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5. DISCUSSION

5.4 Fluid flow impact on Slope failure:

O sistema agroindustrial da cana-de-açúcar é um dos mais antigos do país, estando ligada aos principais eventos da formação histórica do Brasil. A relevância de se estudar o funcionamento do setor sucroalcooleiro nacional está na sua grande importância nacional e internacional. Essa atividade no Brasil diferencia-se dos demais países do mundo principalmente em relação a sua escala de produção, a posição de destaque que a cana-de-açúcar tem em relação a outras culturas quanto à área de plantio e ao valor da produção, e a produção em larga escala do etanol, um combustível que pode substituir a gasolina.

O cenário mundial apresenta uma demanda crescente por fontes alternativas de energias renováveis. Várias pesquisas apontam os biocombustíveis como uma das soluções do problema. O etanol é um dos combustíveis que vem sendo mais utilizado no mundo em substituição à gasolina (GOLDEMBERG, 2008).

Na safra 2008/2009, o setor sucroalcooleiro movimentou 51 bilhões de reais, gerando 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Além disso, a capacidade de

moagem correspondeu a 622 milhões de toneladas de cana utilizadas para produzir 37 milhões de toneladas de açúcar e 27 bilhões de litros de etanol. A exportação de açúcar foi de 9 bilhões de dólares e a exportação de etanol de 2,2 bilhões de dólares. Destaca-se também que o setor sucroenergético recolheu 13 bilhões em impostos e taxas e seu investimento anual é de 6 bilhões de reais (CONAB, 2009).

O Brasil destaca-se como o maior produtor mundial de açúcar de cana e apresenta o maior potencial de competitividade nesse mercado dentre os principais produtores mundiais.

O agronegócio da cana-de-açúcar no Brasil distingue-se dos demais países por produzir, em escala industrial, tanto açúcar e etanol quanto cogeração de energia termoelétrica a partir da queima do bagaço. Esse aproveitamento triplo torna bastante complexo o planejamento e funcionamento dessa cadeia produtiva, em um ambiente livre de mercado - sem interferência do Governo - exigindo ampla organização e coordenação de todos os elos que a compõem (PROCANA, 2009).

É importante considerar que, dado o tamanho da produção brasileira, o impacto sobre os preços decorrentes de uma variação da safra nacional faz-se sentir também no mercado internacional, uma vez que o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar. Variações não planejadas da oferta de cana-de-açúcar têm impacto nos preços de todos os produtos e pode comprometer o abastecimento dos produtos finais, sobretudo o do etanol combustível. O açúcar, por ser uma commodity internacional, está disponível no mercado mundial em quantidades suficientes para regular o abastecimento, em caso de falta do produto.

O parque sucroenergético nacional possui em torno de 423 usinas de beneficiamento de cana-de-açúcar em atividade no país, dentre as quais 248 são usinas de açúcar com destilaria anexa, 16 delas produzem somente açúcar e 159 são apenas destilarias de etanol. A distribuição territorial dessas unidades indica que aproximadamente 46% delas localizam-se no Estado de São Paulo, por sinal o estado do país onde esse setor apresenta-se com um maior grau de dinamismo (MAPA, 2009).

A área cultivada com cana-de-açúcar que será colhida e destinada à atividade sucroenergética na safra 2012/13 está estimada em 8.520,5 milhões de hectares, distribuídas em todos estados produtores conforme suas características. O estado de São Paulo é o maior produtor com 51,87% (4.419,46 milhões de hectares), seguido por Goiás com 8,52% (725,91 milhões de hectares), Minas Gerais com 8,47% (721,86 milhões de hectares), Paraná com 7,17% (610,83 milhões de hectares), Mato Grosso do

Sul com 6,37% (542,70 milhões de hectares), Alagoas com 5,23% (445,71 milhões de hectares) e Pernambuco com 3,84% (327,61 milhões de hectares). Nos demais estados produtores as áreas são menores, com representações abaixo de 3% (CONAB, 2012).

A atual previsão, conforme Tabela 4, a cana-de-açúcar para ser moída na safra 2012/13 é de 595,13 milhões de toneladas, com aumento de 6,2% em relação à safra 2011/12, que foi de 560,36 milhões de toneladas, significando que a quantidade que será moída deve ser 34,76 milhões de toneladas a mais que na safra anterior. A produção de cana-de-açúcar da Região Centro-Sul deve ser de 535,43 milhões de toneladas, 8,2% maior que a produção da safra anterior. A recuperação da produtividade, que foi severamente comprometida na safra passada, somando-se a um pequeno incremento de área, justifica esta estimativa de crescimento da produção (CONAB, 2012).

De maneira geral, no Brasil se obtêm da cana-de-açúcar dois principais produtos de larga importância comercial. O açúcar, altamente competitivo, apesar dos custos associados a sua estrutura produtiva e as medidas protecionistas adotadas em praticamente todos os mercados mundiais. O etanol, que não se compara em custos ao petróleo como combustível, mas tem aplicação crescente na frota de veículos flex fuel e também como aditivo à gasolina principalmente no mercado nacional.

Apesar de tudo, o Brasil é o país com maior vantagem competitiva nestes dois produtos. Tanto o açúcar quanto o etanol não enfrentam grandes problemas com produtos substitutos. A cana-de-açúcar é reconhecidamente mais produtiva que a beterraba, viável apenas quando altamente subsidiada.

Quanto ao etanol de cana-de-açúcar, seja utilizado na forma hidratada como combustível direto, ou anidro, misturado á gasolina, até o momento esse produto oferece nítidas vantagens ambientais e econômicas se comparado a outros produtos utilizados para o mesmo fim, principalmente os derivados do chumbo, que é por lei proibidos de ser adicionados à gasolina.

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Tabela 4 - Comparativo de área, produtividade e produção da indústria sucroenergética, safras 2011/12 e 2012/13

Região

Área (mil ha) Produtividade (kg/ha) Produção (mil t)

Safra 2011/12 Safra 2012/13 Variação (%) Safra 2011/12 Safra 2012/13 Variação (%) Safra 2011/12 Safra 2012/13 Variação (%) Norte 34,400 41,990 22,10 73.522 73.837 0,43 2.529,2 3.100,4 22,60 Nordeste 1.108,220 1.113,510 0,50 56.755 50.825 10,40 62.896,7 56.593,9 10,00 Centro-Oeste 1.379,370 1.504,110 9,00 66.866 70.645 5,65 92.233,5 106.257,5 15,20 Sudeste 5.220,970 5.248,540 0,50 69.240 67.404 1,80 40.614,7 41.277,4 7,10 Sul 613,140 612,390 0,10 66.240 67.404 1,80 40.614,7 41.277,4 1,60 Brasil 8.356,100 8.520,540 2,00 67.060 69.846 4,20 560.363,8 595.126,6 6,20

2.5.2. Resíduos envolvidos no processo produtivo agroindustrial e seu potencial de