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Fiscal Multipliers during the Great Recession

4 Quantitative Analysis: Fiscal Policy during the Great Reces- Reces-sion

4.4 Fiscal Multipliers during the Great Recession

A capacidade de absorção pode ser compreendida como um conjunto de rotinas e processos organizacionais pelos quais as firmas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacitação dinâmica” (ZAHRA e GEORGE, 2002). Como visto, medidas unidimensionais e quantitativas direcionados à P&D não conseguem contemplar a complexidade do assunto.

Os modelos multidimensionais capturam a complexidade das dimensões que compõe a capacidade de absorção. A criação de uma escala multidimensional aplicada ao contexto nacional auxilia na compreensão da ACAP nas empresas e o desenvolvimento de futuros estudos no campo.

Poucos estudos de capacidade de absorção foram aplicados ao contexto das pequenas e médias empresas (FLATTEN et al., 2011). As micro e pequenas empresas constituem mais de 90% das empresas nacionais (DIEESE, 2012). Portanto, torna-se essencial o desenvolvimento de novos estudos da ACAP com foco nas PMEs. Neste sentido, o objetivo do estudo aspirou ao desenvolvimento de uma medida multidimensional de mensuração para a capacidade de absorção, nas pequenas e médias empresas, direcionado ao contexto brasileiro construída com base nos estudos de Flatten et al. (2011).

A presença da capacidade de absorção nas PMEs facilita a identificação de novas oportunidades de produtos e/ou serviços valiosos, contribuindo para o desempenho superior, necessário às empresas jovens. Além de possibilitar maior flexibilidade e facilidade em assimilar e transformar mais facilmente seus conhecimentos (FERNHABER E PATEL, 2012; ENGELEN et al., 2014).

No processo de desenvolvimento do constructo, forma utilizados métodos qualitativos e quantitativos. O estudo teve como base, os passos desenvolvidos na construção da escala

consolidada de Flatten et al. (2011). O primeiro passo foi a análise da literatura para identificar possíveis itens complementares aos validados no estudo de Flatten et al. (2011).

Identificadas as escalas posteriores aos estudos de Flatten et al. (2011) que viessem a contribuir para o constructo e com base no referencial teórico, elaborou-se um conjunto de itens inicial. Os itens iniciais foram refinados por meio de entrevistas com gerentes e especialistas acadêmicos para modificar, acrescentar ou excluir itens ambíguos ou de difícil compreensão.

A escala refinada pelos pré-testes com gestores e especialistas acadêmicos foi aplicada em micro e pequenas empresas dos setores de comércio e serviços nas cidades de Florianópolis, Joinville e Porto Alegre. Ao final, obteve-se um retorno de 309 questionários válidos, que fizeram parte da análise final dos dados.

Os dados foram tratados por meio de análise fatorial exploratória com rotação oblíqua e uma análise fatorial confirmatória, na qual houve a identificação da presença de quatro dimensões de capacidade de absorção, sendo que a capacidade foi dividida em dois fatores maiores: potencial e realizada.

O objetivo do presente estudo foi o desenvolvimento de medidas reflexivas da capacidade de absorção, para tanto, seguimos a estrutura de construção de escala proposta por DeVellis (2011), que fornece diretrizes para o desenvolvimento destas medidas.

Os resultados encontrados no presente estudo corroboram os fundamentos teóricos definidos por Zaha e George (2002) definindo a capacidade de absorção, como um constructo multidimensional, dividida em dois grandes subconjuntos de capacidades: potencial e realizada. Estas duas capacidades

englobam as dimensões: aquisição, assimilação, transformação e aplicação.

Assim como nos estudos de Zaha e George (2002) o constructo desenvolvido, carregou as dimensões nas mesmas bases, reafirmando a teoria de capacidade de absorção. Os resultados encontrados indicam a presença de 14 dimensões: 4 itens na dimensão “aquisição”; 3 itens na dimensão “assimilação”; 6 itens na dimensão “transformação” e 3 itens na dimensão “aplicação”.

Este estudo avança na compreensão e construção da capacidade de absorção, destacando a importância da criação de um instrumento válido e confiável. A maior contribuição deste constructo foi o desenvolvimento de um instrumento que possibilite o desenvolvimento de medidas mais reflexivas que permitam a replicação em outras realidades. O estudo proporciona a criação de um recurso acadêmico para a utilização da escala em futuras pesquisas e amplia a possibilidade do desenvolvimento do assunto de capacidade de absorção no âmbito nacional.

A escala desenvolvida atua como uma ferramenta útil para a avaliação das forças e fraqueza da ACAP na organização, proporcionando comparação entre outras concorrentes. Possibilita a identificação dos pontos relevantes em que os gestores devem direcionar seus esforços. Desta forma, atua promovendo oportunidade de maiores investimentos proporcionando melhoria no desempenho, auxiliando a empresa a garantir vantagem competitiva sustentável.

