Num segundo momento iniciou-se a intervenção, na qual tivemos de realizar planificações diárias. Primeiramente senti necessidade de realizar uma reflexão em torno das seguintes questões "-Para que vou ensinar? - Como vou ensinar? - O que vou ensinar? - Como poderei saber se os alunos aprenderam?" Pais & Monteiro (1996, p. 36) e só assim se passou à elaboração das planificações e à escolha das atividades que pudessem promover aprendizagens significativas nos alunos.
No meu entender a planificação é um instrumento de trabalho no qual está definido o plano de aula tendo em conta os pressupostos do currículo, este deve orientar o
29 professor ao longo da sua prática, devendo também ser flexível mediante o contexto em que é implementado.
Roldão, salienta que cabe assim ao professor, o papel de planificar e de,
...conceber um percurso orientado para a melhor forma de atingir uma finalidade pretendida, no caso, a aprendizagem de alguma coisa (conceitos, factos, relações, competências, saberes práticos e muitos outros que integram os conteúdo curriculares) por um conjunto diversificado de alunos. (2005, p.58)
Desta forma o professor deverá encontrar diferentes estratégias de ensino, diversificando os momentos em sala de aula, de modo a que se tornem mais proveitosos para todos os alunos. No entanto não existe apenas uma estratégia única para planificar uma atividade e estas dependem da intencionalidade educativa do professor, um "...mesmo conjunto de actividades ou tarefas pode ser organizado segundo estratégias diferentes, dependendo da concepção e finalidade que o professor pretende alcançar." (Roldão, M., 2009, p.59).
Ao longo desta experiência de estágio constatei que o currículo formal é o que está mais presente no contexto de ensino, por sua vez o currículo oculto é muitas das vezes menosprezado. No 1.º CEB há tendência de planificar o ensino, partindo do currículo formal, ou seja aquele que é exigido oficialmente. Penso que cabe ao professor fundamentar-se cientificamente e ter uma postura reflexiva quanto ao modo como vai conduzir o ensino e avaliar os seus alunos, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento integral e a proporcionar-lhes aprendizagens que vão para além das formalizadas.
No entanto a planificação abarca outras dimensões para além do currículo, o professor deverá ter em consideração os diferentes documentos orientadores do Ministério da Educação como também os documentos da instituição, plano anual de atividades, projeto educativo, projeto curricular de escola, entre outros que lhe são veiculados para orientação da sua prática.
Os papéis curriculares da escola e do professor cruzam-se e complementam-se. A escola é a unidade básica de referência para o desenvolvimento do currículo. Para o efeito, esboça as linhas gerais de adaptação do Programa às exigências do contexto social, institucional e pessoal, e define as prioridades. Será, porém, o professor a concretizar, com a sua actuação prática, essas previsões. E só ele poderá adoptar as decisões já antes referidas. Ele realiza a síntese do geral
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(Programa), do situacional (programação escolar) e do contexto imediato (o contexto da aula e os conteúdos específicos ou tarefas). (Zabalza, 1992, p.1)
Ao longo da minha prática pedagógica fui tendo a perceção que o professor não deve encarar o currículo como um instrumento de trabalho rígido e estático, devendo ter em consideração todos os documentos referidos anteriormente e sobretudo as crianças. Estas devem ser o foco da sua ação, devendo este contribuir para uma pedagogia em participação "...do envolvimento na experiência e a construção da aprendizagem na experiência contínua e interativa." (Oliveira-Formosinho & Gambôa, 2011, p.15) na qual as crianças sejam os principais intervenientes no processo de ensino-aprendizagem. Para isso o professor deverá ainda planificar,
...em equipa e em união com os pais e outras pessoas colectivas da comunidade social implicados no ensino, esboçam as linhas mestras do seu trabalho, estudam as possibilidades de resolução de problemas anteriormente sentidos e as formas de reforçar os êxitos conseguidos, definem os tipos de dimensões educativas e instrutivas prioritárias, clarificam os porquês e as finalidades, inventariam os recursos disponíveis, etc. (Zabalza, 1992, p.2)
Assim sendo o professor ao envolver nas suas práticas, os aspetos anteriormente referidos, irá proceder a um ensino coletivo, ou seja menos centrado no seu trabalho e na sala de aula, e mais globalizador e inclusivo com todos os intervenientes da comunidade educativa.
