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5.2 Test methods and calculations

5.3.4 Fillers

outras, do Diário Oficial da União e até hoje uma das principais estruturas do Estado Brasileiro utilizada para dar conhecimento oficial de suas ações aos cidadãos. (BAHIA, op. Cit. 10)

É usual nos estudos da história da imprensa brasileira se colocar em contraposição o jornal oficial, a Gazeta do Rio de Janeiro, e o jornal que fazia críticas ao governo, o Correio Braziliense. Mas, há mais convergências entre os dois periódicos do que as divergências que podem ser expressas nesta dicotomia evidente. Para Morel, uma leitura atenta demonstra que ambos são produtos da mesma mentalidade, do mesmo contexto político e, mesmo com diferenças, partilhavam um mesmo universo de referências.

“Tanto a Gazeta quanto o Correio defendiam idêntica forma de governo (monárquica), a mesma dinastia (Bragança), apoiavam o projeto de união luso- brasileira e comungavam o repúdio às ideias de revolução e ruptura, padronizado pela crítica comum à Revolução Francesa e sua memória histórica durante a Restauração.” (MOREL in MARTINS & DE LUCA, 2008: 31)

A terceira via da interpretação histórica sobre o início do jornalismo no país é de autoria do também eminente jornalista, político e professor alagoano Pedro Costa Rego e foi lançada em uma sessão da ABI, onde este foi diretor, em 1939. Para ele, o alagoano da antiga cidade das Alagoas – hoje Marechal Floriano – Aureliano Cândido Tavares Bastos foi o primeiro verdadeiro jornalista brasileiro. Recentemente a existência desta tese foi resgatada por Marques de Melo, que apesar de considerá-la iconoclasta, reproduziu a argumentação de Costa Rego, que considerava que a imprensa do Brasil nos períodos joanino e mesmo depois da Independência carecia de autonomia frente ao poder público e aos interesses privados. (MELO, 2009: 183)

Antes de tornar-se jornalista, Tavares Bastos foi parlamentar. É hoje o patrono da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas e da cadeira número 35 da Academia Brasileira de Letras. Nascido em 20 de abril de 1839, faleceu em Nice, França, acometido de uma pneumonia contando apenas 36 anos de idade. Filho do bacharel José Tavares Bastos e de Rosa Cândida de Araújo fez os primeiros estudos com o pai, que era professor de Latim e de Filosofia e concluiu-os em Olinda. Ingressou na Academia de Direito em 1854, ano quem ocorreu a transferência da Faculdade de Olinda para Recife. No ano seguinte seu pai foi nomeado presidente da Província de São Paulo e ele o acompanhou, se transferindo para a faculdade do Largo do São Francisco. Participou das sociedades acadêmicas e escreveu colaborando para revistas literárias e filosóficas. Graduou-se em 1859, aos 20 anos de idade.36

Tavares Bastos logo passou a residir no Rio de Janeiro, onde foi nomeado oficial de secretaria da Marinha. Um discurso sobre os negócios da Marinha provocou sua exoneração do cargo em 1861. Neste ano, concorreu a uma vaga de deputado geral por Alagoas e, aos 22

anos tornou-se o mais jovem parlamentar da legislatura 1861-1863, juntamente com José de Alencar, João Alfredo e José Bonifácio “O Moço”. Voltou a se eleger por mais duas legislaturas, 1864-1866 e 1867-1870. Em 1868, quando a Câmara foi dissolvida, ele, que fazia oposição ao gabinete Zacarias decidiu deixar a carreira política e utilizar apenas a imprensa como tribuna de suas ideias. Arauto do liberalismo político, Tavares Bastos teve a carreira política marcada pela preocupação coma escravidão, a imigração, a livre navegação do Amazonas, a educação, a questão religiosa, enfim, as questões sociais e econômicas do seu tempo. Sobre estes temas e também sobre a ampliação do número de eleitores, o fim do senado vitalício, a igualdade entre os sexos feminino e masculino e sobre a estabilidade no serviço público ele já escrevia desde 1861, valendo-se de pseudônimos, assim como vários políticos da época, panfletos e cartas publicadas em jornais como o Correio Mercantil, de Francisco Otaviano. Foi em 1868 que passou a dirigir o Diário do Povo, com Lafayette Rodrigues Pereira, e no ano seguinte passou a colaborar com o jornal A Reforma do recém- fundado Clube da Reforma, que preconizava a reformulação eleitoral brasileira. (SILVA, 2005: 9-13)

Sobre o que era o exercício do jornalismo de Tavares Bastos, é útil reproduzir a definição de jornalismo, mais precisamente de jornalista, que Costa Rego efetuou em sua apresentação, posteriormente transformada em livro e que foi resgatada por Marques de Melo.

