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Feilkilder og anbefalinger av videre studie

Diskusjon og anbefalinger

6.3 Feilkilder og anbefalinger av videre studie

Deixa o aluno tatear, alongar os tentáculos, experimentar e cavar, inquirir e comparar, folhear livros e fichas, mergulhar a curiosidade nas profundezas caprichosas do conhecimento, em busca árdua, por vezes, do alimento que lhe é substancial (FREINET, 2004, p. 82).

Abrindo o segundo eixo da pesquisa a respeito de aprendizagem de jovens com restrição de liberdade, julgou-se necessário trilhar algumas noções sobre aprendizagens de adolescentes e pedagogias voltadas para alunos internos do sistema socioeducativo.

Como justificativa para tal abordagem, deve-se ter a compreensão de que, independente da condição de restrição de liberdade, o sujeito em questão continua sendo um adolescente. Reconhece- se, contudo, haver um perfil comum construído entre tais adolescentes em função das condições semelhantes que vivenciam, tanto nos ambientes socioeducativos como fora deles.

Hernandez (1999) descreveu a adolescência como uma etapa da vida caracterizada por profundas mudanças e diversas transições na conduta emocional, intelectual, sexual e social dos seres humanos. O mundo exterior e a sociedade que os rodeia, ambos também em estado de transição, contribuem como fatores que influem no processo de transformação da personalidade dos adolescentes (HERNANDEZ, 1999).

No campo cognitivo, as mudanças também são relevantes. As capacidades cognitivas dos adolescentes se desenvolvem de forma quantitativa e qualitativa. A importância das mudanças das operações formais que têm lugar durante esse período não podem ser subestimadas, a exemplo da capacidade operacional para considerar hipóteses ou proposições teóricas separadas de acontecimentos imediatamente observáveis (BASTOS, 2005).

Essas mudanças cognitivas influem fortemente nas modificações do caráter em que se dá a relação pais e filhos, nas nascentes características da personalidade, nos mecanismos de defesa psicológica, no planejamento de futuras metas educativas e vocacionais, nas crescentes preocupações com os valores sociais, políticos e pessoais, e inclusive no sentido em que se desenvolve a identidade pessoal (BLEGER, 1989).

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (BRASIL, 1993), considera-se adolescente aquela pessoa entre 12 e 18 anos de idade. A condição de adolescente, porém, não é

pacífica e genérica. Segundo Aberastury e Knobel (1989), as questões socioculturais da atual modernidade têm ampliado os limites da adolescência a um período entre 12 e 21 anos, podendo chegar até mesmo aos 25 anos.

Knobel (1989, p. 29) fez uma descrição da adolescência com aspectos sintomatológicos caracterizados por:

1) busca de si mesmo e da identidade; 2) tendência grupal; 3) necessidade de intelectualizar e fantasiar; 4) crises religiosas, que podem ir desde o ateísmo mais intransigente até o misticismo mais fervoroso; 5) deslocalização temporal, em que o pensamento adquire as características de pensamento primário; 6) evolução sexual manifesta, desde o autoerotismo até a heterossexualidade genital adulta; 7) atitude social reivindicatória com tendências anti ou associais de diversa intensidade; 8) contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta, dominada pela ação, que constitui a forma de expressão conceitual mais típica deste período da vida; 9) uma separação progressiva dos pais; e 10) constantes flutuações de humor e do estado de ânimo.

Como consequência desse aspecto indefinido, o período da adolescência se desenvolve sob marcos de inseguranças, perdas, angústias e temores que, somados às mudanças corporais, condicionam o comportamento individual e social dos jovens (FREITAS, 2006).

Para alguns, a adolescência é concebida como uma etapa do desenvolvimento, de caráter universal e abstrato, percebida como uma fase difícil, semipatológica, que se apresenta carregada de conflitos. Contrapondo e com intuito de superar tal concepção, Levinsky (1995) conceituou a adolescência como sendo uma fase do desenvolvimento evolutivo, em que a criança gradualmente passa para a vida adulta de acordo com as condições ambientais e de história pessoal. Para o autor, a adolescência tem natureza psicossocial, com associações à puberdade e ao desenvolvimento cognitivo, uma vez que são a sociedade e a cultura, com suas hipocrisias, paradoxos, de forma projetiva, que agravam a vida dos adolescentes (LEVINSKY, 1995).

Seguindo essa linha, Nascimento (2010) viu a adolescência como um produto da cultura, com valores preestabelecidos. O jovem, com suas paixões, seus sentimentos aflorados, entusiasmos e movimentos é capaz de ampliar seus limites imaginativos para aquisição de novas experiências e sensações.

A vida de um adolescente pulsa vitalidade em face do entrelaçamento entre o seu desenvolvimento emocional e intelectual. Em contrapartida, seu cotidiano é institucionalizado por uma cultura escolar, que tanto encanta em função do momento de fortalecimento de identidade com outros adolescentes, como repulsa pela falta de autonomia, pela imposição de horários, pelas normas disciplinares etc. (NASCIMENTO, 2010).

Enfim, adolescência é a fase em que o indivíduo começa a enfrentar os dilemas de uma sociedade complexa, que tanto é significativa quanto contraditória. O jovem começa a fazer inserções no mundo adulto com características e valores próprios. Ao deparar-se com vários outros

códigos de valores sociais, responde a eles com maior ou menor grau de aproximação, ou de rejeição (NASCIMENTO, 2010).

