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First-Person Pronouns in O-nē-kotoba

4. Previous Studies on Japanese First Person-Pronouns Usage

4.3 First-Person Pronouns in O-nē-kotoba

Ao observarmos as pesquisas desenvolvidas nos arquivos, revela-se a preocupação com o usuário desse serviço, mesmo sem representar uma discussão frequente em termos teóricos. A aproximação com esse receptor pode ser observada pelo imperativo contemporâneo de comunicação das informações custodiadas pelas instituições (Oliveira, 2006). Em segundo lugar, apresenta-se a necessidade dos arquivos rechaçarem a postura reativa e isolada de trabalho, que ainda perdura sobre a sua imagem.

Dessa maneira, o usuário tem sido visto por esses estudos como um sujeito inserido em um dado ambiente organizacional, que percebe uma anomalia em seu estado de conhecimento e está tentando buscar informações para corrigi-la. A partir dessa imagem, os usuários vêm sendo definidos como aqueles que usam o sistema de informação e participam de seu processo formal de comunicação.

Sob um ponto de vista geral, os conceitos de usuário encontrados na literatura arquivística se baseiam naquele difundido pelo Conselho Internacional de Arquivos – CIA – (1984), que o considera como quem consulta e usa os documentos, como leitor ou pesquisador. Nessa perspectiva, este ator ainda é tratado de uma maneira passiva no processo de comunicação, já que o contato só ocorre devido a alguma demanda informacional prévia.

Ainda que ancorado numa visão passiva, o conceito de usuário apresentado por Le Coadic (1997) parece ser o mais razoável para as finalidades desse tipo de estudo. Para o autor, o usuário é definido como aquele que está em busca de informação para

suprir alguma demanda, sendo que essa demanda faz surgir a necessidade de busca e

orienta a maneira de utilização dos documentos.

A categorização dos usuários de arquivo nesses estudos corresponde a divisão clássica entre os clientes internos e externos, sendo representada pelos dois eixos centrais da Arquivística: de um lado, promover o acesso à informação orgânica registrada pelos produtores, relacionado às fases de gestão; e de outro, torná-la acessível ao usuário do arquivo permanente, característica relacionada ao valor histórico e de pesquisa.

Tarraubella Mirabet (1997) destaca que as estratificações relacionadas aos usuários internos dos arquivos encontram uma orientação monolítica, e que as pesquisas

79 com esses atores supõem a recuperação do papel ativo que a documentação assume nas funções administrativas das instituições. Logo, o usuário interno se caracteriza por solicitar ao arquivo o cumprimento das funções básicas que dele se espera: organizar, transferir, conservar e tornar acessível a documentação.

No que tange os usuários externos, o autor parte das investigações predecessoras e define quatro categorias: os investigadores profissionais, os investigadores aficionados, os estudantes e os cidadãos em geral.

Segundo o autor, os investigadores profissionais vão ao arquivo com o intuito de satisfazer necessidades intelectuais ou de estudo, com uma formação universitária definida. Além disso, querem ter acesso à documentação sem a ajuda dos instrumentos de descrição. Porém, são mais pacientes e familiarizados com os serviços. Enquanto isso, os investigadores aficionados têm uma formação variável e por isso apresentam necessidades estranhas aos arquivos; muitas vezes sentem-se frustrados por não conhecer o funcionamento e a realidade da instituição.

Na terceira categorização temos os usuários que ainda são estudantes universitários. Esse fato os diferencia dos investigadores anteriores por que geralmente buscam os arquivos devido a um trabalho de curso. Esses pesquisadores chegam à instituição sem uma preparação prévia e sem um contato anterior com as técnicas e metodologias de investigação. Isso acaba por trazer certa impaciência nesse tipo de pesquisador, ao observar que o trabalho requer certo tempo para execução e paciência. Ademais, esses usuários têm pouca consciência do fato de que estão utilizando uma documentação original e única, representando um patrimônio histórico, o que acarreta em pouco cuidado em sua forma de manuseio.

Por fim, os cidadãos em geral são descritos como aqueles que realizam consultas esporádicas nos arquivos, e a aparição desse grupo se relaciona ao direito de acesso à informação. Contudo, muitas vezes se equivocam na maneira como veem os arquivos por considerá-los um departamento administrativo, negligenciando os conceitos de patrimônio documental que estão atrelados a esta fase.

Além da característica de passividade envolvida nos conceitos de usuário, cabe destacar a displicência no que tange aos receptores primários da documentação. As concepções apresentadas para usuário na Arquivística guardam uma estreita vinculação com o receptor dos documentos da fase permanente. Borràs (2001, p. 5) aborda que

80 “estas concepções acabam por não tocar outras categorias de usuários externos e, sobretudo, excluem os produtores internos dos documentos”.

As justificativas de Borràs para tal postura perpassam dois pontos que merecem destaque em nossas discussões. O primeiro diz respeito àquele que ainda relaciona a imagem do arquivista à figura tradicional, vinculada à documentação histórica. Como consequência disso, o segundo aponta que há uma excessiva correlação dessa profissão com a administração pública, negligenciando o debate em torno da gestão das organizações de natureza distinta.

O autor vai mais adiante e divide os usuários internos em três categorias: a) os diretores, que planejam e supervisionam os procedimentos administrativos; b) os responsáveis pelas unidades administrativas, que coordenam junto com os arquivistas os sistemas de gestão de documentos, e; c) aqueles que executam diretamente a implantação da gestão. Segundo Borràs, o arquivista deve coordenar suas ações em conjunto com todos esses atores do ambiente interno.

É preciso destacar que o tipo de demanda e uso dos arquivos encontra categorias restritas devido às suas características peculiares. Essencialmente, a literatura arquivística classifica três grupos distintos de potenciais usos dos registros orgânicos: a) acadêmico-científico; b) administrativo, e; c) popular. García Belsunce (1986) evidencia que o uso acadêmico se delimita pela construção de ideias e teorias relacionadas à resolução de problemas de ordem científica. O uso administrativo encontra eco no funcionamento rotineiro das atividades da organização, auxiliando a tomada de decisões internas, respondendo às subdivisões realizadas por Borràs no parágrafo anterior. Enquanto que o último grupo, o dos ditos “homens comuns”, está envolvido na curiosidade intelectual de conhecimento das ações do estado.

Dentre os grupos específicos apresentados pela literatura, Bruno Delmas (1977) insere o arquivista nessa categorização. Para o autor, esse profissional deve ser considerado a partir do momento em que observa a melhor maneira de organizar a documentação para atender às pesquisas de um determinado público.

A democratização de acesso às informações resulta na aparição de um cliente novo aos sistemas de arquivo, que Blais (1995) designa como o “usuário-cidadão”. Além dessa categoria, a autora especifica um grupo a mais: o “pesquisador-amador”. O

81 principal motivo para o contato desse usuário com o arquivo é a curiosidade pessoal por grandes fatos e eventos históricos.

A figura abaixo esboça os intrincados meandros das confusões conceituais realizadas pelos diversos autores, relacionando-as aos modos de uso da informação de arquivo:

Figura 03. Mapa conceitual dos estudos de usuários em arquivo

Fonte: elaboração própria.