3.3 Fisk
3.3.1 Fiskens ytelse
Drucker (1995) afirmou que a tendência da humanidade era uma Sociedade do Conhecimento. Lembrava o autor, que as três fases do conhecimento (Revolução Industrial, Revolução na Produtividade e Revolução Gerencial) seriam substituídas por aquilo que chamou de Sociedade do Conhecimento.
E, ainda que:
A passagem de conhecimento para conhecimentos deu ao conhecimento o poder para criar uma nova sociedade. Mas esta sociedade precisa ser estruturada com base em conhecimentos
especializados e em pessoas especializadas. É isso que dá poder a elas, mas também levanta questões básicas - de valores, visões, crenças, de todas as coisas que mantém unida a sociedade e dão significado às nossas vidas (DRUCKER, 1995, p. 25).
Para o autor estavam surgindo novas tecnologias que iriam criar tipos diferentes de empresas e grandes empresas, que imperaram em meados do século passado, seriam levadas, rapidamente à obsolescência. Paralelamente, lembrava que tais mudanças seriam extrapoladas para a vida social e econômica de forma acelerada e que o conhecimento ou a necessidade do conhecimento seria crucial para o resultado das empresas em uma mudança de forças produtivas e trabalho para ensino e aprendizado − daí o surgimento das organizações que aprendem.
A tendência apontada por Drucker (1995) se fez presente. A Sociedade do Conhecimento permeia toda a economia e as relações sociais e a Contabilidade está sujeita a tais fatos.
De acordo com Antunes e Martins (2002), citando o Índice Morgan Stanley, o valor médio das empresas nas bolsas de valores no mundo é duas vezes maior que seu valor contábil.
Provavelmente, o que explica parte significativa desta diferença é, justamente, a percepção acerca do potencial das empresas, o que pode sugerir uma falha na Contabilidade que teria deixado de reconhecer algum item relevante que poderia reduzir esta diferença.
Como observa o artigo, o valor de uma empresa nas bolsas de valores reflete, na prática, o potencial de geração de ganhos futuros e, neste aspecto, os investidores admitem maiores valores quando percebem um maior potencial, o que inclui, entre outros, fatores considerados exógenos, como, no dizer dos autores do trabalho, se incluem fatores de natureza política, fatores de natureza econômica, fatores contingenciais e fatores endógenos que repercutem naquilo que chamaram de Capital Intelectual.
Antunes e Martins (2002, p. 47/48), conceituam o Capital Intelectual como sendo o "conjunto de benefícios intangíveis que agregam valor às empresas".
Citam Brooking que teria dividido o Capital Intelectual em quatro categorias:
Ativos de Mercado, ou o potencial que as empresas possuem em decorrência de seus intangíveis (marca, clientes, lealdade de clientes, negócios recorrentes, negócio em andamento, canais de distribuição etc.);
Ativos Humanos, ou os benefícios que o indivíduo pode proporcionar às organizações por meio de suas expertises, criatividade, conhecimento, habilidade etc.;
Ativos de Propriedade Intelectual, ou os Ativos que necessitam de proteção legal para garantir os benefícios às empresas, tais como o know-how, segredos industriais, copyright, patentes, designs etc.; e,
Ativos de infraestrutura, ou os Ativos que compreendem as tecnologias, metodologias, processos, cultura, sistemas de informação, métodos gerenciais, aceitação de risco, banco de dados de clientes etc. (BROOKING apud ANTUNES; MARTINS, 2002, p. 12/13).
Os autores fazem também referência ao trabalho de Edvinsson e Malone que mencionaram duas categorias: (i) Capital Humano, composto de conhecimento, expertise, poder de inovação, cultura, filosofia etc.; (ii) Capital Estrutural, formado pelos equipamentos de informática, softwares, banco de dados de clientes, capacidade organizacional etc., observando três questões relevantes suscitadas pelos autores:
1. O Capital Intelectual constitui informação suplementar e não subordinada às informações financeiras;
2. O Capital Intelectual é um capital não financeiro, e representa a lacuna oculta entre o valor de mercado e o valor contábil;
3. O Capital Intelectual é um passivo e não um ativo. (ANTUNES; MARTINS, 2002, p. 48).
Dos itens supracitados, como bem observaram Antunes e Martins (2002), causa certo espanto a terceira afirmação, na medida em que tudo apontava para o fato de que o Capital Intelectual era um Ativo que deveria integrar os intangíveis de uma entidade e, portanto, jamais seria um Passivo. Ocorre que a visão é mais filosófica, porque passa a ideia de que a corporação deve considerá-lo como um empréstimo feito pelos clientes, empregados etc., uma vez que se trata de uma fonte de recursos.
Antunes e Martins (2002) apresentam os critérios propostos por Edvinsson e Malone para a apuração do Capital Intelectual, lembrando que tais critérios contém uma subjetividade significativa e que, de certa forma, os autores pretendem identificar e mensurar alguns dos fatores que contribuem para a formação dos lucros futuros, de modo a contribuírem para a identificação de Ativos Intangíveis e, assim, reduzirem o valor do Goodwill.
Concluem os autores, portanto:
Goodwill e Capital Intelectual fazem parte do mesmo fenômeno, pois
os fatores que identificam a existência de um valor a mais numa organização, e que integram o Capital Intelectual, já faziam parte do
goodwill, segundo pode ser verificado pelas classificações
mencionadas e datas da primeira metade deste século, podendo ser justificada a inclusão de novos elementos pela evolução natural da sociedade. (ANTUNES; MARTINS, 2002, p. 53).
Em linha parecida a Antunes e Martins, Assunção et al. (2005, p. 12) concluem que:
Pode-se ver o Capital Intelectual como não sendo o mesmo que
goodwill, mas uma parte integrante dele que foi identificada. E, uma
vez identificada, dá-se o nome de Capital Intelectual. Podemos inferir, pela sua própria natureza, que o goodwill é formado por outros fatores que ainda não foram identificados e que, pela sinergia, nunca o serão.
O melhor conceito ao Capital Intelectual, de fato, é que ele integra um dos itens que formam o conjunto dos intangíveis de uma entidade, desde que se consiga, por métodos consistentes, identificar e mensurar seu valor, sob a pena de ser confundido como Goodwill.
Assim, seria correto admitir que boa parte de seus conceitos está associada ao conjunto de elementos que compõem o negócio e, neste aspecto, o Capital Intelectual acaba se misturando ao Goodwill, devendo ser tratado como um Ativo da entidade, porque é capaz de gerar resultados de curto, médio e longo prazos, ainda que se admita registrar, parte de seu valor como um Passivo perante o detentor de seu potencial.