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Flyktningforeldrenes bakgrunn og deres omsorgsevne

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5.2.2 Betydningen av barnets kulturelle bakgrunn for foreldrenes omsorgsevne

5.2.2.4 Flyktningforeldrenes bakgrunn og deres omsorgsevne

Um dos objetivos de investigação consistia em explorar e descrever os conhecimentos dos cuidadores informais sobre prevenção do risco de aspiração no autocuidado Alimentar-se, nos doentes com doença neuromuscular, seguidos na consulta de neuromusculares do HSO-G e a sobrecarga dos cuidadores informais.

Da leitura e análise do “corpus” das narrativas das entrevistas semiestruturadas relativamente aos conhecimentos dos cuidadores informais resultaram seis (6) categorias tipo e uma (1) categoria emergente e temas correspondentes, as quais serão apresentadas em tabelas com o objetivo de expor da melhor forma os resultados da análise.

Seguidamente, apresenta-se a tabela de redução de dados da qual constam as categorias-tipo e a categoria emergente bem como as respetivas unidades de registo/temas.

Tabela 4

Classificação das Categorias e Temas

CATEGORIAS TIPO E EMERGENTE TEMAS

Tipologia da doença neuromuscular

 Doenças neuromusculares

 Evolução e progressão da doença

 Alterações corporais

Cuidados na confeção e preparação da refeição

 Consistência dos alimentos

 Qualidade dos alimentos

 Tamanho dos alimentos

Mestria

 Posicionamento do doente

 Sinais de alerta de obstrução da via aérea e

aspiração

 Intervenção em caso de alimentos retidos na

orofaringe

 Intervenção em caso de desobstrução da via aérea

Significados

 Perceção do cuidador informal sobre a capacidade

de alimentar o doente

 Perceção do cuidador informal sobre alimentar em

segurança

Recursos  Ensino, instrução e treino sobre prevenção do risco

de aspiração no autocuidado Alimentar-se Sobrecarga

 Perceção de saúde

 Alteração na rotina familiar e social

 Alterações e perturbações do sono

 Estratégias adaptativas para dormir

 Medicação para dormir

Condicionalismos pessoais e inibidores da transição

 Falta de preparação e conhecimento em relação à

intervenção em caso de alimentos retidos na orofaringe

 Falta de preparação e conhecimento em relação à

intervenção em caso de desobstrução da via aérea

Relativamente à apresentação dos dados:

Categoria “Tipologia da doença neuromuscular”: a pretensão foi explorar e

descrever se os cuidadores informais têm conhecimentos sobre o tipo de doença, progressão, bem como sobre as alterações corporais.

Tema “Doenças neuromusculares”: Alguns cuidadores informais (n=7) sabem o

nome da doença, observando-se que recorrem aos relatórios médicos para se relembrarem, “Sei o nome pelo relatório médico, lá diz que é uma distrofia muscular”

E4.

Tema “Evolução e progressão da doença”: As narrativas demonstram que os

cuidadores informais têm conhecimento sobre a progressão da doença (n=8), relatando as palavras que o médico diz na consulta, “Tem uma evolução rápida e progressiva” E20. Alguns cuidadores informais (n=4) têm a noção das alterações corporais que podem advir da progressão da doença, “Deixou de andar, comer e falar” E2.

Tema “Alterações corporais”: Verifica-se que alguns cuidadores informais

descrevem as alterações sobretudo físicas, que vão surgindo no doente, “ (…) Falta de

músculo. Vai deixar de comer, falar e essencialmente andar” E3.

A tabela seguinte (Tabela 5) diz respeito às narrativas dos entrevistados em relação à categoria Tipologia da doença neuromuscular.

Tabela 5

Categoria Tipologia da Doença Neuromuscular (N = 23) CATEGORIA – TIPOLOGIA DA DOENÇA NEUROMUSCULAR

TEMAS UNIDADES DE CONTEXTO

Doenças

neuromusculares

“Sei o nome pelo relatório médico, lá diz que é uma distrofia muscular” E4 “Dizem que é uma distrofia muscular” E6

“(…) Esclerose lateral amiotrófica” E9 “(…) Tem o nome de ELA” E13

“(…) Miopatia de corpos redutores” E18 “(…) ELA” E20

“(…) ELA” E23Evolução e progressão

da doença

“(…) Doença rara, com evolução muito grave” E1

“(…) Doença rara e hereditária, (…) é progressiva” E6 e E7

“(…) Doença degenerativa e degradação dos neurónios motores” E10 “Vai perdendo a massa muscular, e evolui rapidamente” E13

