A imagem tem vindo a constituir-‐se como elemento característico da sociedade contemporânea tornando-‐se objecto de estudo em diferentes áreas do saber tais como a semiótica, sociologia, psicologia e antropologia.
Para ser possível um melhor entendimento sobre efeitos da imagem na sociedade contemporânea é necessário pensar em alguns factores que podem ser considerados importantes, tais como a forma como a imagem é usada na comunicação com o outro, a importância que é dada ao registo da imagem pessoal, ou o efeito que a imagem publicitária (sendo ela estática, dinâmica, virtual) têm sobre o público-‐alvo. Relativamente à educação, torna-‐se importante refletir sobre algumas problemáticas
de cada ponto do objecto iluminado, permitindo reconstruir uma imagem com informação tridimensional.
que resultam da relação dos alunos com as imagens que lhes chegam diariamente, nomeadamente imagens de publicidade, imagens de pessoas e do mundo disponíveis na internet e as imagens usadas e partilhadas nas redes sociais.
Das imagens com que lidamos diariamente, a imagem publicitária é talvez a que requer mais atenção. Ela terá sido um dos primeiro objetos de observação para a semiologia da imagem (Joly,2008) porque as imagens são analisadas e interpretadas pelo ser humano de forma automática e intuitiva. Essa interpretação é sempre feita por comparação com algo que já é conhecido, com ideias e costumes característicos de cada cultura. É a partir da comparação que permite ao autor (ou criador) da imagem sensibilizar o seu público alvo para determinada temática ou objecto. Como exemplo, as imagens de publicidade tendem a ir de encontro com as necessidades físicas e psicológicas do ser humano. Como exemplo, a publicidade rodoviária é muitas vezes centrada no efeito emotivo que tem no espectador, quando este é confrontado com a possibilidade de perder um ente querido num acidente de viação. Este tipo de sensibilização resulta e é benéfica para o consumidor. No entanto, existe outro tipo de mensagens visuais cujo objectivo não é de proteção nem prevenção, são imagens cuja mensagem visual tem como finalidade influenciar o consumidor a tomar determinadas decisões para as quais pode não estar preparado.
Por isso, pretendo aqui mencionar a forma como a imagem pode constitui-‐se um contributo relevante em contexto de ensino/aprendizagem, tendo em conta as situações já referidas como a necessidade da comunidade escolar se tornar capaz de se adaptar às necessidades dos alunos, de modo a ter em conta os seus interesses, expectativas e motivações. Parto da ideia de que o recurso à imagem pode ser um contributo para melhorar as condições de aprendizagem porque possibilita a motivação dos alunos e favorece a reflexão sobre aquilo que veem e que os rodeia. Considero que este último ponto deva ser trabalhado pelos professores de Artes Visuais, indo de encontro às premissas do Currículo Nacional de Competências do Ensino Básico, tal como é expresso:
“As artes são elementos indispensáveis no desenvolvimento da expressão pessoal, social e cultural do aluno. São formas de saber que articulam imaginação, razão e emoção. (...) A vivência artística influência o modo como se aprende, como se comunica e como se interpretam os significados do quotidiano. Desta forma, contribui para o desenvolvimento de diferentes competências e reflete-‐se no modo como se pensa, no que se pensa e no que se produz com o pensamento.”(2001:149)
A imagem pessoal, a relação que temos com ela e a percepção que os outros têm dela constitui há muito uma preocupação do ser humano. Desde sempre existe a preocupação da representação do Eu através de diferentes formas, seja através da pintura, fotografia, do vídeo, etc. A importância da imagem pessoal e a partilha da mesma é constante através de redes sociais e é muitas vezes usada como forma de comunicação com o outro.
No decorrer da minha experiência na docência pude assistir a diferentes situações que vão de encontro à ideia acima referida. Em algumas aulas em que participei foi possível observar a dinâmica de comunicação que alguns alunos estabeleciam entre si, sendo que na maioria dos casos os alunos tinham acesso a redes sociais através de telemóveis e/ou computadores portáteis, recorrendo igualmente à utilização de máquina fotográfica ou de filmar. A maior parte dos alunos usam estas tecnologias diariamente. Através delas partilham imagens pessoais e dão grande importância ao registo das mesmas fazendo-‐o de forma continuada. Estes alunos, e o ser humano em geral, demonstram a necessidade de sentirem apreciados, admirados, de mostrarem os seus atributos para que os mesmos sejam respeitados. Como refere Medeiros (2000:59):
“As relações entre as pessoas são mediadas por representações / imagens corporais, que tomam um significado explícito em momentos de maior intensidade emocional: o rosto, os membros do corpo, os cabelos, o ventre, o ouvido, as costas, cada uma destas partes do corpo humano é investida de um valor simbólico e constitui-‐se como objecto transicional das relações entre os
intervenientes da ação. A relação com o mundo é assim uma metáfora da relação com um outro particular, com um corpo individual e concreto.”
Enfatizando a importância da imagem pessoal e a comunicação através dela, a imagem de nós próprios ganha assim uma importância a nível cultural, imagem essa pensada em relação a um “(...) <eu ideal> (...)”(Medeiros, 2000:81) com que cada um se compara frequentemente. Se até pouco tempo atrás as fotografias ou vídeos pessoais eram apenas partilhados pelos nossos amigos e familiares, hoje são partilhadas na internet, em redes sociais, chats de conversação, ambientes virtuais e outros, sendo muitas vezes essa partilha feita de forma imprudente. O ser humano constitui-‐se, assim, produtor e consumidor de imagem. Para isso estão disponíveis na internet, para quem quiser explorar, diferentes aplicações que permitem editar imagens, para correção de cores, brilho e até mesmo para tratar imagens de forma ilusória, sendo que estas aplicações já são do conhecimento de alguns alunos.
Ao longo das aulas, os alunos da turma de 12º ano registaram imagens para posteriormente as editarem e partilharem na internet, em redes sociais e no youtube Com efeito, pude encontrar nas aplicações de internet referidas diversos vídeos com imagens e som editados por estes alunos, referentes a diferentes situações vivenciadas enquanto turma, ou ainda numa esfera de convívio informal, exterior, ou não, ao espaço escolar. Recordações que partilham entre eles e com o resto do mundo, uma vez que estão disponíveis a qualquer utilizador de internet. Levantam-‐se, assim, questões relacionadas com a privacidade das imagens que são colocadas online, sendo necessário que o acesso às mesmas seja feito de forma consciente das diferentes consequências da referida auto exposição.
Também sobre este aspecto o ensino/aprendizagem das Artes Visuais pode ser um contributo para o desenvolvimento da cultura visual do aluno, na medida em que permitir aos alunos uma reflexão e interpretação crítica sobre as imagens com que lidam diariamente, nomeadamente as imagens de publicidade e as imagens pessoais e