A grade curricular do Telecurso durante sua primeira fase foi formada por disciplinas da área de Ciências Humanas: História; Geografia; Língua Portuguesa e Literatura. A justificativa dos organizadores por essa composição era a de que essas quatro disciplinas iniciais cumpriam funções específicas dentro do programa. De acordo com esse raciocínio, Língua Portuguesa e Literatura teriam a função de consolidar uma base para a comunicação, abrindo o caminho para tantas outras teleaulas que viriam pela frente. História e Geografia consistiam em disciplinas interligadas, mas o principal motivo pela escolha de ambas era o
316 GUZIK, Alberto (org.) Naum Alves de Souza. Imagem, Cena, Palavra. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009. p.
fato de sua produção ser considerada mais fácil. 317 Assim, no que diz respeito aos termos técnicos iniciar o Telecurso por essas disciplinas se configuraria como uma forma de escapar – ao menos temporariamente – de um possível constrangimento, em uma mal sucedida aventura televisiva pelas ciências exatas e biológicas. Todavia, a escolha de tais disciplinas também continha seus desafios e implicações. Afinal, o programa teria de tratar logo no início de sua exibição de assuntos delicados para o regime militar. Como explicar, por exemplo, a importância do ensino de História, em um país onde uma década antes os cursos universitários em que se formavam estudiosos da área foram esvaziados e em seu lugar criaram-se licenciaturas curtas? Ou como explicar os problemas sociais em futuras teleaulas de Geografia. O fato é que os responsáveis pelo Telecurso, Roberto Marinho e Antonio Soares Amora, além dos outros agentes envolvidos sempre que podiam afirmavam que o programa seguiria as diretrizes apontadas pelo MEC para o ensino supletivo. Tema que se tornou até título de matéria do jornal O Globo alguns dias após a inauguração do programa:
Telecurso atenderá à reforma do ensino. 318
As aulas de História do Telecurso eram apresentadas por Gianfrancesco Guarnieri. O ator chegou ao programa com 43 anos de idade e uma carreira artística iniciada na década de 1950, no teatro. A partir do final dos anos 1960 estreou nas telenovelas, tendo participado de mais de 14 delas até 1978. Com papéis como o de Tonho da Lua em Mulheres de Areia (1973), escrita por Ivani Ribeiro, e veiculada pela TV Tupi, Guarnieri foi tornando-se popular.
As aulas tinham um formato muito simples, quando comparamos com as outras disciplinas da primeira fase. Privilegiando a exposição dos conteúdos, centrado na figura única do apresentador, que ora era visto no estúdio, ora fazia narração em off, enquanto imagens apareciam no vídeo. Geralmente, essas inserções de audiovisuais serviam como mera ilustração, o que denota uma dificuldade inicial em utilizar as imagens para o ensino de História. Situação que não deveria ser muito diferente nos estabelecimentos escolares oficiais, afinal as diretrizes educacionais estabelecidas pelo regime militar “em relação ao ensino de História não somente reforçaram as características já presentes neste ensino desde, pelo menos, o início do século XIX, como ajudaram a consolidar concepções tradicionais acerca do conhecimento histórico.” 319
317 Apud RONCA, Antonio Carlos Caruso. op. cit. p. 84.
318 O Globo. Telecurso atenderá à reforma do ensino. Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1978.
319 FONSECA, Thais Nivia de Lima. O ensino de História do Brasil: concepções e apropriações do
conhecimento histórico (1971-1980). In: CERRI, Luis Fernando (org.). O Ensino de História e a Ditadura Militar. Curitiba: Aos Quatro Ventos, 2005. p. 51.
No cenário, Guarnieri dividia espaço com objetos relacionados aos temas discutidos durante as aulas, como pode ser observado na fotografia abaixo.
Imagem 4 - Gianfrancesco Guarnieri apresentando teleaula de História.
Fonte: http://www.memoriaoral.com.br/album/?album_id=4
Ainda que como um recurso meramente ilustrativo, a inserção do material audiovisual utilizado durante as teleaulas de História era fruto direto dos avanços tecnológicos alcançados pela televisão no decorrer das décadas anteriores, o surgimento do VT, como vimos no primeiro capítulo, trouxe ao meio a possibilidade de transportar, editar e arquivar imagens – ainda que muitas vezes as emissoras optassem por reutilizar o material tendo em vista os altos custos. O fato do Telecurso ter sido produzido a cores também o diferenciava dos seus antecessores.