“(…) Doença degenerativa” E15 “Tem uma evolução progressiva” E18

“Tem uma evolução rápida e progressiva” E20 Alterações corporais “Deixou de andar, comer e falar” E2

“(…) Falta de músculo. Vai deixar de comer, falar e essencialmente andar” E3

“(…) A minha esposa já não consegue falar, comer, e andar” E4 “(…) Deficiência respiratória, enfraquecimento dos músculos” E16

Categoria “Cuidados na confeção e preparação da refeição”: pretendeu-se

explorar e descrever os conhecimentos dos cuidadores informais em relação à forma de preparação e confeção da refeição dos doentes, tendo em atenção a consistência, qualidade, tamanho dos alimentos.

Tema “Consistência dos alimentos”: Constata-se que os cuidadores informais

nesta categoria estão capazes e sentem-se à vontade para falar. Em relação à consistência da alimentação a maioria dos cuidadores refere, “Tudo bem passado e fácil

de engolir (…)” E6; E7; “Sopa passada, iogurtes, pudins (…)” E10.

Tema “Qualidade dos alimentos”: Alguns cuidadores informais referem uma

alimentação isenta de gorduras e rica em proteínas. “(...) alimentos ricos em proteína

(…)” E13

Tema “Tamanho dos alimentos”: Os alimentos são bem cortados e por vezes

triturados, “Noto que já sente dificuldade em mastigar nacos de carne, fateio tudo” E23.

Na Tabela 6 apresentam-se os registos dos entrevistados relativos à categoria Cuidados na confeção e preparação da refeição.

Tabela 6

Categoria Cuidados na Confeção e Preparação da Refeição (N =23) CATEGORIA – CUIDADOS NA CONFEÇÃO E PREPARAÇÃO DA REFEIÇÃO

TEMAS UNIDADES DE CONTEXTO

Consistência dos

alimentos “Tem que ser tudo bem passado e ralado (…) ” E1

“ (…) Todos os alimentos têm que ser bem passados, tipo sopa” E2 “ (…) É ela que cozinha mas faz coisas mais tenras e passadas” E4 “Tudo bem passado e fácil de engolir (…) ” E6; E7

“Tudo com consistência mole (…) ” E9 “ (…) Consistência líquida e cremosa” E11 “ (…) Ralo tudo (…) E14

“ (…) Tenho que ralar tudo” E15

“ (…) Confeção geral e o mesmo para mim” E17 “ (…) Alimentos bem triturados” E18

“Tudo bem passado (…) ” E20

“Sopa passada, iogurtes, pudins (…) ” E10 Qualidade dos

alimentos “ (...) Alimentos ricos em proteína (…) ” E13

“ (…) Evito as gorduras, come peixe e fruta” E16 Tamanho dos

alimentos “ (…) Os alimentos têm de ser bem cortadinhos” E5

Categoria “Mestria”: Pretendeu-se explorar e descrever os conhecimentos dos

cuidadores em relação ao posicionamento do doente, a deteção de sinais de alerta relacionados com o risco de obstrução da via aérea e risco de aspiração, bem como explorar e descrever como procede o cuidador informal se o doente fica com os alimentos retidos na cavidade orofaríngea ou até mesmo como atua em caso de obstrução da via aérea.

De acordo com Meleis (2012) a mestria é um indicador de resultado e consiste numa combinação de capacidades desenvolvidas durante o processo de transição com capacidades presentes anteriormente.

Tema “Posicionamento do doente”: A totalidade dos cuidadores tem em

atenção ao posicionamento correto do doente para a refeição, bem como alguns cuidadores referem que têm em atenção o seu posicionamento em relação ao doente,

“ (…) Sentado durante a refeição e 10 minutos depois (…) ” E3; “ (…) Come sentado e

depois fica 10 minutos para fazer a digestão (…) ” E5 e E6;“ (…) Sempre sentado e eu tenho de me colocar à frente dele a segurar na cabeça (…).

