 Enfermeiro (nível 1 e nível 2)
22 Enfermeiro graduado
23 Enfermeiro especialista
24 Enfermeiro chefe, Enfermeiro supervisor 3. AAM 31 Auxiliar de acção médica
32 Auxiliar de acção médica principal, Encarregado de sector 4. TSS 41 Estagiário, Bolseiro
42 Assistente de 2ª classe, Assistente de 1ª classe 43 Assistente principal, Técnico coordenador, Assessor 5. TDT 51 Técnico de 2ª classe
52 Técnico de 1ª classe
53 Técnico principal, Técnico especialista, Técnico coordenador
Hospital e serviço (Q1-registo e p.21; Q2-registo e p.16). A variável hospital foi registada
pela investigadora sendo atribuídos os códigos: (1) Hospital de Santa Luzia em Viana do Castelo; (2) Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Centro Regional do Porto; (3) Hospital do Espírito Santo de Évora; (4) Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Centro Regional de Lisboa; (5) Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Centro Regional de Coimbra; (6) Hospital de São Bernardo, Setúbal.
A variável serviço foi igualmente registada pela investigadora, embora também fosse solicitado aos inquiridos que referissem o serviço onde trabalhavam (Q1 - p.21 e Q2 -p.16). Esta pergunta aberta é codificada em 18 categorias, que pela sua diversidade motivou um novo agrupamento. Optou-se por seguir algumas das distinções efectuadas por Caetano (1996) em termos de funcionalidade dos serviços, procurando-se conciliar com os RH tipicamente produzidos nesses serviços.
A codificação da variável serviço e a sua nova codificação apresenta-se na Tabela 5.19. Passam a existir 7 categorias, sendo 4 referentes aos serviços de internamento e 3 aos serviços de ambulatório.
Nos serviços de internamento distinguiu-se os cuidados intensivos dos restantes cuidados e, nestes últimos, o internamento oncológico do internamento não oncológico (internamento geral e internamento especializado). Nos serviços de ambulatório considerou-se os laboratórios, os serviços especializados (e.g. hemodiálise, medicina nuclear, hospital de dia) e as consultas externas e urgências.
As comissões codificadas com o número 20 não são inseridas na nova classificação, devido à sua especificidade e por se considerar que é relevante o seu estudo como um grupo à parte.
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Tabela 5.19. Serviços hospitalares seleccionados e respectiva codificação (Q1 e Q2).
Códigos Nº 2
Serviços hospitalares Nº 1 Serviços de internamento Unidade de cuidados intensivos 1 1 Cuidados intensivos Unidade de cuidados intermédios 1
Bloco operatório 2
Serviço de cirurgia 3 2 Cuidados não intensivos Serviço de medicina 4 gerais
Serviço de obstetrícia / ginecologia 5 3 Cuidados não intensivos Serviço de ortopedia 6 especializados
Serviço de pediatria 7
Serviço de oncologia médica 8 4 Cuidados não intensivos Especialidades médicas 8 oncológicos
Serviço de medicina hematológica 8 Serviço de pediatria (dos IPO’s) 7
Serviços de ambulatório
Urgências 9 5 Serviços gerais
Consultas externas 10 Laboratório de análises/patologia clínica
11 6 Laboratórios Laboratório de imuno-hemoterapia 12
Laboratório de patologia molecular 13 Outros laboratórios específicos 14
Hospital de dia 15 7 Serviços especializados Hemodiálise 16
Medicina Nuclear 17
Radioterapia 18 Comissões (CCI e SO) 20
Tempo efectivo de exercício profissional e tempo de trabalho no serviço/no hospital
(Q1-p.22; Q2-p.17). A variável tempo efectivo de exercício profissional do Q1 e as variáveis tempo de trabalho no serviço (p.17a) e tempo de trabalho no hospital (p.17b), ambas efectuadas no Q2, são codificadas em 8 categorias correspondentes aos seguintes intervalos: (1) menor que 1 ano, (2) de 1 a 4 anos, (3) de 5 a 9 anos, (4) de 10 a 14 anos, (5) de 15 a 19 anos, (6) de 20 a 24 anos, (7) de 25 a 29 anos e (8) com 30 anos ou mais anos. Além disso, calculam-se, também, os tempos médios, por grupos de hospitais e por grupos profissionais.
