3. Literature review
3.1 Fitness industry
Os resultados observados nos municípios do litoral norte da Paraíba refletem em uma baixa salubridade para todos os municípios, tornando alarmante o estado da região, sendo Rio Tinto o único município que se aproxima de uma realidade de maior qualidade ambiental.
Apesar do saneamento básico ser um grande problema em toda a região, a balneabilidade das praias não são atingidas de forma negativa em quatro dos municípios, sendo Lucena o único dentre eles com reais problemas, onde é perceptível que a não urbanização das praias, e de preferência, acompanhado de áreas florestadas, são reais indicadores de que quanto menos urbanizado for a faixa de praias de um local, menor são as chances das mesmas terem problemas em relação à balneabilidade. Para comprovar, observa- se que a praia de Bonsucesso, apesar de conter menos semanas excelentes que a praia de Ponta de Lucena (Figura 27), não apresentou em nenhuma das 181 semanas estudadas sequer
87 um resultado de praia imprópria para banho, desempenhando o melhor aproveitamento dentre todas as praias estudadas em Lucena.
Ao comparar tal resultado ao do Indicador de Praias Não Urbanizadas, percebe-se que o perímetro de praias não urbanizadas de Lucena está localizado exatamente na faixa correspondente à praia de Bonsucesso, de onde pode-se afirmar que a não urbanização da área de tal praia reflete em melhores condições de salubridade, desencadeando em uma melhor balneabilidade da mesma. Além da não urbanização, a distância em relação às áreas mais urbanizadas também indica que há um poder de diluição dos poluentes antes de chegar à praia de Bonsucesso.
Dentre os indicadores analisados, o que obteve resultado mais negativo foi o de áreas florestadas (Tabela 17), acompanhando uma realidade existente em praticamente toda a costa litorânea do Brasil, onde a vegetação de Mata Atlântica continua a diminuir devido a urbanização. Esse resultado pode indicar um carreamento ainda maior de poluentes em direção ao mar e outros corpos hídricos, haja vista que a inexistência de vegetação pode acarretar em uma diminuição do seu papel de “filtro” natural. Neste quesito, Lucena também se apresenta com o resultado mais negativo (Tabela 16), o que também evidencia o problema da balneabilidade de suas praias.
Na Tabela 16 são demonstrados os resultados de todos os indicadores analisados neste trabalho as quais resultam em valores numéricos, sendo atribuídas as colorações equivalentes e já demonstradas na metodologia apresentada. O município de Lucena é claramente o município que possui o estado mais alarmante dentre todos os estudados, ao mesmo tempo em que apresenta o maior deslocamento de turistas, o que não é de forma alguma um dado positivo.
Tabela 16: Resultados dos indicadores analisados nas praias do litoral norte Municípios
Indicador de Salubridade Ambiental
Indicador de Praias
Não Urbanizadas Indicador de Áreas Florestadas
Lucena 37,27 19,52 13,38
Rio Tinto 47,72 90,92 29,69
Marcação 33,38 50,90 29,4
Baía da Traição 41,51 46,02 52,87
Mataraca 40,61 59,38 20,03
Em relação às praias não urbanizadas, observa-se que mais da metade das praias da região estão livres da presença da urbanização, resultando em praias balneáveis em quase todo
88 o perímetro do litoral, sendo um resultado bastante positivo para a realidade turística, já que se o saneamento for melhorado, e aliado ao grande potencial paisagístico, a região possui um potencial turístico inquestionável, talvez superior ao registrado no litoral sul do estado, bem mais desenvolvido.
Na Tabela 17 têm-se os resultados gerais para a área estudada, demonstrando que os municípios pertencentes ao litoral norte do estado da Paraíba ainda não estão preparados para receber um maior número de turistas, principalmente quando se trata da salubridade da região, demonstrando grandes problemas principalmente em relação à coleta de esgotos, indicador com o pior resultado dentre os sete analisados. As cores presentes nas tabelas enquadram-se nos resultados de acordo com o demonstrado no capítulo três.
Tabela 17: Resultado Geral dos Indicadores analisados: ISA, IPNU, IAF
Dentre os indicadores analisados, o que obteve resultado mais negativo foi o de áreas florestadas, onde menos de 30% da região apresenta áreas florestadas, acompanhando uma realidade existente em praticamente toda a costa litorânea do Brasil, onde a vegetação de Mata Atlântica continua a diminuir devido a urbanização.
Com os dados da balneabilidade, fica evidente que o acréscimo de turistas na época de verão e carnaval não apresentam um risco maior para os banhistas, já que quando cruzados, os dados de balneabilidade no período de carnaval não resultou em resultados que se possa comprovar uma piora real durante todos os anos analisados. O maior problema é, então, realmente em relação às chuvas, que nessa região é constante durante todo o ano, o que resulta em semanas impróprias para banho durante todo o ano, devido principalmente à falta de esgotamento sanitário. Assim, comprova-se a baixa salubridade do sistema de drenagem, havendo a real e urgente necessidade de controlar-se o foco de poluição doméstica.
