A Receita Líquida por hectare é bastante afetada tanto pela combinação de culturas produzidas pelos colonos, quanto pelo preço e pela produtividade. A Tabela 29 aponta dados referentes à receita líquida total gerada por perímetro e receita líquida média gerada por colono e por hectare, além de dados relacionados: i) à diversificação da produção, ou seja, à quantidade média de culturas produzidas por colonos; ii) à produtividade média por colono; e iii) ao valor médio da terra estimado pelos próprios colonos.
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Este processo propiciou a entrada no projeto de produtores que não passaram pelo processo seletivo ou licitatório, ou seja, nada obriga os compradores das terras preencherem os pré-requisitos impostos aos colonos iniciais instalados no pólo, podendo, deste modo, estes serem grandes empresários.
Algumas limitações podem ser identificadas no processo de estimação da Receita Líquida média total, por colono e por hectare. Primeiramente, foram utilizadas apenas as seis culturas mais importantes e rentáveis produzidas no pólo. Isto foi feito, pois, apesar da área ocupada por estas culturas não corresponderem ao total, seus percentuais de ocupação nas áreas irrigadas correspondem à sua quase totalidade nos perímetros estudados (um pouco menos que 90% no Bebedouro e mais de 95% no Nilo Coelho).
Em segundo lugar, utilizou-se o pressuposto, para calcular as receitas líquidas, de que todas as culturas consideradas estavam em plena produção, ou seja, que as culturas já haviam passado pelo período de maturação, alcançando, desta forma, a idade referente à máxima produtividade potencial para as culturas (ver tabela 26).
Em terceiro lugar, considera-se que os pequenos produtores apresentam máxima eficiência na produção, obtendo máxima quantidade e qualidade na produção dos bens cultivados, possibilitando, assim, maximizar suas receitas. No entanto, sabe-se que esta hipótese também é irreal, já que nem todos os produtores utilizam equipamentos corretos para irrigação ou regam as plantas no período certo, etc. Além disso, sabe-se que os valores obtidos pelos colonos irão depender dos mercados nos quais estes colocam seus produtos. Muitas vezes, os colonos podem ter elevadas produtividade e qualidade no cultivo, no entanto, não conseguem alcançar mercados mais exigentes, vendendo, assim, seus bens a preços abaixo dos de mercado para atravessadores/empresas.
Enfim, o fato é que a maioria dos pequenos produtores não produz de forma a alcançar estas produtividades consideradas na base de cálculo da Tabela 30. Deste modo, as Receitas Líquidas por colonos tenderão a ser superestimadas104. No entanto, apesar das limitações apontadas, os dados obtidos servem para se ter uma estimativa dos valores líquidos recebidos pelos pequenos agricultores, servindo como base de comparação entre os produtores dos diferentes perímetros.
Desta forma, observa-se na Tabela 30 que, apesar de apresentar uma menor receita líquida total, o Bebedouro apresenta um melhor desempenho médio por colono, devendo-se este resultado a maior concentração relativa na produção de uva neste perímetro (45,6% das áreas analisadas, enquanto que no Nilo Coelho esta cultura
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Nesta Tabela também não estão incluídos o capital inicial para a produção do ano seguinte, nem as despesas de manutenção do produtor e de sua família, além do custo fixo (oportunidade da terra, administração) e as depreciações (equipamentos, instalações). Segundo BRITO (s/d), os colonos gastam em torno de 95% das receitas com as despesas referentes a propriedade. Logo, os lucros em torno de 5% não dão para sua sobrevivência e de sua família.
representa 10,1%). Já a 2ª Etapa do Nilo Coelho foi fortemente afetada, para baixo, pela concentração na produção de banana (35,5% da área total do perímetro). Isto ocorre em função das estratégias familiares de produção, pois, segundo MARINOZZI & CORREA (1999), a implantação de alguns cultivos perenes (em geral: coco, acerola, goiaba e, principalmente, banana), são aconselháveis aos colonos que estão iniciando as suas atividades de produção, por estes permitirem aos produtores iniciar um processo de capitalização, devido à necessidade relativamente “baixa” de investimento inicial com rápido retorno (ver Tabela 4), contribuindo, assim, para a introdução posterior de outras culturas permanentes de maior retorno (manga e uva). E, como analisado anteriormente, o perímetro Maria Tereza deu início às suas atividades recentemente, com os primeiros assentamentos ocorrendo entre os períodos de 1997 e 1999. Este fato explica, em boa parte, a razão da maioria dos colonos neste projeto, no ano de 2004, produzirem culturas de menor retorno. No entanto, segundo SAMPAIO & SAMPAIO (2004), os produtores do Nilo Coelho em geral, nos últimos anos, vêm diversificando a produção procurando priorizar culturas mais rentáveis, com destaque para a manga e a uva105, confirmando a tendência acima apontada por MARINOZZI & CORREA (1999). Desta forma, fica evidente o esforço do setor produtivo familiar, procurando se adaptar aos novos rumos econômicos e sociais impostos à microrregião.
