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2. Teoretiske perspektiver

2.2. Ressurser

2.2.1. Finansiell kapital

7.1 Região Metropolitana da Baixada Santista

Trata-se de uma das mais importantes áreas do Estado de São Paulo, abrangendo os municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, com uma área territorial de 2.422 Km2 e uma população de 1,7 milhão de habitantes (IBGE, 2014).

A região caracteriza-se pela diversidade de funções nos seus municípios. Além do parque industrial de Cubatão e do Complexo Portuário de Santos, desempenha funções de destaque em nível estadual, como as atividades industrial e de turismo (EMPLASA, 2015).

Com aproximadamente 13 Km de cais, quase 500 mil m2 de armazéns, o Porto de Santos, maior e mais importante complexo portuário da América do Sul, movimenta anualmente 76 milhões de toneladas, entre carga geral, líquidos e sólidos a granel e mais de 40% do movimento nacional de contêineres. As atividades industriais em Cubatão, assim como as portuárias em Santos, respondem por um enorme Produto Interno Bruto (EMPLASA, 2015).

O presente estudo conduziu trabalhos nos seguintes municípios e praias: Bertioga (Itaguaré), Guarujá (Guaiúba, Tombo, Enseada e Góes), Praia Grande (arco praial), Santos (arco praial), São Vicente (Gonzaguinha) e Juréia (São Sebastião / limite com Bertioga), totalizando 09 praias em 39,8 Km de costa. (Figura 7.1) Além das praias, foi realizado um trabalho no Estuário de Santos para fundamentar a referência à região como principal fonte no Estado.

A escolha da região e, especificamente, destes municípios, se deu pela sua condição de maior área-fonte emissora de pellets de plástico na costa do Estado de São Paulo, na qual, previamente, já foram identificadas (conforme capítulo anterior) as maiores concentrações de microplásticos do segmento litorâneo.

Figura 7.1: Praias amostradas em municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista (2014) Fonte: Falcão, Plínio (2015)

7.2 Os pellets no Estuário de Santos / São Vicente

A poluição marinha e costeira, como dito anteriormente, tem considerável parte de suas origens no interior dos continentes, no qual ocorrem inúmeras atividades industriais, agrícolas, pecuária e agroindustriais. Canais fluviais, drenagens, estuários e desembocaduras correspondem a alguns dos meios pelos quais agentes dessas poluições chegam às aguas oceânicas e costeiras, vindo a interferir diretamente nos ecossistemas da costa, como é o caso das praias.

O estuário é um ecossistema costeiro para o qual existem várias definições. Para Rossetti (2008), a mais utilizada por geólogos e geomorfólogos é a de que esse sistema corresponde a um corpo de água semifechado no qual ocorre mistura de processos fluviais e marinhos. Segundo Tundisi; Tundisi (2008), são formados por movimentos de submergência ou emergência das áreas costeiras, resultantes da movimentação de placas e de efeitos locais, como, por exemplo, direção e força das correntes, ação das ondas, deposição de sedimentos lançados por rios, glaciações e efeitos das marés.

A distribuição da energia total produzida pela interação de processos fluviais e marinhos resulta na subdivisão interna do estuário em três setores: um interno, dominado por processos fluviais; um central, dominado por processos de baixa energia e no qual ocorre equilíbrio entre processos marinhos (principalmente representado por correntes de maré) e fluviais; e um externo, em que se dá o domínio de processos marinhos (ondas e correntes de maré) (ROSSETTI, 2008).

Segundo Tundisi; Tundisi (2008), os sedimentos refletem a complexa e dinâmica natureza desse ecossistema e a sua deposição é decorrente do fluxo a partir dos rios, do trabalho da água costeira e da distribuição de correntes no interior do estuário. Próximo à costa os sedimentos dominantes são arenosos, e, no seu interior, há sedimento fino e muitas vezes argiloso, com grande concentração de matéria orgânica.

O Estuário de Santos e São Vicente está localizado ao sul do Trópico de Capricórnio, compreendendo a área da escarpa da Serra do Mar, planície

sedimentar, até o mar entre os rios Mongaguá e Itapanhaú, em Bertioga (ALFREDINI; ARASAKI, 2009). Segundo Herz (1991) apud Alfredini; Arasaki (2009), nas áreas planas do Estuário de Santos, sujeitas à ação das marés, ocorrem cerca de 40% dos manguezais do litoral paulista.

A última etapa dos trabalhos de campo da pesquisa envolveu uma verificação de possível presença de pellets em pontos desse Estuário, tomando como base o princípio da zona industrial-portuária como precisa fonte emissora de pellets no ambiente. Para essa atividade contou-se com uma embarcação rápida particular, alugada no Guarujá, e num percurso de 3 horas foram observadas algumas áreas de mangue e planícies de maré dentro do estuário.

Essas observações se justificam pela aferição de presença e quantidade de pellets na zona estuarina, relacionando-os com as praias externas ao estuário, visto que os canais funcionam como elo entre seu interior e as águas externas. Embora seja um ambiente muito dinâmico, sobretudo pelos efeitos das correntes e das marés, podendo apresentar vários cenários, é consistente a existência do material, exatamente por conta do aglomerado produtivo e logístico local.

O percurso obedeceu ao seguinte roteiro: subida pelo canal estuarino de Santos, em seguida o Canal da Cosipa, depois o Largo do Caneú e, por fim, a entrada do Canal da Bertioga. Durante a atividade foram realizadas 17 paradas, as quais foram denominadas, em geral, como ponto de coleta (PC). Ali eram observadas as características como fisiografia local, intervenções humanas e associação dos pellets com outros materiais ou resíduos. Todavia, coletas foram realizadas quando, de fato, pellets eram encontrados. (Figura 7.2)

Pellets encontrados Pellets não encontrados

Figura 7.2: Roteiro e coletas no Estuário de Santos e São Vicente – Pesquisa de campo 2014 Fonte: Elaborado pelo Autor (2015)

Os resultados obtidos a partir do roteiro foram sintetizados e organizados no quadro a seguir. (Figura 7.3)