Esses excertos relativos ao cinema, à música, à literatura e aos esportes compunham um repertório audiovisual com qualidade suficiente para colaborar na apresentação dos conteúdos da disciplina. Na exibição da primeira aula, por exemplo, que tinha como tema
Introdução ao Estudo da História, fragmentos audiovisuais como os do filme Tempos Modernos, do músico Jhony Alf, e até mesmo do gol de Pelé pela seleção brasileira na final
da Copa do Mundo de 1970, foram utilizados para ilustrar as explicações de Guarnieri a respeito do que seria um fato histórico. Apesar da boa qualidade desse material, nota-se que sua utilização se dava, majoritariamente, de modo ilustrativo, ou seja, quando Guarnieri falava sobre o nazismo, surgiam no vídeo imagens do líder nazista Adolf Hitler, sem um trabalho de análise maior por parte do roteiro da teleaula sobre o que estava sendo exibido em termos imagéticos.
Outro recurso técnico utilizado durante as teleaulas era a inserção no vídeo de legendas em caracteres, para destacar frases lidas pelo apresentador. Em uma das aulas, surge, na tela escura, em caracteres brancos, a frase: “um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la.” A célebre sentença do pensador George Santayanna é exemplar em como o conteúdo das aulas de História poderia abrir espaço para se refletir sobre a situação presente, o que significava naquele momento no Brasil tratar do processo da abertura política e o desgaste do regime militar. Porém, a frase foi dita em um momento da aula em que não se tratava do Brasil. Pelo contrário, logo após a citação da frase, apareciam imagens da longínqua civilização egípcia.
Observando as capas dos livros de História e Geografia do Telecurso é possível fazer algumas considerações. Na capa de História observa-se duas imagens. Ao fundo a reprodução da gravura de 1835 do pintor e viajante alemão Rugendas na qual retrata o trabalho em um engenho de açúcar no século XIX. A segunda imagem, sobreposta a primeira é a de um trabalhador da siderurgia. O que denota a ênfase na figura do operário representante da indústria de base, pela qual o desenvolvimento nacional estava umbilicalmente ligado, e se configurava para aluno/telespectador a tão esperada ascensão profissional. Na composição com a imagem de fundo revela-se a contraposição entre o passado escravista e o presente industrial, o antigo e o moderno.
Na capa de Geografia observamos a imagem do mapa Nova et Accurata Brasiliae
Totius Tabula, do holandês Jan Blaeu, de 1640, onde é possível localizar o Brasil. Em
consonância com a imagem à referência ao elemento estritamente físico da disciplina, ressaltado pelo tom verde da capa, parecia mais conveniente aos produtores naquele período de ditadura, evitando, assim, a tendência crescente da disciplina de destacar aspectos mais críticos. E a imagem fazendo referência ao mapa do país reforça um vasto repertório de imagens veiculadas no decorrer de toda a década de 1970 com a idéia do “Brasil Potência”.
Fonte: HISTÓRIA CURSO COMPLETO. Telecurso 2º Grau. Fundação Roberto Marinho em convênio com a
Fundação Padre Anchieta. São Paulo: Rio Gráfica, Educação e Cultura, 1982; GEOGRAFIA EM 2 VOLUMES.
Telecurso 2º Grau. Fundação Roberto Marinho em convênio com a Fundação Padre Anchieta. São Paulo: Rio
Gráfica, Educação e Cultura, 1981.
A disciplina de Geografia também era parte integrante da primeira fase do Telecurso. As teleaulas eram apresentadas pela atriz Ariclê Perez, de 34 anos. Oriunda do teatro, e com uma passagem pelo cinema em Paixão na Praia (1971), a atriz ainda iniciava sua carreira na televisão. Sua estreia tinha sido pouco tempo antes na novela Canção para Isabel (1976), da TV Tupi.
