4. Etablering av normalitet og selvfølgelighet
4.1 Flertallets makt
a) Modelo Digital de Elevação
O Modelo Digital de Elevação (MDE) permite uma análise rápida e precisa dos atributos topográficos de uma bacia hidrográfica. Esses modelos são frequentemente utilizados em uma grande variedade de aplicações cientificas bem como nas atividades de planejamento ambiental. O MDE utilizado nesta pesquisa foi manipulado dentro de um Sistema de Informação Geográfica para criar derivações matemáticas que auxiliaram na análise espacial das superfícies continuas. O fluxo hídrico ao escoar através do solo e em subsuperfície estabelece padrões espaciais e estruturais, e o reconhecimento desses padrões são essenciais para o estudo da paisagem.
A importância do MDE reside no fato deste modelo oferecem subsídios para determinação dos principais atributos topográficos tais como os limites das sub-bacias, as declividades das vertentes, a geometria dos canais de drenagem, a forma da bacia etc. A utilização dos dados do Modelo Digital de Elevação pode ser relacionada ao modelo hidrológico da bacia (MOORE; GRAYSON; LADSON, 1991).
A área da bacia hidrográfica do rio Gramame no geral se apresenta com baixas declividades das vertentes diminuindo a velocidade do escoamento superficial. Entretanto, as áreas com maiores declividade não por acaso são as que apresentam as feições erosivas mais
proeminentes. As vertentes com declividades maiores que 45° são raras e ocorrem apenas nas falésias das praias de Barra de Gramame e Jacumã.
A partir do modelo gerado foi possível calcular os ângulos de inclinação do terreno (declividades), distâncias horizontais, volumes de áreas das superfícies, reproduzir perfis topográficos, delimitar feições lineares do relevo (cristas) e da drenagem (vales), bem como gerar imagens sombreadas e mapas temáticos.
Os resultados apresentaram um alto grau de consistência com os dados de altimetria, o traçado da rede de drenagem e as formas topográficas apresentadas nas cartas planialtimétricas da SUDENE, validando as informações obtidas nesta pesquisa. A Figura 12 apresenta o MDT da bacia hidrográfica do rio Gramame.
Figura 12 – Modelo Digital de Elevação da Bacia Hidrográfica do rio Gramame
b) Mapa Geomorfológico da Bacia do rio Gramame
A revisão bibliográfica e análise sistemática dos dados encontrados nas cartas topográficas, associadas a informações contidas no modelo digital de elevação e observações diretas no campo, permitiram a delimitação das unidades geomorfológicas da BHRG.
O relevo é resultante da ação combinada dos processos exógenos (clima, intemperismo, erosão, sedimentação etc.) e endógenos (tectonismo, vulcanismo etc.), deste modo, os principais fatores que contribuíram para configuração geral do relevo desta área foram: as variações do nível relativo do mar (transgressões/regreções marinhas), associadas às glaciações quaternárias, o regime tectônico a litologia e os aspectos climáticos.
O intemperismo diferencial é estabelecido pela dicotomia existente entre as características litológicas das rochas ígneas, metamórficas e sedimentares, submetidas aos fatores controlantes do clima e da tectônica quaternárias atuantes sobre as estruturas geológicas pré-existentes.
No que diz respeito aos aspectos morfoestruturais, a bacia do rio Gramame abriga grandes estruturas geológicas como falhas normais e de gravidade, lineamentos estruturais e estruturas dômicas relacionadas aos maciços proterozóicos remobilizados pelo sistema de dobramento brasiliano e intrusões ígneas pós-orogênicas, remanescentes do antigo capeamento fanerozóico e os depósitos terciários quaternários.
As coberturas sedimentares Fanerozóicas foram afetadas por processos geodinâmicos relacionados com o movimento dos blocos falhados e imprime ao relevo da área um padrão de blocos escalonados, a leste da BR 101, no baixo curso do rio Gramame, e à medida que se distancia para oeste, vão se formando planaltos de topos planos, semiconvexos e convexos, recobrindo o embasamento cristalino pré-cambriano.
