Muitos protocolos hormonais foram desenvolvidos para manipulação folicular ovariana com o objetivo de facilitar o manejo reprodutivo e evitar perdas na gestação (BARUSELLI et al., 2011b). Programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) so eficientes para superar a imprecisão na detecção do estro, uma limitação importante na indústria de gado. O protocolo mais comum consiste no uso de GnRH ou 17b-estradiol e tambem dispositivos de progesterona e prostaglandina F2 alfa. Além disso, tratamentos com gonadotrofinas associados aos protocolos de IATF revelaram aumento das taxas de concepção, provavelmente devido ao aumento das concentrações plasmáticas de P4 (BINELLi et al., 2001; BÓ et al., 2002; SALES et al., 20011; SÁ FILHO et al., 2010). Tratamentos com eCG asão uma ferramenta importante para aumentar o tamanho folicular e as taxas de prenhez em programas de IATF, principalmente para rebanhos com alta prevalência de vacas em anestro ou com baixa condição corporal (BARUSELLI et al., 2004). A eCG estimula o crescimento contínuo do folículo em vacas que exibem uma deficiência na liberação de gonadotrofinas. Estudos prévios demonstraram que fêmeas tratadas com eCG exibiram aumento no crescimento folicular final, aumento do folículo dominante e das taxas de ovulação, além de apresentarem também aumento do volume do CL e da P4 circulante (SALES et al., 2010; SÁ FILHO et al., 2010a; SÁ FILHO et al., 2011) minimizando falhas no reconhecimento da gestação e aumentando a eficiência da transferência de embriões (BINELLI et al., 2001).
O eCG é um fármaco de meia vida longa (até 3 dias), produzido nos cálices endometriais da égua prenhe (40 a 130 dias) (MURPHY; MARTINUK, 1991) que se liga aos receptores de FSH e LH dos folículos e aos receptores de LH do corpo lúteo (STEWART; ALLEN, 1981; CAVALIERI et al., 1997). Em eqüinos, o eCG resulta na ovulação ou luteinização de folículos durante a gestação, com conseqüente aumento da progesterona circulante (MURPHY; MARTINUK, 1991)
O FSH é o hormônio mais comum nos protocolos superovulatórios (HESSER; MORRIS; GIBBONS, 2011). Entretanto, a meia-vida do FSH exógeno em bovinos tem duração de 5 horas, e então, requer duas aplicações diárias, o que aumenta a possibilidade de falhas devido ao uso incorreto e erros na administração. Além disso, a aplicação frequente das
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injeções pode causar indevidamente estresse nas fêmeas, com consequente diminuição da resposta superovulatória e alterações no pico pré-ovulatório de LH (BO et al., 2010). O emprego da eCG pode ser uma importante alternativa, pela sua ação de LH e FSH e meia vida longa, podendo ser aplicado em dose única. Estudo realizado por (BARUSELLI et al., 2008) apresentou o tratamento com eCG na dose de 2000UI que alcançou a mesma eficiência que os animais superovulados com FSH, com vantagens significativas quanto ao manejo das doadoras e aos programas de transferência de embriões e IATF. A superovulação seguida pela IA são técnicas que produzem um grande número de embriões por doadora. E estas técnicas associadas a trasnferência de embriões para vacas receptoras, são potentes ferramentas para disseminar a alta qualidade genética e aumentar a performance reprodutiva (MURPHY; MRTINUK, 1991).
Entende-se, dessa maneira que os resultados da estimulação com o uso do eCG (crescimento folicular, ovulação e concepção) são duas vezes maiores em relação a estimulação com FSH, devido ao seu tempo maior de atuação no organismo (SALES et al., 2011) Bó et al. (BO et al., 2002) verificaram que a utilização de 400UI de eCG no momento da emergência da onda de crescimento folicular determinou apenas 2% de dupla ovulação em receptoras, e ainda formou corpos lúteos únicos e maiores, ao que foi atribuido o incremento na taxa de concepção e de prenhez. Posteriormente, demostrou que a dose de 400UI de eCG é suficiente para obtenção de resultados satisfatórios em vacas receptoras (SÁ FILHO et al., 2010).