“O jornalista não é, parece-me, o homem de uma paixão, seja esta embora nobre: é o homem de todas as paixões, a inteligência sensível e espontânea, capaz de vibrar a qualquer momento, diante de qualquer ideia ou de qualquer causa, mesmo vulgar o fato, mesmo indefinida a ideia, mesmo obscura a causa. Que ele tenha probidade – é seu primeiro atributo. Que tenha boa forma – é sua primeira arma. Tenha probidade, para inspirar confiança. Tenha boa forma para suscitar atração. Assim provido, cumpre-lhe devassar a vida e agitá-la.

A vida apresenta-se complexa, sobrecarregada por numerosos problemas, e confusa. Não basta vê-la; é necessário compreendê-la. O jornalista reúne certas ideias em face da vida, e entra a interpretá-la.” (REGO apud MELO, 2009: 185)

De comum, entre as três vertentes que buscam a atribuição da origem do jornalismo no Brasil, está a ligação da atividade jornalística com a política e a burocracia de Estado. Seja na forma oficial, para apoio ou como oposição ao establishment, ao longo do desenvolvimento da imprensa brasileira isto continuou ocorrendo. A ligação entre a atividade de jornalista e a de político sempre foi intrínseca no Brasil, como observou Fernanda Petrarca, que lista também a cultura, como um dos verdadeiros campos em que os jornalistas pretendiam fazer carreira.

“O jornalismo representava uma ocupação provisória, seja para aumentar e complementar o rendimento econômico constituindo-se um “bico”, um trabalho extra, seja como trampolim para posições destacadas em outras esferas. Tratava-se de uma atividade secundária que permitia estabelecer uma série de relações, contatos, vínculos que poderiam resultar em uma posição na esfera da política ou na esfera da cultura.” (PETRARCA, 2008: 60)

4.3 – Os jornalistas no Império que contra-atacava

A articulação do exercício do jornalismo com diversas outras atividades políticas e religiosas marcou a trajetória de inúmeros personagens que se dedicaram a participar da imprensa durante todo o século XIX. Os redatores de jornais acumulavam funções, e o jornalismo tornava-se apenas uma das atividades por eles exercidas, além de um importante instrumento de ação política. A atuação da imprensa era vista, por um lado, como um instrumento estratégico de mobilização política e participação em diversos conflitos sociais; por outro lado era percebida como uma prática de atualização, de crítica e de julgamento dos fatos, pois atuava contra o e a favor do Estado, movimentando-se entre os diversos grupos, facções, partidos, movimentos e manifestações. Dessa forma, a imprensa representava um

espaço importante para projeção de partidos, correntes e personagens políticos, pois era através do jornal que se fortalecia a carreira na política no período joanino e imperial, constituindo-se, assim, como um meio de se chegar à política (RIBEIRO, 2003).

Outro relevante aspecto da relação envolvendo imprensa e Estado daquele tempo, chamada de período da imprensa áulica, dava-se quase na contramão da probidade preconizada por Costa Rego. Era prática extremamente usual do governo joanino se valer das chamadas “penas de aluguel” e, também, subvencionar jornais editados fora do país, especialmente também em Londres, com o objetivo de se contraporem ao Correio Braziliense e outros títulos oposicionistas que foram surgindo ao longo do tempo. E bastava que passassem a desagradar o Regente para que a subvenção lhes fosse cortada, como ocorreu com O Investigador Português, lançado em 1811, e que depois de uma troca de redator e de linha editorial no ano de 1818 teve a subvenção cortada e desapareceu em menos de um ano. (SODRÉ, 1998: 32)

