3 REGISTRERINGER
3.2 N ORD -O DAL KOMMUNE
3.2.1 Fjell / Mellomfjell (NO1)
Para uma definição da autoestima, transcrevem-se algumas encontradas nos grandes dicionários e enciclopédias da área. No Dicionário de Psicologia, podemos ler sobre a autoestima: “uma implicação do valor que uma pessoa atribui aos diversos elementos do conceito que ela tem de si mesma (componente avaliativa ou afetiva do autoconceito)” (Doron & Parot, 2001, p. 97).
No APA Concise Dictionary of Psychology (2009): “the degree to which the qualities and characteristics contained in one’s self-concept are perceived to be positive. Seff-image” (Vandenbos, 2009, p. 456). Na Encyclopedic Dictionary of Psychology (1988), lemos:
“A term given to the evaluation an individual makes of, and applies to himself. It can express positive or negative feelings and indicates the extent to which the individual believes himself or herself to be significant, capable and worthy.” (Harré & Lamb, 1988, p. 561).
Segundo Garcia e Musitu (1999), “Os termos autoconceito e auto-estima empregam-se muitas vezes como sinónimos para se referirem ao conhecimento que o ser humano tem de si próprio e que são o resultado da reflexão que o indivíduo faz sobre esse aspecto” (Garcia & Musitu, 1999, citados por Quiles & Espada, 2009).
50 A multiplicidade de termos utilizada nos trabalhos de investigação desenvolvidos no âmbito desta temática do self é assinalada por Veiga (2006) que considera existir uma certa confusão de conceitos nesta área, sendo a mais comum precisamente a existente entre autoconceito e autoestima. Considera o investigador que alguns autores continuam a usar os conceitos indistintamente, não obstante os pioneiros, como James e Colley, os terem diferenciado. Veiga (2006) afirma, ainda, “Mais recentemente, tem sido sublinhada a tendência para um acordo acentuado entre a maioria dos actuais investigadores quanto a considerar a auto-estima como a componente avaliativa do autoconceito” (Veiga, 2006, p.28). O autor chama, ainda, a atenção para o facto de muitas vezes este dois conceitos serem utilizados indistintamente com os conceitos de autoestima e autoimagem (Veiga, 2006).
O termo autoestima é perspetivado na psicologia como a avaliação subjetiva que o indivíduo faz de si, como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003, citados porQuiles & Espada, 2009). Esta contempla tanto as emoções (alegria/tristeza, pertença/exclusão) como as crenças (eu valho muito/não valho nada). Normalmente, ganha expressividade no comportamento: segurança/insegurança; ação/passividade, entre outras. A autoestima, conceito que depreende, então, uma componente avaliativa, é por si só um traço de personalidade que distingue o sujeito, mas pode ser, também, um estudo temporário e, portanto, transitório, caso a pessoa tome consciência do que a motiva a ser menos segura, por exemplo, para passar a agir de forma mais segura.
Segundo William James (1892, citado por Quiles & Espada, 2009), o conhecimento que o indivíduo tem de si próprio pode subdividir-se em duas perspetivas: uma mais descritiva – a autoimagem - e outra de caráter mais valorativo - a autoestima. Burns (1990) considera a autoestima a atitude que temos perante nós mesmos, isto é, a forma como normalmente pensamos, nos sentimos e nos comportamos connosco próprios (Burns, 1990, citado por Quiles & Espada, 2009).
A este conceito costumam associar-se outros dois que lhe servem eventualmente de sinónimos: autoconfiança e autoaceitação. O primeiro termo refere-se à competência pessoal e é definido por Potreck-Rose e Jacob (2006, citados por Quiles & Espada, 2009) como a crença e convicção que o sujeito possui de que tem competência para realizar determinada ação ou coisa, ou seja, trata-se de uma abordagem mais centrada na pessoa que implica uma aceitação profunda de quem se é, com todas as fragilidades e
51 falhas. O segundo termo, autoaceitação, tem uma maior abrangência e pode incluir conceitos relacionados com as qualidades pessoais do indivíduo. De resto, os três conceitos autoestima, autoaceitação e autoconfiança estão intimamente ligados e influenciam-se mutuamente. Rosenberg (1985, citado por Veiga, 1996) vem propor um modelo em que o autoconceito é constituído por quatro áreas: conteúdo, estrutura, dimensões e extensões do eu. Já a autoestima seria vista como a “direção de atitude (baixa ou alta) que a pessoa tem para consigo própria” (Veiga, 1996, p. 27)
A autoestima partilha com o autoconceito a expressão do conceito que o indivíduo tem de si próprio, mas fá-lo mais de acordo com qualidades subjetivas e passíveis de serem avaliadas como positivas ou negativas, dependendo das experiências de vida. A autoestima surge como a conclusão de um processo avaliativo, onde o indivíduo se subvaloriza ou sobrevaloriza, de acordo com os resultados das experiências vivenciadas (Musitu & Garci, 1988, citados por Quiles & Espada, 2009).