Esses compartimentos estratigráficos foram denominados aqui como: o hoste do alto curso do rio Mumbaba, o graben do rio Mamuaba, o hoste do rio Gramame, e a “Zona Estrutural” do Monoclinal Alhandra-Guruji-Conde-Caaporã, todos seguindo uma direção geral NNE-SSW (NEVES et al., 2010).
As superfícies escalonadas que se erguem do litoral para o interior, foram interpretadas, como submetidas a soerguimentos tectônicos, o que condicionou a rede de drenagem a se organizar de acordo com as principais feições tectônicas, sendo bastante sensato admitir que seu arranjo regional seja produto de acomodação das estruturas geológicas como resultado das reativações pós-cretáceas, conforme apresentadas na Figura
12. As evidencias reunidas permitiu tecer as seguintes considerações a cerca do quadro geomorfológico da bacia hidrográfica do rio Gramame.
O primeiro táxon, correspondente ao domínio morfoestrutural, foram identificados pela Bacia Sedimentar da Paraíba e cobertura sedimentar Fanerozóica e os maciços residuais da faixa de cinturões moveis da Província Borborema. O segundo táxon, esta relacionado às regiões geomorfológicas das planícies costeiras e fluvio-aluviais, dos planaltos costeiros e interioranos e da depressão sublitorânea. As unidades geomorfológicas identificadas na área de estudo, e correspondente ao terceiro táxon, foram sete, sendo três de acumulação: praia e campo de dunas, planície flúviomarinha e planícies fluvio-aluviais: e quatro unidades de dissecação: modelado de dissecação, planaltos residuais de topos convexos, planalto sedimentares de topos plano/semiconvexo e as vertentes e rampas elúviais e colúviais.
Os processos morfogenéticos predominantes identificados nas unidades foram os escoamentos pluvial, fluvial e o intemperismo químico. Com relação aos movimentos de massa, a própria geometria da bacia não favorece a esses tipos de processos, no entanto, os deslizamentos de terras e fluxos de lamas são mais frequentes no período chuvoso (abril a junho), e ocorrem em escalas de grandezas relacionadas à magnitude e frequência das precipitações.
Foi registrado o desmoronamento de blocos lateritícos na falésia localizada na planície costeira pertencente ao município de João Pessoa, no baixo curso dos rios, onde aliais é encontrada a maior quantidade de cones de dejecção.
O padrão de rifteamento apresentando blocos escalonados em um modelo homoclinal encontra-se a leste da área de estudo e tem como limite provável a BR 101, evidenciados pela presença dos depósitos do Grupo Barreiras, que de acordo com Neves et al. (2010), encontram-se ausente no oeste do referido limite sintético. Deste modo, os depósitos do Grupo Barreiras se apresentam como referenciais morfoestatigráficos imperfeitos, uma vez que podem estar ausentes no oeste da área de estudo. A ausência de cobertura fanerozóica mais antiga a leste da BR 101, atesta a intensa atividade erosiva pela qual foram submetidas essas rochas, especialmente durante o pleistoceno.
A bacia Paraíba é considera como a última porção do continente sul americano a ser afetado pela deriva continental da plataforma Sul Americana, sendo assim, a derradeira parte da plataforma continental brasileira a esta ligada ao continente Africano. Uma das características marcante da bacia sedimentar da Paraíba presente na área de estudo, é a existência de bons afloramentos rochosos que demarcam o limite entre o cretáceo e o terciário.
Figura 13 – Unidades Geomorfológicas da Bacia Hidrográfica do rio Gramame
c) Relevo Sombreado
O relevo sombreado é um recurso bastante utilizado para visualizar feições morfológicas em uma superfície topográfica, tais como vales, planaltos, planícies, ravinas etc. Este modelo topográfico apresenta em detalhes as características distintas do terreno aumentando as principais feições da paisagem. Os dados foram gerados diretamente do modelo digital de elevação (MDE), e para a área de estudo foi elaborado de acordo com os seguintes parâmetros de iluminação: azimute e elevação.