Do seu surgimento até 1880, a imprensa caracterizava-se pela panfletagem, pela criação de vários jornais e pelas folhas avulsas, o que marcou todo esse período. Longe de serem empresas organizadas, estabelecidas, ou empreitadas neutras, os jornais encontraram na política a fonte de seu sustento, servindo aos interesses do Império ou àqueles dos grupos opositores. Isto se manifestou logo cedo, nas disputas ocorridas durante o período de Brasil- Colônia – tendo inclusive uma influência decisiva nos conflitos pela Independência que levaram à formação do Império. Lustosa chama a atenção para o fato de que no período os jornais eram espaço para trocas de insultos, ataques pessoais e até mesmo continham palavrões. Esta foi a tônica dos embates jornalísticos do momento em que o Brasil deixa de se considerar colônia portuguesa para se tornar uma nação independente. As folhas, gazetas, correios e panfletos tornam-se ao mesmo tempo o instrumento e o espaço de competição

política participando ativamente dos conflitos em torno de uma definição do projeto político e do formato da “nação brasileira”. (LUSTOSA, 2000: 16)

Neste cenário, nem mesmo o novo monarca se absteve da atividade de jornalista panfleteiro e espezinhador de adversários. Alvo principal das críticas do período inicial do Brasil-Colônia, o Príncipe-Regente D. Pedro e também depois, como Imperador D. Pedro I, não se contentou com o poder de comunicação que possuía a partir da Imprensa Nacional e foi ao embate na mesma arena dos opositores, que sabiamente resguardavam suas identidades. Mostra Hélio Vianna que se valendo do pseudônimo de “Sacristão da Freguesia de São João do Itaboraí”, o então Príncipe-Regente redigiu uma carta, publicada em forma de panfleto, onde relatava os acontecimentos do Dia do Fico, ridicularizava o principal opositor de sua permanência no Brasil, o Tenente-General Jorge de Avilez Jusarte de Souza Tavares e, de forma complementar, fazia o primeiro ataque a um jornalista: o ex-degredado em Angola José Anastácio Falcão, que desde outubro de 1821 redigia e publicava no país O Alfaiate Constitucional. (VIANNA, 1967: 33-34)

No período pré-Independência os jornais tinham curta duração e eram fundados e redigidos, principalmente, por personalidades que já desempenhavam funções públicas, ou escritores, padres, médicos e intelectuais revolucionários vinculados aos movimentos sociais e políticos do momento. Um caso de servidor público tornado jornalista é o do Visconde de Cairu, então censor da imprensa régia, que dominava vários idiomas, era considerado uma espécie de sábio da Corte e foi o fundador do jornal Conciliador do Reino Unido. Vários são os exemplos de entrada na atividade jornalística via atuação política e religiosa. Engajados na luta pela Independência do Brasil, Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa, foram os principais redatores do Revérbero Constitucional Fluminense, empreitada que circulou entre 15 de setembro de 1821 a 8 de outubro de 1822. Representante brasileiro na Corte Portuguesa, Cipriano Barata abriu em 1822 o jornal A Sentinela. Frei

Caneca fundou o jornal Typhis Pernambucano, em 1823, e mergulhou nos conflitos políticos. (PACCOLA, 2004)

4.4 – Para ser jornalista era bom ter título

Na segunda metade do século XIX os formados em Direito, Engenharia e Medicina nas primeiras faculdades brasileiras passaram a se destacar no interior dos jornais. Uma diversidade de carreiras conduzia ao jornalismo e a atividade passou a constituir-se como um título a mais no conjunto dos títulos acumulados por políticos e, também, por escritores. A formação acadêmica central daqueles que perseguiam a política e a atividade jornalística era o curso de Direito. Dentre os grandes nomes se destacam: Quintino Bocaiúva, editor executivo do jornal O País em 1891; Rui Barbosa, redator-chefe do Diário de Notícias em 1889; Joaquim Nabuco, proprietário correspondente e colaborador de vários jornais; Rodolfo Dantas fundador do Jornal do Brasil em 1891 e Júlio Mesquita fundador de o Estado de S. Paulo em 1890.

Uma breve análise de trajetórias de alguns dos grandes nomes do período permite avaliar as formas de ingresso no jornalismo e, também, as perspectivas de carreira no período. Vários têm histórico similar ao de Tavares Bastos, a quem Costa Rego determina primeiro jornalista brasileiro, mas tome-se, inicialmente, o exemplo de Rui Barbosa.

