4. Empirical study
5.4 Firm strategy, structure and rivalry
Após abordagem dos conceitos de cadeia de produção e cadeia de suprimento, faz- se necessário, apresentar uma abordagem sobre sistemas agroindustrias, pois a cadeia do avestruz está inserida em um sistema agroindustrial. Uma revisão bibliográfica sobre sistema agroindustrial é apresentada a seguir.
O sistema agroindustrial – SAI, é definido por BATALHA (1997, p. 30) como “o conjunto de atividades que concorrem para a produção de produtos agroindustriais, desde a produção dos insumos até a chegada do produto final ao consumidor”. Assim, um SAI específico é composto por firmas ou empresas entre as quais são realizadas transações que se dão via mercado ou via contratos. Existem diferentes SAIs dentro do
agribusiness associados a diferentes produtos.
De acordo com MICHELLON (1999), o termo agribusiness surgiu pela primeira vez na literatura agrícola com Davis e Goldberg em 1957 para descrever as crescentes interações e interdependências entre o setor produtivo agrícola e o mundo dos negócios, marcando definitivamente a forma moderna de se pensar a agricultura. . Definiram a economia do agribusiness como a que reúne atualmente as funções que eram devotas ao termo agricultura há 150 anos atrás, quando esta atividade ainda não tinha o apelo de empreendimento coma finalidade de organizar a produção para o mercado.
Segundo BATALHA, 1997, as abordagens pioneiras utilizadas nos estudos do agronegócio e das cadeias agroindustriais, possuem como objetivos principais, analisar as relações entre a agricultura, a indústria e a distribuição, focalizando aspectos sistêmicos das ligações e dependências inter-setoriais, para um melhor entendimento do papel e contribuição do setor agrícola na economia como um todo. A definição do termo agribusiness foi inicialmente proposta, como sendo a soma de todas as operações associadas à produção e distribuição de insumos agrícolas (antes da porteira), as operações realizadas nas unidades agrícolas (dentro da porteira), bem como as ações de estocagem, processamento e distribuição dos produtos (depois da porteira).
SILVA (1996) analisa a importância que estes autores tiveram quando deslocaram o centro da análise de “dentro para fora da fazenda” evitando tratar o setor agropecuário como isolado do resto da economia. Davis e Goldberg, apud SILVA (1996) diziam que
“o fazendeiro moderno é um especialista que teve suas operações reduzidas a cultivar plantas e criar animais”. As demais atividades têm sido transferidas para fora da porteira da fazenda.
Nesse sentido, as empresas devem perceber que fazem parte de um sistema e que o sucesso da firma depende diretamente da sobrevivência e da saúde econômica deste sistema complexo e com conflitos internos, que devem ser harmonizados para um melhor desempenho de todos os integrantes (ZENI, 2001).
Alguns elementos centrais da abordagem de agronegócio foram resumidos por NEVES et al. (2000) da seguinte forma:
A – Visão sistêmica: que representa a necessidade de ampliação do foco habitual do setor agropecuário para outros setores relacionados, como a indústria de insumos, processadores e distribuidores;
B – Foco de análise: que envolve a definição de agronegócio para descrever os SAGs referentes a cada produto específico;
C – Possibilidade de coordenação vista como gerenciamento integrado. A idéia básica é que os SAGs são conjuntos de empresas inter-relacionadas, portanto, passíveis de gerenciamento. Alguns aspectos importantes são os fluxos ao longo do SAG, seja de produtos, serviços, informações, etc. Nos dois sentidos, ocorrem as negociações, riscos e transações financeiras; representados pelos “Tn”, na figura 6. Há necessidade de um conjunto de ações institucionais, reconhecidas como as restrições construídas para estruturar uma interação social, econômica ou política.
Figura 6 - Fluxograma de um sistema agroindustrial.
Fonte: Adaptado de ZYLBERSZTAJN (1995).
Dentro de um sistema agroindustrial são identificados, no mínimo, quatro pontos de transação, considerados mercados com características próprias (BATALHA, 1997): A – A transação entre os produtores de insumos e os produtores rurais;
B – A transação entre produtores rurais e a agroindústria; C – A transação entre as agroindústrias e os distribuidores; D – A transação entre os distribuidores e os consumidores finais.
