10 Sensitivity analysis and risk assessment
10.1 Financial risk
Face ao desmedido impato que a saúde oral expressa sobre a saúde geral, e perante a crescente necessidade de consciencialização dos decisores políticos, no sentido da criação de estratégias eficientes, que permitam disponibilizar condições de saúde oral mais favoráveis, para toda a população, pretendeu-se desenvolver precisamente, uma análise relacionada com as intervenções de saúde oral, implementadas em vários países detentores de distintos sistemas de saúde.
O presente tema surgiu, pela inexistência de estudos e análises focalizados na identificação de intervenções e medidas, destinadas à melhoria significativa das condições de saúde oral entre países. Desta forma, partiu-se do pressuposto de que este seria efetivamente um tema original, de elevado interesse e conhecimento, nãos só apenas para os profissionais de saúde oral, como também, uma ferramenta de auxílio para decisores políticos, e para toda a população em geral.
Como resultado, a conjetura que desencadeou o interesse, foi fundamentalmente, que tipo e género de diligências, efetivamente estariam a ser implementadas por outros países. Pelo que, para uma melhor e mais verosímil análise, surgiu a precisão de as classificar devidamente, segundo temas ou categorias, utilizando como modelo, as recomendações da OMS para 2020. Este foi o processo de criar pontos de comparação comuns, revelou-se determinante para compreender se o que a OMS considerou e propôs, está a ser devidamente implementado.
Precisamente por existiram diferentes sistemas de saúde entre países, bem como distintos métodos de financiamento, antes de iniciar a identificação de intervenções de saúde oral revelou-se essencial, perceber e sobretudo caraterizar o sistema de saúde oral português, assim como qualificar, de forma sintetizada, qual o tipo de sistema de saúde geral e sistema de saúde oral, vigente em cada país, considerado para análise.
Logo, para melhor estruturação do estudo a incluir na investigação, partiu-se do princípio, de que antes de tudo, deveria ser realizado um enquadramento preciso, das iniciativas identificadas com as recomendações e objetivos estabelecidos pela OMS. Pelo que foi realizada uma investigação preliminar, a fim de agrupar, segundo linhas de atuação, as diversas recomendações e objetivos propostos pela OMS. Sequencialmente, as intervenções implementadas pelos países em estudo, seriam classificadas de acordo
com essas mesmas linhas de atuação. Daqui se depreendeu que este raciocínio foi elementar na organização e orientação da investigação.
Implica assim, evidenciar, que em resultado da identificação das várias intervenções, se pretendeu ainda reconhecer, e nomear uma ou duas iniciativas de interesse, que pudessem servir modelo e exemplo, para possível e posterior implementação do nosso sistema de saúde oral.
Importa referir, que o presente estudo foi determinado, em função da relevância do tema em questão, da acessibilidade à informação pretendida e face à tipologia de informação recolhida. Desta forma, foi praticamente exequível uma abordagem descritiva sobre, a situação ou problema atual, a saúde oral, e a análise de intervenções adotadas pelos vários países. Tudo, em função da interpretação crítica de factos já conhecidos (abordagem documental retrospetiva), revelando-se até mesmo, bastante apropriado, para o alcance dos objetivos propostos na investigação e resposta à hipótese colocada. (Bonita; Beaglehole; Kjellström, 2010)
A seleção dos países, foi realizada em função de vários critérios de inclusão previamente definidos. A entrada na União Europeia até ao ano 2000 (ano em que os objetivos e recomendações da OMS foramestabelecidos), a disponibilidade e acessibilidade de informação (essencialmente gratuita e redigida em inglês) foram dois dos critérios. Portanto, numa configuração geral, procurou-se selecionar um grupo de países com distintos sistemas de saúde e métodos de financiamento, e que, em simultâneo apresentassem uma ou outra característica em comum, tal como, membro da União Europeia e detenção de um relatório atualizado, do Observatório Europeu de Sistemas de Saúde e Políticas (apresentado após 2010). Esta tipologia de critérios foi crucial para restringir o número de países em análise.
Dado que o investigador não foi o responsável pela recolha direta de dados, e sobretudo por este motivo, tentou obter a informação mais atualizada disponível, em função das fontes consultadas. As três principais fontes de informação secundária utilizadas, foram documentos de gestão de programas e sistemas, fontes estatísticas, avaliações e relatórios de investigações realizadas. A preferência das fontes de informação de origem secundária, prendeu-se com as seguintes evidências: maior rapidez e facilidade de consulta, e acesso gratuito, associadas a este tipo de dados, e face à autenticidade (relatórios e documentos oficiais). Logo as fontes utilizadas, são maioritariamente documentos virtuais, possíveis de encontrar em páginas da web, relatórios, estatísticas
de diferentes estudos, e avaliações de organizações que acompanham, avaliam, produzem e disponibilizam informação relacionada com o tema central (Observatório Europeu de Sistemas de Saúde e Políticas; Base de Dados de Saúde Oral; Organização Mundial de Saúde; OCDE; CECDO).
Contudo, apesar da informação de tipo secundário ter sido útil na comparação dos resultados apurados, e ficar disponível de forma relativamente rápida, apresentando as primeiras respostas a algumas questões num período de tempo relativamente curto, associados ainda a estas fontes, existem também aspetos negativos, tais como, o excesso de informação disponível na web, apesar dos rápidos motores de busca, traduzindo-se no investimento de algum tempo para a seleção e análise de informação de maior qualidade, com dados mais fidedignos, verosímeis e atuais.
Surgiu também a necessidade de criar um quadro, para melhor atribuição de categorias às diversas intervenções, e após o síntese dos objetivos e recomendações revertidos em linhas de atuação, resultaram dez campos de ação, que convenientemente serviram, para melhor resumir toda a informação recolhida. Importa ainda realçar que, para facilitar o preenchimento do quadro, foi também criada uma classificação que funcionou como ferramenta de auxílio nesse sentido.
Poder-se-ia aprofundar ainda mais o estudo, caso a recolha de dados tivesse sido realizada diretamente com as entidades responsáveis pelos planos de saúde oral de cada país em análise, porém seria convenientemente fundamental a detenção de um período de investigação, muito mais alargado no tempo.