Nem sempre é fácil a execução de uma atividade completamente nova sem que tenhamos qualquer experiência no contexto. Porém a planificação cuidada e pensada, facilita este processo. Tal como refere Ribeiro & Ribeiro (2008, p.51) a planificação tem de conter "o que se planeia ensinar", ou seja os objetivos e conteúdos e ainda "o como se planeia ensinar", sendo no meu ponto de vista, este último tópico mais complexo, pois nem sempre é fácil recorrer a novos métodos e experiências que sejam suficientemente desafiadoras e que de certa forma vão ao encontro dos objetivos e conteúdos enunciados nos programas e metas curriculares.
É fundamental seguir o currículo, mas também ter a capacidade de flexibilizar o processo de ensino-aprendizagem. Ou seja, ao planearmos é fundamental que os conteúdos obedeçam a uma "linha condutora", uma ordem ou sequência em que se vai ensinar independentemente se esta é a sequência ou não que vem no currículo.
31 Os conteúdos a serem lecionados, devem atender a uma organização interdisciplinar envolvendo os processos pedagógicos-didáticos e estabelecendo uma sequência. Penso que se os conteúdos a serem lecionados estiverem interligados permitem que os alunos aprendam de forma mais contextualizada permitindo-lhes estabelecer ligações entre as diferentes áreas disciplinares e não disciplinares.
Aprendi que por vezes as experiências educativas complexas em termos de planificação e recurso são mais férteis quando implementadas junto do grupo de alunos. Pensar, organizar, planificar e construir materiais didáticos diferentes e estimulantes para os alunos envolve um grande trabalho de equipa e de pesquisa, e ao longo deste processo considero que trabalhar em colaboração com a minha colega de estágio foi uma mais- valia para a minha formação e para a aquisição de novas aprendizagens.
Ao realizar as planificações, fui tendo uma maior noção da quantidade de atividades e do tempo necessário para as realizar de acordo com o grupo de alunos. Penso que a planificação cuidada e pensada possibilita uma gestão adequada do tempo, no entanto, aos poucos fui tentando dar menos relevo ao tempo de modo a fruir dos momentos com os alunos e deixando-os explorar os assuntos que eram do seu interesse, com maior profundidade.
Aprendi, que apesar do que nos é exigido em termos de agrupamento e de programa, o professor tem de ter a capacidade de refletir sobre o processo educativo e induzir resultados de aprendizagem que não são explicitamente visados pelos planos e programas de ensino, respetivamente a aquisição de valores, atitudes, de formação social, moral e de reprodução social. Segundo Beltrão & Nascimento a educação para a cidadania passa assim pela,
...educação política, pela educação cívica, pela educação para os valores e pela educação para o caráter, mas transcende-as, na medida em que integra estas vertentes no desenvolvimento global do/da Homem/ Mulher com vista à participação plena e activa em todos os aspetos, pessoais, colectivos, que caracterizam a sociedade humana. (2000, p.49)
Tive ainda a cuidado de realizar atividades no âmbito das diferentes áreas disciplinares, não só para poder experienciar mas também para implementar metodologias e estratégias que temos vindo a aprender ao longo da nossa formação.
32 Apesar de ter conhecimento de como se realizava uma planificação no 1.º CEB, aos poucos considero que fomos melhorando em alguns aspetos as nossas planificações, tentando sempre adequar a planificação ao grupo de alunos e tendo o cuidado de avaliar os alunos e as aprendizagens alcançadas.
Na prática pedagógica no 1.º ano de escolaridade, tive a oportunidade de planificar com o grupo de alunos e de lecionar os conteúdos de forma transdisciplinar abarcando as diferentes áreas disciplinares e não disciplinares, através da metodologia de trabalho de projeto, como apresento mais à frente.