Nesta semana de intervenção em que me esteve incutido o papel de auxiliar a professora cooperante, pretendo uma vez mais, refletir em momentos distintos: primeiramente referirei, de um modo sucinto, o meu papel nesta semana de intervenção enquanto aluna observante e professora estagiária e as aprendizagens que despoletaram ao estar nesses papéis. Seguidamente, e noutro momento, incidirei nas interações estabelecidas com os intervenientes da instituição em que me encontro, nomeadamente com os alunos e com a professora cooperante. Terminarei a reflexão semanal fazendo referência às aprendizagens adquiridas e aos receios/dúvidas que me deixam ansiosa, em virtude de se aproximarem os dias das intervenções em que terei de estar perante a turma.
Tal como referi anteriormente, começarei por refletir sobre a minha intervenção desta semana, iniciando pelo método de recolha de dados através da observação participante; ao estar a auxiliar a professora cooperante, tanto no acompanhamento das atividades realizadas pelos alunos bem como na correção das mesmas, ia simultaneamente tirando notas, a fim de conhecer e relembrar aspetos essenciais de como gerir uma turma. Foi uma semana em que recolhi bastantes informações e por isso pude enriquecer e aprofundar os meus conhecimentos, uma vez que tive a oportunidade de acompanhar o trabalho dos alunos, e, em virtude disso, pude conhecê-los melhor, essencialmente no que se refere às suas capacidades, dúvidas, gostos e dificuldades, comprovando que a turma é bastante heterogénea nos aspetos anteriormente evidenciados. Neste sentido, cada aluno necessita de um acompanhamento próprio, não sendo aplicados sempre as mesmas estratégias e métodos de ensino. Com as observações feitas, com a tomada de notas e com o apoio individualizado prestado aos alunos, reconheço que já adquiri aprendizagens significativas. Não poderia deixar de referenciar a diversidade de estratégias utilizadas pela professora cooperante para explorar e abordar os conteúdos, mesmo que estes sejam os mesmos. As estratégias tornam-se uma ferramenta essencial para os alunos mas igualmente para os professores, isto porque “as estratégias de ensino são constituídas de instrumentos que têm por objectivo auxiliar o professor no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem” (Jarmendia, Silveira, Farias, Sparano, Iório & Domingues, 2007, p.244). Neste sentido, “utilizar uma estratégia implica, pois, algo mais do que o conhecimento e a aplicação de técnicas ou procedimentos na realização de determinada tarefa” (Font, 2007, p.24), uma vez que não basta apenas sabermos determinada estratégia, mas ter o conhecimento de que o aluno a compreende e tira partido dela. Esta foi talvez, a aprendizagem mais significativa desta semana: aprendi que a adoção de diferentes estratégias e métodos de ensino- aprendizagem não são só importante para os alunos, a fim de terem conhecimento que se poderão utilizar várias estratégias para a mesma situação, bem como para mim, para ter conhecimentos didáticos e saber adequar as diferentes estratégias aos diferentes alunos (diferenciação pedagógica) para que assim tenha um conhecimento global da turma bem como de cada aluno, uma vez que as caraterísticas de cada aluno são próprias. Deste modo, essa diferenciação “permite atender à necessidade de diferenciar a formação, dado que não há alunos iguais” (Sá, 2001, p.19), devido à heterogeneidade observada.
No que diz respeito ao segundo momento do qual pretendo refletir, incidindo nas interações estabelecidas, foram vários esses momentos vivenciados. Os momentos de interação estabelecidos com os alunos foram proporcionados tanto dentro como fora da sala de aula e sendo a relação professor-aluno um “elemento inseparável do processo de construção do conhecimento” (Tassoni, s.d, p.7), tive em conta que ela se estabelecesse. Em sala de aula, quando dei por mim, tinha filas de alunos ao meu redor, a pedir auxílio para a realização de determinada tarefa, ou apenas para me mostrarem o que já tinham resolvido. Não é só interessante como também importante perceber como é que os alunos resolvem as atividades propostas e que estratégias utilizam, uma vez que assim poderemos conhecê-las melhor. Tive igualmente a preocupação de circular pela sala, passando por todos os lugares para observar o trabalho que os alunos iam desenvolvendo. Não esperava apenas que fossem eles a vir ter comigo, pois nas primeiras vezes que isso aconteceu percebi, e a professora cooperante referiu isso, que eles tenderiam a dispersar-se, pois estavam constantemente a levantar-se e a movimentar-se pela sala, o que perturbava a atenção de quem estava a trabalhar. Deste modo, torna-se importante deslocar-me até aos alunos, e fi-lo.