Em um estudo realizado por nosso grupo avaliando aspectos morfofisiologicos dos CLL coletados após os tratamentos de superovulação e estimulação com eCG (RIGOGLIO et al., 2012) os resultados mostraram um aumento no numero de células luteínicas pequenas e no diâmetro das células luteínicas grandes (hipertrofia) além de ter sido observado também um aumento do volume mitocondrial nas vacas superovuladas. Já nas vacas estimuladas o número de células luteínicas grandes foi aumentado bem como a densidade das mitocôndrias esféricas nas celulas luteinicas quando comparados com vacas sem tratamento. O aumento na densidade mitocondrial esférica junto com o número de células luteínicas grandes em vacas estimuladas contribui diretamente com a concentração de P4 plasmática (FIELDS; FIELDS, 1996). As células luteínicas grandes são as principais células produtoras de P4 no CL (FIELDS; FIELDS, 1996; NISWENDER et al., 2000) e características esteroidogênicas tais como aumento da capacidade mitocondrial para a produção de pregnenolona após o tratamento com eCG já foram descritas (TUCKEY; ATKINSON, 1989). Em nosso estudo, o
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tratamento estimulatório induziu mudanças morfológicas que permitiu ao CL produzir mais P4 em relação ao volume total deste órgão. Por outro lado, o tratamento superovulatório induziu alterações relacionadas ao aumento do volume, tal como aumento do número de células luteínicas pequenas.
Assim, a superestimulação ou estimulação ovariana provocam alterações morfológicas e funcionais importantes no CL e, consequentemente, no ambiente uterino. O estabelecimento e a manutenção da gestação, bem como o crescimento embrionário em bovinos, estão correlacionados à habilidade do CL em secretar P4 (FIELDS; FIELDS, 1996), hormônio intimamente relacionado com o ambiente tubário e uterino.
Segundo Moura (MOURA, 2003) e Papa e colaboradores (PAPA et al., 2007), o CL de búfalas superovuladas com FSH apresentou densidade vascular maior do que CL de búfalas não manipuladas. Além disso, houve uma intensa imunoreatividade das células endoteliais para o VEGF e seus receptores, demonstrando uma maior expressão deste sistema em resposta ao tratamento superovulatório. Altas concentrações de progesterona (PAPA et al., 2007) como também de estradiol (MISRA et al., 1998) são encontradas em búfalas superovuladas.
As células de animais superovulados apresentam características que refletem maior atividade de síntese protéica, como o aumento na quantidade de retículo endoplasmático rugoso e de mitocôndrias (SMITH, C. J. et al., 1991) além de alterações no formato do núcleo e na condensação da cromatina (ARTONI et al., 2004).
Trabalhos realizados por Shweiki e colaboradores (SHWEIKI et al., 1993) mostraram que em primatas e ratos, com ovários hiperestimulados, ocorre uma elevação dos níveis do mRNA do VEGF, predominantemente após uma onda de LH. Um aumento do LH resulta em maior expressão do mRNA do VEGF pelas células da granulosa do folículo ovariano (HAZZARD et al., 1999). Além disso, o FSH estimula a proliferação de células endoteliais em CL de macacos (CHRISTENSON; STOUFFER, 1996) e também estimula a expressão do mRNA do VEGF em células da granulosa. Christenson e Stouffer (CHRISTENSON; STOUFFER, 1997) demonstraram que a síntese e a secreção da proteína VEGF em células da granulosa de macacos é aumentada oito vezes em resposta a gonadotrofina coriônica humana (hCG).
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Após estimulação de ratas com hCG também foi observado um aumento da expressão do mRNA do VEGF e aumento da permeabilidade vascular no ovário. Quando comparados, os efeitos estimulatórios do LH, FSH e hCG demonstraram que o LH e FSH tem um efeito menor na indução da permeabilidade vascular (GOMEZ et al., 2003).