Apesar de ser a única apresentadora do curso, Ariclê Perez não realizava um papel com a mesma centralidade de Guarnieri. Isso porque o curso de Geografia apresentava uma dinâmica distinta em relação ao programa de História, no que concerne à forma de difusão de seus conteúdos. Nesse sentido, cabia a Ariclê apenas apresentar alguns conceitos que seriam desenvolvidos por outros tipos de emissores, ora por um narrador em off, ou em depoimentos de especialistas, debates ou reportagens.
Na teleaula de número dois, que explorou o tema O Brasil e o seu lugar no mundo, o artifício central escolhido para a explanação dos conteúdos era um grupo de jovens universitários estudantes de Geografia que discutiam o tema da teleaula.
O recurso do debate era interessante, pois imprimiu ritmo distinto à narrativa, já que os participantes explanavam suas impressões acerca do tema sem uma sequência aparentemente tão orquestrada, como seria no caso da fala exclusiva de um apresentador/professor. Mais uma vez os recursos técnicos próprios da televisão entravam em cena, o expediente da edição possibilitava o recorte e os ajustes das falas dos estudantes de acordo com o espaço de tempo
previsto para o programa, tratando de fazer os encadeamentos das ideias apresentadas no debate.
Para ilustrar as informações discutidas pelos universitários, entre cada um dos trechos do debate surgiam no vídeo imagens sempre seguidas de uma narração em off que complementava a explicação. Em um dos momentos dessa edição surgem no vídeo cenas que parecem ser do início do século XX retratando o trabalho dos imigrantes no Brasil.
Aproximando-se do final da teleaula surge na tela em uma tomada externa de quase três minutos um repórter questionando populares, notadamente migrantes, sobre os motivos de sua vinda para São Paulo. No total foram seis entrevistas. Em um plano cruzado, onde apareciam na dimensão do vídeo apenas o entrevistado e o microfone do repórter. A entrevista se constituía como um expediente importante, pois contribuía com explicações mais claras, vindas, geralmente, de pessoas simples, com realidades mais próximas dos possíveis alunos/telespectadores. No caso específico dessa teleaula o repórter, curiosamente, acabou cometendo um erro geográfico, perguntando para o entrevistado “o motivo de sua vinda para o Sul”, sendo que São Paulo localizava-se, já naquela época na região Sudeste. Mas, possivelmente isso não era um erro, mas sim recurso de linguagem utilizado pelo repórter para aproximá-lo de seus entrevistados e da audiência que comumente referem-se a São Paulo com Sul e aos migrantes que vem para o estado como vindos do Norte.
As inovações mais interessantes em relação ao modo de utilização da televisão para ensinar conteúdos na primeira fase do Telecurso 2º Grau ficaram por conta das aulas de Língua Portuguesa e Literatura. Já na forma de condução do programa havia diferenças. Eram utilizados dois apresentadores, que se revezavam na explicação dos conceitos. Eram eles: o ator Kito Junqueira e a atriz Cléo Ventura. Junqueira iniciou sua carreira na televisão, atuando pela TV Tupi, no início da década de 1970; chegou ao elenco da Globo para atuar na telenovela O Espelho Mágico (1977) e, no mesmo ano do início do Telecurso, participou de outra trama da emissora de Roberto Marinho – Te Contei?. Cléo Ventura também era uma jovem atriz. Passou pela TV Record, no início dos anos de 1970, atuando em algumas telenovelas da emissora.
A jovem dupla tinha o papel de transmitir os conteúdos, aproximando-se daquilo que era realizado por Guarnieri nas aulas de História. Contudo, a principal diferença era que os dois, além de dividirem o conteúdo, podiam contar com diversos recursos, como dramatizações, músicas, depoimentos, para exemplificar os conceitos abordados na aula.