Tema “Sinais de alerta de obstrução da via aérea e risco de aspiração”: Os sinais

mais evidentes descritos pelos cuidadores são: dispneia, engasgamentos, tosse, sialorreia, alimentos presos na orofaringe e voz húmida, em que a maioria dos cuidadores informais relata já ter observado estes sinais de alerta mas não os assumem com sinais de alarme, “ (…) Voz molhada (…) saliva (…) e engasga-se”E11; E12;“ (…)

Sensação de falta de ar e não engole a saliva (…) ” E13; “ (…) Engasgos (…) sensação de falta de ar” E14; “ (…) Voz molhada”E16.

Tema “Intervenção em caso de alimentos retidos na orofaringe”: A maioria

dos cuidadores informais relata que retiram os alimentos com os dedos, sendo que

n=4 efetuam a manobra de desobstrução da via aérea, “ (…) Tento retirar os alimentos com os meus dedos (…) ” E2; E4; E9; E10; E11; E13; E17;E19; E20; E21;E22.

Tema “Intervenção em caso de desobstrução da via aérea”: A maioria dos

cuidadores informais liga ao número de emergência 112. 3 Cuidadores informais relatam que efetuam as manobras de desobstrução“ (…) 5 Compressões abdominais e 5

pancadas entre as omoplatas (…) ” E8; E10; E24.

Na Tabela 7 apresentam-se os registos dos entrevistados relativos à categoria Mestria.

Tabela 7

Categoria Mestria (N = 23) CATEGORIA – MESTRIA

TEMAS UNIDADES DE CONTEXTO

Posicionamento do doente

“ (…) No leito com duas almofadas” E1

“ (…) Tenho que subir a cabeceira para não se engasgar, e depois deito-a a seguir (…) ” E2

“ (…) Sentado durante a refeição e 10 minutos depois (…) ” E3

“ (…) Come sentado e depois fica 10 minutos para fazer a digestão (…) ” E5 e E6

“ (…) Sempre sentado e eu tenho de me colocar à frente dele a segurar na cabeça (…) ” E8

“ (…) Com a cabeceira levantada a 90º (…) ” E9

“ (…) Sempre sentada na cadeira de rodas e com almofadas (…) ” E10 “ (…) Na cama com almofadas, para que fique sempre sentada (…) ” E11 “ (…) Na cama sentada (…) ”E12

“ (…) Tento sempre sentá-lo para comer (…) ” E13

“ (…) Antes de comer ponho duas almofadas e depois deixo-o 20 minutos para fazer a digestão (…) ” E14

“ (…) Almoço é sentado, ao jantar levanto-o (…) ”E15 “ (…) Sempre sentada na cadeira de rodas (…) ” E18 “ (…) Sempre sentada (…) ” E20 e E2

“ (…) Sim levanto-o e coloco-me ao lado dele a dar a refeição (…) ” E23 Sinais de alerta de

obstrução da via aérea e aspiração

“ (…) Tosse depois de comer, que até sai pelo nariz (…) ” E1 “ (…) Sensação de falta de ar e perda de saliva (…) ” E2 “ (…) Alimentos presos na garganta (…) ” E3

“ (…) Saliva-se muito (…) ” E6

“ (…) Engalga-se, tosse durante a refeição e por vezes fica com a comida presa na garganta”E9

“ (…) Tosse muito às refeições e não engole a saliva (…) ” E10 “ (…) Voz molhada (…) saliva (…) e engasga-se”E11; E12 “ (…) Sensação de falta de ar e não engole a saliva (…) ” E13 “ (…) Engasgos (…) sensação de falta de ar” E14

“ (…) Voz molhada”E16

“ (…) Tosse muito às refeições e não engole a saliva (…) ” E10 “ (…) Voz molhada (…) saliva (…) e engasga-se”E11; E12 “ (…) Engasgos (…) sensação de falta de ar” E14

“Voz molhada (…) engasgos (…) sensação de falta de ar e tosse” E15 “ (…) Voz molhada”E16

“ (…) Voz molhada (…) engasgos, sensação de falta de ar; (…) tosse e não controla a saliva” E18

“ (…) Perda de alimentos pela boca durante a alimentação (…) ” E19 “Não engole a saliva” E21; E23

Intervenção em caso de alimentos retidos na orofaringe

“ (…) Tento retirar os alimentos com os meus dedos (…) ” E2; E4; E9; E10; E11; E13; E17;E19; E20; E21;E22

“ (…) Dou pancadas nas costas e aperto a barriga (…) ” E7; E10;E13; E20 “ (…) Ajudo a tossir” E8;E2

Intervenção em caso de desobstrução da via aérea

“Ligo 112” E2; E4; E6; E7; E9; E10; E11; E13; E14; E15; E18; E19; E20; E23; E24

“ (…) Tento remover os alimentos” E2; E4; E6; E7; E9; E10; E13; E18; E24 “Ligo para os meus filhos (…) ” E3

“ (…) 5 Compressões abdominais e 5 pancadas entre as omoplatas (…) ” E8; E10; E24

Categoria “Significados”: Procurou-se explorar e descrever se os cuidadores se

sentem capazes de alimentar o doente e se têm a perceção de como o fazer em segurança.

