A Figura 2 permite situar nas regiões da cidade as quatro escolas públicas municipais selecionadas para esta pesquisa.
3.1.1 ESCOLA A
A Escola A localiza-se no bairro Jardim Bonfiglioli, pertencente ao distrito do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, cujo IEX é 0,28. A região possui uma área de 12,89 km² e uma população de 48.802 habitantes (Seade, 2008).
A escola ocupa a área de um quarteirão, próximo a um ponto de ônibus e é cercada por prédios. O terreno é contornado por muros com cerca viva. Não há pichações no prédio da instituição. A escola é antiga, fundada na década de 1960 e necessita de reparos. A entrada principal da escola é um portão de ferro que fica trancado, sendo necessário ser aberto pelos funcionários da escola.
Na área da escola encontram-se o prédio em formato de um grande “U”, o pátio externo e duas grandes quadras de esporte cobertas. O prédio possui três pavimentos pelos quais se distribuem as salas de aula, a sala reservada às atividades administrativas, o refeitório, a cozinha, o palco de teatro e a sala de leitura.
Durante o período matutino a escola trabalha com alunos do Ensino Fundamental II e no período vespertino com alunos do Fundamental I. O estabelecimento conta com treze salas de aula e atende 427 alunos no Ensino Fundamental I. Possui 27 professores de Ensino Fundamental I, sendo que três possuem formação de Ensino Médio normal; o restante apresenta licenciatura plena. A clientela, de acordo com a professora entrevistada, é basicamente composta por crianças de classe média e, também, oriundas de abrigos. As modalidades praticadas são Ensino Fundamental de 9 anos e EJA (Educação de Jovens e Adultos).
A Escola A obteve o melhor desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil/Saeb (2007) do Grupo A (escolas oriundas de distritos cujo IEX é positivo). Verifica-se que aproximadamente 50% dos alunos dessa escola encontram-se nos níveis adequado e avançado, o que a difere do que acontece com as escolas pertencentes ao subgrupo A, conforme mostra a tabela 1 (p.44, capítulo II). A Tabela 6 expõe a média obtida em 2007 e a distribuição dos alunos nos níveis de leitura.
Tabela 6
Desempenho em Língua Portuguesa dos alunos da Escola A (Prova Brasil/Saeb e Ideb/ 2007 e 2009)
Ano Ideb Prova Brasil/Saeb
Abaixo do básico
Básico Adequado Avançado
2007 5,6 202,74 9,70% 40,60% 32,10% 17,60%
2009 6,1 212,81 - - - - 2
Fonte: Inep/MEC
A sala de leitura localiza-se atrás do palco de teatro, próximo ao refeitório e ao lado do pátio. A escola possui SL há sete anos. O mobiliário é antigo e há pouco espaço para circulação. Possui um acervo de 20 mil livros – que estão desorganizados –, computador, televisão, projetor e aparelho de som.
Figura 3: Sala de leitura da Escola A (maio/2010) 3.1.2 ESCOLA B
A Escola B localiza-se no bairro de Vila Alexandria, pertencente ao distrito de Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo, cujo IEX é 0,25. A região possui uma área de 8,85 km² e uma população de 59.202 habitantes (Seade, 2008).
A escola ocupa a área de meio quarteirão, próximo a residências, pequenos comércios e a 2 km de distância de uma favela. O terreno é contornado por muros decorados com desenhos. Foi fundada na década de 1970 e suas instalações são
antigas, porém conservadas. A modalidade de ensino oferecida é o Ensino Fundamental de 9 anos.
O portão da escola permanece aberto durante todo o período de aula; há um jardim que dá acesso à porta principal da escola, que fica trancada, sendo necessário identificar-se numa janela com grades. O prédio possui dois pavimentos pelos quais se distribuem as 18 salas de aula. Cada andar possui grades, mas elas se encontram abertas, o que permite o acesso de qualquer pessoa ao terreno da escola. A instituição possui uma quadra de esportes coberta.