Originário de uma família de políticos da Bahia, cujo pai foi deputado geral, Rui Barbosa cursou a faculdade de Direito em São Paulo em 1868, momento em que também ingressou na imprensa colaborando para vários jornais paulistas. Foi iniciado no jornalismo por seu colega da faculdade de Direito, Joaquim Nabuco, proprietário do jornal A Independência, periódico político e literário. Na faculdade de Direito ingressou também em associações estudantis, em especial no “Ateneu Paulistano”, tornando-se orador e mais tarde

presidente, sucedendo o amigo Joaquim Nabuco. Nesse período, ingressou na sociedade maçônica. Em seguida, iniciou a carreira na advocacia e intensificou a atuação na imprensa. Em meados do ano de 1870 começou a trabalhar no escritório do Conselheiro Dantas na Bahia. Ali estreitou relações com o filho do conselheiro, Rodolfo Dantas, proprietário do jornal do Partido Liberal denominado Diário da Bahia. Passou a colaborar com o jornal em que se tornou, em 1872, redator-chefe. Nesse jornal, desenvolveu várias campanhas em favor da abolição da escravatura, da reforma eleitoral e da liberdade religiosa. Paralelo a essas atividades, foi eleito, em 1878, deputado na Assembleia Legislativa. Assumiu, anos mais tarde, a função de redator-chefe do Diário de Notícias.

Com Rodolfo Dantas, Rui Barbosa montou um escritório de advocacia no Rio de Janeiro, e, nessa cidade, suas carreiras jurídica, jornalística e política deslancharam. Em 1884, recebeu o título de Conselheiro, em 1889 foi eleito vice-chefe do governo provisório instaurado logo após a proclamação da República. Assumiu a pasta do Ministério da Fazenda e da Justiça por intervenção de Quintino Bocaiúva. Em 1893, adquiriu o Jornal do Brasil e, em 1898, tornou-se redator-chefe do jornal A Imprensa. Sua atuação também estendeu-se à literatura, compondo várias obras na área do Direito. No ano de 1908, assumiu a presidência da Academia Brasileira de Letras e, em 1914, a presidência do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Ao analisar as múltiplas e simultâneas carreiras em que o advogado, escritor, jornalista e político Rui Barbosa investiu, Fernanda Petrarca conclui que ele fazia da atividade um título de caráter social.

“O jornalismo, além de permitir, em muitas situações, ampliar e intensificar sua atividade política constituiu-se como mais um dos títulos que carregava e mais um dos espaços de atuação em que estava inserido. Nos jornais em que atuava ora como redator, ora como proprietário e diretor, manifestava os anseios das reformas pelas quais deveria passar a nação: a reforma eleitoral, a

reforma constituinte, colocando o seu conhecimento na área da jurisprudência em prol das reformas políticas. O jornalismo constituía-se como um espaço importante em que era possível fazer um uso político da sua formação em Direito. Um espaço chave na articulação da formação acadêmica e profissional com a atuação política.” (PETRARCA, 2008: 66)

Quintino Antônio Ferreira de Sousa foi mais conhecido como Quintino Bocaiúva, codinome que adotou de um nome de palmeira natural do Mato Grosso para expressar o nativismo. Biógrafos e historiadores não chegaram a um consenso quanto ao início de sua atividade em jornais. Parte afirma que para custear os estudos na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1852, ele começou a trabalhar como tipógrafo no jornal do Partido Liberal chamado O Ipiranga e outra parte afirma que isto ocorreu antes mesmo de ir estudar Direito, na qualidade de revisor do Diário do Rio de Janeiro. Não concluiu os estudos por dificuldades financeiras, mas é certo que no jornal da Corte chegou a se tornar o diretor estreitando, assim, relações com diversos políticos do período do Segundo Império.

Investiu, nas quatro últimas décadas do século XIX, na atividade jornalística e chegou a ser chamado na época de “príncipe dos jornalistas” em decorrência de sua atuação. Escrevendo em diversos jornais, fundou tablóides ocupou cargos de redator e de diretor. Foi o redator do manifesto republicano, publicado em 1870 no jornal A República (empastelado em 1873). Em 1874 fundou O Globo e, em 1884, o jornal O País. Paralelamente escrevia peças literárias, atuava como crítico literário e teatrólogo e construía também sua carreira na política.