A autoestima avalia, portanto, o valor que o indivíduo estabelece de si mesmo, tendo por base todos os pensamentos que se vão construindo acerca de si mesmo ao longo da vida e contém três componentes: cognitiva (opinião que se tem da sua personalidade e conduta), afetiva (valorização do que o indivíduo estabelece de si como positiva e negativa) e comportamental (ação intencional, no sentido de ganhar o respeito e apreço dos outros) (Quiles & Espada, 2009).
Bonet (1997) perspetiva o conceito de autoestima numa visão multidimensional que abarca outros tantos conceitos que lhe estão associados: apreço, aceitação, afeto, atenção, autoconsciência, abertura e afirmação, sendo que a pessoa que se autoestima evidencia estas características em maior ou menor grau (Bonet, 1997, citado por Quiles & Espada, 2009).
Apesar dos dois termos serem, por vezes, utilizados de forma indiscriminada, Vandenbo (2009), distingue autoconceito de autoestima na medida em que conduzem as avaliações do self distintas. Desta forma, o autor define self como “the totalily of the individual, consisting of all characteristics attributes, conscious and unconscious, mental and physical” (Vandenbo, 2009, p 456), ou seja, a identidade baseada nos valores pessoais, nas atitudes e intenções.Assim, o autoconceito contém uma componente que é essencialmente cognitiva e contextualizada da avaliação que o indivíduo faz de si mesmo - diferentes contextos em que age e nas diferentes tarefas que desempenha (multidimensional), enquanto a autoestima remete para uma autoavaliação mais
52 descontextualizada, imbuindo-se de uma componente afetiva – avaliação genérica das qualidades pessoais (unidimensional).
James, citado por Rogers (1982) apresentou uma fórmula para a autoestima, segundo a qual esta corresponde ao êxito do sujeito dividido pelas suas aspirações, na medida em que o seu foco de atenção incide prioritariamente sobre as competências às quais atribui maior importância e se criam expetativas de sucesso. Um alto nível de autoestima dependerá, nesta perspetiva, de uma autoperceção positiva relativamente ao grau de competência nas áreas em que pretende e acredita ser bem sucedido. A situação inversa conduzirá inevitavelmente à denúncia de um baixo nível de autoestima, já que, se o êxito for inferior às aspirações, a autoestima terá um valor negativo.
A correlação entre a competência em domínios de importância e a autoestima nem sempre é significativa, já que só é mais forte em sujeitos que percecionam em si poucos talentos (Pelham, 1995). O modelo de James parece, pois, melhor operacionalizar-se nas situações de perceções de baixa competência e baixa autoestima cujos sujeitos recorrem mais a estratégias de proteção da mesma do que os sujeitos que denunciam autoconceitos mais elevados (Pelham, 1995).
Com efeito, segundo Tice (1993), o tipo de preocupações demonstradas por uns e por outros difere, pois os sujeitos com alta autoestima investem na sua valorização pessoal, ao passo que os com baixa autoestima preocupam-se com a sua proteção, sem, porém, deixarem de sentir desejo de alcançar o sucesso. Todavia, cognitivamente, as perspetivas de fracasso não se dissipam. Ainda segundo Rogers (1982), uma autoestima baixa poderia ser alterada tanto pela obtenção de um maior êxito como pela reestruturação das aspirações, considerando o autor que este aspeto poderá ter implicações em termos educativos.
Burns (1979) tece algumas críticas à teoria de James, mas considera, todavia, a sua formulação bastante rica relativamente ao «ME», antecipando o que viriam a ser conceções futuras, dado que integra aspetos como sentimentos, avaliações e atitudes bem como aspetos descritivos. Por seu lado, Harter (1993) destacou a importância que o desenvolvimento de uma atitude positiva tem para a construção da autoestima do adolescente, por parte dos que lhe são mais próximos.
Concluída a apresentação limitada (dada a sua amplitude) dos dois conceitos fulcrais desta dissertação, passa-se, de seguida, para o terceiro capítulo, no qual se refere a metodologia utilizada nesta investigação.
53 Capítulo III – Metodologia
Ao longo deste capítulo, são apresentadas e justificadas as opções metodológicas utilizadas no estudo, onde se inclui a caracterização da escola onde foram aplicados os questionários, os sujeitos da amostra, os instrumentos utilizados, bem como os procedimentos e as variáveis de estudo.