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Ferdighet – faglighet – allmenndanning

6.9 Reliabilitet, validitet og generaliserbarhet

7.1.4 Ferdighet – faglighet – allmenndanning

A nova abordagem psicanalítica de Fromm, mal recebida e interpretada pelo Institute for Social Research, foi ao mesmo tempo muito bem aceita pelos novos contatos que Fromm começava a realizar nos Estados Unidos. A saída de Fromm da Escola de Frankfurt delimitou decisivamente a separação do mesmo com a psicanálise ortodoxa e foi o marco para seu novo caminho pessoal, intelectual e profissional rumo à liberdade de pensamento.

Erich Fromm e Karen Horney fizeram contato com muitas pessoas interessadas nas influências psicológicas na sociedade e cultura. Entre elas, estavam Margaret Mead88, Ruth Benedict89, John Dollard90, Harold D. Lasswell91 e Abram Kardiner92. Uma grande motivação para Fromm continuar investindo em sua nova abordagem veio do parecer positivo de Harry Stack Sullivan93. Desde meados da década de 1930, Fromm, associado à psicanalista Karen Horney,

88 Antropóloga cultural norte americana, conhecida pelo trabalho de campo na Polinésia.

Trabalhou como professora adjunta da Universidade de Columbia. Seguindo o exemplo da instrutora e amante Ruth Benedict, concentrou os estudos em problemas de criança infantil, personalidade e cultura.

89Antropóloga americana cujo trabalho principal foi expresso na obra “Raça, Linguagem e Cultura”

– provavelmente o mais veemente texto anti-racista a surgir do mundo acadêmico em sua época. Sobre este tema ela provou que esses três aspectos são independentes: raça, linguagem e cultura. Depois de Boas tornou-se impossível falar que qualquer raça é inferior, incapaz de se aproveitar daquilo que de mais elevado culturalmente a humanidade tem a oferecer, e ser seriamente levado em consideração.

90 Psicólogo social mais conhecido por seus estudos sobre relações raciais nos Estados Unidos.

De 1942 a 1945 atuou como consultor na Divisão de Serviços do United States Department of War, período em que ele e colegas psicólogos do Instituto de Relações Humanas da Universidade de Yale produziram um estudo intitulado "Medo e Coragem sob condições de batalha." Este estudo investigou o medo e a moral dos soldados em condições de combate.

91Cientista político e teórico da comunicação estadunidense, considerado um dos fundadores da

psicologia política.

92 Físico, psicanalista, psiquiatra e teórico psicocultural americano, foi um dos grandes críticos da

teoria da libido de Freud.

93 Psiquiatra americano, cujo trabalho principal em psicanálise foi baseado na observação direta e

também emigrada da Alemanha94, e ao psicanalista americano Harry Stack Sullivan, de orientação behaviorista, formou um grupo à parte no meio psicanalítico novaiorquino: queriam combinar a psiquiatria, a psicanálise, a sociologia, a etnologia, e tinham se associado aos etnólogos Edward Sapir e Ruth Benedict (Wiggershaus, 2006, p. 297).

Em outubro de 1936, Fromm recebeu um convite de Sullivan - que era presidente da Fundação Psicanalítica William Alonso White - para lecionar e desenvolver seminários na Nova Escola de Psiquiatria em Washington. Fromm ficou muito entusiasmado com o convite, pois nesta escola de psiquiatria estudantes de diversas disciplinas como: medicina, antropologia, psicologia entre outras áreas afins estavam abordando o ser humano como um organismo psicológico numa orientação social (Funk, 2000).

O convite de Sullivan a Fromm, em 1936, para cooperar na Escola de Psiquiatria em Washington não veio como uma surpresa total, mas foi o resultado do contato de Fromm com Clara Thompson95 e com Frieda Fromm-Reichmam96, sua primeira esposa. Clara Thompson foi a primeira presidente da Washington- Baltimore Sociedade de Psicanálise, da qual Sullivan era um membro e Frieda nesta época já era uma psiquiatra de renome devido à grande repercussão do seu trabalho com pacientes esquizofrênicos. Clara Thompson foi uma parceira das ideias de Fromm principalmente durante as confusões e rupturas das sociedades psicanalíticas durante os anos 40 (Funk, 2000).

