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3. Bologna-prosessen og innføring av 3+2-modeller

3.3 Erfaringer med innføring 3+2-modeller ved UiO

4.2.3 Finland

A realidade social não é algo simples de descrever, analisar, interpretar ou de fácil compreensão. A realidade social é complexa. Tendo presente esta ideia, o projeto insere-se no paradigma da complexidade, por recurso à metodologia qualitativa de investigação ação- participativa.

A complexidade foi, durante muito tempo, rejeitada pela chamada Ciência Clássica uma vez que esta última baseava-se pelos princípios de ordem, separabilidade e pela razão. Estes pilares foram, ironicamente, os responsáveis pela evolução do pensamento científico, e também, os provocadores do surgimento de constrangimentos desta forma de pensar. Este modo de pensar não é antagónico ao pensamento complexo é, antes, um pensamento simplificador que necessita de ser enquadrado no pensamento mais amplo e profundo do complexus.

O complexus, do latim, significa aquilo que é tecido conjuntamente, neste âmbito, caracteriza-se pela totalidade da realidade social.

Segundo Morin e Le Moigne (2000), a complexidade encara a realidade social como multidimensional constituída também por contradições e incertezas, que se desenvolvem por meio de dimensões que estão interligadas e que atuam umas sobre as outras; por esse motivo, não privilegia o estudo das partes como forma de compreender o todo. Segundo os autores supracitados, não se pode conceber o todo como a simples soma das partes, já que determinados aspetos emergem no seu interior caminhando para as partes e, ainda, ao seu invés, o todo pode ser menos do que o conjunto das partes, uma vez que a organização pode ocultar alguma essência das partes. Desta forma, não é mais importante a parte ou o todo, ambos estão interligados e conectados e só fazem sentido juntos pois, numa visão contrária, perder-se-ia o sentido do real, afunilada num pensamento parcelar, restrito e fechado.

Neste âmbito, o ser humano é encarado como uma parte importante da sociedade, mas também, em simultâneo, no todo, a sociedade está presente no individuo, expressa, por exemplo, na cultura e linguagem.

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Morin e Le Moigne (2000, p. 206) definem o pensamento complexo como

“o pensamento que trata com a incerteza e que é capaz de conceber a organização […] o pensamento capaz de reunir, de contextualizar, de globalizar, mas, ao mesmo tempo, capaz de reconhecer o singular, o individual, o concreto”.

Rejeitada a inseparabilidade do sujeito do objeto, da questão da matéria integrada à consciência em estruturação organizada, neste paradigma, deslumbra-se a tensão entre o equilíbrio e o desequilíbrio que, num processo constante de forças de vai-e-vens, envolve a auto- organização e o caos de um determinado sistema que, tão naturalmente, o caraterizam (Lima, 2006).

O paradigma da complexidade contempla a busca pela conexão e relação das contradições e confusões que o social se constrói, procurando um pensamento multidisciplinar e aberto aos imprevistos da realidade, baseada pelo princípio dialógico entre diversos elementos da realidade social, da auto-organização e pela recusa da linearidade de causa-efeito do qual um produto é produtor e causador daquilo que produz.

Desta forma, encara a investigação como um processo transdisciplinar e hologramático em constante reflexão entre a teoria e a prática, entre as causas e os efeitos, entre o previsto e o imprevisto, entre as certezas e as incertezas (Morin & Le Moigne, 2000).

Neste sentido, é de ressalvar que pensar a complexidade é um grande desafio, uma vez que é necessário uma postura atenta, reflexiva, dialógica e crítica acerca de todos os aspetos envolventes da realidade social, ao longo de todo o processo. A investigação, perspetivada nestes moldes, necessita, por meio da observação constante e direta, de um claro aprofundamento e compreensão da realidade, de forma a conseguir trabalhar com as múltiplas partes do todo.

Existe grande dificuldade em fazer a disjunção entre o observador/investigador do objeto observado, uma vez que este também é sujeito da sociedade e, por isso, o sentido da sua observação é produto das perceções, significados e representações que os sujeitos possuem. Assim, a investigação deve partir dos significados que o individuo atribuiu á realidade social, fruto das relações humanas, das experiencias e vivencias que moldam sua a história de vida (Morin e Le Moigne, 2000).

Desta forma, partindo da ideia que cada ser humano, sendo ser único e, ao mesmo tempo, uma peça fundamental da sociedade que produz e é produtor de múltiplas ligações e conhecimentos, manifesta a sua própria auto-organização. O conhecimento (e aprendizagens) que

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cada ser humano possui é um processo contínuo e constante que ocorre entre todas as dimensões do individuo, incluindo a capacidade de (auto) observacional. Neste sentido, a auto-organização que cada um possui só é partilhada livremente a alguém quando existe confiança nessa pessoa. A confiança constrói-se na base da observação, comunicação e empatia, constituindo-se, desta forma, como características fundamentais no processo de aprendizagem e produção de conhecimento por meio da realidade social (Oliveira, 2008).

Assim, realça-se a ideia de tecer todos os aspetos da sociedade, sabendo em ante mão que nada é estanque e tudo é importante num pensamento complexo. Pesquisar nestes moldes implica saber (re)desenhar estratégia(s) de investigação. Como afirma Alhadeff-Jones (2013, p. 41) não é possível“ […] plan true discovery and innovatios. It require therefore one to be able to tolerate and negotoiate uncertainty and unpredictability thoughout the research process”.

Por este motivo, a investigação/intervenção iniciada no presente projeto assenta predominantemente na investigação qualitativa, no entanto, apresenta algumas componentes da perspetiva quantitativa. A investigação qualitativa concebe a realidade social como uma construção imbuída de significados que os sujeitos atribuem e formam as suas experiências e vivências/interações. Deste modo, para interpretar e compreender as ações do público-alvo é necessário, em primeiro lugar, estudar os seus quadros de referência (dimensão subjetiva/intersubjetiva). Esta preocupação com o contexto de investigação determina um maior envolvimento e sensibilidade entre o investigador e os atores sociais. O investigador constitui-se como o “instrumento principal” da investigação (Bodgan & Biklen, 1994, p. 47) onde capta e regista direta e integralmente os dados do contexto social.

A abordagem qualitativa descreve os dados recolhidos para não ignorar e/ou secundarizar alguma informação essencial. Neste sentido, o investigador pode alterar e reajustar as questões de pesquisa ao longo do processo consoante as novas exigências e acontecimentos, o que demonstra a sua dimensão flexível e dinâmica.

Contrariamente a esta, a perspetiva quantitativa defende que o conhecimento científico desenvolve-se com base nos números e na mensuração dos resultados empíricos. Os seus instrumentos de recolha de dados são fiáveis e estáveis alcançados pela via da objetividade com o intuito de comparar ou (com)provar hipóteses (Pardal & Correia, 1995).

Neste sentido, é justificado a opção ao recurso deste modelo investigativo pela necessidade de garantir um estudo que abarque as informações subjetivas e tão profundas do

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contexto de intervenção e pela necessidade de possuir dados empíricos que permitem salientar (e comprovar) os resultados do presente projeto.