Para Meleis (2012), os significados fazem parte das condições facilitadoras e inibidoras. O significado guarda uma relação estreita com a perceção. Diz respeito ao valor, à importância de alguma coisa. O significado é construído a partir da interpretação que se faz da realidade e da experiência.

Tema “Perceção do cuidador informal sobre a capacidade de alimentar o

doente”: Alguns cuidadores relatam que se sentem capazes para alimentar o doente de

forma segura, sem receios nem angústias, “Sinto-me capaz, até é um momento em que

me sinto útil (...) E21.

No entanto outros cuidadores relatam que não se sentem capazes e sentem medo e receio: “(…) Não muito, cada vez que se engasga tenho receio (…)” E13;

“(…) Não, tenho muito medo” E15; “Não, já no hospital, quem lhe dava de comer eram as auxiliares, agora em casa tenho de ser eu, mas tenho muito medo que se engasgue” E20; E22; “No início tinha poucos cuidados, pois comia de tudo. Agora começou a não controlar a saliva e baba-se todo, então a comida fica na boca, ora quando engole fica aflito. Começo a não me sentir muito à vontade, logo preciso de ir à médica para ver o que se está a passar, acho que precisa da PEG (...)” E23.

Tema “Perceção do cuidador informal sobre alimentar em segurança”: Alguns

cuidadores narram que é de evitar que o doente se engasgue, tendo em atenção o tamanho, a consistência e a prevenção através do posicionamento do doente e de uma ingestão lenta dos alimentos, “(…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos, que fique

bem sentado” E2;“ (…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos e ralar tudo” E3.

Na Tabela 8 apresentam-se os registos dos entrevistados relativos à categoria Significados.

Tabela 8

Categoria Significados (N = 23) CATEGORIA – SIGNIFICADOS

TEMAS UNIDADE DE CONTEXTO

Perceção do cuidador informal sobre a capacidade de alimentar o doente

“Não é uma coisa de outro mundo, dar de comer acho que qualquer um sabe (...); E2

“ (...) Claro que me sinto capaz, o que mais me chateia, é ter de o pôr quase sentado, coisa que não gosta” E4

“Olhe comecei a fazer como se faz aos bebés, e nunca tive problemas (...) ” E5

“Tenho muito medo, claro que não lhe digo nada” E6

“Sou muito perfecionista, portanto sou a pessoa mais capaz da família para o fazer” E10

“Tenho muitas capacidades, mas gostava que me ensinassem (...), visto que de dia para dia tem piorado (...) E11

“Para mim as refeições são sempre um stress (...) E12

“ (…) Não muito, cada vez que se engasga tenho receio (…) ” E13 “ (…) Não, tenho muito medo”E15

“Já apanhei alguns sustos, porque também já passei por más experiencias, mas dar de comer, sou capaz (...) E17

“Sinto-me capaz, mas deviam de nos alertar para os perigos que estes doentes têm devido à doença” E18

“Não, já no hospital, quem lhe dava de comer eram as auxiliares, agora em casa tenho de ser eu, mas tenho muito medo que se engasgue” E20

“Sinto-me capaz, até é um momento em que me sinto útil (...) E21 “ (…) Não, preciso que alguém me ajude (…) ” E22

“No início tinha poucos cuidados, pois comia de tudo. Agora começou a não controlar a saliva e baba-se todo, então a comida fica na boca, ora quando engole fica aflito. Começo a não me sentir muito à vontade, logo preciso de ir à médica para ver o que se está a passar, acho que precisa da PEG (...) ”

E23

Perceção do cuidador informal sobre alimentar em segurança

“ (…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos para não se engasgar e a posição do doente” E1

“ (…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos, que fique bem sentado” E2 “ (…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos e ralar tudo” E3

“ (…) Ter cuidado com a confeção dos alimentos” E4

“ (…) Ter em atenção o tamanho dos alimentos e comer devagar” E5 “ (…) Ter em atenção a forma de cozinhar os alimentos e a posição do doente” E6