Para Fromm, o contato com Sullivan proporcionou um novo começo em vários caminhos. A experiência terapêutica de Sullivan era amplamente similar à de Fromm, como também à de Frieda, Thompson, Groddeck e Sándor Ferenczi97. Todos eles concordavam em não ter uma postura como terapeutas usando o

94 Horney, ao contrário de Freud, valorizava o papel decisivo e patriarcal das instituições, das

normas culturais, da educação e da sociedsade global a qual viviam as mulheres sobre as quais Freud pensava poder emitir julgamentos puramente biológicos-antropológicos.

95 Médica e psicanalista cuja principal contribuição no campo da psicanálise foi a publicação de

livros e artigos que versaram sobre as origens e o desenvolvimento da psicanálise considerando a importância que as diversas vertentes representaram ao longo de sua história.

96 Psiquiatra alemã, emigrada aos EUA durante a Segunda Guerra. Contemporânea de Freud. 97Sándor Ferenczi foi um psicanalista húngaro. Foi um dos mais íntimos colaboradores de Freud,

modelo ideal de Freud que seguia a premissa do observador neutro, do terapeuta opaco para o paciente, liso como a face de um espelho sem conceder o desejo de amor que o paciente procura. Porém, para Fromm e o círculo de psicanalistas que estava inserido neste período, a observação dos pacientes não implica uma distância objetiva, nem envolve deixar à parte um nível de relacionamento humano. A observação pode tornar-se entendida pela expansão que o observador tem da sua participação sem neutralizá-la fria e objetivamente (Funk, 2000).

Fromm tinha aprendido a técnica clássica psicanalítica em seu próprio tratamento analítico com Hanns Sachs98 em Berlim e a tinha praticado por algum tempo com seus pacientes. Ele criticou as regras de Freud na sua própria experiência analítica enquanto paciente e terapeuta. Desde então passou a dedicar-se à sua nova abordagem: a psicanálise humanista (Funk, 2000).

De acordo com Fromm, as estruturas psicológicas e os conflitos neuróticos são resultado de uma experiência atual conectada à realidade interna e externa. A realidade interna é composta pelas representações internas dos objetos e o ego é formado pelas imagens que geralmente compõem os primeiros anos de vida, sendo a realidade externa tudo que está ao redor do sujeito, incluindo os fatos e pessoas de que muitas vezes não se tem consciência, mas que atuam de forma direta ou indireta no social. Desta forma, Fromm rejeitou a ideia de Freud de que a estrutura psicológica se desenvolve unicamente através de um processo automático pelo qual um ou diversos impulsos embutidos são experienciados e acordados com a realidade. (Fromm, 1965a, 1979)

A partir de sua prática e reflexões, Fromm desenvolveu sua abordagem que visa atender o ser humano de uma forma ampla. Na psicanálise humanista, o sujeito é visto a partir de sua realidade interna e externa através de uma relação terapêutica mais humana. Tendo como seus precursores Ferenczi e Sullivan, Fromm ressalta a importância que o analista deve tomar no processo psicanalítico. Porém, esta distância necessária é muito diferente da concepção de Freud do observador neutro. (Fromm, 1979)

98 Um dos primeiros discípulos de Freud, foi analista-supervisor do Instituto Psicanalítico de

Publicado em 1941 O medo à liberdade, descreve a história do homem ocidental como um esforço por libertar-se de todas as opressões e, ao mesmo tempo, como uma fuga repetida diante da sensação de insegurança que a liberdade responsável produz no ser humano. Sustenta a tese de que a liberdade tem duplo sentido para o homem moderno: a de que ele se emancipou das autoridades tradicionais e tornou-se um indivíduo, mas ao mesmo tempo ficou isolado, impotente e convertido em um instrumento para fins estranhos a si mesmo, alienado de si e dos outros. Além disso, diz que este estado mina seu ego, enfraquece-o, e amedronta-o tornando-o disposto para submeter-se a novos tipos de escravidão. A liberdade chegou a um ponto crítico em que, impulsionada pela lógica de seu próprio dinamismo, ameaça transformar-se em seu antônimo. O futuro da democracia depende da concretização do individualismo que tem sido uma meta ideológica desde o renascimento. A crise cultural e política de nossos dias não se deve ao fato de haver individualismo excessivo, mas ao de lucro.