Consumidor Distribuição E Consumo Processamento Produção Fornecedores de insumo / Fatores de Produção
Sistemas legais, Sistemas políticos, Tradições e Costumes, Políticas setoriais governamentais, Regulamentações, Política macroeconômica. Institucional Organizações públicas e privadas, Cooperativas, Institutos de pesquisas, Informações e Sindicatos. Organizacional Trabalho, Crédito, Transporte, Energia, Tecnologia, Propaganda, Embalagens, Serviços, outros Supermercados, Feiras, restaurantes, Hotéis, Padarias, etc. Alimentos, Bebidas, Fiação e Tecelagem, fumo, madeira e papel.
T1 T2 T3 T4
O corte vertical efetuado no sistema, proposto com o conceito de Agribusiness, centrado em um produto base específico, não significa uma visão reduzida, e sim uma análise sistêmica do ponto de vista funcional e institucional. Uma das variáveis que vêm ganhando importância é a questão tecnológica, não apenas aquelas que atingem a produção agrícola, mas também aquelas que modificam os processos produtivos e produtos ao longo de todo o sistema, assim como as relações organizacionais entre os diferentes sistemas produtivos, incluindo a indústria de transformação e os serviços de distribuição (ZENI, 2001).
Seguindo ainda o princípio da verticalidade, relacionamentos intersetoriais e visão sistêmica, tradicionalmente diversos autores tais como: BATALHA (1997), FARINA (1996) e ZIILBERSTAJN (1995), segmentam a cadeia a jusante e a montante em três subsistemas que são:
Comercialização - Representa as empresas que estão em contato com o consumidor final e que viabilizam o transporte, o comércio e o consumo. Estas empresas, por estarem em contato direto com o consumidor final, vêm ganhando importância no sentido de a coordenação ser efetuada a partir do cliente.
Industrialização - Representa as empresas responsáveis pela transformação de matéria prima em produto acabado, pronto para a comercialização.
Produção de matéria-prima - São as empresas que fornecem matéria-prima para a indústria processadora, dando continuidade à transformação do produto natural para um produto elaborado e pronto para o consumo.
Esta divisão na prática, não é facilmente identificada. Além disto, pode variar segundo o tipo de produto e o objetivo da análise.
A competitividade das empresas, onde se incluem as que fazem parte deste sistema, é o resultado de políticas públicas e privadas, individuais e coletivas. O ambiente institucional, onde estão os sistemas legais de disputas, os sistemas políticos, as políticas macroeconômicas adotadas pelo governo e pelos governos de outros países, as tradições e costumes, podem ser fundamentais para a competitividade. Da mesma forma as organizações, onde se incluem as organizações públicas e privadas, as cooperativas, associações de produtores, sindicatos e institutos de pesquisa dentre outras, são muito importantes para a competitividade, pois geram informações sobre mercados, tendências de consumo e difusão de novas tecnologias (ROSA, 2001).
O agribusiness de especialidades trabalha com produtos diferenciados que os consumidores identificam como diferentes, dispondo-se a pagar mais por eles. A estratégia competitiva é a diferenciação, onde se trabalha com menor volume de produção, com maior valor agregado e o consumidor valoriza a qualidade, inovação e outras características especiais. Produtos como os vinhos finos, fazem parte do
agribusiness de especialidades. As empresas que operam no segmento de commodities,
em geral enfrentam barreiras de mobilidade para o segmento de especialidades, que em geral é mais rentável (ROSA, 2001).
O sistema agroindustrial apresenta níveis e formas de competição um tanto diferenciados nos seus vários setores. Alguns fatores como a política agrícola ou a sazonalidade, atingem o complexo na sua totalidade de uma forma mais ou menos homogênea. Outros, como as inovações tecnológicas podem não distribuir-se uniformemente em todos os setores do sistema (ROSA, 2001).
O capítulo 2 apresentado, teve como foco toda a teoria utilizada como base para a caracterização da real necessidade de estudo da cadeia do avestruz. Conceitos sobre cadeia de produção, cadeia de suprimentos; abordando competências, produtos, coordenação, estrutura e relacionamentos e sistemas agroindustriais, são também considerados teorias direcionais para uma pesquisa bem desenvolvida, auxiliando numa conclusão delineada.
CAPÍTULO 3. PANORAMA DA ESTRUTIOCULTURA NO BRASIL E NO