O desenho da pesquisa está dividido em três etapas: um estudo exploratório inicial seguido de um levantamento de dados
survey (parte quantitativa que visa selecionar os prováveis casos
e informar o contexto de cada um) e de um estudo de caso (parte qualitativa). Não obstante a presença de uma etapa
survey, no escopo a finalidade principal da pesquisa é descritiva,
pois a estatística utilizada, como será demonstrado adiante, foi a de caráter descritivo.
No estudo exploratório inicial, partindo da totalidade dos municípios catarinenses, ou seja, 295 municípios, estes mesmos municípios foram classificados de acordo com a presença ou ausência de escolas de música (Cf. p. 58). Este estudo exploratório resultou numa lista dos municípios de Santa Catarina onde foram localizadas escolas de música e conservatórios, contendo contatos atualizados para as mesmas, servindo, então, de base para a segunda etapa: um survey.
No survey, a partir dos municípios com escolas de música, que totalizaram 119, foi realizada uma amostragem de razão 1:2, resultando, com adaptações, num montante de 62 municípios (Cf. Apêndices A e B). Com as escolas de música localizadas nesses 62 municípios, que somaram 146 escolas, foi realizado um levantamento sobre o perfil geral de cada escola e sobre os professores de violão. Segundo Gil, o método de levantamento por survey visa “[...] a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer [...] para, em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões dos dados coletados” (1999, p. 70). Este tipo de pesquisa pode ser enquadrado dentro dos estudos que têm como principal finalidade “a descrição das características de determinada
população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL 1999, p. 44). O tipo de survey escolhido é o interseccional que, segundo Babbie (2003, p. 101), é usado para colher dados da amostra em determinado momento visando descrever a população maior no mesmo momento. Esta fase da pesquisa resultou numa lista de escolas de música discriminadas, entre outras coisas, pela presença ou ausência da divisão entre clássico e popular no ensino de violão, pelas formas de manutenção financeira e pela quantidade de alunos. Além disso, essa lista apresentou a quantidade de professores em cada escola de música, bem como sua idade e formação.
Na terceira etapa, estudo de caso, partindo-se dos dados obtidos na segunda etapa, foram selecionados professores representativos das regiões9 do estado, com formações diversas e que lecionam dentro de vertentes diversas, isto é, violão popular, violão erudito ou apenas violão, não diferenciando as duas vertentes (Cf. p. 40).
Os estudos de caso visam, em seu escopo, o aprofundamento descritivo de uma determinada realidade (TRIVIÑOS, 1987) e, conforme Yin (2005, p. 19), são adequados quando as perguntas que norteiam a pesquisa são do tipo “como” e “por que”. Além disso, são utilizados quando não se tem controle sobre o comportamento do objeto de estudo, como é o caso do controle de variáveis nos experimentos. Por fim, são também indicados para o estudo de acontecimentos contemporâneos, ao contrário da pesquisa histórica, por exemplo. Tratando esta pesquisa de investigar a didática - “como” ensinar - utilizada por professores atuantes no presente, acredita-se que os estudos de caso sejam adequados aos objetivos desta pesquisa, para o aprofundamento dos dados obtidos no survey. O tipo de estudo de caso escolhido foi o de caso único (YIN, 2005, p. 40-41), embora, para a configuração do caso, qual seja a “didática”, tenham sido entrevistados diversos professores, partindo de uma entrevista-piloto e seguindo uma lógica de replicação. Em estudos de caso a
9 O estado de Santa Catarina acha-se dividido em mesorregiões que, por sua vez, se subdividem em microrregiões. Embora seja mais correto utilizar os termos “mesorregião” e “microrregião”, preferiu-se utilizar apenas “região”, visto que não serão feitas referências às microrregiões.
generalização deve ser muito criteriosa, pois suas conclusões dizem respeito inicialmente ao caso estudado. A generalização, ao contrário dos levantamentos em que é estatística, nos estudos de caso é analítica, pois os dados são generalizados não de uma amostra para a população, mas dos casos para uma determinada teoria (YIN, 2005, p. 52-53).
Os detalhes do estudo de caso estão especificados no protocolo de estudo de caso, apresentado a seguir.
Tendo já sido informadas já na introdução as generalidades do projeto, quais sejam a problemática, a questão de pesquisa, os objetivos e a justificativa, elementos esses componentes, segundo Yin (2005), de um protocolo de estudo de caso, resta neste momento elencar os procedimentos que foram utilizados em “campo”. Inicialmente, é importante observar que o “campo”, no caso particular dessa pesquisa, adquire um sentido estendido, pois além de ser o local de moradia e de ensino dos professores, é também virtual, pois, com exceção de uma, as demais entrevistas todas foram realizadas via Internet. Dessa forma, o “campo físico” foi acessado somente pelas informações dos entrevistados. Seguem, portanto, os procedimentos que foram adotados na etapa do estudo de caso:
1. Seleção dos entrevistados:
a. Reconstrução da identificação das escolas e possíveis entrevistados10;
b. Formação de um quadro de entrevistados, visando à obtenção de dados de todas as regiões, de todas as modalidades de violão e de professores com e sem formação;
c. Sorteio e alocação de entrevistados para cada uma das possibilidades do item b;
2. Contato com os professores sorteados para convite para as entrevistas;
3. Contatos iniciais com os professores que fizeram o aceite:
10 No questionário enviado na etapa survey o anonimato também foi utilizado. Assim sendo, para a escolha dos entrevistados, inicialmente foi necessário identificar os respondentes da amostra, o que foi realizado através de ligações telefônicas, buscando comparar as respostas dadas com as informações prestadas.
a. Envio, através de e-mail, de documento contendo os tópicos que seriam investigados na entrevista, todos os detalhes do processo e os critérios éticos adotados bem como de carta de apresentação elaborada pelo PPGMUS da UDESC;
b. Acordo sobre a forma de realização da entrevista (virtual ou in loco);
4. Realização de entrevista-piloto para obtenção de
feedback sobre os procedimentos;
5. Realização das entrevistas seguindo um cronograma de agendamentos. Obtenção dos documentos através dos entrevistados ou nas suas instituições de ensino;
6. Textualização e análise das entrevistas e documentos, com triangulação das informações, observando regularidades e idiossincrasias.
Desta forma, a parte quantitativa subsidia a parte qualitativa, e a análise final visa integrar os dados obtidos em todas as etapas. Os próximos parágrafos detalham os procedimentos de cada etapa, informando os processos de amostragem nas etapas quantitativas e de seleção dos participantes do estudo de caso, denominados tecnicamente de unidades de coleta, a forma de coleta de dados e as estratégias de análise dos mesmos.
3.2 UNIVERSO, POPULAÇÃO E AMOSTRAGEM NO