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Verificamos que a correlação entre a inflação e a Mortalidade materna foi expressa com sinal negativo (menor inflação mais mortes) e quando correlacionado Mortalidade materna com a variável desemprego, a taxa de mortalidade cresce com o aumento no nível de desemprego. A relação com renda foi definida pelo coeficiente negativo, ou seja, quanto menor a renda, maior a Mortalidade materna.

Se associarmos a Curva de Philips, períodos de desenvolvimento econômico (menor inflação) evoluem para maiores taxas de desemprego e menor renda. A diminuição da renda proporciona menores condições de saúde, conforme os estudos de Ramírez Mejía et al (2003), Gomes (2005) e Montoya%Aguilar (2008), a correlação entre elevada Mortalidade materna e baixa renda é positiva.

Os achados da correlação entre Mortalidade materna e a renda são iguais aos dos autores Ramírez Mejía et al (2003), o trabalho realizado em Honduras no ano 2002 apontou a relação onde os efeitos da diminuição da renda elevam o Indicador Mortalidade materna. A justificativa está baseada nos problemas socioeconômicos que a diminuição da renda proporciona ao individuo e a própria nação. Agrega que um país arrecada menos tributos, por falta de emprego e renda, investe menos em avanços tecnológicos importantes, na assistência obstétrica, na assistência anestesiológica, no diagnóstico precoce e adequado das complicações obstétricas, na utilização de medicamentos e outras medidas que gerenciadas podem levar a prevenção da Mortalidade materna.

Gomes (2005) relacionou a Mortalidade materna com renda no Brasil, na região de Goiás, no período de 1999%2000 e o resultado foi menor renda, aumenta a Mortalidade materna. Concluiu que essa correlação pode ser agregada as dificuldades de acesso aos hospitais que as gestantes com pior renda pode ter; o que acarreta muitos óbitos ocorridos em domicílio, precariedade dos recursos, infecções hospitalares, a dificuldade de acesso aos níveis mais complexos de assistência, pois não se encontram integrados.

Em locais de poucos recursos, o custo de distância, dificuldade de acesso às instituições de saúde são as principais barreiras para que as mulheres não busquem o pré%natal, a qualidade e a abrangência da assistência obstétrica e neonatal oferecidas à população, são as principais responsáveis por tais indicadores. É consenso que o pré%natal auxilia no controle da gestação e dos riscos do parto tanto para a gestante como para o bebê, servindo como intervenção para melhorar a

nutrição materna, promover a mudança de comportamento, reduzindo a exposição nociva e risco de infecções, focando os fatores de risco e incentivando a participação ao parto. Melhorias no pré%natal e parto contribuem para reduzir esse indicador de saúde, sendo assim, se a baixa renda propicia a diminuição ou ausência das gestantes nessas consultas à saúde, o aumento da Mortalidade materna pode ser justificado (VICTORA, 2001, BHUTTA, 2009).

Gomes (2005) quando correlacionou a Mortalidade materna a renda, atribuiu menor renda a menor emprego, consequentemente menor tributação, portanto, o governo é obrigado a trabalhar com recursos voltados à saúde cada vez mais escassos. Nesse contexto, as equipes de saúde são despreparadas, sem equipamentos adequados, não utilização ou inexistência de padronização de condutas de atendimento e falta de sistemas de detecção de gestação de alto risco são importantes elementos que também contribuem para os altos níveis da taxa de Mortalidade materna.

Montoya%Aguilar (2008) realizou um estudo de correlação da Mortalidade materna com inflação, desemprego e renda no Chile, encontrando os mesmos achados desse trabalho, menores taxas de inflação, levam ao desemprego e menor renda. Conclui que a economia de cada país acarreta mudanças na política de saúde, educação e proteção social, sendo que, o desemprego leva o governo a arcar mais com os gastos de saúde. Como os recursos são escassos, é necessário priorizar a verba, portanto, não contemplando toda a população em suas necessidades básicas de vida, o que pode ocasionar inadequada infra%estrutura urbana (saneamento, habitação, educação), alterações do meio ambiente.

Bhutta (2009) relata que a relação entre a causa da morte materna está diretamente ligada ao desenvolvimento social, econômico e cultural da região avaliada (continente, país, estado, município). Cita o exemplo que, quanto menor o grau de desenvolvimento da região, maior é a participação das síndromes hipertensivas, hemorrágicas e infecciosas para a morte materna. À medida que a região se desenvolve, essas causas têm a tendência de diminuir progressivamente, dando lugar às demais causas, de resolução mais complexa.

Cabe ressaltar que quase somente a partir da segunda metade da década de 80, passou a ser dada a devida importância a Mortalidade materna como problema de saúde pública nos países chamados de terceiro mundo. No Brasil, o sistema de

informações de mortalidade iniciou separadamente seus registros por esse tipo de causa a partir de 1996 (IBGE, 1999).

O sub%registro e as informações inadequadas ainda é uma realidade, o que torna de grande importância o papel dos comitês de mortalidade materna, uma vez que por meio deles há um resgate da informação, bem como uma discussão importante no sentido de conhecer e procurar identificar os motivos do óbito, contribuindo para a prevenção de casos semelhantes (BRASIL, 2004).

Devido a pouca confiabilidade nas informações obtidas no DATASUS, visto que, conforme revisão da literatura, no Brasil a uma subestimação em relação aos óbitos maternos de fato ocorridos, pois os registros de mortes maternas ainda são irregulares. Quando aplicamos a metodologia de regressão stepwise, técnica que escolhe as variáveis preditivas que tem significância estatística, eliminando as variáveis não significativas, verificamos que as variáveis IPCA e desemprego são excluídas, com P = 0,58 > 0,05 (IPCA) e P = 0,8545 > 0,05 (des), o que nos sugere que esse indicador de causa específica não é um dos indicadores mais adequados para a correlação com as variáveis econômicas.

O trabalho de Ramírez Mejía et al (2003) só correlacionou a Mortalidade materna com renda, encontrando significância estatística.

Ao contrário, Montoya%Aguilar (2008) correlacionou a Mortalidade materna com os 03 indicadores econômicos (inflação, desemprego e renda), e para inflação e desemprego, obtiveram resultados não significativos estatisticamente. Justificaram pela falta de dados dos registros de óbito.