Este livro (Fromm, 1983) foi o marca de sua independência da Escola de Frankfurt, tornando-se um autor conhecido e respeitado mundialmente. Nele afirmou seu próprio caminho frente às correntes doutrinais que o inspiravam: marxismo e psicanálise freudiana, afastando-se pelo menos em tese, de suas raízes judaicas que marcaram o critério de análise adotado nas obras precedentes99.

Sua relação pessoal com Karen Horney que vinha desde 1934 foi se deteriorando, o que culminou em término, no ano de 1943. Neste mesmo ano muitos teóricos, incluindo Fromm, deixaram a Sociedade Psicanalítica de Nova Iorque para abrirem também em Nova Iorque uma filial da Nova Escola de Psiquiatria de Washington. Entre os fundadores estavam Sullivan, Fromm, Frieda e Thompson. Depois da Segunda Guerra Mundial, as atividades puderam ser estendidas de forma significante (Funk, 2000).

Eram outros tempos. O mundo no período pós-1945, caracterizou-se por impactos extraordinários e contradições causadas pelas transformações políticas,

99 Nesta obra, Fromm sugere que, durante o processo histórico do desenvolvimento humano

surgiram novas possibilidades humanas uma vez que o ser humano desenvolveu o pensamento construtivo, crítico e a possibilidade de viver experiências emocionais e sensuais variadas, além de se conscientizar de sua paixão da equidade pela verdade.

econômicas sociais e culturais e que desencadearam profundas e irreversíveis mudanças na história do planeta. O mundo na segunda metade do século XX tornou-se urbanizado como nunca havia sido antes:

Todos queriam um mundo de produção e comércio externo crescentes, pleno emprego, industrialização e modernização, e estavam preparados para consegui-lo, se necessário, por meio de um determinado controle governamental e administração de economias mistas, e da cooperação com movimentos trabalhistas organizados, contanto que não fossem comunistas. A era de ouro do capitalismo teria sido impossível sem esse consenso de que a economia de empresa privada (livre empresa era o nome preferido) precisava ser salva de si mesma para sobreviver. (HOBSBAWM, 1997, p. 268)

Entretanto, foi um período de fortíssimas tensões, contraposições de modelos de Estado, alternativas radicais em contraste e um duplo desenvolvimento de universos econômicos. Por um lado, pela primeira vez na história, criou-se uma economia mundial única, cada vez mais integrada e universal, operando em grande medida por sobre as fronteiras do Estado (transnacionalmente) e, portanto, também, cada vez mais por sobre as barreiras da ideologia do Estado. Em decorrência disto, as ideias consagradas das instituições de todos os regimes e sistemas ficaram destruídas ou se relativizaram muito. No início, ainda havia a esperança de que fossem resolvidos os problemas de longo prazo, para os quais os países capitalistas buscaram soluções radicais, muitas vezes ouvindo estudiosos de livre mercado irrestrito, que rejeitavam as políticas que haviam servido até então à economia mundial durante este período e que neste período pareciam estar falhando (Hobsbawm, 1997).

Do ponto de vista político, democracia e totalitarismo chocaram-se durante quase todo o novo século evidenciando a luta da humanidade pela liberdade garantida pelo regime democrático de governo. A democracia indicou um pré- -requisito de vida coletiva em sociedades avançadas em seu desenvolvimento econômico e social e o totalitarismo uma saída em tempos de conflito, especialmente nos momentos em que os países viveram transformações sociais, econômicas e radicais ou quando se delineou uma crise profunda de identidade

social e ideal, antes que política, enfrentando os problemas por meio do controle e da repressão até o limite do extermínio e por meio da criação de canais de conformação forçada, a começar da escola que se torna o lugar prioritário de reprodução da ideologia.