A medida proposta avalia o nível de engajamento da empresa em atividades de aquisição de conhecimento, a forma pela qual ela assimila a informação adquirida sobre o conhecimento existente, transforma o conhecimento assimilado recentemente, adaptando-o e explora comercialmente o conhecimento transformado para obtenção da vantagem competitiva (ZAHA E GEORGE, 2002).

A escala desenvolvida possibilita a comparação da ACAP entre empresas, fornecendo uma base para determinar onde os investimentos devem direcionar seus esforços para melhorar sua capacidade absortiva. O desenvolvimento equilibrado dos processos de aprendizagem afeta positivamente a inovação e o desempenho em ambientes estáveis e dinâmicos. O instrumento auxilia, ainda, na compreensão do motivo de certas empresas serem mais eficientes que outras, quando utilizada a capacidade de absorção para criação de valor. (LINCHENTHALER, 2009; CAMISÓN E FORÉS, 2010; FLATTEN et al., 2011).

O constructo foi desenvolvido com base em pequenas e médias empresas brasileiras. Estudos em grandes empresas devem ser realizados para a verificação de novos itens a serem considerados. A escolha dos setores de comércio e serviços se deve à representatividade das empresas no contexto nacional, entretanto, novas pesquisas em empresas de tecnologia, trariam grandes contribuições aos estudos de capacidade de absorção, levando-se em consideração, seus estudos seminais em empresas deste ramo.

O presente estudo fornece importantes insights para novas pesquisas utilizando a capacidade de absorção de conhecimento. Este tema pouco abordado no país precisa ser mais bem explorado e compreendido auxiliando no processo de gestão das empresas brasileiras.

5.1 SUGESTÕES NOVOS ESTUDOS

O constructo proposto apresenta limitações necessárias ao escopo da pesquisa. Os limites do trabalho possibilitam o desenvolvimento de novos estudos na área. Diante disto, apresentam-se algumas discussões importantes para futuras análises acerca do tema capacidade de absorção.

Primeiramente, deve haver cautela na utilização da ferramenta em outras realidades. Camisón e Forés (2010) indicam que, como uma capacidade dinâmica, os modelos de ACAP não são universais e, portanto, não devem ser generalizados. PMEs possuem um conhecimento de mercado, muitas vezes, limitado devido à menor necessidade de investimentos em P&D e diversificação restrita do produto; a nacionalidade poder enviesar os resultados em uma direção imprevisível.

Portanto, novos estudos devem ser realizados, utilizando a construção de escala de ACAP adaptada à realidade brasileira direcionada a grandes empresas, empresas de tecnologia e empresas industriais, setores em que itens excluídos desta análise, poderiam ser relevantes devido ao foco da pesquisa como, por exemplo, o item A1_19 retirado da escala por sua baixíssima correlação e unicidade, contudo, poderia ser um item essencial às empresas de tecnologia, uma vez que o desenvolvimento de protótipos é tarefa essencial à sua atividade (LINCHENTHALER, 2009).

A vantagem dos instrumentos de medição é que eles não se limitam ao conhecimento das PMEs de comércio e serviço, consequentemente, permitem o exame dos processos de aquisição e assimilação (PACAP) e transformação e exploração (RACAP) em outros tipos de conhecimentos externos, tais como, por exemplo, de direção diferente técnicas e práticas, modelos de gestão de recursos humanos, estruturas organizacionais, de produção de know-how, conhecimento sobre design industrial, experiência em marketing e / ou conhecimento sobre novos mercados, desenvolvimento de tecnologias (CAMISÓN; FORÉS, 2010).

O presente estudo analisou a capacidade de absorção como um processo organizacional, entretanto, cabe ressaltar que a ACAP incide na habilidade do indivíduo, aliada às necessidades da organização. A partir do indivíduo é que se

identifica o conjunto dinâmico de rotinas e processos organizacionais pelos quais as firmas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacitação dinâmica (ZAHA e GEORGE, 2002; TODOROVA e DURSIN, 2007).

Portanto, a sugestão para futuros estudos é a análise da ACAP pela percepção do indivíduo, avaliando a forma pela qual o conhecimento é transferido externamente e a necessidade deste em modificar esse conhecimento permitindo à empresa lidar com ambientes de rápida mudança.

Cabe ressaltar que as respostas obtidas neste estudo estão sujeitas às interpretações dos indivíduos entrevistados (gestores, dirigentes e proprietários). A auto avaliação gerencial pode ameaçar a validade da pesquisa. Neste sentido, recomenda-se estudos em profundidade nas empresas. Há poucos estudos longitudinais nas organizações para a avaliação da capacidade de absorção em longo prazo. O estudo de caso analisa a percepção do desenvolvimento do tema e estimativa de melhorias necessárias nos processos gerenciais que venham a contribuir com o desenvolvimento do negócio em análise e com a teoria da ACAP na investigação do comportamento das suas dimensões.

A inclusão de variáveis moderadoras como, por exemplo, turbulência ambiental, desempenho organizacional, visão baseada e recursos (RBV), são temas que influenciam a capacidade de absorção organizacional, foram utilizados em estudos internacionais e ampliariam a análise capacidade de absorção direcionada à realidade brasileira.

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