“ (…) Ter cuidado com o tamanho dos alimentos; para não se engasgar e a posição do doente” E7

“ (…) Que não se engasgue, comer devagar, posição sentada” E8

“Que não se engasgue (…) ” E9; E15; E16; E17; E18; E19; E20; E21; E22; E23 “ (…) Consistência dos alimentos, posição adequada (…) ” E10

“ (…) Refeição de forma lenta e que não se engasgue” E11 “ (…) Cortar a comida em bocados pequenos” E12

Categoria “Recursos”: procurou-se explorar e descrever se os cuidadores

informais receberam ensinos ou foram treinados e instruídos por algum profissional de saúde sobre como prevenir a aspiração no autocuidado Alimentar-se.

Tema “Ensino, instrução e treino sobre prevenção do risco de aspiração no

autocuidado Alimentar-se”: A maioria dos cuidadores informais refere que nunca foi

ensinado por algum profissional de saúde relativamente à prevenção do risco de aspiração no autocuidado Alimentar-se, “Não” E4; E5; E10; E11; E12; E15; E16; E17; E20;

E21; E22. No entanto outros cuidadores afirmam que lhes foram ensinados alguns

aspetos de prevenção: “Como o meu marido se engasgava muito, uma altura a

enfermeira veio falar comigo e ensinou-me a subir mais a cabeceira da cama e adequou a dieta” E23.

Na Tabela 9 apresentam-se os registos dos entrevistados relativos à categoria Recursos.

Tabela 9

Categoria Recursos (N =23) CATEGORIA – RECURSOS

TEMA UNIDADES DE CONTEXTO

Ensino, instrução e treino sobre prevenção do risco de aspiração no autocuidado Alimentar-se

“Uma vez a enfermeira do centro de saúde ensinou como posicionar o meu familiar para comer mas já foi há muito tempo” E2

“Sim, uma enfermeira do hospital, sobre como posicionar e colocar espessante na comida” E3

“Sim pelo médico” E18

“Como o meu marido se engasgava muito, uma altura a enfermeira veio falar comigo e ensinou-me a subir mais a cabeceira da cama e adequou a dieta” E23

“Não” E4; E5; E10; E11; E12; E15; E16; E17; E20; E21; E22

Categoria “Sobrecarga”: Procurou-se explorar e descrever a perceção que os

cuidadores informais têm sobre a sua saúde, bem com se a sua vida nas várias vertentes foi comprometida por cuidar do doente neuromuscular.

Tema “Perceção de saúde”: A maioria dos cuidadores informais relatam que a

sua saúde está afetada, refletindo-se particularmente na parte física e psicológica, “ (…)

Tema “Alterações na rotina familiar e social”: Através dos relatos constata-se

ainda a referência a alterações das rotinas quer a nível familiar e social, destacando-se a alteração na vida quotidiana como restrição de idas às compras, “ (…) Condiciona um

pouco, no que diz respeito a ir às compras por exemplo e ter alguém que me fique em casa para tomar conta (…) ” E14, quer à falta de apoio familiar, “ (…) a nível familiar,

zanguei-me com os meus irmãos, todos dão palpites e ninguém ajuda” E1.

Tema “Alterações e perturbações do sono”: Devido ao facto de o doente

necessitar de ser posicionado durante a noite ou até mesmo aspirado, alguns cuidadores informais têm alterações e perturbações do sono uma vez que não conseguem ter um sono reparador, “ (…) Não, de duas em duas horas estou a levá-lo à casa de banho” E3;“

(…) Não, há dois meses tenho dificuldade em adormecer” E4;“ (…) Já dormi melhor, agora tenho de lhe fazer o cough-assist durante a noite” E5; “ (…) Não, tenho que virá-lo na cama, antigamente tomava medicação, agora tenho medo de ele chamar e eu não ouvir” E6;“ (…) Não geralmente durmo com ele e como chama por mim não durmo descansada” E7.

Tema “Estratégias adaptativas para dormir”: Como o padrão do sono se

encontra alterado, alguns cuidadores recorrem a diversas estratégias para dormir, que não incluem a utilização de fármacos, “(…) Todos os dias tenho que adormecer depois

dela (…) ” E11; “ (…) Tento acalmar-me e relaxar a ouvir música (…) ” E13;“ (…) Tomo um copo de leite (…) “ E14; “ (…) Ver televisão (…) ” E18; E22.