O azimute corresponde a um ângulo de abertura circular medido em graus no sentido horário sobre uma superfície horizontal a partir do norte geográfico até de um determinado ponto de origem. O ponto de visada foi de: 120°; e o anglo de elevação solar, ou seja, a elevação corresponde ao ângulo entre a fonte luminosa (sol), e o plano de superfície, tendo sido definido o valor de: 45°.
A bacia hidrográfica do rio Gramame possui um relevo modesto, com elevações suaves e onduladas, as feições de dissecação mais proeminentes estão localizadas no alto curso dos rios, oeste da bacia, entretanto, o divisor de drenagem correspondente a confluência entre o rio Mumbaba e o rio Gramame, há uma ruptura acentuada do declive caracterizando o inicio do baixo curso, e nos afluentes do rio principal (rio Boa Água, rio da Salsa, riacho Ipiranga), os interflúvios onde estão situados a sede do município do Conde, e o distrito de Jacumã, encontram-se intensamente dissecados.
As planícies aluviais, vertentes e os fundos de vales aparecem com uma textura média, os planaltos de topo convexo, no alto curso dos rios, apresentam uma textura lisa, enquanto que os vales incisos apresentam-se bastante sombreados ao tempo que os vales abertos apresentam tonalidades esbranquiçadas. Os divisores de drenagem de topo plano e semiconvexo apresentam texturas variando de média a grosseira. As barragens de Gramame e Mamuaba, localizadas na confluência dos rios hormônios, delimita o médio do baixo curso dos rios. Esse processamento possibilitou a interpretação mais detalhada da organização espacial dos vales e divisores de drenagem, a representação das feições de acumulação e dissecação permitindo assim análises mais precisas como pode ser observado na Figura 14.
Figura 14 – Relevo Sombreado da Bacia Hidrográfica do rio Gramame
d) Orientação das Vertentes
A orientação das vertentes representa um dos principais elementos na resposta a os processos hidrológicos, geomorfológicos e biogeográficos dentro de uma bacia hidrográfica. Estas orientações são os principais determinantes na direção do escoamento das águas, e na quantidade de radiação recebida em uma área, e consequentemente na evapotranspiração. Este atributo tem sido utilizado para localizar as zonas de saturação de água no solo, as áreas de erosão laminar e concentrada (MOORE; GRAYSON; LADSON, 1991).
Para a área de estudo foram estabelecida nove valores de exposição, uma para superfícies planas e/ou não identificada, e uma para cada direção principal da bússola N, NE, E, SE, S, SW, W, NW. Essas direções apontam as áreas de predominância do escoamento superficial e dá indicações das vertentes que correspondem aos talvegues e topos de interflúvios. As cores quentes representam as vertentes que recebem maior quantidade de radiação solar, enquanto que as cores frias correspondem as vertentes de menor exposição ao sol.
Percebe-se que as vertentes com orientação no sentido Leste e Sul, recebem menos insolação, consequentemente, são mais úmidas, e as temperaturas do solo são mais amenas do que as vertentes voltadas para o Oeste e Norte, esse detalhe, favorece ao surgimento de microclimas, decorrente das diferenças hídricas e térmicas locais, e podem promover alterações nas propriedades dos solos tais como cor, textura, teor de matéria orgânica etc.
O mapa de orientação das vertentes auxiliou na identificação das direções azimutais das vertentes na bacia hidrográfica do rio Gramame, possibilitou também identificar com precisão as linhas de inflexão de uma vertente para outra, linhas estas que representam os divisores de drenagem da referida bacia hidrográfica.
A direção das vertentes com seus respectivos valores serão apresentados na Figura 15. Com suas respectivas cores: cinza, para as superfícies planas representando terrenos com declividades inferiores a 5°, ou superfícies indiscriminadas; vermelho Norte; laranja Nordeste; amarelo Leste; verde Sudeste; azul piscina Sul; azul claro Sudoeste; azul escuro Oeste; Magenta, Noroeste; vermelho, Norte.
Figura 15 – Orientação das Vertentes da Bacia Hidrográfica do rio Gramame