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A transição do Feudalismo para o Capitalismo vai trazer mudanças profundas que vão repercutir em todas as direções.

O ponto de partida para a educação de deficientes foi através da obra de Jean-Paul Bonet, que foi editada na França em 1620, com o título " Redação das Letras e Artes de Ensinar os Mudos a Falar‖. Constata-se, também, a primeira instituição especializada para a educação de surdos-mudos em Paris, fundada pelo abade Charles M. Eppée, em 1770, em Paris. O abade inventou um método de sinais destinado a completar o alfabeto manual. Sua obra escrita mais importante foi publicada em 1776, com o título "A Verdadeira Maneira de Instruir Surdos-Mudos‖. O Alemão Samuel Heinecke inventou o método oral para ensinar os surdos-mudos a ler, mediante o movimento normal dos lábios, hoje denominado leitura labial ( Mazzota 2001, Bianchetti, 1998).

Outro trabalho importante vai ser a descoberta e a tentativa de integração a sociedade francesa do início do século XIX, de Vítor, mais conhecido como o ―selvagem de Aveyron‖, um menino de 12 anos, selvagem, capturado na floresta de Aveyron, no sul da França por volta de 1800. O médico Jean Marc Itard, publicou um livro em 1801 onde registrou suas tentativas de educação e integração deste indivíduo, que foi considerado como um deficiente mental, que é tido como o primeiro manual de educação de deficientes mentais e intitulado de ―L' Education d'um Homme Sauvage‖. O trabalho de Itard mostra a eficácia da instrução individual associada à integração com a sociedade. Itard vai assumir muito tempo de sua vida a esta tarefa, assumida por ele como uma missão, sendo que seu relato de avanços e fracassos constitui-se numa das mais belas páginas da história da educação especial, estabelecendo-se as suas bases. A metodologia de ensino de Itard ainda hoje é considerada moderna e ele é conhecido, por alguns estudiosos como o " Pai da Educação Especial "(( Mazzota 2001, Bianchetti, 1998).

As duas grandes guerras mundiais originaram um número assustador de mutilados e perturbados mentais. As sociedades atingidas obrigam-se a um novo olhar sobre si mesmo, confronta-se com a necessidade de assumir responsabilidades e se empenham na procura de respostas possíveis. Assiste-se

a uma fase de renascimento humanista, que atinge seu apogeu no século XX ( Correia, 1999 ).

Com a valorização dos direitos humanos, surgem os conceitos de igualdade de oportunidades, direito a diferença, justiça social e solidariedade. Organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU), UNESCO, Organização Mundial da Saúde(OMS), Organização Internacional para o Trabalho (OIT) e a Reabilitação Internacional, passam a defender as pessoas com algum tipo de deficiência, como tendo os mesmos direitos e deveres de todos os outros cidadãos, e entre eles, o direito à educação, à participação na vida social e à sua conseqüente integração escolar e profissional.

A educação especial passa, assim, neste século, por grandes reformulações, como resultado de uma revisão gradual da teoria educativa e de uma série de decisões legais históricas que asseguram que a escola está à disposição de TODOS os indivíduos, em igualdade de condições. Constituindo-se, obrigação da sociedade proporcionar condições de um ensino público e gratuito de qualidade adequado às suas necessidades.

É exemplo, nos Estados Unidos, a decisão do " Caso Brown", que em 1954 desafiou a prática vigente da escola segregada, de acordo com a raça. Em 1972 pais de 13 crianças com deficiência mental, através da ―Pennsylvania Association Retarded Children‖, contestando uma lei estadual que negava a educação em escolas públicas de crianças ― incapazes de freqüentá-las", argumentaram que seus filhos, embora possuíssem déficits intelectuais, não eram ineducáveis, nem podiam ser objetos de exclusão dos programas da escola pública. O tribunal decidiu a seu favor abrindo novas perspectivas para alunos com outros tipos de limitações. (Correia, 1999).

Após diversos encontros e acordos internacionais, como a Declaração de Salamanca, hoje a maioria dos países adotam pelo menos teoricamente a responsabilidade de fazer com que toda criança com necessidade especial, não importando o grau de sua problemática, receba educação apropriada, pública e gratuita, de acordo com suas características e necessidades especiais.

Ao longo dos séculos, as sociedades foram sofrendo uma série de transformações, quanto às atitudes dispensadas às pessoas com deficiências como visto no capítulo 1. As primeiras escolas de Educação Especial foram voltadas em primeiro plano para os deficientes sensoriais, porque, à época, eram comuns os cegos e surdos ilustres, assim como era relativamente fácil encontrar cegos com memória excepcional, que cantavam que conheciam música, que faziam uma série de maravilhas.

Em meados do século XX, observa-se um movimento que tende a aceitar as pessoas deficientes e a integrá-las tanto quanto possível à sociedade. Este movimento tem início, nos países escandinavos, mais precisamente na Dinamarca, em 1959, quando foram questionadas as práticas sociais e escolares de segregação, assim como as atividades sociais em relação às pessoas com deficiência intelectual.

Para Sassaki (1997).

― A idéia de integração surgiu para derrubar a prática de exclusão social a que foram submetidas às pessoas deficientes por vários séculos. A exclusão ocorria em seu sentido total, ou seja, as pessoas portadoras de deficiências eram excluídas da sociedade para qualquer atividade porque antigamente elas eram consideradas inválidas, sem utilidade para a sociedade e incapazes para trabalhar, características estas atribuídas indistintamente a todos que tivessem alguma deficiência. ‖.

Existem três elementos básicos que contribuem para sistematizar e orientar atitudes educacionais no sentido de integração do aluno com necessidades especial no ambiente escolar.

1. Integração Temporal — é a convivência na classe regular, de preferência