Handlingsorienterte tilbakemeldinger om kompetanseutvikling
5.5 Ferdighetenes rolle i undervisningen
O entendimento da ligação da questão da terra com a precariedade das condições das famílias do bairro e mesmo com o aumento do desmatamento ilegal vai aumentando conforme cresce o envolvimento de alguns posseiros com a AGUA. Esse envolvimento se intensificou, sobretudo, a partir da formação da COOPERAGUA e da melhoria do escoamento da produção de alguns posseiros. Foi a necessidade material de reprodução da família que definitivamente aproximou alguns camponeses posseiros da organização comunitária liderada por Gilberto e Geraldo.
As duas principais lideranças da associação eram identificadas e se identificavam com os médios e grandes produtores de banana do bairro, e, como vimos, em determinado momento fazem a opção pela pequena produção agroecológica e por buscar um caminho de desenvolvimento mais igualitário no Guapiruvu. Essa opção pelo desenvolvimento comunitário levou-os a considerar a luta histórica pela terra no âmbito da AGUA, especialmente depois do despejo sofrido pelos posseiros em 1998:
Carina: E em relação a essa história do assentamento, essa história de luta de muitos anos... Como é que você se relacionou com essa história?
Gilberto Ohta: Eu assim, eu evitei entrar nessa briga enquanto proprietário da área, porque nós tínhamos uma área lá e nós tínhamos que se proteger também. E a gente não podia aceitar que as pessoas fossem invadindo a área dos outros, entendeu.
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Carina: Ah, você tem uma área lá também?
Gilberto Ohta: Nós temos uma área grande lá, de 7 e poucos alqueires que eu falei pra você. Que é divisa com essa área ai [área desapropriada pelo INCRA para implantar o assentamento], que as pessoas sempre respeitaram. Agora, quando eu era vereador eu dei bastante apoio político para eles. Inclusive eu escrevi no jornal e tal, tinha uma obrigação. Mas institucionalmente, enquanto vereador. Como pessoa eu não podia me expor muito. Porque era complicado, pela ética. E eu tinha uma visão capitalista na verdade, eu era capitalista: ai nós vamos ficar sem funcionário? Eu tava me consolidando como um capitalista, né. E ai também é isso né. Mas eu tava em dúvida de qual que era o caminho. Quando nós começamos a montar a associação, começamos a discutir paradigmas e tal, essa coisa da justiça social. Então eu acabei entrando no negócio, acabei entrando na luta deles também. E não demorou muito, nós montamos a associação, a associação não queria entrar muito no negócio, porque também não queria entrar em conflito com o nenê [grande produtor do bairro cujas terras fazem divisa com o assentamento]. No começo, nós achamos isso, e até porque eu também dava essa opinião também lá. Ai a associação ficou meio de lado, tal. Depois como eles foram desintegrados, a juíza mandou desintegrar todo mundo, ai nós vimos a injustiça social que estava sendo feita. Ai a AGUA não pode ficar fora disso, nós vamos ter que assumir um lado. Ai a AGUA acabou assumindo o lado deles. Vai ficar do lado dos grandes produtores ou do lado dos pequenos? (Gilberto Ohta, entrevista concedida em 24/01/2005)
Em 2000 a associação se envolveu na luta dos posseiros formatando uma proposta de assentamento e assumindo a interlocução com os órgãos públicos e os demais atores sociais do processo. Com a ajuda do Vitae Civilis e apoio da Fundação Florestal, desenvolve uma proposta de assentamento propondo um zoneamento da área com usos diferenciados, de acordo com o estágio sucessional da vegetação, além de questões relativas à administração do assentamento.
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Ai ... Nem era uma estratégia da Água, era uma estratégia minha, das lideranças. As lideranças também ficaram meio assim com medo. Porque a AGUA podia ter se juntado com os grandes, né. Juntado com o Adroaldo, por exemplo. E daí criado estratégias pros grandes, né. Inclusive os pequenos aqui sabem que o pessoal do sindicato [sindicato rural de Sete Barras] preferiu apoiar os grandes. A AGUA, na hora do pega pra capa, mesmo que ela ficou em cima do muro um tempo, eu to falando a AGUA, as lideranças da AGUA, chegou uma hora que nós vimos que não era o caminho de apoiar os grandes, era apoiar os pequenos. Porque nós só ia ter sustentabilidade se nós apoiasse os pequenos né, não os grandes. Ai sim, ai eles foram desintegrados, a polícia veio e tirou eles tudo. Ai que nós fomos buscar uma estratégia política para resolução do assunto. Ai nós sentamos e criamos estas novas políticas ai, chamamos as grandes ONG‟s chamamos o estado, chamamos o INCRA. Fomos brigando, chamamos a Fundação Florestal, o IBAMA, todo mundo e começamos a discutir. (Gilberto Ohta, entrevista concedida em 24/01/2005)
O envolvimento da AGUA com a causa dos posseiros acabou atraindo muitas famílias que não participavam da associação, mas que são as principais beneficiárias do assentamento. No entanto, o caráter ambientalista AGUA e o passado político e material de Gilberto é encarado com desconfiança por muitas famílias, principalmente aquelas que sobrevivem do extrativismo da Juçara.
A articulação política da AGUA com os órgãos ambientais do governo do estado de São Paulo e com organizações da sociedade civil de caráter ambientalista31 permitiu uma reaproximação com o INCRA e culminou com a desapropriação da fazenda Boa Vista e o início da implantação do assentamento agroambiental em meados do ano de 2005.
31 São parceiros de projetos no Guapiruvu organizações como: SOS Mata Atlântica, Proter, ISA,
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Entretanto, a implantação do assentamento agroambiental no bairro, resultado, pois, em grande medida, do emprego do discurso ambientalista na luta política, estabelece um novo cenário para a reprodução desses camponeses. Tal assentamento, em plena fase de organização e implantação hoje, deve se organizar a partir do estabelecimento de regras restritas de uso da terra e da natureza. Desenham-se técnicas agrícolas baseadas na agroecologia e define-se o uso dos recursos naturais a partir de técnicas de manejo sustentável. São determinações de um tipo de assentamento conhecido como PDS, que o INCRA vem implantando em áreas em que predominam comunidades que vivem do extrativismo e da agricultura familiar.
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