Tarefas do dia a dia (Q2-p.15). Considerou-se importante conhecer as tarefas que os
profissionais de saúde efectuam no seu dia a dia, de forma a complementar a informação obtida, nomeadamente através da variável profissão. Com este objectivo é realizada uma pergunta fechada no Q2 (p.15), com 20 categorias de respostas. Para a escolha destas categorias foram questionados diversos profissionais de saúde dos grupos profissionais englobados no estudo. Aos inquiridos era solicitado que assinalassem as tarefas que efectuavam no serviço onde trabalhavam, existindo uma categoria “outros” (categoria 20), de forma a alargar o leque de opções. Além da análise das categorias de respostas, é construído, também, um índice com o número total de tarefas seleccionadas por inquirido.
Formação sobre RH (Q1-p.10; Q2-p.10). Considerou-se importante saber se os inquiridos
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em relação aos últimos 2 anos e no Q2 sobre o último ano). Trata-se de uma questão fechada com 2 categorias de respostas: sim (código 1) e não (código 2). Não é colocada a hipótese “não sei” por se considerar que o intervalo de tempo é relativamente curto, devendo os inquiridos ainda ter presente se tinham ou não participado numa acção de formação que focasse essa temática.
No Q2, nos casos em que a resposta era afirmativa, procurou-se saber que acção tinha sido frequentada. As respostas obtidas são codificadas em:
1. Acções relacionadas exclusivamente com os RH (e.g. gestão de RH);
2. Outras acções (e.g. sobre infecção hospitalar, higiene hospitalar, higiene e segurança, qualidade, riscos profissionais) que apenas focavam brevemente os RH;
B. Variáveis inerentes à gestão de RH
As variáveis relacionadas com a gestão dos RH foram subdivididas em 4 conceitos: conhecimento, atitudes/opiniões, atitudes/percepção de risco e comportamento auto- relatado. Na Tabela 5.20 apresenta-se a correspondência entre estas variáveis e as respectivas perguntas incluídas no Q1 e no Q2.
Tabela 5.20. Variáveis inerentes à gestão dos RH e perguntas em que estas surgem (Q1 e Q2).
Gestão de RH Q1 Q2
Conhecimento
Conhecimento percebido sobre RH p.3 e p.19 p.13 Conhecimento real sobre a gestão de RH no serviço p.8 - Conhecimento real sobre o destino final dos RH p.14 - Conhecimento real sobre as condições de perigosidade dos RH p.5 - Conhecimento real sobre os principais riscos dos RH no serviço p.13 - Atitudes/opiniões
Opinião sobre o próprio comportamento relacionado com os RH p.11 - Opinião sobre alguns aspectos inerentes à gestão de RH p.9d, g, j - Alterações na gestão RH nos últimos 5 anos serviço/ hospital p.12 - Atribuição responsabilidades gestão de RH: hospital geral/seu hospital - p.5 Atitudes/percepção de risco
Percepção de risco em relação às actividades indústriais e aos vários
tipos de resíduos - p.12
Percepção de risco dos RH para a saúde p.4 - Percepção de risco dos RH para o ambiente p.15d - Percepção de risco dos RH por grupos de indivíduos p.15a, b, c - Percepção de risco das várias etapas gestão de RH para a saúde - p.6 Comportamento auto-relatado
Produção/manipulação de RH p.2 p.2
Conhecimento percebido sobre os RH (Q1-p.3 e p.19; Q2-p.13). No Q1, esta variável é
operacionalizada através de duas questões semelhantes, uma colocada no início do questionário (p.3) e outra no final (p.19). No Q2 apenas é efectuada uma questão (p.13) colocada na última página do questionário. As respostas são codificadas numa escala de 1 a 5; na pergunta (p.3) os extremos correspondem às categorias “nenhuma” e “desenvolvida” e nas restantes questões p.19 e p.13 a “muito pouco” e “bastante”.
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Conhecimento real sobre a gestão dos RH no serviço (Q1-p.8). Esta variável apenas é
avaliada no Q1, recorrendo-se a uma questão aberta onde é solicitada a descrição resumida da separação, contentorização e armazenamento dos RH no serviço onde os inquiridos exercem funções.
