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jarras, utilizada para apoiar peças com base côncava, cônica ou plana, mas cuja sustentação não seja possível por si só.

Além destas formas, há indícios da presença de outras quatro formas recorrentes, a saber, cuscuzeiro, papeiro, assadeira e fogaleiro ou fogão.

O cuscuzeiro se constitui por duas partes, sendo a de baixo de forma similar à das panelas e a de cima a um prato, o que torna difícil o reconhecimento e a projeção desta forma. No entanto, é possível inferir a presença desta forma não apenas porque ela permanece no repertório das loiceiras atualmente, como também porque nos deparamos com alguns fragmentos que se assemelhavam a junções entre as formas de panela e prato do cuscuzeiro. É utilizada no preparo do cuscuz, base da alimentação local.

O papeiro tem uma forma muito semelhante à de um prato, com diâmetro maior, sendo que o que o diferencia deste é a presença de quatro asinhas junto ao beiço, como se fossem orelhinhas. É usado no preparo de mingais.

A assadeira é usada para fritar carne, como uma frigideira e, do mesmo modo que o papeiro, tem uma forma muito semelhante à do prato, também com diâmetro maior. O que a diferencia do prato e do papeiro é a presença de uma alça em um dos lados e um bico para despejar o óleo da fritura.

A proximidade da forma dos papeiros e assadeiras com pratos dificulta a identificação destas formas no registro arqueológico.

Por fim, o fogaleiro (fogareiro) ou fogão, como o próprio nome diz, é uma peça utilizada como um fogareiro, de uma única boca, composto de duas partes, a de baixo onde se coloca carvão para fazer fogo, e a parte de cima, onde se apoia a panela para cocção dos alimentos. É muito utilizado durante o São João para cozinha milho, batata doce, etc. A presença de fogaleiros foi

88 atestada por um único fragmento, que compõe a parte de cima da peça, onde se apoia a panela.

Além disso, fizemos o desenho das bases (PRANCHA 40) e de um fragmento pertencente a um cachimbo (PRANCHA 39).

A partir da constituição deste repertório de formas, estabelecemos comparações com outros dados obtidos na análise, visando uma melhor caracterização deste conjunto cerâmico, bem como a identificação de função e, no limite, testar as nossas categorias de análise.

Assim, com relação às formas, predominam pratos em 53% (94) da amostra, seguido por panelas, em 15% (27), tigelas, em 12% (21), potes, em 12% (21), tachos, em 6% (11) e alguidares, em 2%(3).

Gráfico 2.11 – Formas das Vasilhas.

Nota-se uma predominância de formas de pratos que são vasilhas utilizadas para consumo individual de alimentos. O alto índice destas formas no registro arqueológico do sítio Tacaimbó 2, pode indicar uma taxa de reposição maior, além de justificar, de certa forma, a pouca quantidade de louça branca exógena, como verificado. Há nitidamente uma preferência pelo consumo de produtos do mercado local, provenientes, provavelmente de redes de troca estabelecidas nas feiras.

Panelas e tigelas conjuntamente correspondem a quase um terço do acervo do sítio. Aparecem em menor quantidade que os pratos porque, provavelmente, são manipulados com menor frequência o que diminui quebras e a necessidade de trocas. Além disso, panelas e tigelas servem a toda uma

15% 12% 2% 6% 53% 12% 0%

Tacaimbó 2

Formas das Vasilhas

Panela Tigela Alguidar ou bacia Tacho ou Torra-Café Prato Pote ou Jarra Cachimbo

89 família e não a um único indivíduo e, neste sentido, não são repostos com tanta frequência quanto os pratos.

A título de exemplo, em pesquisa de campo recente na área rural do município de Cupira, Zona da Mata Pernambucana, entrevistamos uma moradora que nos mostrou uma panela e uma tigela, compradas de loiceiras de Altinho que, segundo ela, tinham 30 anos cada uma. Tal dado nos permite refletir sobre o uso de bens duráveis, como a loiça de barro, por populações de baixo poder aquisitivo e de grande mobilidade em períodos de seca prolongada, como no caso de sociedades não-capitalistas, e das populações sertanejas em questão. Nestes contextos, estas populações são forçadas a adotar de uma cultura material mais expedita, e a se utilizar de processos de reciclagem e reaproveitamento de matérias-primas e bens duráveis, como a loiça de barro, além de se assegurar que estes bens tenham o maior tempo de vida útil possível.

Neste sentido, podemos pensar sobre a validade de análises que consideram exclusivamente a quantidade e a frequência de vestígios cerâmicos num sítio, para inferir o tempo de duração de uma determinada ocupação, bem como a quantidade de habitantes daquele local.

Embora os potes se constituam numa forma essencial para contextos de secas prolongadas, como é o caso, estes são pouco frequentes no registro justamente por terem um tempo de vida útil maior. Tanto é que nos deparamos com inúmeros fragmentos de loiça proveniente do corpo dos potes e que continham remendos feitos de argamassa.

Figura 2.59 – Fragmento de pote com

remendo de argamassa (Estrutura).

Figura 2.60 – Fragmento com argamassa

90 Já no caso dos tachos e alguidares a baixa frequência pode indicar tanto períodos de uso prolongados, como também funções acessórias dentro dos contextos domésticos, como parece ser o caso.

Partindo para os cruzamentos dos dados do repertório de formas com os dados obtidos a partir da análise de outros atributos, comparamos os dados referentes à tecnologia (como a pasta e tratamentos de superfície), à decoração e ao uso.

Quanto à tecnologia, o cruzamento entre as formas e os tipos de antiplástico, bem como as concentrações do mesmo, não evidenciou diferenças entre elas. O mineral é predominante em todas as formas. Apenas nos pratos há uma quantidade maior de argila associada ao mineral, mas, aparentemente, isso se deve à maior proporção desta forma na amostra.

Gráfico 2.12 – Forma x Antiplástico

O cruzamento entre as formas e as colorações da pasta também não evidenciou diferenças quanto à escolha de determinada pasta, para determinada função, pois as colorações variam proporcionalmente em todas as formas. Na verdade, este dado pode ser considerado como um indício de que as formas são provenientes de contextos de produção diversos.

Já no caso dos tratamentos de superfície mais elaborados, os polimentos são predominantes nos pratos e nos potes aparecem em pequena quantidade. Isso pode ser um indício de que a adoção do polimento das superfícies possui, além de características de performance funcionais, como a

0 20 40 60 80 100

Panela ou chaleira Tigela Tacho ou Torra Café Alguidar ou bacia Pratos Pote ou jarra

Tacaimbó 2