Del II Datagrunnlag og analyse
7 Oppfatninger om brudd på reguleringer
7.4 Oppfatninger om straff
oda profissão é sobrecarregada de imagens mas talvez nenhuma outra seja tão rodeada de mitos como a do jornalismo. De fato, o poder do mito tem envolvido a profissão de tal maneira que os jornalistas parecem ser sempre os agentes do ‘contra-poder’ e o seu produto quase sempre é apresentado como sendo uma transmissão não expurgada de um acontecimento. A noção-chave desta mitologia é a noção do “comunicador desinteressado” aonde o papel do jornalista é definido como o de observador neutro, desligado dos acontecimentos e cauteloso em não emitir opiniões pessoais. O desenvolvimento desta concepção dominante no campo jornalístico ocidental tem dois momentos históricos cruciais.
Primeiro, surge em meados do século XIX um contexto de um jornalismo novo, mais voltado para o viés informativo- cuja idéia-chave é a separação entre “fatos” e “opiniões”. Em 1856, o correspondente em Washington da agência noticiosa Associated Press pronunciou o que ia ser a Bíblia desta nova tradição jornalística: “O meu trabalho é comunicar factos: as minhas instruções não permitem
qualquer tipo de comentários sobre os factos, sejam eles quais forem”. (READ, 1976, p. 108 apud TRAQUINA, 1999, p. 167). Aliás, as agências noticiosas foram as defensoras mais ardentes desse ‘Novo jornalismo’ e são hoje, ainda, o protótipo desse jornalismo no qual a mensagem dita informativa, que o nosso século tem tendência a valorizar sem a denominação de objetividade, é suposta dar a palavra e deixar exprimir a realidade.
O segundo momento histórico tem lugar no século XX com o surgimento do conceito de objetividade nos anos 20 e 30 nos Estados Unidos. Embora a ideologia
da objetividade seja agora vista como um reforço da fé nos fatos foi historicamente necessário perceber que o ideal da objetividade não foi a expressão final de uma convicção nos fatos, mas a afirmação de um método concebido em função de um mundo no qual mesmo os fatos não eram merecedores de confiança devido ao surgimento das relações públicas e do marketing de Estado pós 1ª Guerra Mundial, por isso mesmo os jornalistas substituíram uma fé simples nos fatos por uma fidelidade às regras e procedimentos noticiosos criados para um mundo no qual até os fatos eram postos em dúvida.
Por mais que a tal objetividade jornalística seja um suposto paradigma reinante no campo jornalístico, e este ‘empirismo ingênuo’ alicerça a crença de que as notícias emergem naturalmente dos acontecimentos do mundo real, bastando ao jornalista ser o espectador do que se passa transmitindo-o fielmente, como se fosse um espelho refletor da realidade. Reiteraria aqui o viés e a premissa de que os jornalistas não podem ser categorizados como observadores passivos mas sim como participantes ativos no processo de construção da realidade e dessa maneiras as notícias não podem ser vistas como emergindo naturalmente dos acontecimentos do mundo real, ‘as notícias acontecem na conjunção de acontecimentos e de textos, enquanto o acontecimento cria a notícia, a notícia também cria o acontecimento’. (TRAQUINA, 1999, p. 168).
Embora sendo ‘índice do real‘, as notícias registram as formas literárias e as narrativas utilizadas pelos jornalistas para organizar o acontecimento. A pirâmide invertida, a ênfase dada à resposta às perguntas aparentemente simples, a necessidade de selecionar, excluir, acentuar diferentes aspectos do acontecimento – processo, aliás, orientado pela narrativa escolhida - são alguns exemplos, de acordo com Traquina (1999), de como ‘a notícia, criando o acontecimento, constrói a realidade’.
Não obstante o processo noticioso ocorrido nos blogs suscita questionamentos na medida em que neste âmbito também como nas outras mídias noticiosas se configura uma rede de estruturação de critérios de noticiabilidade embasados em valores-notícia e rotinas particulares embrionárias deste novo canal midiático jornalístico, mas rotinas ainda muito embasadas naquela característica citada no capítulo anterior em que Bertocchi (2006), chama a atenção para a mudança em curso, no que é classificada de mudança sui generis, nos quais os formatos do webjornalismo tendem a ser formar a partir dos modelos do jornalismo
impresso, num primeiro momento, já que no jornalismo impresso é onde existem as referências teóricas e práticas mais consolidadas.
Os estudos sobre newsmaking48 procuram abordar o processo de construção
da notícia como um fenômeno de interesse social. A investigação científica sobre o jornalismo e as notícias é feita por uma corrente designada comunication research ou media research. Dentro dessa corrente, os estudos sobre newsmaking tratam os meios de comunicação como emissores de mensagens socialmente produzidas. Na produção dessa mensagem, se refletem as rotinas produtivas dos profissionais jornalistas.