Bock (2007) compreendeu a adolescência como um período do desenvolvimento humano constituído dentro de uma realidade sociocultural e histórica. É o período em que as significações sociais dos jovens são construídas em busca de uma identidade que é capaz de convergir do social para o individual (BOCK, 2007).

A partir da construção de suas significações sociais é que a aprendizagem do adolescente passa a ter sentido. Quando um jovem percebe que a ausência de um conhecimento, de alguma forma, afetará suas relações sociais, procurará fontes confiáveis aos seus próprios olhos, munindo-se de informações por ele julgadas como necessárias (NASCIMENTO, 2010).

Sendo assim, o grande desafio do processo de aprendizagem de um jovem é descobrir o que tem se tornado significativo, tanto para ele como para o grupo no qual está inserido, envolvendo-o dentro de uma possibilidade de reconstrução ativa do conhecimento, por meio de métodos que valorizem o elo entre a teoria e a prática – uma teoria que lhe proporcione compreender tal realidade, ou até mesmo transformá-la e uma prática proveniente de experiências e diálogos de seu cotidiano.

Pensamos que devíamos substituir a pedagogia escolástica de repetição por uma pedagogia de investigação e de experiências que não só aumenta os conhecimentos dos alunos, mas também os educa em profundidade, para lhes fazer adquirir uma cultura (FREINET, 1975, p. 160).

A grande dificuldade dos docentes, nos dias atuais, no contexto de aprendizagem com adolescentes, é de se inteirar dos processos de desenvolvimento e das influências e mudanças sociais que estão ocorrendo todos os dias. São mudanças rápidas, com novos instrumentos e condições, impondo à sociedade transformações nas relações entre os indivíduos (NASCIMENTO, 2010).

Esse ambiente de assimilação de novos conhecimentos e de mudanças nas relações dos indivíduos provoca um ciclo contínuo e retroalimentado: o aumento da base de conhecimento da humanidade provoca transformações sociais, e as transformações sociais estimulam ainda mais o domínio de novas bases de conhecimento. Piaget (2006) dizia que a assimilação de novos processos cognitivos ocorre a partir de estruturas cognitivas já acomodadas, às quais, uma vez associados, modificam os esquemas já existentes. Ou seja, para ele esse ambiente de inovação e acomodação cíclica é natural do ser humano.

Por conta desse ambiente de mudanças, cresce entre os jovens uma resistência a aprendizagens mecânicas. O acesso a uma informação qualquer, por meio da internet, é rápido e amplo. Com um clique, ele tem acesso a diversas informações, não havendo sentido nenhum memorizar mecanicamente informações que não sejam relevantes. Compreende-se aprendizagem mecânica como a aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva (BOCK, 1999). Já a aprendizagem significativa,

conceito proposto por Ausubel (1982), baseia-se em uma reflexão específica sobre a aprendizagem e o ensino.

As proposições de Ausubel (1982) partem da consideração de que os indivíduos apresentam uma organização baseada em conhecimentos e conceitos, os quais são organizados hierarquicamente, de acordo com grau de abstração e generalização, pelos quais as estruturas cognitivas são estabelecidas (NASCIMENTO, 2010).

Segundo Arends (1997), a atividade pedagógica é capaz de promover valorizações, como: o valor de realização ou a importância de realizar alguma coisa; o valor intrínseco ou o interesse pelo prazer que se obtém da atividade como tal; e o valor da utilidade, porque a tarefa deve ajudar a alcançar metas a curto, médio e longo prazo.

Verifica-se, então, que a aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores e o processo de aprender, apesar de ser pessoal, é construído e partilhado junto aos pares com quem constroem seus relacionamentos. Podemos concordar com Arends (1997), quando este afirma que a ideia da aprendizagem como um processo cognitivo é influenciada por dimensões afetivas, por fatores socioculturais, orgânicos, motivacionais, axiológicos e pedagógicos.

Na adolescência, havendo aprendizagem, o jovem é capaz de promover a reflexão e a abstração, permitindo elaborar hipóteses, debater ideias e confrontar opiniões, construindo uma teoria própria da realidade. Pela aprendizagem, o adolescente confronta os seus próprios valores com os valores do mundo adulto, na tentativa de alcançar a tão desejada autonomia, sendo capaz de ajuizar regras e convenções sociais, que o levem, por vezes, a acatá-las e, por outras, a desobedecê-las (KOHLBERG, 1986).

Para Kohlberg (1986), a aprendizagem é capaz de desenvolver as virtudes indispensáveis à vida comum, como: solidariedade, confiança, responsabilidade coletiva e participação. A adoção desses valores como expectativas compartilhadas provoca os grupos para deixarem de serem associações pragmáticas, cujos membros são regidos por objetivos educacionais individuais, e passem a valorizar a vida em comum como um fim em si.

A adolescência é uma fase de profundas transformações comportamentais que vão variar em função de sua interação com seu meio e compreensão dele, seja em nível social ou mesmo familiar. O modo como se dá a inserção do adolescente em tal meio social varia em função de sua conduta – conduta essa que é a expressão visível de sua personalidade em conflito (BLEGER, 1989).