• No results found

2 Et kort historisk riss

3.2 Feiltagelsen fra 1905

“A transferência é um processo de atribuição de papéis no mundo interno de cada sujeito”11.

EAESP/FGV/NPP - NÚCLEODE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 34/286

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 19 98 A estrutura do grupo permite e estimula o surgimento de fantasias inconscientes, pois a dimensão intra-subjetiva possui a mesma estrutura. O que se entende por estrutura dramática? As cenas internalizadas se apresentam através de pessoas (desempenhando papéis, posições na interação com significados específicos, configurados em um campo de emoções, de afetos). A mesma estrutura grupal se superpõe às cenas internas dos integrantes. Há emoções vividas e revividas nesse processo, que é organizado em função de uma tarefa explícita e, portanto, comum a todos. No entanto, a vivência emocional possui peculiaridades das histórias subjetivas que, no campo do grupo, vão encontrar denominadores comuns: quer pela situação objetiva compartilhada, quer por semelhanças de aspectos com cenas passadas, internalizadas, que não são comuns exatamente, mas que podem apresentar pontos de conexão. Esse entrelaçamento de fantasias inconscientes que se apresenta no grupo se refere a componentes da pré-história grupal, pertinentes a cada sujeito.

Segundo Fumagalli12, existem áreas de conflito compartilhadas e, por isso, em determinados momentos, vive-se uma problemática implícita comum para a maior parte dos integrantes. Nessa estrutura grupal que está sempre se armando e se reconstruindo, os integrantes vão escrevendo a nova história, utilizando personagens do passado, seus vícios, seus estilos de vínculo em uma nova cena. Em determinados momentos, as histórias se entrecruzam, se assemelham. Àquele que faz intervenções no grupo cumpre ler essas cenas que trazem composições novas, mescladas do passado. Há diferentes papéis, mas que se articulam em um único personagem dramático. A professora, por exemplo, pode ser vista como mãe, mas cada um tem uma maneira de se relacionar complementarmente com essa figura: dependente, irreverente, distantemente, etc., é uma espécie de personagem dramático, multifacético em relação a uma figura multicentral.

12 FUMAGALLI, C. Transferencia y Contratransferencia en Grupo Operativo. Buenos Aires, Ediciones Cinco,

EAESP/FGV/NPP - NÚCLEODE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 35/286

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 19 98 Os papéis ocupados na realidade objetiva apresentam uma certa racionalidade, motivo, que nem sempre é a mesma que ocorre com os papéis ocupados na realidade interna, ou seja, os papéis dramáticos.

A tarefa explícita é recortada pelos conteúdos intra-subjetivos, os motivos, ansiedades dos integrantes que configuram a tarefa implícita. Esses dois níveis de tarefa se articulam na produção grupal, que é seqüencial, associativa e que liga muitas ressonâncias fantasmáticas.

A produção inclui o processo transferencial, mundo interno de cada um. Cabe-nos entender esse jogo, ou mais propriamente esse interjogo, tendo como eixo a horizontalidade, ou denominador comum das histórias na relação com a tarefa. Os desvios de tarefa se dão em momentos nos quais há indiscriminações do dentro/fora e o processo de centramento se apresenta.

A compreensão do processo transferencial permite inferir no plano manifesto a estrutura vincular internalizada e o significado para o sujeito do novo, que atua como mobilizador provocando ansiedade: que tipos de situações são temidas? Como é feita essa montagem em que os integrantes utilizam referenciais que inviabilizam o seu contato com o diferente e obstaculizam as mudanças?

Essa leitura é feita através de um ou mais porta-vozes. Quem são eles? São aqueles que apresentam uma problemática da sua verticalidade, mas que contêm uma sintonia comum à horizontalidade. Há um cruzamento, um ponto comum entre a história individual e grupal. Compartilha-se grupalmente, em um nível não consciente, de um conteúdo subjetivo que se apresenta em um nível manifesto através do porta-voz. Ele fala pelo grupo, ele é o articulador do implícito com o nível manifesto. Por exemplo: um aluno que colabora com o professor em uma classe bastante indisciplinada e que é “vaiado”. Em outros momentos, outros alunos fazem o mesmo, e a reação é semelhante. Estão manifestando algo que é individual, mas que pode estar revelando um desejo não dito dos outros. Isso seria verificado na

EAESP/FGV/NPP - NÚCLEODE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 36/286

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 19 98 história que os precede e que se segue posteriormente: através das ações dos alunos, de seus relatos...

5.5. Contratransferência

Também denominada por Pichon-Rivière13 de transferência recíproca, consiste na assunção de expectativas atribuídas pelo operador do grupo. No caso, o docente poderia estar atuando contratransferencialmente, na medida em que suas reações inconscientes se equiparassem ao que os alunos lhe atribuíam, por exemplo: o papel de exigente, autoritário, enfim o conjunto de reações frente ao grupo. A tarefa e os processos transferenciais são importantes elementos de análise para comentar as hipóteses acerca do implícito do grupo.

O investigar-se constantemente dentro dessa concepção de aprendizagem, que se assenta sobre a interação, é de vital importância. Todos, ainda que assimetricamente, estão em um mesmo campo de interações e influenciam-se dinamicamente, quer em um nível visível, explícito, quer em um nível invisível e oculto. Na medida em que ocorrem contradições (eu/grupo, velho/novo) e suas atuações no docente, por exemplo é um indício de contratransferência e é importante reconhecê-lo como uma forma de ler o que os alunos não lhe dizem explicitamente. É uma forma de comunicação entre as pessoas.

Esses processos, no entanto, devem ser incluídos no ato educativo. “O ato educativo como tal está multideterminado”14. O âmbito institucional deve ser incluído nesta análise.

13 PICHON-RIVIÈRE, E., op. cit.

EAESP/FGV/NPP - NÚCLEODE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 37/286

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A Nº 1/ 19 98