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1. ASSESSMENT OF THE NAVAL BLOCKADE ON THE GAZA STRIP UNDER A LAW OF

1.4 FINAL REMARKS

Cultura digital é uma expressão nova, emergente. Vem sendo apropriada por diferentes setores e incorpora perspectivas diversas a respeito do impacto das tecnologias digitais e da conexão em rede em nossa sociedade (CARVALHO JUNIOR, 2009).

Observamos que o conceito de cultura digital ainda está em formação. Por isso, geralmente associamos este conceito a outros conceitos, tais como sociedade da informação, cibercultura, revolução digital, redes digitais, cultura participativa, construção coletiva e a outras expressões relacionadas.

Para Costa (2008), a cultura digital está muito ligada à ideia de interatividade, interação e inter-relação entre as pessoas, informações e imagens.

Nessa perspectiva, a cultura digital discute o impacto de tecnologias como o telefone celular, a televisão digital e a internet na sociedade, bem como as alterações que essas tecnologias vêm causando com o aumento crescente da quantidade de informação e o surgimento de redes sociais.

Podemos pensar que a cultura digital representa uma evolução em relação à cultura que a antecedeu, fato que contribui para alimentar a crença de que a cultura digital é determinada pela tecnologia digital. Por isso, devemos partir da ideia de que a revolução das tecnologias digitais é cultural, sendo, portanto, capaz de mudar a própria cultura. Assim, a tecnologia digital deve ser vista como produto da cultura digital.

Na cultura digital, temos presenciado o surgimento de comunidades de internautas que militam em movimentos virtuais e participam de fóruns e outros eventos com o objetivo de lutar pelo processo inovador de construção de políticas públicas para o digital, como, por exemplo, barateamento do computador pessoal e do telefone celular, utilização de softwares livres, serviços gratuitos na rede, etc., contribuindo para democratizar o acesso à informação e aumentando a produção cultural.

A ONU (Organização das Nações Unidas) acaba de dar um passo importante no sentido de promover a universalização da internet ao declarar o acesso à rede um direito fundamental do ser humano – assim como saúde, moradia e educação.

Dado que a internet se tornou uma ferramenta indispensável para uma ampla realização dos direitos humanos, combatendo a desigualdade e acelerando o desenvolvimento e o progresso humano, garantir o acesso universal à Internet deve ser uma prioridade para todos os Estados. Cada Estado deve, portanto, desenvolver uma política concreta e efetiva, consultando as pessoas de todos os setores da sociedade, incluindo o setor privado e relevantes Ministérios do governo, para tornar a internet largamente disponível, acessível e com preços acessíveis a todos os segmentos da população (UNITED NATIONS, 2011, p. 22 ). (Tradução nossa)

Onde há infraestrutura para acesso à internet, a ONU incentiva os Estados a apoiar as iniciativas para garantir que as informações online possam ser acessadas de maneira significativa por todos os setores da população, incluindo pessoas com deficiências e pessoas pertencentes a minorias linguísticas.

De acordo com Rosa e Santos (2011), em todo o mundo, pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi, organizações e governos se mobilizam para expandir a rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega, com acesso livre e gratuito, para atender à demanda da população.

A título de exemplo, citamos que, no ano de 2010, a Finlândia tomou a iniciativa de distribuir internet gratuitamente em casa para todos os seus cidadãos. Essa iniciativa finlandesa é considerada a ação mais concreta de um governo para reconhecer o acesso à

internet como direito fundamental do ser humano, por se tratar de uma ferramenta para a liberdade de expressão (ROSA; SANTOS, 2011).

Seguindo o exemplo de países como Israel, Estados Unidos e Austrália, o governo brasileiro tem se esforçado para ampliar o alcance da rede, lançando o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) com a meta de levar o sinal para as áreas menos favorecidas.