Além disso, o Nilo Coelho, agregando-se 1ª e 2ª Etapas, apresenta uma maior diversificação de sua produção. Isto ocorre por duas razões básicas: i) no Bebedouro os colonos optaram por se especializar na produção de bens mais rentáveis (as duas principais culturas, uva e manga, ocupam 79,8% das áreas irrigadas do perímetro); ii) o Nilo Coelho é mais recente, principalmente sua segunda etapa, estando, desta forma, a produção de banana ainda bastante forte, pelas razões já descritas. Devido a estes fatores, no Bebedouro o pequeno produtor é menos diversificado, produzindo em média 1,31 culturas contra 1,87 no Nilo Coelho. No entanto, vale salientar que, apesar desta maior diversificação da produção no Nilo Coelho gerar redução de renda, esta também gera menores riscos relativos a eventuais colapsos produtivos, tais quais: problemas de praga, quedas de preço, problemas naturais, etc.
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Inclusive, segundo MARINOZZI E CORREA (1999), a fruticultura só foi surgir com maior ênfase entre os produtores familiares do Perímetro Senador Nilo Coelho em meados de 1990s. Até 1994, o feijão
Vigna, o Phaseolus e o tomate industrial eram as culturas mais exploradas pelos produtores familiares. No
entanto, a partir deste ano houve uma drástica substituição das áreas exploradas com cultivos temporários por cultivos permanentes.
Tabela 30. Principais culturas exploradas, receita líquida e produtividade dos colonos nos perímetros Bebedouro e Nilo Coelho (2004)5.
Nilo Coelho Bebedouro
1ª. Etapa 2ª. Etapa Total Cultura
% da Área1 % da Área2 % da Área2 % da Área2
Acerola 0 6,6 1,6 5,5 Banana 0 13,4 35,5 18,0 Coco1 2,7 15,4 10,5 14,4 Goiaba 5,7 19,6 25,2 20,7 Manga 34,2 29,1 18,0 26,8 Uva (Itália)1 45,6 11,6 4,6 10,1 Outros 11,8 4,3 4,6 4,5
Receita líquida total das seis principais
culturas (em R$ de 2004) 17.093.127 104.449.042 18.657.765 123.106.807 Receita Média líquida por colono 108.873,42 68.716,48 34.390,52 59.673,68
Renda líquida média por ha por colono 15.665,24 10.753,75 6.298,63 9.703,04
Cultura/colono (1998)3 1,31 - - 1,87
Valor da terra (em R$ de 1998)3 95.636,36 - - 69.099,14
Produtividade (Vol./Área em 2003) 4 17,21 20,41 18,69 18,95 1 Fonte: ATER/DIPIB (2004). 2 Fonte: ATER/DIPSNC (2004). 3
Fonte: FADE/UFPE, 1998 (apud SAMPAIO & SAMPAIO, 2004).
4 Fonte: CODEVASF, 2003 (apud FRANCA, 2004). 5
Informações referentes ao número de lotes ocupados por colonos e área média por colono necessárias para elaboração desta Tabela foram retiradas da Tabela 19. Já a informação da receita líquida foi retirada da Tabela 4.
Outro dado importante obtido na Tabela é sobre o valor da terra, considerada superior no Bebedouro. Isto ocorre, segundo SAMPAIO & SAMPAIO (2004), porque neste há uma maior concentração na produção da uva, que acaba elevando o preço médio da terra neste perímetro, já que o produtor que ali comprar um lote irá receber terras especializadas na produção dos bens que apresentam maiores retornos ao produtor.
O último dado disponível nesta Tabela se refere à produtividade média dos colonos nos perímetros especificados. Dentre os projetos analisados, o que apresenta maior produtividade média por colono é o Nilo Coelho (1ª. Etapa). Inclusive, com relação à produtividade dos Perímetros, pode se observar os dados da Tabela 31 referente às culturas da banana e da uva.
Tabela 31. Produtividade dos colonos por cultura nos Perímetros Bebedouro e Nilo Coelho (ton. ou milheiro/ha), 1998.
UFPE/FADE (1998) CODEVASF (1998) Cultura
Bebedouro Nilo Coelho Bebedouro Nilo Coelho
Uva 18,3 16,0 18,28 25,0
Banana
(milheiro) 12,6 44,1 12,89 36,47
Utilizando-se de duas fontes obtidas no trabalho de SAMPAIO & SAMPAIO (2004), observa-se que a produtividade média obtida pelos colonos do Nilo Coelho é bem maior quando comparada à obtida pelos do Bebedouro – excetuando-se a cultura da uva para os dados obtidos pela Pesquisa de Campo FADE/UFPE, 1998. Este fato se deve, em grande parte, de acordo com esta pesquisa, a alguns dados já obtidos anteriormente: i) melhor nível escolar; ii) utilização de melhores recursos tecnológicos; iii) menores lotes, acarretando na intensificação da produção; iv) maior experiência com irrigação para os colonos inicialmente assentados; entre outros fatores.