4 The empirical context
6.3 Final comment
Nesta categoria inserem-se os dados reportados sobre as particularidades da técnica que o enfermeiro utiliza para que as aprendizagens do alvo de ensino ocorram.
Unidade de Registo Unidade de Contexto
Utilização criteriosa de folhetos ou brochuras com informação sobre DRC, procedimentos ou cuidados a ter
“No início não damos logo (o folheto com a descrição
da técnica), quando começamos a mexer mais e ele
começa a mexer, aí damos (...) para ele olhar em casa, para verem o que é que fizeram, o que é que não fizeram, para começarem a ver, a identificar aquelas diversas fases.” (E1)
“Primeiro ver, vamos fazer algumas vezes e depois o folheto vai ficar na mão deles para eles lerem com calma e aí vão entender melhor os passos que estão a fazer” (E2)
“Não damos (o folheto) no primeiro dia porque (...) uma coisa é tu olhares para uma lista, para um folheto em que diz uma ordem em que os procedimentos acontecem e tu dizes aquilo de cor e salteado. E depois eu digo assim “e porque é que abre o saco e lava as mãos e não lava por exemplo as mãos e abre o saco a seguir?” É preciso ele perceber porque é que aquilo é feito daquela ordem” (E5)
“Durante o treino não damos absolutamente nada, quando eles vão para casa, já sabem fazer e são autónomos, damos uma folhinha (...) passo a passo a dizer como fazer a diálise (...) acho que não devemos ter muletas durante o treino (...) durante o treino eles têm que ter essa capacidade, memorizar aquilo que é importante, e saber executar, ou seja se tiver de alguma forma um suporte ou uma muleta podem nunca ser capazes” (E3)
Não obrigatoriedade de usar manequins e outro material que permita a simulação de procedimentos
“Só ensino simulado eu não concordo, levamos mais tempo (…) só quando veem mesmo é que percebem que infundiu, que está ali aquele tempo e depois vão drenar” (E1)
“Nunca usamos o avental (...) mãos na massa mesmo (...) nós nunca usamos nem aventais, nem hipoteticamente “faça de conta que é isto e experimente” (E2)
“Não temos materiais… é a falar com o doente (...) parece-me bem, para já não sentimos falta” (E3)
Unidade de Registo Unidade de Contexto A importância de, dentro do possível, adequar um procedimento a cada alvo de ensino
“A gente arranja sempre estratégias (para facilitar a
identificação do volume da infusão). Por exemplo (...)
ao fazer o priming, deixamos um valor (...) mais redondo. Tipo o saco pesa 2200, vai fazer um priming até que fique os 2 L. E vai ter de deixar entrar até ficar 1700 (quando se pretende uma infusão de 300)” (E2) “A dificuldade inclusive em pegar a tampinha... há pessoas que vão com a tampinha na mão, desconectam e já põem. Quando vejo que é uma pessoa com dificuldade utilizo outra forma. Abro a tampinha, larga a linha e depois é que vou com a tampinha. Vou adequando o meu ensino às dificuldades que eu vejo” (E2)
“Às vezes (a dificuldade) é gerir os pesos e fazer as contas do que ultrafiltrou (...) Eu digo “não se preocupe, você põe sempre aquilo que sai e a gente sabe o que entra e depois quando vier aqui à consulta (...) dá-nos a folhinha e nós fazemos as contas e vemos se está a tirar ou não” (E2)
A preocupação com uma linguagem cuidada
“Assim como a linguagem, há que usar... “desconectar,” (...) “Physioneal”, “Physioneal” é muito complicado, então usamos as cores, pronto, “ponha aí um A Amarelo”… “Roxo”, pronto facilitamos conforme também o doente que está à nossa frente (...) se é um miúdo com alguma formação... até ficam ofendidos, até já me aconteceu se tu usas uma linguagem muito, muito básica (...) se me fazem umas perguntas mais elaboradas, a gente tem de usar uma linguagem um bocadinho mais cuidada... Tento sempre não complicar” (E2)
“(É necessário cuidado com o facto de) ás vezes a gente tenta levar para o lado cómico da coisa, há pessoas que aceitam bem outras levam a mal. Por um lado dizemos que é uma coisa séria e tem que ter atenção, por outro lado estamos a fazer analogias tontas” (E5)
O recurso a um utente experiente como forma de exemplificar um procedimento
“Se eu tenho um doente que lida bem com a DP (...) Mas pronto só para o outro que está a começar ter uma noção do que é que é uma passagem, o colocar a máscara, o lavar as mãos e a passagem em si do início até ao fim. Mas só para exemplificar. Mais nada. (...) Obviamente que eu vou escolher o doente que vai fazer” (E4)
Unidade de Registo Unidade de Contexto
A possibilidade do alvo de ensino dar continuidade ao processo de treino em casa
“(Em casa) o doente tentar visualizar, e até dizemos mesmo “feche os olhos e visualize aquilo que se passa aqui no gabinete e em 2 ou 3 minutos você vai escrever coisas muito simples, não é nenhuma receita de nenhuma tarte: 1, por a máscara, 2, fazer isto, 3 fazer aquilo, e vai escrever aí” (E5)
“E quando eles escrevem e no dia a seguir trazem, e nós vamos ver e vamos confrontar aquilo que realmente é para fazer, com aquilo que está escrito (...) “então você escreveu aqui que primeiro lava as mãos e a seguir abre o saco, o que é que acha que acontece ás suas mãos quando lava as mãos e a seguir abre o saco?” (E5)
“Só este exercício de “espera lá, deixa lá ver o que é que eu faço, agora faço isto agora aquilo e vou escrever”, e depois ser confrontado com a realidade, eu acho que isso é importante” (E5)
A existência de uma avaliação como forma de garantir que se atingiram os objetivos
“Há depois uma prova de avaliação, entre aspas, para se perceber se o doente percebeu aquilo que lhe foi explicado” (E4)
“O facto dos doentes responderem a um vá... não é bem um teste, mas é como se fosse (é vantajoso). Claro que é muito importante um doente saber fazer a parte técnica, mas também é muito importante o doente saber reconhecer sinais e sintomas, de complicações infeciosas e não infeciosas. Saber se lhe acontece um problema qualquer como é que resolve aquilo. Portanto mais importante do que, ou se calhar tão importante que o doente saiba fazer a parte técnica é reconhecer os sinais e sintomas daquilo que não está bem” (E5)