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Quadro 13 – COMPARAÇÕES SOBRE MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO –
ATLAS TI
Code Family: 6-Mercantilização da Educação
___________________________________________________________________ HU: Entrevistas consolidadas e codificadas 290513
File: [C:\Users\Luis Volpato\Deskt...\Entrevistas consolidadas e codificadas 290513.hpr7]
Edited by: Super
Date/Time: 2013-05-29 13:33:03
COMPARAÇÕES SOBRE A MERCANTILIZAÇÃO
DA EDUCAÇÃO
1) Que devido aos altos investimentos realizados na modalidade em EaD, há a necessidade de ter cada vez mais alunos para viabilizar o negócio, então procuram rentabilizar ao máximo o que investem, gerando a necessidade de mercantilização da educação a distância.
2) Que é "um campo minado" para ser abordado, porque embora o ensino à distância exija um investimento relativamente alto das Instituições, o ganho escalar com os cursos à distância é bastante grande também, então as Instituições enxergam nessa possibilidade, nessa opção do ensino à distância uma forma de ampliar a sua "clientela", então se faz um investimento, esse investimento é relativamente grande, mas o retorno é maior.
3) Que ao entrar no negócio de EaD, é uma questão financeira, é uma questão matemática, que a educação a distancia é muito cara num primeiro momento, o investimento é muito alto, em conteúdo, em tecnologia, em banda, em polos.
COMPARAÇÕES SOBRE A MERCANTILIZAÇÃO
DA EDUCAÇÃO
4) Que como negócio trata-se de mercantilismo pleno, pois no Brasil as IES considera a quantidade e não a qualidade, que países como Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, desenvolvem tecnologias e metodologias adequadas, e no Brasil as IES preocupa-se com a guerra de preço e não qualidade, então a quantidade passa a ser mais importante do que a oferta de um ensino diferenciado, mas estão de acordo com os indicadores mínimos de qualidade do MEC. 5) Que o grande regulador da história é o mercado onde o aluno vai trabalhar, é o mercado que avalia hoje a Instituição, ela é uma Instituição que faça diferença no currículo, porque com a democratização do ensino, ter ensino superior completo deixou de ser um diferencial, se é bacharel em administração, muita gente é, é o curso mais que mais tem matrículas no Brasil, então todo mundo pode ter um diploma, desde os que pagam 120 reais de mensalidade até os que pagam 3.000, claro que as Instituições vão diferenciar o currículo dessas pessoas e aí cada vez mais as empresas hoje, os RHs dizem; não, só recruto gente dessa e daquela Instituição.
As comparações das entrevistas realizadas com os gestores das IES sobre mercantilização da educação e o impacto na qualidade dos egressos, considerando que, de acordo com o censo da educação superior realizado pelo MEC em 20009, apontando que 90% das IES do Brasil estão com o domínio do setor privado, permitem constatar, que a mercantilização da educação superior representa um processo em que o desenvolvimento dos fins e dos meios da educação superior, tanto no âmbito estatal como no privado, sofre uma reorientação de acordo com os princípios e a lógica do mercado e sob a qual a educação superior, gradativa e progressivamente, perde o status de bem público e assume a condição de serviço comercial.
Ao considerar que o processo de privatização do ensino superior vem sendo utilizada com a finalidade de reduzir a presença do Estado tanto na área produtiva, quanto na área social e que essas políticas sociais têm sido direcionadas à população de baixa renda, aliviando a miséria dos excluídos, mantendo, entretanto, a desigualdade social e a pobreza. Na área educacional, a política de focalização se manifesta por meio da priorização dos recursos da União para o atendimento ao ensino fundamental; pela criação de bolsas para os estudantes do ensino superior privado, a exemplo do Programa Universidade para Todos (PROUNI); e pela redução dos investimentos públicos nas instituições de ensino superior (IES) induzindo-as à captação de recursos no mercado capitalista.
Assim, a educação superior deixa de ser direito social, transformando-se em mercadoria. A tese é de que o sistema de ensino superior deve se tornar mais diversificado e flexível, objetivando uma expansão com contenção nos gastos públicos. Dando curso a essa política, as instituições privadas de ensino superior foram estimuladas, pelos governos, a se expandir, por meio da liberalização dos serviços educacionais e da isenção fiscal, em especial, da oferta de cursos aligeirados, voltados apenas para o ensino desvinculado da pesquisa.
De acordo com Moran (2007b), atualmente há uma maior preocupação com ensino de qualidade e não com a educação de qualidade, considerando que ensino e educação são conceitos diferentes. No ensino se organizam uma série de atividades didáticas que auxiliam os alunos a compreenderem áreas específicas do conhecimento, enquanto que o conceito de educação é integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade.
Fala-se muito de ensino de qualidade. Muitas escolas e universidades são colocadas no pedestal, como modelos de qualidade. Na verdade, em geral, não temos ensino de qualidade. Temos alguns cursos, faculdades, universidades com áreas de relativa excelência. Mas o conjunto das instituições de ensino está muito distante do conceito de qualidade. (p.12)
Moran (2007b), reflete ainda que ensino de qualidade envolve muitas variáveis, tais como: Organização inovadora, aberta, dinâmica, Projeto pedagógico
participativo, docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente, bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais.
Uma relação efetiva entre professores e alunos que permita conhecê-los, acompanhá-los, orientá-los. Infraestrutura adequada, atualizada, confortável. Tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas com alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.
No entanto Moran (2007b), pondera que:
O ensino de qualidade é muito caro, por isso por ser pago por poucos ou tem que ser amplamente subsidiado e patrocinado. Poderemos criar algumas instituições de excelência. Mas a grande maioria demorará décadas para evoluir até um padrão aceitável de excelência. Temos, no geral, um ensino muito mais problemático do que é divulgado. Mesmo as melhores universidades são bastante desiguais nos seus cursos, metodologias, forma de avaliar, projetos pedagógicos, infraestrutura. Quando há uma área mais avançada em alguns pontos é colocada como modelo, divulgada externamente como se fosse o padrão de excelência de toda a universidade. Vende-se o todo pela parte e o que é fruto as vezes de alguns grupos, lideranças de pesquisa, como se fosse generalizado em todos os setores da escola, o que não é verdade. As instituições vendem externamente os seus sucessos – muitas vezes de forma exagerada – e escondem os insucessos, os problemas, as dificuldades. (p. 12)
Ao considerar que atualmente nas principais IES existe um número excessivo de alunos por sala (presencial e a distância), professores mal preparados, mal remunerados, alunos que valorizam mais o diploma do que o aprendizado, que esperam ser conduzidos de forma passiva, infraestrutura inadequada, salas barulhentas, pouco material escolar avançado, tecnologias pouco acessíveis à maioria, ensino está voltado, em boa parte, para o lucro fácil, aproveitando a grande demanda existente, com um discurso teórico (documentos) que não se confirma na prática. Há um predomínio de metodologias pouco criativas; mais marketing, do que um real processo de mudança.
Diante desta realidade, realizar uma educação de qualidade, é um processo longo, caro e menos lucrativo do que as instituições estão acostumadas. Portanto, há uma grande desafio para o Brasil atingir uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Como verificado nas entrevistas, serão necessárias pessoas que façam essa integração, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma consciente, entre o pessoal e social, de forma
a atender as crescentes demandas e as necessidades do mercado, por profissionais de qualidade.
No próximo capítulo serão feitas as considerações finais desta tese, com uma visão geral sobre os resultados apurados, destacando os objetos que foram alvo do levantamento dos dados que sustentaram responder as hipóteses formuladas e sugestões para futuras pesquisas associadas ao tema EaD.