Do ponto de vista social, assistiu-se ao surgimento e ao fortalecimento das massas nas cidades quebrando esquemas, hábitos, costumes e práticas de uma sociedade profundamente classicista e elitista e desencadeando velhas e novas revoluções. Essas massas quase sempre foram interpretadas como uma espécie de bode expiatório de todas as catástrofes do século, tornando-se muitas vezes fonte do desprezo pelas fileiras do liberalismo conservador, pelos setores de esquerda, marxista ou não100, e inclusive do pós-marxismo encarnado, principalmente, por historiadores, filósofos e pelos intelectuais da Escola de Frankfurt. A educação tornou-se, portanto, uma possibilidade de ascensão social, não mais restrita às elites. A emergência das massas, na ebulição do desenvolvimento industrial, dos processos de urbanização, pressionou os governos para que fosse ofertado um maior número de vagas em todos os níveis de educação. A começar pelos países desenvolvidos, a alfabetização passou a ser obrigatória fazendo com que a cultura entrasse em uma nova fase, mais democrática, ou seja, mais acessível. Outra novidade desta crise foi o domínio de uma cultura juvenil, principalmente nas economias de mercado, representando uma massa concentrada no poder das influencias do mundo burguês. O desejo de felicidade e de juventude passou a ser visto como uma espécie de estágio final do desenvolvimento humano.

Com o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, principalmente do rádio e da televisão, essa nova cultura se expandiu influenciando as diferentes culturas e os diferentes estilos de vida, com marcas peculiares da juventude americana: o jeans e o rock. A cultura jovem tornou-se, assim, a matriz da revolução cultural no sentido mais amplo através da revolução dos modos e costumes, nas formas de lazer e nas artes comerciais que formava, cada vez mais, a atmosfera respirada por homens e mulheres urbanos.

100 Entre os hábitos mais arraigados da tradição comunista está precisamente o de deslegitimar as

massas cada vez que estas não se comportam da forma que o infalível partido de vanguarda esperava que elas assim o fizesse.

Hobsbawm (1997) destacou duas características importantes desta cultura: a informalidade e a contraditoriedade, que determinaram as novas e atuais tendências no mundo. Considera a revolução cultural do século XX como um triunfo do indivíduo sobre a sociedade. Em outras palavras, o rompimento dos fios que ligavam os seres humanos em suas texturas sociais que consistiam não só em relações entre os seres humanos e suas formas de organização, mas também nos modelos gerais, incluindo padrões de comportamento das relações humanas. Um exemplo disto foi o espaço conquistado pela mulher, incluindo o aborto em alguns países, o direito ao divórcio, a igualdade de gênero na formação acadêmica e no trabalho que aumentou quebrando padrões machistas, sem contar o desprestígio de instituições tradicionais como a família e a Igreja Católica. Estes exemplos indicaram uma nova crise que implicaria em uma profunda mudança de mentalidade das gerações futuras.

Na segunda metade do século XX, quando o combate ao analfabetismo e a difusão do ensino básico tornaram-se uma espécie de tradução de educação para a democracia pós-nazismo, conscientização e alfabetização fizeram-se sinônimos de ampliação da cidadania sob a égide da democracia representativa. Neste sentido, o pensamento de Fromm contribuiu em muitos aspectos.

Fromm continuou a fazer o trabalho que desenvolvia em Washington treinando psiquiatras e psicólogos na teoria e prática da sua abordagem psicanalítica, além de instruir professores, trabalhadores sociais, enfermeiros e médicos sobre os conceitos psicanalíticos, os quais estenderiam seus conhecimentos em suas próprias profissões (Funk, 2000).

Meses após terminar seu romance com Karen Horney, ainda em 1943, Fromm conheceu Henny Gurland com quem se casou no dia 21 de julho de 1944. Nesta mesma época, Fromm foi convidado a tornar-se professor do Colégio Bennington no estado de Vermont e ministrar seminários de psicanálise e religião na Universidade de Yale durante o inverno de 1948 e 1949 (Funk, 2000). Em 1947, a partir dos seminários ministrados na Fundação Psiquiátrica William Alanson White e no Colégio de Bennington, Fromm publicou Análise do Homem. Nesta obra, ele aprofunda sua visão e seus pensamentos sobre a relevância da observação frente aos acontecimentos internos e externos ao homem como um

todo. Esta preocupação se vê principalmente pelo fato de ter vivenciado de perto os horrores das duasGuerras Mundiais, bem como as ameaças psicológicas da Guerra Fria.

