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A new focus on human consequences of war

Na sociedade actual, ainda predomina a ideia de que o cuidado ideal apto a assegurar as condições adequadas ao desenvolvimento da criança, na primeira infância, é claramente aquele que é proporcionado pela mãe, no seu contexto familiar.

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Contudo, face ao aumento do emprego materno, a procura de instituições de atendimento à primeira infância tem sofrido um acréscimo bastante acentuado. Este aumento de procura tem sido acompanhado igualmente por uma maior valorização da educação infantil, principalmente em Portugal. Actualmente, as famílias começam a encarar a creche não só como uma resposta às suas necessidades, mas também pelo seu reconhecido valor na aprendizagem e desenvolvimento da criança.

As novas realidades sociais e a nova organização familiar distanciam-se do modelo familiar tradicional. A figura materna afasta-se da sua principal função e procura adaptar-se a uma nova realidade de vida, fora de casa, onde o acesso ao salário implica o afastamento dos filhos por um período longo do dia (Oliveira, 1994; Portugal, 1998).

Segundo Portugal (1998), embora os objectivos primordiais da creche sejam os da guarda, protecção e cuidados a dedicar à criança, a grande questão que se coloca à educação colectiva a partir dos primeiros meses de vida é de saber se para a criança isso é uma situação boa ou não. Trata-se efectivamente de uma questão em relação à qual existe bastante controvérsia. Esta controvérsia deve-se essencialmente à temática da separação diária entre a criança e a mãe poder produzir efeitos nefastos para o desenvolvimento harmoniosos da criança. Ao longo de muitas décadas, as teorias da psicologia, ao evidenciarem a importância dos vínculos duradouros entre mãe/filho, sustentaram o preconceito de que as creches são um mal necessário, motivo que pode ter servido para que o Estado remetesse as responsabilidades do cuidado das crianças pequenas para a família, assumindo somente mais tarde a responsabilidade educativa (Haddad, 2002).

Diversos autores (Bowlby, 1976; Brazelton, 1969; Spock, 1975), defendem que a separação da criança, antes dos três anos, da figura materna pode produzir efeitos nefastos para o desenvolvimento da criança, declaram igualmente ser a mãe a pessoa ideal para prestar os cuidados necessários à sua criança.

Contrariamente as estas convicções, alguns outros autores consideram que poucas horas passadas com uma mãe satisfeita que trabalha, podem ser muito mais benéficas para a criança do que muito tempo com uma mãe tensa e insatisfeita que prescindiu de uma carreira profissional em detrimento do bem-estar do seu filho.

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A conceptualização das creches como um “mal necessário” aumentou a culpabilidade de muitas mães que trabalham deixando os seus filhos entregues aos cuidados de outrem.

No entanto, estudos recentes revelem que o cuidado alternativo de boa qualidade não interfere na ligação afectiva da criança com a mãe, nem prejudica o seu desenvolvimento.

Face a esta controvérsia, Caldwel (1990), problematiza a capacidade das famílias modernas responderem eficazmente às necessidades das suas crianças, tendo em consideração que o número de mães a trabalhar fora de casa é cada vez maior, cerca de três casamentos após cinco anos termina em divórcio, um grande número de crianças vive unicamente com uma figura parental, as condições socioeconómicas são inúmeras vezes precárias, a percentagem de mães solteiras aumenta e o número de crianças maltratadas cresce. O autor acrescenta, ainda, que o novo sistema de relações familiares não dispensa a utilização de cuidados suplementares a prestar às crianças. Desta forma, a chave está na questão da qualidade da relação que se coloca, quer ao nível da família, quer ao nível da creche.

Actualmente, os pais deparam-se com sérios dilemas acerca do que será melhor para o desenvolvimento da sua criança e sobre as consequências que podem resultar da frequência na creche. Quanto a esta questão, não existe uma única resposta que se adapte a todas as famílias.

No entanto, sendo o emprego materno uma realidade normal, devemos dirigir a questão não para o contexto onde a criança estará melhor, mas sim para a forma como transformar as suas experiências, seja em casa ou na creche, em situações promotoras do seu desenvolvimento e bem-estar, contribuindo assim para o desaparecimento das duvidas e inquietações legitimas dos pais.

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3.4. Perfil do educador

“O educador é o construtor, o gestor do currículo no âmbito do projecto educativo... deve construir esse currículo com a equipa pedagógica, escutando os saberes das crianças e suas famílias, os desejos da comunidade....” (Teresa Vasconcelos, 1997).

Infelizmente, no limiar do terceiro milénio, a sociedade em geral continua a pensar que trabalhar com crianças pequenas requer poucas capacidades intelectuais, considerando de baixo estatuto a profissão de educador de infância. É ainda sustentado que “basta gostar-se de crianças, ser carinhoso e ter jeito para elas” para se ser bom educador.

Pois, nem todas as pessoas nascem com o desejo ou as competências necessárias para educar crianças, os profissionais que trabalham com crianças pequenas precisam como se mostra no esquema abaixo, não só de possuir qualidades muito especiais, como também de conhecimentos e formação adequada ao fornecimento de experiências de aprendizagem e de promoção do desenvolvimento.

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Ao caracterizarmos um bom educador devemos facilmente conseguir identificar o que este profissional deve saber e o que deve ser capaz de fazer. A personalidade e perfil do educador devem orientar as suas funções conferindo-lhe características pessoais e profissionais muito próprias.

Com efeito, parafraseando Portugal (1998), o educador deve possuir entre as suas inúmeras competências pessoais, as seguintes características:

 Afável e compreensivo;  Responsável;

 Emocionalmente equilibrado e alegre;  Observador;

 Boa capacidade de comunicação e relacionamento;  Paciente, tolerante, mas firme na definição de regras;  Auto-reflexivo e auto-crítico;

 Óptima capacidade de iniciativa e improviso;  Adaptável às características individuais e de grupo;  Consciente da sua influência nas crianças;

 Transmissor de segurança e confiança.

Igualmente imprescindíveis são as suas competências profissionais, desta forma um bom educador deve ser:

 Assíduo e pontual;  Motivado;

 Conhecedor do desenvolvimento infantil;  Portador de formação académica adequada;  Bom pedagogo;

 Detentor de uma capacidade de concepção, desenvolvimento e avaliação de projectos;

45  Organizado;

 Investigador;

 Possuidor de boa capacidade de trabalho em equipa;  Utilizador de estratégias e instrumentos diversificados;

 Auto-didacta procurando constantemente actualizar os seus conhecimentos.

Em suma, só um educador detentor destas competências e características tão especiais é que conseguirá desempenhar o seu papel eficazmente e de modo equilibrado e eficiente.