As respostas são codificadas em sete categorias principais, podendo a mesma resposta ser incluída em mais do que uma categoria. Uma destas categorias principais subdivide-se, ainda, em três categorias, pelo que as respostas a esta questão são codificadas nas seguintes nove categorias:
Separação dos resíduos (3 categorias)
1. Referência à separação dos resíduos sem dar exemplos e sem descrever os recipientes (e.g. cores, nomes dos grupos);
2. Referência à separação dos resíduos sem dar exemplos mas descrevendo os recipientes (e.g. cores, nomes dos grupos);
3. Referência à separação dos resíduos dando exemplos e descrevendo os recipientes (e.g. cores, nomes dos grupos). Por vezes apontam alguns erros mais comuns; Restantes categorias (6 categorias)
4. Separação e deposição dos resíduos não efectuada da forma mais adequada. Referência explícita a este facto sendo apontados problemas diversos (e.g. contentores muito grandes, sem tampa);
5. Formas de contentorização dos resíduos no serviço, recolha interna (e.g. quem recolhe, número de recolhas), armazenamento no serviço (e.g. local, tipo de contentores), sendo por vezes foi referida a recolha fora do serviço;
6. Destino final dos RH (e.g. incineração, autoclavagem);
7. Desconhecimento do destino dos RH após saírem do serviço: referência explícita. 8. Referência também à roupa (e.g. separação, cores dos sacos);
9. Referência explícita a “não sei”.
A subdivisão da categoria “separação dos resíduos” é efectuada por se considerar importante explicitar os diferentes níveis de aprofundamento da resposta dada, o que em muitos casos reflecte um maior conhecimento e uma maior preocupação com o tema.
Conhecimento real sobre o destino final dos RH (Q1-p.14). Para determinar se os
inquiridos tinham conhecimento do destino dos RH produzidos no seu hospital, solicitou-se que assinalassem o seu destino consoante os grupos e cores definidas pela legislação em vigor: no recipiente preto (grupos I e II), no recipiente branco (grupo III) e no recipiente vermelho ou contentor de corto-perfurantes (grupo IV).
Esta variável é operacionalizada por uma pergunta fechada, atribuindo-se os códigos: (1) ao aterro, (2) à autoclavagem e (3) à incineração. É também incluída uma outra hipótese de resposta, a hipótese “não sei” com o código 4, por se considerar que muitos inquiridos podem efectivamente desconhecer o destino dado aos resíduos.
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Como o destino dos RH varia consoante o hospital considerado (Tabela 5.21), recodificaram-se as respostas em correctas (código 1) e erradas (código 2), não alterando, contudo, as respostas em que se afirmava “não sei”.
Tabela 5.21. Destino dos RH por grupos de resíduos nos hospitais seleccionados (durante o período analisado). Grupos de RH/ Hospitais Recipientes 1 2 3 4 5 6 Grupos I e II/ Preto Aterro (Resulima) Incineração (Lipor) Aterro (Amcal) Incineração (Valorsul) Aterro (Ersuc) Aterro (CM Setúbal/ Amarsul) Grupo III/ Branco
Incineração Autoclavagem Autoclavagem Autoclavagem Autoclavagem Autoclavagem
Grupo IV/ Vermelho
Incineração Incineração Incineração Incineração Incineração Incineração
É de salientar que o facto dos hospitais 2 e 4 estarem inseridos no sistema Lipor e no sistema Valorsul respectivamente, em que o tratamento dos RU (ou equiparados a urbanos) é efectuado por incineração, induz muitas das respostas incorrectas relativas aos resíduos do saco preto.
Conhecimento real sobre as condições de perigosidade dos RH e sobre os principais riscos dos RH no serviço (Q1-p.5 e p.13). Estas duas variáveis são operacionalizadas
através de duas perguntas abertas colocadas no Q1. A codificação das respostas encontra- se na Tabela 5.22. Optou-se por utilizar uma codificação semelhante em ambas as perguntas devido à semelhança de grande parte das respostas.
Tabela 5.22. Códigos atribuídos às respostas dadas às questões p.5 e p.13 do Q1.
Condições em que os RH são perigosos p/ a saúde dos profissionais de saúde (p.5)
Principais riscos dos RH no seu serviço
(p.13)
Manipulação/manuseamento dos RH não adequado 1 1
Separação dos RH não adequada ou falta de separação
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