O cotidiano é marcado por acontecimentos regionais, nacionais e internacionais. Muitos atingem diretamente à sociedade, desde um acréscimo no preço do tomate a uma grande catástrofe. Fatias extremamente consideráveis da população tomam conhecimento das notícias da sua cidade, da sua região, do seu país, bem como do resto do mundo, assistindo diariamente a um dos programas de jornalismo veiculados pelas emissoras de televisão existentes (SQUIRRA, 1989, p 11).
A difusão destes acontecimentos se dá por meio do que se denominou notícia. Mauro Wolf diz que notícia é tudo o que, tornado pertinente pela cultura profissional dos jornalistas, é suscetível de ser trabalhado como tal pelo aparato de produção, num processo que envolve por um lado uma cultura profissional forte e, por outro, restrições ligadas à própria organização do trabalho.
Desta forma, a notícia nasceu como principal produto dos meios de comunicação de massa. Mas de tempos em tempos a notícia foi tomando formas diferentes para se adequar ao meio em que é difundida. Cada mídia desenvolveu característica própria e assim essa particularidade se estendeu também às notícias. Num plano geral poderíamos afirmar que a televisão é caracterizada pela agilidade, o rádio pela instantaneidade, o jornal impresso pela análise e pelo detalhamento, e a Internet pela interatividade e capacidade de armazenamento de dados.
É notável que entre o tratamento que a notícia recebe em cada meio, como o espaço e o tempo, elegem-se também valores-notícia para definir a hierarquia dos fatos em sua apresentação final. Wolf chama de noticiabilidade o conjunto de elementos com os quais o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo de acontecimentos para selecionar as notícias. Segundo Wolf, os valores dados às
48 Termo em inglês Termo em inglês: news = notícia + making = fazendo. A teoria pode ser traduzida como teoria da produção da notícia ou feitura da notícia.
notícias denominados valores-notícia (news value) são componentes dessa noticiabilidade, que tem o objetivo de permitir a definição de que fatos serão noticiados pelo veículo (WOLF, 1995, p. 175).
Neste propósito, os meios de comunicação atribuem valores-notícia aos fatos como critérios de seleção de notícias. Muitos autores explicam que atribuir valores às notícias é uma forma de rotinizar a produção como em uma fábrica, assim, a notícia pode ser estudada como uma produção industrial. A teoria que aponta a produção de notícia como indústria cultural explica que o jornalismo foi consolidado pelo capitalismo. Considerando esse aspecto, as notícias são produzidas para serem vendidas, tendo que atender às exigências do ‘consumidor’, que procura adquirir informações que lhe ofereça algum benefício. Entre os mais comuns estão a novidade e a atualidade.
Mauro Wolf cita quatro critérios que designam os valores-notícia, considerados pelos meios de comunicação: “As características substantivas das notícias: ao seu conteúdo; a disponibilidade do material e aos critérios relativos ao produto informativo; ao público; a concorrência;” (idem, p. 179).
Ao avaliar a noticiabilidade de uma informação, os jornalistas submetem o fato aos critérios substantivos derivados dos quatros critérios que Wolf cita:
I - O grau e o nível hierárquico dos envolvidos no acontecimento
noticiável (WOLF, 1995, p. 180, grifo do autor), quanto mais envolvimento com
pessoas, instituições e países de elite o fato tiver, mais noticiável parece aos olhos do jornalista.
II - O impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional (idem, p. 181, grifo do autor), as técnicas jornalísticas consideram significativo um fato que diz respeito ao interesse do país. Mais comumente chamado de valor de proximidade, na linguagem jornalística, as informações que se referem “ao mundo do receptor da notícia” ganham importância porque remetem o receptor à uma noção da realidade que o cerca.
III - Quantidade de pessoas que o acontecimento (de fato ou
potencialmente) envolve (idem, p. 182-183), a visibilidade é destacada como o
principal valor ao noticiar um acidente que envolva muitas pessoas. Deve-se, no entanto, perceber a diferenciação de valores, muito bem exemplificada por Wolf de uma notícia em detrimento de outra como um acidente que ocorre nas proximidades envolvendo um limitado número de vítimas, que se torna mais noticiável que outro
acidente que envolve um número maior de vítimas, mas que ocorreu em um lugar mais longe, por exemplo.
IV - Relevância e significatividade do acontecimento quanto à evolução
futura de uma determinada situação (idem, p.183, grifo do autor), são as notícias
que têm continuidade, como é o caso das coberturas de campanhas políticas, votações de projetos importantes, as CPI’s, muito comuns no Brasil.
Os valores-notícia servem para tornar possível a rotinização do trabalho jornalístico. Os valores-notícia asseguram a escolha entre um e outro assunto de forma que o profissional jornalista tenha como certa a decisão feita. No processo de produção da notícia, os valores-notícia ganham significados diferentes diante das mudanças que acontecem na esfera informativa.
A valoração é também o processo que irá definir se a informação recebida vai servir para a construção de uma matéria, se será uma nota simples, nota coberta ou se poderá se transformar numa série de reportagens.