Este estudo trata-se de uma análise do desempenho de organizações através de indicadores de três anos anteriores (2002 a 2004), impactando no valor de mercado das empresas nos dois anos posteriores (2005 a 2006).
Os indicadores de desempenho têm um papel importante dentro e fora das empresas. Internamente são responsáveis por operacionalizar e medir cada objetivo específico traçado pelos gestores da empresa. Além de tornar os objetivos mais praticáveis e compreensíveis aos gestores, os indicadores, por sua característica mensurável, são capazes de controlar cada aspecto incutido no objetivo, de analisar as falhas e redirecionar a empresa para o caminho almejado. Externamente, servem como sinalizadores da situação empresarial aos stakeholders, influenciando no valor de mercado. Neste sentido uma análise através da utilização de indicadores utilizando-se de dados contábeis, técnicos e de mercado da empresa, pode contribuir para a organização maximizar seu valor fazendo com que o acionista maximize seus ganhos. (COPELAND, 1994).
Porém, tais tautologias não são consenso no que diz respeito à utilização e conseqüentemente à relevância das demonstrações contábeis para a tomada de decisão dos usuários.
Uma vez que tais indicadores são fontes de informações para investidores e estes por sua vez objetivam maximizar a sua riqueza, o qual também constitui o objetivo principal da empresa, cabe um estudo investigativo da validade destes instrumentos para antever situações de ganhos e/ou perdas de riqueza. Isto porque, até o presente momento, nenhum estudo sobre este tema é conclusivo e existem caminhos a serem percorridos que ainda não foram explorados.
Um destes caminhos é a associação do desempenho empresarial apontado pelos indicadores com uma situação futura de valor de mercado destas empresas, pretendendo-se verificar a validade destes instrumentos para se prever valorizações e/ou desvalorizações de ações em um horizonte de dois anos.
Desta forma os indicadores ao mensurar um desempenho passado de um conjunto de empresas - o desempenho da empresa nos três últimos anos - pode levar o investidor a investir ou não na empresa posteriormente - nos próximos dois anos - devido à expectativas de ganhos futuros. Isto porque o mercado acionário pode gerar expectativas positivas de uma empresa que tenha um ótimo desempenho medido nos anos anteriores, fazendo com que esta organização tenha o seu valor de mercado aumentado. Ou, caso contrário, o mercado ao perceber uma situação em que o desempenho da empresa vem piorando ao longo do tempo pode gerar expectativas negativas com relação a esta empresa impactando negativamente no seu valor de mercado futuro.
Nesta direção os resultados obtidos apontam que os indicadores de desempenho dos três últimos anos consegue prever satisfatoriamente o valor e mercado dos próximos dois anos, apesar das limitações apresentadas por dados oriundos de demonstrações contábeis. A exceção é feita ao setor de Finanças e Seguros que apresentou um R quadrado e R quadrado corrigido bem abaixo dos outros setores.
Portanto, verificou-se a funcionalidade da utilização de indicadores de desempenho - fundamentalistas, de estrutura de capital, de liquidez, de atividade, de rentabilidade, de mercado e técnicos – para empresas de diferentes países e setores dos três últimos anos para prever o valor de mercado para os próximos dois anos.
Além disso, foram calculados os indicadores fundamentalistas, de estrutura de capital, de liquidez, de atividade, de rentabilidade, de mercado e técnicos para as Sociedades Anônimas. Verificou-se que os indicadores que mais se relacionaram com o valor de mercado futuro das Sociedades Anônimas foram: Mméd54, Rméd31, Mvar52, Rméd30, Lméd24, Lméd23, Rvar39, Rméd35, Fvar3, Evar19. Juntos estes indicadores representam 20,9% de todos os indicadores incluídos nos modelos de regressão sejam eles lineares ou logísticos.
Os principais grupos que se relacionam com o valor de mercado futuro são os de Rentabilidade, Estrutura de capital e Mercado, que juntos representam 75,52% de todos os indicadores utilizados nos modelos de regressão lineares e logísticas.
Quanto a forma de utilização dos indicadores (médias ou variações) esta não mostrou-se relevante, uma vez que as variáveis independentes tanto na forma de média quanto de variação tiveram uma presença igualitária nos modelos de regressão.
Para alguns setores as regressões logísticas apresentaram o problema de não conseguir classificar satisfatoriamente os casos de empresas que desvalorizarão nos próximos dois anos. São estes setores: Agropecuária e Pesca, Alimentos e Bebidas, Eletroeletrônicos, Energia Elétrica, Finanças e Seguros, Máquinas Industriais, Petróleo o Gás, Química, Siderurgia e Metalurgia, Telecomunicações, Têxtil, Veículos e Peças, Outros. Já, para o conjunto de Sociedades Anônimas e para cada um dos setores sem distinção, os modelos de regressão logística conseguiram classificar de maneira satisfatória as empresas que valorizarão nos próximos dois anos.
Na classificação global todos os modelos (para o conjunto de Sociedades Anônimas e por setores) conseguiram distinguir acima de 60% dos casos de valorização e desvalorização, o que pode ser considerado satisfatório. Assim, a utilização de indicadores de desempenho para distinguir globalmente as empresas que valorizarão e desvalorizarão no futuro mostrou-se possível.
Por fim, com relação a elaboração de modelos para o conjunto de Sociedades Anônimas e para cada um dos setores, estes podem ser vistos nas suas respectivas tabelas, no Capítulo 4, tanto para as regressões lineares quanto para as regressões logísticas. Informações adicionais dos modelos podem ser encontradas no Apêndice. As regressões lineares utilizaram-se do método Stepwise o qual permitiu identificar e incorporar aos modelos os indicadores (variáveis independentes que entraram no modelo) mais relevantes na predição do valor de mercado futuro.
Para trabalhos futuros pretende-se explicar o problema apresentado pelos modelos de regressão logística de não conseguirem classificar a satisfatoriamente os casos de empresas que desvalorizarão nos próximos dois anos. Outra possibilidade é verificar a aplicabilidade destes resultados aos demais anos e agrupamento de períodos. Pretende- se também separar as análises por países para verificar e eficiência de cada mercado.