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Na Póvoa de Varzim, terra desde sempre ligada à atividade piscatória, destaca-se a originalidade e beleza das Camisolas Poveiras, peça emblemática do traje tradicional do pescador. São tricotadas em lã branca e bordadas à mão, a ponto de cruz, com motivos predominantemente marítimos. A beleza e a originalidade desta peça de tão significativo valor etnográfico tem seduzido nacionais e estrangeiros, para além de servir de inspiração a criadores ligados ao mundo da moda. No contexto da produção artesanal do concelho, destacam-se também os tapetes de Beiriz, peças reconhecidas pelo seu requinte e exclusividade, verdadeiras obras-primas que as mulheres elaboram em rústicos e robustos teares de madeira com fiadas de lã, os tapetes de trapo, feitos em teares de madeira, que utilizam como matéria-prima tecidos cortados em tiras (trapos), que se combinam para a obtenção de peças coloridas, o pormenor dos trabalhos em linho, atividade desde sempre ligada às gentes do campo e que hoje está praticamente confinada à freguesia de S. Pedro de Rates, perdendo-se no tempo a origem do tear e da tecelagem desta fibra natural, a ourivesaria e prataria uma arte que continua a ser o resultado da destreza manual dos artífices poveiros. Estas são as mais conhecidas manifestações do artesanato local, que foram acompanhando a evolução dos tempos e o surgimento de novas tendências e produtos globalmente designados de “artesanato urbano”.

Com origens que remontam ao século XIX, a camisola poveira é um elemento integrante do traje de romaria e festa do pescador poveiro. Sobre a malha de lã branca são bordados a ponto cruz com motivos em preto e vermelho vários motivos relacionados com a vida dos pescadores, como barcos, âncoras, peixes, conchas, estrelas, ou remos cruzados, escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; grinaldas; apetrechos marítimos; etc), as camisolas poveiras foram, inicialmente bordadas por homens - os velhos «Lobos-do-mar» retirados da faina, que esculpiam na lã toda a simbologia da sua vida.

Esta peça era elemento integrante do traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quarteirão do séc. XIX. Este traje branco de branqueta (tecido manual) foi o que mais perdurou, mantendo-se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades do país.

De grande prestígio internacional, ocupando lugar de relevo na indústria artística, os Tapetes de Beiriz foram justamente premiados nas melhores exposições, em Portugal e no estrangeiro porque possuem uma característica que os torna únicos: o seu desenho pode ser visto do avesso, apresentando perfeição e execução nos acabamentos. São tapetes de lãs cortadas, manufaturados em teares de madeira, extremamente rústicos, trabalhadas nos pontos que os tornaram celebres (o ponto de Beiriz, o ponto estrela e o ponto zagal) e apresentam desenhos originais com flores como tema predominante e uma exuberante variedade decorativa. A Fábrica dos Tapetes de Beiriz fecharia em 1974, devido aos problemas laborais da época, reabrindo em 1988, com nova administração e novas técnicas de fabrico; evitou-se, assim, o desaparecimento de uma das mais características manifestações artesanais da Póvoa e do país.

De grande variedade cromática, para que muito contribuiu a técnica dos "puxados", os artefactos de trapo (mantas, tapetes, passadeiras, utilidades diversas) são confecionadas em teares de madeira. É a mais modesta expressão da tecelagem. As mantas e os tapetes de trapo são feitos com trapos cortados em finas tiras que se unem por nós ou alinhavos. As peças são tecidas em teares manuais tradicionais e podem ser lisas ou com "puxados". A arte da combinação das cores contribui para a valorização da peça.

Atividade de profundas tradições locais, tanto na sede do concelho como nas freguesias de Beiriz e Terroso, onde várias famílias de "prateiros" trabalham para as melhores ourivesarias do país. O trabalho artesanal em prata e ouro é, hoje, privilégio das casas de tradição do setor, não existindo, portanto, em muitas das ourivesarias da cidade. Os trabalhos em ouro e prata merecem, por isso, ser admirados nas montras, recompensando todos aqueles que os adquirem e usam.

Dos pescadores que, retirados da faina, ocupam o tempo exercitando a memória na reprodução miniatural de embarcações com que venceram o mar e ganharam o magro pão de cada dia. A Lancha Poveira, o Sardinheiro, o Salva-Vidas, o Rasqueiro, a Catraia e a Caravela são algumas das embarcações que, entre dois olhares para o horizonte azul do mar, as mãos cansadas dos velhos pescadores confecionam.

Nesta terra com tão fortes ligações ao mar é natural o aparecimento deste tipo de artesanato, reminiscência dos pacientes e engenhosos trabalhos a que os pescadores se

dedicavam nas suas horas de ócio, como as construções dentro de garrafas. Atualmente é uma expressão do artesanato dito "urbano" sendo relativamente fácil encontrá-lo em algumas lojas da cidade. É característico, na Região de Entre Douro e Minho, usar-se calçado de madeira que é designado por tamancos e socos. Para o sexo feminino encontramos dois tipos de socos: a soca curta e a soca inteira. Para os homens existem 3 tipos: o soco poveiro (é assim chamado por ter como origem a Póvoa de Varzim), o soco rebelo e a chanca rebela (com um pequeno cano e fechando à frente).

A importante e ancestral arte piscatória na enseada da Póvoa suscitou o fabrico local dos artefactos necessários. É o caso das redes e das cordas. A produção manual destas últimas é só uma recordação e a das redes também não resistiu à invasão da produção industrial em nylon. Atualmente a atividade artesanal limita-se, quase exclusivamente, à reparação das redes danificadas na faina. Como artesanato certificado, conta com as Camisolas Poveiras.

Eventos ligados ao artesanato

- Mostra concelhia de artesanato (CMPV e Diana Bar) em julho e agosto; - Mostra de artesanato urbano – (Filantrópica) em agosto;

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