Tema “Medicação para dormir”: Para conseguirem dormir alguns cuidadores

recorrem ao uso de medicação como estratégia adaptativa, mas também como solução do problema, “(…) Tomo medicação para dormir (…) ” E1; E7; E9; E10, sendo os ansiolíticos a medicação de eleição. No entanto outros cuidados não tomam medicação e recorrem a outras estratégias, como o silêncio, ou aquelas anteriormente referidas.

Tabela 10

Categoria Sobrecarga (N = 23) CATEGORIA – SOBRECARGA

TEMAS UNIDADES DE CONTEXTO

Perceção de saúde “(…) Muito cansada, física e psicologicamente, e muito mais a stressada (…)” E1

“(…) Sinto-me cansada e já não tenho paciência, nem tempo na vida (…)” E3 “(…) Sinto-me um pouco cansada e a tensão altera-se” E4

“(…) Estou cheia de problemas, sou diabética e sinto-me cansada” E5 “(…) Sinto-me cansada mas não tenho outro remédio” E6

“(…) Muito cansada, física e psicologicamente, e muito mais a alma” E7 “(…) Sinto o coração apertado pela situação” E9

“(…) Cansada às vezes” E10

“(…) Sinto-me cansada e dor nos ossos” E12

“(…) Sinto-me muitas vezes cansada e sem motivação” E16 “(…) A minha saúde vai enfraquecendo” E17

“(…) Cansada física e psicologicamente (…)” E19 “(…) Alguma fadiga (…) ” E20

“(…) Cansada e esgotada (…)” E22 “(…) Doente das costas (…)” E23Alteração de rotina

familiar e social “(…) Já comprometeu a minha vida, agora está tudo encaminhado, tenho muito apoio familiar. Nos inícios nem à casa de banho podia ir, que estava

sempre a chamar por mim (…)” E2

“(…) Deixei de ir à missa, ao café, estou sempre em casa com ele (…)” E3 “(…) Foi uma mudança radical na minha cabeça e na minha vida, nunca mais fui às compras” E4

“(…) Já estou habituada, temos que ser uns para os outros, mas a vida muda muito, não se tem tempo para nós e a família por vezes não reconhece o trabalho que dá assim uma pessoa (…)” E5

“(…) Não saio de casa a não ser para as consultas (…)” E6

“(…) A nível familiar, o meu sossego já não é o mesmo, não consigo ver televisão descansada“ E7

“(…) Por parte dos filhos existe muito apoio (…)” E8 “(…) A família ajuda no cuidar (…)” E12

“(…) Condiciona um pouco, no que diz respeito a ir às compras por exemplo e ter alguém que me fique em casa para tomar conta (…)” E14

“(…) Organização do dia-a-dia as contas, agora é só um salário a entrar (…)” E15

“(…) Tratar de um familiar traduz-se em preocupação e disponibilidade constante (…)” E16

“(…) Às vezes preciso de sair e não posso (…)” E17 “(…) Praticamente não saio (…)” E19

“(…) Quando saímos temos que arranjar alguém para ficar a tomar conta (…)” E20

“(…) Adequamos a nossa vida, tivemos de trocar de um apartamento para uma casa. (…) Pedi a reforma para ele, pois os apoios sociais são nulos. Mas a nossa vida deu uma volta de 360 graus pois engravidei, com ele assim, e tudo se arranjou” E24

(...) Em tudo (…), por vezes até discutimos pois quer que esteja sempre por perto (...) temos de pedir ajuda aos familiares e vizinhos” E22

“(…) Falar com a família para ir dar um giro é uma opção, o problema é que ninguém está disponível, começam a dar a desculpa de que tem que se tirar e meter o aparelho para respirar e que não sabem (…)” E23

Tabela 10 (Continuação)

Categoria Sobrecarga (N = 23) CATEGORIA – SOBRECARGA

TEMAS UNIDADES DE CONTEXTO

Alterações e perturbações do sono

“(…) Não geralmente durmo com ele e como chama por mim não durmo descansada” E1

“(…) Não, de duas em duas horas estou a levá-lo à casa de banho” E3 “(…) Não, há dois meses tenho dificuldade em adormecer” E4

“(…) Já dormi melhor, agora tenho de lhe fazer o cough-assist durante a noite” E5

“(…) Não, tenho que virá-lo na cama, antigamente tomava medicação, agora tenho medo de ele chamar e eu não ouvir” E6