Destaque para a atuação do jovem ator Ney Sant’Anna, de 24 anos. Filho do cineasta Nelson Pereira dos Santos, havia começado no cinema aos 16 anos, na TV estreou na
telenovela Cinderela 77 (1977), da TV Tupi, no papel de Pefinho. No Telecurso interpretava um jovem que acompanhava as teleaulas tecendo observações, indagações, e afirmações que eram utilizadas como forma de reforçar um determinado conteúdo ou como ganchos para os apresentadores. A boa atuação no Telecurso, provavelmente lhe valeu um papel na primeira novela de Silvio de Abreu pela Rede Globo, Pecado Rasgado (1978), onde fez o papel de Rodrigo. Para além das dramatizações de Ney, as edições das teleaulas ainda contavam com algumas cenas isoladas para exemplificar o conteúdo, além de depoimentos de pessoas com conhecimento sobre a matéria veiculada.
A teleaula número 13 de Língua Portuguesa, dedicada ao estudo de verbos, inicia-se com a fala dos dois apresentadores – ambos com roupas em tom azul –, que introduziam a temática. Na sequência, aparece Ney Sant’Anna dizendo que já sabia tudo sobre os verbos e, citando algumas das características básicas sobre o assunto gramatical. Ao voltar para o estúdio, um pequeno erro de continuidade: a apresentadora Cléo Ventura, aparece com uma blusa verde. Talvez a produção tenha notado que os dois apresentadores estavam muito parecidos vestidos de azul.
Para explicar os tempos verbais, os apresentadores utilizaram imagens com cantoras brasileiras, entre elas Gal Costa, Maria Bethânia e Fafá de Belém. A metodologia funcionava da seguinte forma: o trecho da interpretação da música ia ao ar; em seguida, os apresentadores faziam os apontamentos do tempo verbal; o trecho no qual a cantora pronunciava o verbo surgia novamente na tela e, nesse momento, a imagem era congelada e, em caracteres brancos, a designação do tempo verbal utilizado aparecia. Por exemplo: pretérito perfeito. Na sequência, o apresentador explicava o que era o pretérito perfeito, e essa mesma dinâmica era repetida com outros tempos verbais. Essa técnica se transformou em um importante artifício para outras produções educativas posteriores. O programa Nossa Língua Portuguesa (1994), por exemplo, veiculado pela TV Cultura e apresentado pelo professor Pasquale Cipro Neto utilizou a mesma técnica, com as devidas adaptações, para ensinar a correção gramatical a partir de letras de músicas, filmes e desenhos.
Por volta da metade da aula, passados cerca de sete minutos, eram exibidas algumas dramatizações que exemplificavam os tempos verbais restantes. Essas encenações tinham uma presença muito marcante do humor. Uma delas tratava do imperativo negativo. A cena se passa em um escritório, onde estão dois homens e uma mulher. Após a secretária não atender a um pedido de um dos homens, que aparentava ser seu patrão, este começa uma conversa com o outro, que diz que para que seu pedido fosse atendido, ele precisaria usar o imperativo. O homem, em dúvidas do que isso significava, começou a ouvir atentamente a explicação do
amigo. Passado algum tempo, ele diz ter aprendido o significado do imperativo, e, ao refazer o seu pedido para a secretária, dá um enorme grito, utilizando corretamente o tempo verbal. A secretária, assustada cai da cadeira, e, ainda no chão, entrega os papéis desejados. O produtor Silvio de Abreu, em entrevista posterior, confirma que esse lado humorístico era uma distinção das aulas produzidas por ele: “Pude exercer a veia da comédia, porque fazia as aulas como se fossem esquetes humorísticos.” Essas dramatizações eram realizadas por Consuelo Leandro, Cristina Pereira, Marivalda, Sérgio Roberto, Myriam Lins, Neusa Maria Faro, atores de comédia, com atuação, sobretudo, em São Paulo. 320 Essa dinâmica prossegue até o final da aula, com dramatizações para exemplificar os tempos verbais, e o apresentador com a função de explicar o conteúdo. Ney Sant’Anna continua fazendo o papel do aluno, inquieto e curioso, que contesta o conteúdo, mas, ao final, se mostra satisfeito com o novo aprendizado. Essa característica é perceptível também na disciplina de Literatura.