Neste sentido, um exemplo de iniciativa bem sucedida a nível internacional, com respeito à balneabilidade das praias, é o Programa Bandeira Azul, iniciativa da FEE (Foundation for Environmental Education – Fundação para Educação Ambiental), que conta hoje com apoio de diversas instituições internacionais (no Brasil é operado pelo Instituto
Indicador de Salubridade Ambiental Indicador de Praias Não Urbanizadas Indicador de Áreas Florestadas Média dos Municípios
do Litoral Norte da Paraíba
40,09 51,91 29,23
89 Ambientes em Rede, com sede em Florianópolis/SC). Tal programa tem como objetivo elevar o grau de conscientização dos cidadãos e dos tomadores de decisão para a necessidade de se proteger o ambiente marinho e costeiro (FEE, 2010).
Este é um exemplo de um programa que baseia-se em princípios de sistema de gestão ambiental para certificar a qualidade de praias (ao cumprir uma série de critérios pré- estabelecidos, a praia que participa do Programa solicita a certificação internacional: a Bandeira Azul). Tal iniciativa poderia ser bem empregada nas praias paraibanas, já que visar a adequação aos critérios d’a Bandeira Azul seria um importante passo para resolução dos problemas encontrados nos municípios estudados.
Nessa prerrogativa, um dos modos de combater-se o problema referente ao esgotamento sanitário é a utilização de fossas ecológicas, onde ressalta-se a viabilidade técnica e financeira desta alternativa, bem como a facilidade operacional do sistema como um todo. A utilização de sistemas plantados para tratamento de esgotos já é comum em diversas partes do mundo (LARSSON et al., 2003), e, no Brasil, Galbiati (2009) e Paes (2014) comprovaram a eficácia da técnica do Tanque de Evapotranspiração em suas respectivas dissertações de mestrado, este ultimo, inclusive, testando a tecnologia em regiões do litoral paraibano.
90 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerado como um desafio, a temática do desenvolvimento sustentável tem despertado o interesse de vários pesquisadores em estudar este tema. Tido como uma alternativa plausível para que a sociedade atual satisfaça suas necessidades sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras, torna-se necessário que as atividades desenvolvidas em uma dada região possam atender aos princípios primordiais da sustentabilidade, isto é, manter o equilíbrio entre as dimensões ambiental, social, e econômica, além do engajamento dos diversos atores sociais para planejamento e execução de ações que possam contribuir para tal alcance.
Dentre estas atividades, no litoral norte da Paraíba, pode-se destacar o turismo, que tornou-se um tema de destaque nos debates atuais sobre desenvolvimento sustentável, visto que é uma atividade que pode impactar tanto positivamente como negativamente uma dada localidade (SANTOS; CÂNDIDO, 2014).
Avaliando a perspectiva da sustentabilidade, o alcance do turismo sustentável pode tornar-se possível a partir da interação e complementaridade de distintos atores sociais, como o setor público, as empresas privadas e a sociedade civil, cada um destes cumprindo suas responsabilidades e seus deveres específicos dentro de uma visão de gestão ambiental adequada à realidade da região.
O uso do Indicador de Salubridade Ambiental junto a outros indicadores mostrou-se importante para uma análise mais adequada dos municípios do litoral norte da Paraíba, principalmente no que tange à atividade turística, que nessa região é mais procurada pelo turismo de sol e mar. Assim, com os dados de balneabilidade das praias e do Indicador de Praias Não Urbanização das mesmas, percebe-se que a urbanização está diretamente ligada a uma má qualidade das praias, haja vista que os melhores resultados de balneabilidade foram percebidos naquelas que apresentaram praias mais naturais, sem presença de ocupação antrópica direta.
Dessa forma, os municípios estudados precisam melhorar bastante no que diz respeito às políticas públicas de saneamento básico, pois é de uma baixa salubridade. As áreas florestadas apresentaram um resultado satisfatório dentro do panorama geral da realidade brasileira, onde a ocupação e urbanização dos ambientes costeiros possuem resultados bem piores em outras regiões. Já quanto ao indicador de praias não urbanizadas, este foi o que obteve melhor resultado dentre todos os indicadores
91 estudados, indicando um grande potencial turístico para a região, com praias ainda pouco exploradas.
A sequência desse trabalho ou de pesquisas similares nos próximos anos torna-se essencial para acrescentar outros instrumentos teóricos que possam continuar orientando a agenda de pesquisa do turismo na região estudada, assim como também da proposição de representações conceituais de intervenção que levem à gestão integrada da região em questão.
A situação atual a que este trabalho obteve resposta é de que a região norte da costa litorânea da Paraíba, apesar de ter um grande potencial para fomento da atividade turística, não possui salubridade adequada para seus próprios residentes, menos ainda para receber visitantes. O desenvolvimento de políticas públicas para melhoria do turismo na região não deve ser realizada antes que políticas de saneamento sejam levadas a sério e implantadas com urgência.
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