“(…) Não geralmente durmo com ele e como chama por mim não durmo descansada” E7

“(…) Não nem por isso (…)” E9; E10

“(…) Praticamente não durmo, só quando ele adormece (…)” E3 “(…) Todos os dias tenho que adormecer depois dela (…)” E11 “(…) Não geralmente durmo (…)” E13

“(…) Não, as noites são os momentos mais complicados (…)” E16; E17 “(…) Não consigo dormir descansada (…)” E17

“(…) Não porque chama muito (…)” E20 Estratégias

adaptativas para dormir

“(…) Tenho que ter tudo em silêncio (…)” E2

“(…) Tento acalmar-me e relaxar a ouvir música (…)” E13 “(…) Tomo um copo de leite (…)“ E14

“(…) Ver televisão (…)” E18; E22

“(…) Antes tomava um lorazepam, agora não (…)” E19 Medicação para

dormir

“(…) Tomo medicação para dormir (…)” E1; E7; E9; E10 “(…) Tomo lorazepam para dormir (…)” E1; E4; E6 “(…) Tomo atarax (…)” (E5)

“(…) Tomo medicação para dormir, o clonazepam (…)” E9 “(…) Um ansiolítico, a Xanax (…)” (E10)

Tal como já foi referido anteriormente no capítulo II, da análise do corpus emerge uma categoria à posteriori designada de Condicionalismos pessoais inibidores da

transição.

Categoria “Condicionalismos pessoais inibidores da transição”: Para Meleis

(2012) a forma como lidamos com a transição é determinada por vários elementos, tais como, o nível de preparação e nível de conhecimento/habilidades. Para lidar com novas situações e/ou um novo papel é necessário adquirir conhecimentos e novas habilidades, desenvolvendo consequentemente novas competências. Neste estudo verifica-se que

alguns cuidadores informais não se sentem preparados nem têm conhecimentos sobre prevenção e atuação perante a obstrução da via aérea.

Tema “Falta de preparação e conhecimento em relação à intervenção em caso

de alimentos retidos na orofaringe”: Em relação a este tema alguns cuidadores referem

que não sabem como atuar, “Não sei o que fazer” E1; E5; E12; E14; E15; E16.

Tema “Falta de preparação e conhecimento em relação à intervenção em caso

de desobstrução da via aérea”: “Se a comida ficar na boca, para a próxima faço a comida

passada, mais à base de liquidos”E15;“Já me disseram para dar umas pancadas nas costas, que resulta (...) ” E14“(…) Não sei o que fazer caso se engasgue (…)” E5; E12; E16; E17; E21; E22. Outras vezes, atuam com dispositivos médicos do doente como o cough-

assist, desconhecendo que esta aplicação está contraindicada em caso de obstrução da

via aérea (E10, E18).

Na Tabela 11 apresentam-se os registos dos entrevistados relativos à categoria Condicionalismos pessoais e inibidores da transição.

Tabela 11

Categoria Condicionalismos Pessoais Inibidores da Transição (N =23) CATEGORIA – CONDICIONALISMOS PESSOAIS INIBIDORES DA TRANSIÇÃO

TEMA UNIDADE DE CONTEXTO

Falta de preparação e conhecimento em relação à intervenção em caso de alimentos retidos na orofaringe

“Não sei o que fazer” E1; E5; E12; E14; E15; E16 “(…) Faço o cough assist” E3; E10; E18

“Faço o ar stacking/insuflador manual (…)” E6; E10; E18

Falta de preparação e conhecimento em relação à intervenção em caso de desobstrução da via aérea

“(…) Ligo ao meu genro (…)” E1

“(…) Cough assist só na inspiração (…)” E10; E18

“Se a comida ficar na boca, para a próxima faço a comida passada, mais à base de líquidos” E15

“Já me disseram para dar umas pancadas nas costas (...)” E14

“(…) Não sei o que fazer caso se engasgue (…)” E5; E12; E16; E17; E21; E22

No subcapítulo seguinte procede-se à apresentação dos resultados relativos aos comportamentos do cuidador informal na prevenção do risco de aspiração no autocuidado Alimentar-se, resultantes da aplicação da Escala de Avaliação Cognitiva sobre o risco de obstrução da via aérea por engasgamento e da observação do autocuidado Alimentar-se.

3.2.2. Comportamentos do Cuidador Informal na Prevenção do Risco de

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