São 13 turmas no Ensino Fundamental I e 387 alunos matriculados (EF I), distribuídos no período matutino (1º e 4º ano) e no vespertino (2º e 3º ano). Possui 27 professores de Ensino Fundamental I, sendo que cinco possuem formação de Ensino Médio normal; o restante apresenta licenciatura plena. A clientela, de acordo com a professora entrevistada, é composta por alunos de classe média baixa e, principalmente, por moradores da favela próxima à escola.
A Escola B obteve o terceiro menor desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil/Saeb (2007) do Grupo A (escolas oriundas de distritos cujo IEX é positivo). Comparada com a média obtida pelo grupo, a escola em questão está muito abaixo em termos de desempenho de seus alunos. A Tabela 7 mostra a média obtida em 2007 e a distribuição dos alunos nos níveis de leitura e escrita.
Tabela 7
Desempenho em Língua Portuguesa dos alunos da Escola B (Prova Brasil/Saeb e Ideb/ 2007 e 2009)
Ano Ideb Prova Brasil/Saeb
Abaixo do básico
Básico Adequado Avançado
2007 4,6 159,92 42,20% 43,40% 10,80% 3,60%
2009 4,4 173,34 - - - -
Fonte: Inep/MEC
A sala de leitura existe há 15 anos e possui um acervo de 18 mil livros. Localiza-se no 2º andar do edifício, próximo às salas de aula e à quadra de esportes. O mobiliário é antigo e há algum espaço para circulação. Possui computador, televisão e aparelho de som.
Figura 4: Sala de leitura da Escola B (maio/2010) 3.1.3 ESCOLA C
A Escola C localiza-se no bairro Rio Pequeno, pertencente ao distrito de Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, cujo IEX é -0,32. A região possui uma área de 9,68 km² e uma população de 115.979 habitantes (Seade, 2008).
A escola ocupa a área de um quarteirão junto a uma Escola Municipal de Educação Infantil. Localiza-se próximo a residências de classe média alta. Foi fundada na década de 1970 e suas instalações são antigas, porém bem conservadas. O prédio possui três pavimentos pelos quais se distribuem as 17 salas de aula. A escola possui uma quadra de esportes descoberta.
A Escola C trabalha com o Ensino Fundamental de 9 anos, sendo 13 turmas no Ensino Fundamental I. Possui 383 alunos matriculados, distribuídos no período matutino e no vespertino. Possui 26 professores de Ensino Fundamental I, sendo que quatro possuem formação de Ensino Médio normal; o restante apresenta licenciatura plena.
A Escola C obteve o melhor desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil/Saeb (2007) do Grupo B (escolas oriundas de distritos cujo IEX é negativo), estando muito acima da média obtida por este grupo. A Tabela 8 mostra a média obtida em 2007 e a distribuição dos alunos nos níveis de leitura e escrita.
Tabela 8
Desempenho em Língua Portuguesa dos alunos da Escola C (Prova Brasil/Saeb e Ideb/ 2007 e 2009)
Ano Ideb Prova
Brasil/Saeb Abaixo do básico Básico Adequado Avançado
2007 5,1 211,11 9% 30,60% 44,70% 15,70%
2009 5,2 187,60 - - - -
Fonte: Inep/MEC
A sala de leitura existe há aproximadamente 30 anos e possui um acervo de 30 mil livros. Localiza-se no andar térreo, ao lado da sala da diretora e do parque. O mobiliário é antigo, porém conservado. As mesas são organizadas em formato de uma grande ferradura. Possui computador e televisão.
Figura 5: Sala de leitura da Escola C (maio/2010)
3.1.4 ESCOLA D
A Escola D localiza-se no bairro Perus, pertencente ao distrito de Anhanguera, na Zona Noroeste de São Paulo, cujo IEX é -0,63. A região possui uma área de 23,44 km² e uma população de 89.518 habitantes (Seade, 2008). O acesso se dá pela Rodovia Castello Branco e em seguida por uma estrada de terra batida com muitos desníveis, lixo e entulho. A infraestrutura urbana é precária, não havendo pavimentação das ruas nem espaços para lazer; existem pequenos comércios, com destaque para bares.