Foi senador por três mandatos: 1890-1891, 1892-1899, 1900-1909, período em que se licenciou para ser presidente do Estado do Rio de Janeiro, cargo que ocupou até 1903.37 Seu prestígio como líder republicano lhe rendeu, entre outras coisas, ser o único casaca (civil) que

na madrugada de 15 de Novembro de 1889 cavalgou ao lado do Marechal Deodoro da Fonseca e dos demais militares. No governo provisório de Deodoro foi ministro das Relações Exteriores e também ministro interino da Agricultura. Integrante da maçonaria desde a juventude, chegou a supremo mandatário daquela Ordem no país, eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em 1901.38 Foi fundador do Partido Republicano Conservador.

Também em seu caso a socióloga Fernanda Petrarca avalia que a atuação no jornalismo, concomitantemente a outras atividades, permitiu ampliar as possibilidades de inserção em vários campos, “como da política e da cultura, visto que, nos jornais intensificava contatos, formava vínculos e estabelecia novas relações. Assim, o jornalismo constituía-se como uma ferramenta, um recurso, que expandia as formas de atuação...[]” (PETRARCA, 2008 : 65)

A análise não é muito díspar, quando aplicada às trajetórias de Júlio Mesquita, Joaquim Nabuco e Rodolfo Dantas. Formados em Direito, iniciaram suas atividades em jornais em meados da década de 1860 e 1870 ainda na faculdade quando investiram, ao mesmo tempo, em suas carreiras políticas e jornalísticas. Rodolfo Dantas tornou-se ministro já em 1882 e Joaquim Nabuco embaixador do Brasil em Washington em 1905. Foram colaboradores de vários jornais, redatores e fundadores de outros tantos; faziam crônicas políticas, críticas literárias e escreviam artigos de opinião. Júlio Mesquita adquiriu o controle acionário do jornal A Província de São Paulo, em 1890, transformando esse quotidiano em um jornal “independente” de partidos políticos. Criado por um grupo de republicanos em 1875, A Província de São Paulo revelou nomes como Américo de Campos, Rangel Pestana, Campos Sales e Américo Brasiliense e tinha “um programa não apenas para atender um determinado plano político-partidário, mas fundamentalmente para assegurar ao jornalismo

novas conquistas, dotando a unidade e o país de porta-voz das aspirações coletivas”. (BAHIA, 1968:30) Entretanto, Mesquita investiu fortemente nas relações políticas que conseguia mobilizar colocando-se na defesa do liberalismo oligárquico e assumindo a liderança da oposição ao Partido Republicano Paulista (MICELI, 2001).

4.5 – Homens de letras nas redações

Também no período do Segundo Império começou o movimento de aproximação dos chamados “homens de letras”, os literatos, com as redações. Isso é explicado em parte pelo viés econômico dado por Nelson Werneck Sodré, segundo quem, o mercado editorial brasileiro era tão incipiente que restava aos escritores buscarem nos jornais os meios de difundirem suas obras.

“As editoras brasileiras, que começaram a aparecer na segunda metade do século XIX, mandavam imprimir grande parte de sua produção no exterior, sobretudo, Portugal, Alemanha e França. Isso fazia do livro um bem escasso no Brasil, contribuindo para fazer da imprensa o principal meio de divulgação de trabalhos de escritores e contato com o público.” (SODRÉ, 1999)

Entre os nomes que encontraram nos jornais da época espaço para publicar suas obras e ainda atuarem como jornalistas estão Manuel Antônio de Almeida com seu “Memórias de um Sargento de Milícias”, escrito em 1852 e publicado sob o pseudônimo de “Um Brasileiro” no Correio Mercantil, mas, postumamente, republicado por Quintino Bocaiúva com a devida atribuição de autoria na revista Biblioteca Brasileira dez anos depois; José de Alencar com o romance “O Guarani”, de 1857, publicado no Diário do Rio de Janeiro; Machado de Assis, com a “Mão e a Luva” e “Iaiá Garcia”, publicados respectivamente em 1874 e em 1878 no jornal O Globo e em O Cruzeiro. As obras literárias passaram a