O Plano Nacional de Banda Larga tem o objetivo de oferecer internet rápida em larga escala, para todo o país, iniciando-se em 2011 e indo até 2014, beneficiando 40 milhões de domicílios. Pelo plano, seis operadoras devem iniciar a oferta da conexão de 1 Mbps (Megabit por segundo) e aumentar gradativamente a oferta até chegar a 5 Mbps, ao preço inicial de R$ 35,00 (trinta e cinco reais) por mês, cujo valor corresponde aproximadamente à metade da média cobrada em todo o país atualmente.

A empresa estatal Telebrás (Telecomunicações Brasileiras S/A) será a gestora do Plano Nacional de Banda Larga e também participa como operadora da execução juntamente com as operadoras privadas. A estatal ficará encarregada de levar conexão banda larga para usuários finais em localidades que não exista oferta adequada desse tipo de serviço por falta de interesse ou de recursos das operadoras da iniciativa privada.

Caberá também à Telebrás a missão de apoiar políticas públicas de conexão à internet de banda larga para universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, postos de atendimento, telecentros comunitários e outros pontos de interesse público.

Na interface educação e tecnologia, smartphones e tablets são aplicativos que estão quebrando paradigmas e podem ser incorporados às salas de aula.

A Coreia do Sul, por meio de ações do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia, vai substituir os livros didáticos impressos por tablets e criar um sistema de servidor baseado em nuvens para suas escolas até 2015, com investimentos de U$ 2,4 milhões de dólares. A substituição dos livros didáticos pelos tablets é uma forma de acelerar o acesso da população às informações na era digital. O objetivo do programa é tornar o aprendizado mais conveniente. Os alunos poderão fazer dowunloads de livros para seus tablets e ter aulas on-

line.

No Brasil, o Ministério da Educação anunciou que vai distribuir tablets a escolas públicas a partir de ano de 2012, com o objetivo de universalizar o acesso dos alunos à tecnologia digital.

Muitas cidades brasileiras começam a entender que vivemos em uma cultura digital e fazem seus planos para expansão da internet. Exemplificamos essa realidade com Belo Horizonte, que criou uma empresa especializada em tecnologia da informação e comunicação

e tem locais de acesso público e gratuito fornecidos pela Prefeitura em praças, parques e rodoviária.

A PRODABEL (Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte) lançou o programa BH Digital e tem contribuído para que as ações de inclusão digital possibilitem a inclusão social. Por meio da RMI (Rede Municipal de Informática), a referida empresa implantou rede sem fio em todos os prédios da administração municipal, disponibilizou 53 (cinquenta e três) hotspots (pontos de livre acesso à internet) e colocou em funcionamento 290 (duzentos e noventa) telecentros e PIM (pontos de internet municipais).

Para ilustrar a informação de que a tecnologia digital começa a ser levada em conta nos índices que avaliam as condições das cidades, citamos que, em 2011, a capital mineira obteve o primeiro lugar na primeira edição do Prêmio Índice Brasil de Cidades Digitais, conferido pelo Momento Editorial e pela Fundação CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), e ostenta o título de capital digital do Brasil (Quadro 2).

Quadro 2 – Ranking das cidades mais digitais do Brasil

Colocação Cidades Pontuação

Belo Horizonte (MG) 360 pontos

2ª Curitiba (PR) 352 pontos

3ª Porto Alegre (RS) 349 pontos

4ª Vitória (ES) 347 pontos

5ª Ibirapuitã (RS) / Jundiaí (SP) 340 pontos

6ª Campinas (SP) 339 pontos

7ª Santos (SP) / São Carlos (SP) 338 pontos

8ª Tarumã (SP) 335 pontos

9ª São Paulo (SP) 334 pontos

10ª Tauá (CE) 332 pontos

Fonte: Fundação CPqD (2011)

Pelo que discutimos nos itens dessa seção, podemos dizer que fazemos parte de uma sociedade tecnológica e estamos imersos em uma cultura digital que influencia o pensamento e o comportamento sobretudo das crianças, possibilitando o surgimento de gerações digitais, cuja temática vamos discutir com mais profundidade na próxima seção de nosso trabalho.

1.4 AS GERAÇÕES DIGITAIS: MUDANÇAS POLÍTICAS E TRANSFORMAÇÕES DA