A projeção desta atividade inspirou-se e procurou contemplar algumas das finalidades do Programa Nacional de Educação Física (PNEF), nomeadamente no que respeita aos níveis de aptidão física associados a hábitos de vida saudável, onde se integra a prática da atividade física regular. Por outro lado, a exploração desta problemática contextualizou-se no ambiente escolar em que se inseria, nomeadamente no seu público- alvo, a fim de aproximar a ação ao que a instituição educativa oferece, necessita e valoriza.
Nesta perspetiva, torna-se evidente que uma das principais intenções desta ação passou por alertar e sensibilizar toda a comunidade educativa para a criação de hábitos e estilos de vida saudáveis. Nestes contornos, apostou-se na consciencialização e na formação orientada para valores fundamentais que contribuíssem para um desenvolvimento harmonioso de cada individualidade, e consequentemente para uma sociedade mais eficaz e resiliente na sua interação global com os diferentes elementos do seu quotidiano.
Segundo Jacinto et al. (2001), conhecer e interpretar fatores de saúde associados à prática das atividades físicas, bem como conhecer e aplicar diversos processos de elevação e manutenção da condição física na perspetiva da saúde, qualidade de vida e bem-estar, são objetivos gerais da disciplina de EF. Deste modo, o ato de educar para a saúde e para hábitos de vida saudável parece ser uma das responsabilidades da escola, no sentido de garantir a vida, a segurança e a liberdade como valores que compõem um bem comum ao indivíduo (Baptista, 2010).
No entanto, entende-se que a concretização destes princípios, no meio escolar, não deve ficar apenas pela transmissão de informação, mas também pelo desenvolvimento de competências pessoais e sociais que permitam a apropriação e responsabilização dos próprios alunos, enquanto elementos da sociedade. É neste ponto de convergência entre a educação e a saúde, que a segunda dimensão não pode ser vista, apenas, como um direito humano, mas, simultaneamente, como um dever, sendo entendida como um recurso do quotidiano com implicações no sucesso escolar e na integração social. (Baptista, 2010)
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Neste posicionamento, a escola é responsável por provocar nos seus alunos, o desenvolvimento de competências estruturantes do ser, que lhes permitam a construção de um pensamento sistémico e reflexivo, fazendo-os atuar de forma preventiva num quadro de cidadania ativa. O educar para a saúde não surge como algo estático, mas como uma construção individual e constante que não depende apenas de referenciais de natureza biológica, mas sobretudo de um contexto didático-pedagógico (Guedes, 1999).
Através deste enquadramento, identificou-se uma problemática pertinente, dado o contexto envolvente da ação e ao público-alvo a que se dirigiu (ver anexo VIII). Contudo, em qualquer processo de conceptualização é fundamental disponibilizar recursos e conceber estratégias que tornem a intervenção eficaz, ou seja, é necessário identificar e procurar controlar o maior número de variáveis possíveis, garantindo eficácia no cumprimento dos objetivos pretendidos. É neste sentido que surge o ato de planear e preparar, pois este momento representa um envolvimento e estudo das diferentes situações e possibilidades de intervenção, de modo a dispor os recursos de forma coerente e conveniente aos fins que se pretendem atingir.
Perante a problemática apresentada, desenvolveu-se uma atividade intitulada de “Avaliação de indicadores de saúde através de medições antropométricas e avaliação da composição corporal”, que integrou uma iniciativa contextualizada no projeto educativo da escola. Assim sendo, esta ação decorreu no “Dia da Escola Saudável”, contando com a intervenção dos professores estagiários e dos alunos da turma partilhada, bem como com a participação de toda a comunidade escolar (professores, encarregados de educação, funcionários da escola e restantes alunos).
A participação interventiva dos alunos da turma partilhada exigiu um processo de preparação da atividade, contemplando-se uma aula em que os mesmos tiveram oportunidade de experienciar um conjunto de métodos e instrumentos de medição, tal como compreender a funcionalidade de cada indicador de saúde mensurado. Nesta lógica, foi possível que a turma atribuída a cada professor estagiário também vivenciasse este momento formativo, considerando-se uma mais-valia para o seu processo de formação, nomeadamente pelo ciclo de estudos em que se encontravam.
Deste modo, a intenção de envolver os alunos de forma participativa, criou a necessidade de realizar uma aula capaz de preparar os mesmos para a sua intervenção na atividade. Na operacionalização desta aula foram privilegiadas dinâmicas de grupo, com
Página | 77 divisão explícitas de tarefas, procurando que todos os alunos pudessem experienciar, ainda que de forma rudimentar, todos os papéis inerentes à avaliação dos indicadores. Com a utilização desta estratégia, pretendeu-se que os alunos fossem capazes de interpretar e perceber a importância dos indicadores de saúde na qualidade de vida do ser humano. Este tipo de envolvimento procurou ainda que os alunos absorvessem a intencionalidade do trabalho de condição física que realizavam nas aulas práticas de EF, bem como a sua influência nos indicadores recolhidos
Na elaboração e conceptualização desta atividade estiveram inerentes diferentes processos que remeteram para uma estruturação, sistematização e reflexão, procurando uma linha de diagnóstico, intervenção e controlo. Deste modo, foi fundamental que após o planeamento e operacionalização da atividade fosse realizado uma análise crítica não só em torno do produto final, mas também do processo do qual este resultou, aferindo problemas e soluções que enriqueceram toda a ação.