Imagem 6 – Ney Sant’Anna em teleaula do Telecurso.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=527174
Na abertura da teleaula de Literatura Brasileira de número 25, surgem imagens que o aluno/telespectador estava familiarizado, cenas de Selva de Pedra (1973), Espelho Mágico (1977), Saramandaia (1976), Te Contei? (1978) e Mulheres de Areia (1973) se alternaram antes do início do programa. Ao final dessa introdução de quase 2 minutos, tempo acima dos 40 segundos comumente utilizados, surge em caracteres na cor laranja, o título da teleaula A
telenovela brasileira. A câmera focaliza Ney Sant’Anna, que está no seu quarto, sentado no
chão e assistindo a abertura da aula em um pequeno aparelho televisor. Quando repentinamente, o jovem se levanta, olha para câmera e indaga: “Ah não, essa é demais. Já me convenceram que teatro é literatura, já me fizeram gostar de poesia, já me fizeram até gostar
de ler um pouco, mas me dizer que novela de televisão é literatura, ah não, essa é demais”, e revoltado deixa seu quarto.
A apresentadora Cléo Ventura surge no vídeo, em plano médio, 321 e explica o que é a telenovela. Após a sua explicação, um breve trecho de uma cena de telenovela é apresentado. Ney volta à cena um pouco mais calmo e concorda com Cléo: “tá certo, tem um texto, mas eu não sei se é literatura não! Afinal de contas só dizem besteiras nessas novelas, e eu não gosto... muito.” No momento das últimas palavras da sua fala o ator volta sua atenção ao televisor, fixando o olhar no aparelho, e a cena é completada apenas com a parte sonora do trecho da telenovela que ele se põe a assistir, denotando o despertar de certo interesse de Ney por aquele gênero de programa televisivo.
Em plano americano, 322 a veterana atriz Laura Cardoso aparece no estúdio para explicar a origem da telenovela, remontado aos folhetins do século XIX. De seu quarto, Ney dialoga com a fala da atriz: “Folhetim eu sei o que é, eram aquelas histórias compridas que saíam nos jornais em capítulos” – em close-up, se surpreende com seu raciocínio, completando sua fala – “como as novelas.”
A teleaula prossegue com essa dinâmica. Os apresentadores aprofundam os detalhes sobre o gênero; falam da autora cubana Glória Magadan, enquanto, na tela, trechos de outras telenovelas vão surgindo, a exemplo de Carinhoso (1973), a primeira novela de Lauro César Muniz na TV Globo e Beto Rockfeller (1968-1969), escrita por Bráulio Pedroso e transmitida pela TV Tupi. Após Cléo Ventura apresentar o enredo da trama, aparece na tela, o também veterano ator Lima Duarte, para dar seu depoimento sobre a telenovela. O ator da Rede Globo procurou explicar o momento sócio-histórico de transformação que o gênero havia experimentado com a produção de Beto Rockfeller:
Isso foi por volta de 1967, 68 quer dizer, havia toda a indústria automobilística começava a empregar muita gente, começava a surgir um novo tipo de homem, que era operário especializado. Esse pessoal do ABC. Então começava a surgir. O Brasil já tinha sido bi campeão mundial de futebol, começava a surgir um novo tipo de homem uma nova pessoa brasileira que vinha na crista da onda da industrialização já naquela época bem emergente mesmo. Então, eu não sei se foi porque a gente fez porque determinou ou porque toda um conjuntura sócio-econômica as pessoas mesmo passaram a exigir da televisão uma conversa mais téte-à-téte, uma conversa mais íntima, foi então que a gente decidiu por fazer uma novela chamada Beto Rockfeller.
321 No plano médio a pessoa é enquadrada, geralmente, da cintura para cima e divide a dimensão do vídeo com
os outros elementos cenográficos. Cf. BONASIO, Valter. Televisão: manual de produção & direção. Belo Horizonte: Editora Leitura, 2002. p. 251
O depoimento de Lima Duarte é mais um sintoma de que o audiovisual do Telecurso tinha suas brechas de oposição ao regime militar. A escolha dele em si para dar seu depoimento na teleaula já revelava esse caráter. O ator conseguiu muita popularidade interpretando o Zeca Diabo na telenovela O Bem Amado (1973), de Dias Gomes. E no ano de 1977, Lima estrelou o Carijó em Espelho Mágico. Escrita por Lauro César Muniz, a trama abordou o cotidiano de profissionais ligados à televisão, atores, diretores, autores. Todos