Figura 6: Via de acesso à Escola D (maio/2010)
A escola destoa no cenário pelo seu porte e estrutura física. Ela é nova na comunidade, está em funcionamento há 2 anos, mas ainda não foi inaugurada oficialmente. Anteriormente localizava-se nas redondezas, mas era de “lata”3.
Figura 7: Foto das residências no entorno da Escola D (maio/2010)
A escola ocupa grande área e situa-se em bairro carente sendo, muitas vezes, exposta à violência urbana. As Figuras 7 e 8 mostram os muros da escola e seu entorno, cercado pela favela.
3
“Escolas de lata” é o nome dado às escolas públicas construídas em contêineres oferecendo precárias condições de ensino às crianças. Foram construídas no final da década de 1990, na gestão do prefeito Celso Pitta, em caráter emergencial, visando a atender a demanda de vagas. Foram substituídas por escolas propriamente ditas na gestão de Marta Suplicy e totalmente extintas na gestão de Gilberto Kassab.
Figura 8: Fachada e entorno da Escola D (maio/2010)
O prédio possui dois pavimentos pelos quais se distribuem as 18 salas de aula. A escola possui três amplas quadras de esportes (1 coberta e 2 descobertas). Oferece o Ensino Fundamental de 9 anos, sendo 17 turmas no primeiro ciclo. Possui 537 alunos matriculados, distribuídos nos períodos matutino e vespertino. Possui 24 professores de Ensino Fundamental I, sendo que cinco possuem formação de Ensino Médio Normal; o restante apresenta licenciatura plena. A clientela, segundo a professora, é composta por alunos que residem no entorna da escola, portanto oriundos de famílias pobres.
A Escola D obteve o menor desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil/Saeb (2007) do Grupo B (escolas oriundas de distritos cujo IEX é negativo). A Tabela 9 mostra a média obtida em 2007 e a distribuição dos alunos nos níveis de leitura e escrita.
Tabela 9
Desempenho Escola D (Prova Brasil/Saeb e Ideb/ 2007 e 2009)
Ano Ideb Prova
Brasil/Saeb Abaixo do básico Básico Adequado Avançado
2007 3 132,26 80,90% 19,10% 0% 0%
2009 4,6 176,76 - - - -
Fonte: Inep/MEC
A sala de leitura existe há 2 anos, mas está ativa há 7 meses. Localiza-se no 2ª andar do edifício, próximo à sala de informática; suas janelas dão para a quadra de esporte. Elas são vazadas, possibilitando a entrada de vento e chuva e também atrapalhando a acústica, uma vez que o som da quadra de esporte consegue ser ouvido.
O mobiliário da sala de leitura é novo, composto por mesas circulares com cinco lugares cada. Há espaço para circulação. Possui um acervo de 6.800 livros organizados por faixa etária. Não possui televisão nem computador.
Figura 9: Sala de leitura da Escola D (maio/2010)
A partir das informações obtidas por meio das observações, podemos pensar que o entorno das escolas pode ser um fator que influencia no rendimento dos alunos em testes padronizados. Nas duas escolas com melhor rendimento, o entorno consistia em residências e prédios servidos de pontos de ônibus e a população atendida era predominantemente de classe média, segundo o relato das professoras. Já as escolas com baixo rendimento atendiam principalmente crianças que residiam em favelas. A escola com pior rendimento, tendo 80,9% dos alunos no nível abaixo do básico, localiza-se dentro de uma favela cercada por lixo. Nessa escola não há via de acesso a nenhum meio de transporte e o único comércio próximo à escola é um bar. Tal fato confirma a segregação social influenciando na escolarização de parcela significativa da população, pois a região em que está localizada a Escola D é extremamente carente em termos de recursos e infraestrutura a ser oferecida para seus moradores. Esse fato evidencia que os alunos recebem diferentes estímulos e isso tem relação direta com o bairro onde vivem.