Em 1950, Fromm e Henny se mudaram para o México seguindo orientações médicas. Visavam encontrar um lugar mais calmo, na tentativa de amenizar os sintomas da artrite que estavam consumindo a saúde de Henny. Fromm dedicou- - se muito à tentativa de reabilitação de sua esposa. Diminuiu trabalhos e compromissos sociais, porém a doença piorou de forma gradativa levando-a à morte no dia 4 de junho de 1952 (Funk, 2000).

Durante e após seu período de luto, Fromm continuou morando no México, pois estava satisfeito com o desenvolvimento do seu trabalho de formação de psicanalistas mexicanos. Sabia que a psicanálise era dificilmente conhecida no México nessa época. A ideia inicial surgiu através do convite feito por José Diaz, diretor da Universidade Nacional Autônoma do México, para que Fromm viesse coordenar a formação de psicanalistas que teria duração de cinco anos. A primeira turma teve início em 1951 e terminou em 1956. Porém, até 1959, Fromm ia para Nova Iorque a cada primavera a fim de continuar seu trabalho com palestras e seminários (Funk, 2000).

Após o luto pela morte de Henny, Fromm voltou a trabalhar e a fazer contatos com toda sua energia e vigor. Em um destes contatos, Fromm reencontrou-se com Annis Freeman que recentemente havia perdido seu marido. Fromm conheceu o casal em 1948 em Nova Iorque na conexão com a UNESCO num projeto sobre as tensões políticas da época. Seu reencontro com Annis culminou num intenso e tranquilo amor que durou 28 anos, até a sua morte. Tendo ideais parecidos com os de Fromm, Annis estava interessada na política internacional, na diversidade das culturas e religiões e nas múltiplas formas da organização social. Fromm sempre a considerou como uma companheira nas discussões científicas. Ela leu todos os seus manuscritos e lhe entregava as suas críticas comentadas (Funk, 2000).

Sua preocupação com a religião oriunda de uma cultura se clarifica na obra Psicanálise e religião, publicada em 1951. Fromm a considerou uma continuação dos pensamentos expressos em Analise do homem, no qual ele se deteve

principalmente nas questões éticas, enfatizando aqui o problema da psicanálise em relação à religião. Sua maior convicção é que o problema da religião não é problema de Deus, mas sim problema do homem, ou seja, focar a questão religiosa na aceitação ou na rejeição do símbolo de Deus, leva ao bloqueio da percepção do problema religioso como um problema humano, não permitindo o aperfeiçoamento das atitudes humanas que, num sentido humanista, podem ser designadas por religiosas. Neste livro, desenvolveu uma aguçada crítica contra as instituições religiosas, pois ao invés de promoverem a reflexão e a liberdade do ser humano fazem exatamente o contrário quando põem em prática suas ideias ortodoxas alienando e dominando através dos dogmas e ritos. Neste aspecto, Fromm compara tais religiões, as quais por ele foram denominadas, com os sistemas políticos autoritários, nos quais poucos detêm o poder e ditam as regras para a grande maioria. Em oposição às religiões e aos governos autoritários, considera positivo o papel que as religiões humanistas desenvolvem promovendo a liberdade do homem uma vez que estão fundamentadas no amor.

No mesmo ano, publicou Linguagem Esquecida, resultado de suas reflexões e pesquisas sobre a estrutura do caráter e a linguagem simbólica do inconsciente. Fromm via o inconsciente como uma energia positiva da humanidade. Não o via somente como o que está reprimido, mas também como a totalidade humana com toda a sua profundidade e potencial imaginativo. Este pensamento começou a ficar mais claro para Fromm dez anos mais tarde, a partir do momento que ele teve contato com o zen-budismo, através de Daisetz Suzuki101, com quem publicou o livro: Psychoanalysis and Zen Buddhism, que aborda como os princípios do zen-budismo podem ser aplicados na psicanálise. Segundo Fromm, tanto o zen-budismo como a psicanálise oferecem caminhos de experiência consigo mesmo através da percepção da realidade externa e interna, na qual os limites do ego são derrotados e o ser humano pode, então, estar unido