No que diz respeito às interações estabelecidas nas horas livres, estas foram crescendo dia após dia entre os diferentes alunos e, nalguns casos, senti que as interações foram fortalecidas: tomei a iniciativa de ensinar um pequeno jogo em que predomina a expressão musical: em roda, canta-se uma música e ao mesmo tempo que cantamos, marca-se o ritmo, utilizando diferentes sons. Cada criança tem a oportunidade de escolher o som que quer fazer. Rapidamente algumas crianças decoraram a letra da música, e auxiliavam os colegas que sentiram mais dificuldade. Quando dei por mim, as crianças pediram para fazermos esse jogo novamente, o que poderá significar que elas tenham gostado e que tenha sido significativo para elas: “a influência do professor e da sua intervenção pedagógica é que torna significativa a atividade do aluno”. (Valsecchi & Nogueira, 2002, p.137). Porém, há alunos com quem
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ainda não consegui interagir muito nas horas livres, mas acredito que, semana após semana, intervenção após intervenção, essas relações vão sendo estabelecidas e cada vez mais fortalecidas.
Tendo sido as interações entre mim e os alunos importantes, não poderei deixar de referir nesta reflexão semanal a interação igualmente estabelecida com a professora cooperante: todo o apoio e disponibilidade demonstrados para esclarecer qualquer dúvida, nomeadamente sobre as atividades a desenvolver, bem como a disponibilidade de transmitir informações relevantes sobre todo o trabalho a desenvolver, nomeadamente para enriquecer as caraterizações, foram fundamentais, tanto para o meu desenvolvimento pessoal como profissional.
Para finalizar, acrescento que, com o aproximar das minhas intervenções, os anseios e inquietudes começam a falar mais alto: a minha maior preocupação, e tal como já referi na reflexão anterior, incide no facto se me farei entender, se conseguirei explicar bem qualquer conteúdo e se conseguirei esclarecer os alunos. Ainda não comecei a estar no papel de “professora” e já estou bastante nervosa! Espero que seja apenas passageiro e que isso não prejudique a minha prestação. Reconheço, e também fiz essa referência na reflexão anterior, que para me poder sentir mais segura e para poder ter uma boa prestação, terei de ter “competências para abordar todos os aspectos do trabalho de uma forma reflexiva, democrática e orientada para a resolução de problemas” (Arends, 1995, p.10). Outro receio que me acompanha é o facto de como gerir o tempo em sala de aula, uma vez que “o recurso mais importante que o professor tem de controlar é o tempo: não só quanto tempo deve ser gasto numa matéria específica, mas como gerir e focalizar o tempo dos alunos nos assuntos escolares em geral” (ibidem, p.79).
Arends (1995) afirmava que “espera-se cada vez mais que o professor possua uma preparação elevada e demonstre conhecimentos tanto a nível de matérias específicas como de pedagogia” (p.27). É com esta citação que termino a minha reflexão, pois sendo o modo de lecionar um dos receios que me acompanha, espero conseguir ultrapassá-lo com sucesso, mas, para tal, reconheço ainda que tenho um longo caminho de aprendizagens a percorrer.
Referências bibliográficas
Arends, R. (1995). Aprender a ensinar. Lisboa: editora McGraw-Hill.
Font, C. (2007). Estratégias de ensino e aprendizagem formação de professores e aplicação na escola. Porto: Edições Asa.
Jarmendia, A.; Silveira, I.; Farias, L.; Sparano, M.; Iório, P. & Domingues, S. (2007). Aprender na prática – experiências de ensino e aprendizagem. São Paulo: Edições inteligentes.
Valsecchi, E. & Nogueira, m. (2002). Comunicação professor-aluno: aspectos relacionados ao estágio supervisionado. Disponível em:
http://eduemojs.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/5684/3608. Acedido a 07.03.2012. Tassoni, E. (s.d.). Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Disponível em: http://www.puc-campinas.edu.br/cca/producao/arquivos/extensao/Afetividade_aprendizagem.PDF. Acedido a 08.03.2012.
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